Impacto clínico da bacteremia em doadores falecidos nos desfechos em receptores de transplante renal
| Ano de defesa: | 2020 |
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Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
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Resumo: | Objetivo: Comparar a sobrevida do receptor, sobrevida do enxerto e ocorrência de infecção relacionada à assistência à saúde no período pós transplante em receptores de transplante renal de doador falecido com e sem bacteremia no momento da captação de órgão. Métodos: coorte retrospectivo a partir de dados coletados no Hospital do Rim de São Paulo no período de 01/01/2014 a 31/12/2016. Resultados: Foram realizados 526 transplantes de rim ou rim-pâncreas, a partir de 374 doadores falecidos e identificou-se 17% (62/374) de bacteremia no momento da captação, sendo 35% por bactérias multirresistentes quando excluímos possíveis contaminantes e espécies de Candida. O tempo em UTI foi maior e estatisticamente significante no grupo de doadores falecidos com bacteremia por agentes patogênicos no momento da captação (8 ± 7,33 dias x 6 ± 4,83 dias, p=0,025). Dezoito por cento (96/526) dos receptores receberam rim de doador falecido com hemocultura positiva e houve 1% (1/96) de transmissão doador-receptor. Não houve diferença estatística entre os grupos de receptores de doadores com bacteremia e sem bacteremia no momento da captação com relação a óbito em até 30 dias após o transplante (1% x 0, p=0,186), óbito de 30 dias a um ano após o transplante (2,5% x 1%, p=0,123), perda do enxerto em até 30 dias após o transplante (1% x 1,5%, p=1,000), perda do enxerto de 30 dias a um ano após o transplante (3,5% x 4%, p=1,000), função retardada do enxerto (70% x 65%, p=0,872) e ocorrência de infecção relacionada à assistência à saúde durante internação relativa ao transplante (6% x 6%, p=0,808). No entanto, o tempo de internação hospitalar do receptor foi significativamente maior no grupo de receptores de rim de doadores com bacteremia (17 ± 20,09 dias x 11 ± 6,81 dias, p=0,017). Conclusão: A incidência de bacteremia de doador falecido de rim no momento da captação é expressiva até mesmo por bactérias multirresistentes. A taxa de transmissão de infecção doadorreceptor é rara, mas aumenta se receptor não receber terapia antimicrobiana adequada guiada por resultado de hemocultura do doador falecido, assim a ocorrência de desfecho combinado é mais frequente (7% x 33%, p=0,049). O tempo de internação hospitalar do receptor no período pós transplante aumenta se a hemocultura do doador falecido coletada na captação de rim resultar positivo. Apesar disto, o receptor de doador bacteriêmico não apresenta piores desfechos clínicos desde que a terapia antimicrobiana adequada seja iniciada prontamente guiada por resultado de hemocultura de doador. Descritores: Transplante renal, bacteremia, sobrevida do receptor, sobrevida enxerto, infecção relacionada à assistência à saúde. |
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Mestradohttp://lattes.cnpq.br/8501165687754582Bozola, Fernanda Justo Descio [UNIFESP]http://lattes.cnpq.br/6849836312288880Universidade Federal de São PauloCamargo, Luiz Fernando Aranha [UNIFESP]São Paulo2022-07-21T16:17:34Z2022-07-21T16:17:34Z2020-03-26Objetivo: Comparar a sobrevida do receptor, sobrevida do enxerto e ocorrência de infecção relacionada à assistência à saúde no período pós transplante em receptores de transplante renal de doador falecido com e sem bacteremia no momento da captação de órgão. Métodos: coorte retrospectivo a partir de dados coletados no Hospital do Rim de São Paulo no período de 01/01/2014 a 31/12/2016. Resultados: Foram realizados 526 transplantes de rim ou rim-pâncreas, a partir de 374 doadores falecidos e identificou-se 17% (62/374) de bacteremia no momento da captação, sendo 35% por bactérias multirresistentes quando excluímos possíveis contaminantes e espécies de Candida. O tempo em UTI foi maior e estatisticamente significante no grupo de doadores falecidos com bacteremia por agentes patogênicos no momento da captação (8 ± 7,33 dias x 6 ± 4,83 dias, p=0,025). Dezoito por cento (96/526) dos receptores receberam rim de doador falecido com hemocultura positiva e houve 1% (1/96) de transmissão doador-receptor. Não houve diferença estatística entre os grupos de receptores de doadores com bacteremia e sem bacteremia no momento da captação com relação a óbito em até 30 dias após o transplante (1% x 0, p=0,186), óbito de 30 dias a um ano após o transplante (2,5% x 1%, p=0,123), perda do enxerto