Experiências com a (pá)lavra na União do Vegetal: um estudo antropológico do conhecer caianinho

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Silva, Danielli Katherine Pascoal da
Orientador(a): Cardoso, Vânia Zikán
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/175916
Resumo: Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2016.
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spelling Universidade Federal de Santa CatarinaSilva, Danielli Katherine Pascoal daCardoso, Vânia Zikán2017-05-23T04:24:52Z2017-05-23T04:24:52Z2016345291https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/175916Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2016.A presente pesquisa desenvolveu-se na União do Vegetal (UDV), uma das religiões brasileiras que considera a Hoasca bebida sagrada e com ela realiza rituais de concentração mental e estudo dos ensinos de Mestre Gabriel, seu fundador e guia espiritual. Vegetal ou Hoasca é o nome dado ao chá preparado com o cipó mariri (Banisteriopsis caapi) e as folhas da chacrona (Psychotria viridis) cuja comunhão facilita a expansão da consciência. Na UDV, algumas palavras são consideradas como dotadas de força criadora capaz de gerar eventos, portanto, compreende-se que é necessário aprender a falar de acordo com os mistérios das palavras. Evidencio a aprendizagem da linguagem em quatro instâncias: a iniciação como sócia e antropóloga, as sessões de escala que são a porta de entrada às vivências caianinhas, o preparo de Vegetal e as interações não-ritualizadas que continuam a demonstrar o exercício meta-linguístico. Meu estudo analisa a forma iniciática de trabalhar com o conhecimento espiritual e como o exercício de ocultamento e revelação de mistérios e segredos se expressa ao nível da linguagem, colocando o discípulo numa posição ativa em relação ao conhecimento. Tanto os preparos de Vegetal quanto as interações não ritualizadas pela ingestão do chá são fundamentais ao entendimento da perspectiva na qual os mistérios das palavras afetam a qualidade do Vegetal e o curso da vida cotidiana. Examinando esta noção, é possível compreender a caracterização que se faz da Hoasca como divina/inteligente e instrumental/sensível, e com isso, problematizar a qualidade moldável da própria bebida. Observo como esse léxico é performado criativamente através do estudo realizado pelos caianinhos. Apresento tanto o léxico convencionalizado, ensinado por Mestre Gabriel e reconhecido institucionalmente, quanto aquele que emerge do estudo feito por seus discípulos. Descrevo como se estabelecem aberturas e limites à criatividade a partir da diferenciação entre o uso misterioso e o uso beato das palavras, incluindo a prática do humor como recurso pedagógico. Argumento que ao mesmo tempo em que a concepção de linguagem na UDV apresenta-se como inata, ao reconhecer uma força imanente expressa nos mistérios das palavras e na força negativa ou positiva que trazem consigo, seu processo de aprendizado coloca a linguagem como passível de correção, incentivando seu uso consciente e preciso. A prática desse conhecimento é o que faz com que a aprendizagem desta linguagem seja menos um acúmulo de informações e mais uma experimentação reflexiva de educação da atenção. Com isso, pretendo contribuir para uma reflexão a respeito da experiência hoasqueira para além do Vegetal em si mesmo, enfatizando a aprendizagem nesta comunidade de prática que é a UDV. Comunidade que pode ser também identificada como Mundo de Hoasca, no qual tanto o Vegetal quanto os mistérios das palavras formam o jeito caianinho de conhecer e ser.<br>Abstract : The present study was conducted within União do Vegetal (UDV), one of the Brazilian religions that considers Hoasca a sacred tea. By Utilizing the tea it conducts mental concentration rituals and studies the teachings of Mestre Gabriel, which is the founder and spiritual guide of the religion. Vegetal or Hoasca is the name given to the tea made from two plants, the vine mariri (Banisteriopsis caapi) and leaves from the plant, (Psychotria viridis). The communion of Hoasca creates an enhanced state of consciousness. In UDV words are considered to be endowed with a creative force capable of generating events, so it is understood that it is necessary to speak according to the mystery of the words. Language learning is observed in four stages: initiation as an associate and anthropologist, the escala sessions that are a gateway to caianinho experiences, the preparation of the Vegetal and the meta-linguistic exercise. This study analyzes the way spiritual knowledge is gained initially and how the concealment and revelation of mysteries and secrets is expressed in terms of language, which enables the disciple to be in an active position in regard to knowledge construction. Both the preparation of the Vegetal and the interactions that are not part of the tea ingestion ritual are essential to understand the perspective in which the mysteries of words affect the Vegetal quality and the course of everyday life. Examining this notion it is possible to comprehend the idea that characterizes the Hoasca as divine/intelligent and as an instrument/sensible and with that problematize the malleable quality of the drink. Observing how that lexicon is creatively performed through the studies realized by caianinhos, I present both the lexicon conventionally taught by Mestre Gabriel and recognized institutionally and that which emerges from studies realized by his disciples. I describe how openings and limits are creatively defined from the difference between the mysterious use and beato use of words, including the use of humor as a teaching resource. I argue that even though the concept of language in UDV is presented as static, when you consider the immanent force expressed in the mystery of words and the negative or positive force that they carry within them, the learning process permits language to be corrected and encourages a conscious and precise use of words. When this knowledge is put in practice, language learning becomes less an accumulation of information and more a reflexive experiment of how to educate attention. With that, I intend to decentralize the analysis of ayahuasca in itself towards others aspects that remains little studied and that have similar importance inside the community that is UDV. This community can also be identified as the Mundo de Hoasca, in which both the Vegetal and the mysteries of words form the caianinho way to know and be.porAntropologiaAprendizagemAspectos antropológicosLinguagemAspectos antropológicosAyahuascaAspectos antropológicosReligiãoAspectos antropológicosExperiências com a (pá)lavra na União do Vegetal: um estudo antropológico do conhecer caianinhoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisreponame:Repositório Institucional da UFSCinstname:Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)instacron:UFSCinfo:eu-repo/semantics/openAccessORIGINAL345291.pdfapplication/pdf1139845https://repositorio.ufsc.br/bitstream/123456789/175916/1/345291.pdf1bb3d27590d81894670f7f7e70ea9d01MD51123456789/1759162017-05-23 01:24:52.986oai:repositorio.ufsc.br:123456789/175916Repositório InstitucionalPUBhttp://150.162.242.35/oai/requestsandra.sobrera@ufsc.bropendoar:23732017-05-23T04:24:52Repositório Institucional da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)false
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