em até 30 dias após o transplante (1% x 1,5%, p=1,000), perda do enxerto de 30 dias a um ano após o transplante (3,5% x 4%, p=1,000), função retardada do enxerto (70% x 65%, p=0,872) e ocorrência de infecção relacionada à assistência à saúde durante internação relativa ao transplante (6% x 6%, p=0,808). No entanto, o tempo de internação hospitalar do receptor foi significativamente maior no grupo de receptores de rim de doadores com bacteremia (17 ± 20,09 dias x 11 ± 6,81 dias, p=0,017). Conclusão: A incidência de bacteremia de doador falecido de rim no momento da captação é expressiva até mesmo por bactérias multirresistentes. A taxa de transmissão de infecção doadorreceptor é rara, mas aumenta se receptor não receber terapia antimicrobiana adequada guiada por resultado de hemocultura do doador falecido, assim a ocorrência de desfecho combinado é mais frequente (7% x 33%, p=0,049). O tempo de internação hospitalar do receptor no período pós transplante aumenta se a hemocultura do doador falecido coletada na captação de rim resultar positivo. Apesar disto, o receptor de doador bacteriêmico não apresenta piores desfechos clínicos desde que a terapia antimicrobiana adequada seja iniciada prontamente guiada por resultado de hemocultura de doador. Descritores: Transplante renal, bacteremia, sobrevida do receptor, sobrevida enxerto, infecção relacionada à assistência à saúde.Objective: To compare recipient survival, graft survival, and occurrence of health care-associated infection in the post-transplant period in kidney receptors from deceased donors with or without bacteremia at the time of organ retrieval. Methods: A retrospective cohort was conducted between 2014 and 2016. We sought to compare kidney recipient survival, graft survival, and occurrence of health careassociated infection in kidney recipients from deceased donors with or without bacteremia at the time of organ retrieval at thirty days and one year after transplantation. Results: A total of 526 kidney or kidney-pancreas transplants were performed from 374 deceased donors and 17% (62/374) of bacteremia were identified at the time of organ retrieval, 35% by multidrug-resistant bacteria when we excluded possible contaminants and species of Candida. ICU time was longer and statistically significant in the group of deceased donors with pathogenic bacteremia at the time of organ retrieval (8 ± 7.33 days x 6 ± 4.83 days, p=0.025). Eighteen percent (96/526) of recipients received deceased donor kidney with positive blood culture and there was 1% (1/96) of donor-recipient transmission. The length of hospital stay of the recipient was statistically significantly longer in the kidney recipient group of bacteremic donors (17 ± 20.09 days x 11 ± 6.81 days, p=0.017). There was no statistical difference between the groups of recipients from bacteremic donors and non-bacteremic donors regarding death within 30 days after transplantation (1% x 0, p=0.186), death from 30 days to one year after transplantation (2.5% x 1%, p=0.123), graft loss within 30 days after transplantation (1% x 1.5%, p=1,000), graft loss 30 days to one year after transplantation (3.5% x 4%, p=1,000), delayed graft function (70% x 65%, p=0.872) and health care-associated infection during transplant-related hospitalization (6% x 6 %, p=0.808). Conclusion: The incidence of deceased kidney donor bacteremia at the time of organ retrieval is relevant, even for multidrugresistant bacteria. Donor-recipient infection transmission rates are rare, but increases if the recipient does not receive adequate antimicrobial therapy guided by deceased donor blood culture, as well as the occurrence of combined outcomes (7% x 33%, p=0,049). The recipient's hospital stay in the post-transplant period increases if they receive renal graft from a bacteremic donor. Despite that, the kidney recipient from a bacteremic donor does not present worse clinical outcomes since appropriatexv antimicrobial therapy is started promptly and guided by the result of donor blood culture.Dados abertos - Sucupira - Teses e dissertações (2020)87 f.BOZOLA, Fernanda Justo Descio. Impacto clínico da bacteremia em doadores falecidos nos desfechos em receptores de transplante renal. São Paulo, 2020. [87] f. Dissertação (Mestrado em Infectologia) - Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2020.https://hdl.handle.net/11600/64320https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=8972095ark:/48912/001300001m76qporUniversidade Federal de São Paulo (UNIFESP)info:eu-repo/semantics/openAccessTransplante renalBacteremiaSobrevida do receptorSobrevida enxertoInfecção relacionada à assistência à saúdeAnálise de sobrevidaSobrevivência de enxertoTransplante de pâncreasEstudos de coortesEstudos retrospectivosRenal transplantationBacteremiaReceptor survivalGraft survivalHealth care-related infectionSurvival analysisPancreas transplantationCohort studiesRetrospective studiesImpacto clínico da bacteremia em doadores falecidos nos desfechos em receptores de transplante renalClinical impact of bacteremic deceased donors on outcomes in kidney transplant receptorsinfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPEscola Paulista de Medicina (EPM)InfectologiaEpidemiologia, mecanismos de doenças infecciosas e evolução microbianaEpidemiologia e história natural ee doenças infecciosasORIGINALDissertação.pdfapplication/pdf707036https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/257e629e-7768-4f9d-a4af-47edd9f3fe48/download72e93ad9d8b6ed7851757f9fc85e4712MD5111600/643202025-04-15 07:40:49.502oai:repositorio.unifesp.br:11600/64320https://repositorio.unifesp.brRepositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652025-04-15T07:40:49Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false |
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Impacto clínico da bacteremia em doadores falecidos nos desfechos em receptores de transplante renal Bozola, Fernanda Justo Descio [UNIFESP] Transplante renal Bacteremia Sobrevida do receptor Sobrevida enxerto Infecção relacionada à assistência à saúde Análise de sobrevida Sobrevivência de enxerto Transplante de pâncreas Estudos de coortes Estudos retrospectivos Renal transplantation Bacteremia Receptor survival Graft survival Health care-related infection Survival analysis Pancreas transplantation Cohort studies Retrospective studies |
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Objetivo: Comparar a sobrevida do receptor, sobrevida do enxerto e ocorrência de infecção relacionada à assistência à saúde no período pós transplante em receptores de transplante renal de doador falecido com e sem bacteremia no momento da captação de órgão. Métodos: coorte retrospectivo a partir de dados coletados no Hospital do Rim de São Paulo no período de 01/01/2014 a 31/12/2016. Resultados: Foram realizados 526 transplantes de rim ou rim-pâncreas, a partir de 374 doadores falecidos e identificou-se 17% (62/374) de bacteremia no momento da captação, sendo 35% por bactérias multirresistentes quando excluímos possíveis contaminantes e espécies de Candida. O tempo em UTI foi maior e estatisticamente significante no grupo de doadores falecidos com bacteremia por agentes patogênicos no momento da captação (8 ± 7,33 dias x 6 ± 4,83 dias, p=0,025). Dezoito por cento (96/526) dos receptores receberam rim de doador falecido com hemocultura positiva e houve 1% (1/96) de transmissão doador-receptor. Não houve diferença estatística entre os grupos de receptores de doadores com bacteremia e sem bacteremia no momento da captação com relação a óbito em até 30 dias após o transplante (1% x 0, p=0,186), óbito de 30 dias a um ano após o transplante (2,5% x 1%, p=0,123), perda do enxerto em até 30 dias após o transplante (1% x 1,5%, p=1,000), perda do enxerto de 30 dias a um ano após o transplante (3,5% x 4%, p=1,000), função retardada do enxerto (70% x 65%, p=0,872) e ocorrência de infecção relacionada à assistência à saúde durante internação relativa ao transplante (6% x 6%, p=0,808). No entanto, o tempo de internação hospitalar do receptor foi significativamente maior no grupo de receptores de rim de doadores com bacteremia (17 ± 20,09 dias x 11 ± 6,81 dias, p=0,017). Conclusão: A incidência de bacteremia de doador falecido de rim no momento da captação é expressiva até mesmo por bactérias multirresistentes. A taxa de transmissão de infecção doadorreceptor é rara, mas aumenta se receptor não receber terapia antimicrobiana adequada guiada por resultado de hemocultura do doador falecido, assim a ocorrência de desfecho combinado é mais frequente (7% x 33%, p=0,049). O tempo de internação hospitalar do receptor no período pós transplante aumenta se a hemocultura do doador falecido coletada na captação de rim resultar positivo. Apesar disto, o receptor de doador bacteriêmico não apresenta piores desfechos clínicos desde que a terapia antimicrobiana adequada seja iniciada prontamente guiada por resultado de hemocultura de doador. Descritores: Transplante renal, bacteremia, sobrevida do receptor, sobrevida enxerto, infecção relacionada à assistência à saúde. |
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