Uso de doadores falecidos com diabetes mellitus e desfechos clínicos de receptores de transplante renal
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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| Instituição de defesa: |
Universidade Federal de São Paulo
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://hdl.handle.net/11600/73076 |
Resumo: | Objetivo: Avaliar o impacto do uso de doadores falecidos com diabetes mellitus nos desfechos clínicos de receptores de transplante de rim. Método: Coorte retrospectiva que incluiu 3.058 receptores de transplante de rim de doador falecido transplantados entre 2013 e 2017. O tempo de acompanhamento foi de 5 anos após o transplante. Os desfechos foram as sobrevidas do enxerto censuradas para o óbito, estimadas por Kaplan-Meier e comparadas por teste de Logrank e a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe, CKD-EPI) entre 1 e 5 anos de transplante, comparadas por Equações de Estimativas Generalizadas e ajustadas por teste de Bonferroni. As análises foram estratificadas de acordo com a presença ou não de diabetes nos doadores (DM+ e DM-) e realizadas considerando toda a população e após o pareamento 1:2 por escore de propensão. Adicionalmente, foram analisadas 164 biópsias pré-implante dos doadores DM+ classificadas pelos critérios de cronicidade de Banff, e as possíveis associações entre as alterações histológicas e os desfechos foram avaliadas pela regressão de Cox. Resultados: A frequência de DM nos doadores foi de 8% (n=244). Os doadores DM+ eram mais velhos (56,0 vs. 48,0 anos, p<0.001), com maior frequência de hipertensão arterial (79,9 vs. 37,4%, p<0.001) e de morte encefálica por doença cerebrovascular (59,2 vs. 75,4%, p<0.001), sendo mais frequentemente classificados como de critério expandido (70,1 vs. 34,0%, p<0.001) e com KDPI mais altos (92,5 vs. 67,0% p<0.001). Comparados com os receptores de DM-, aqueles que receberam rins de DM+ eram mais velhos (51,1 vs. 49,5 anos, p=0,01), com menor frequência de retransplante (3,3 vs. 7,7%, p=0,01) e menor frequência de 0 mismatches nos loci HLA-A (19,2 vs. 12,7%, p<0.001) e HLA-DR (85,3 vs. 89,3%, p=0,04). A sobrevida do enxerto em 5 anos foi de 76,1% e 85,0% para DM+ e DM-, respectivamente (p<0,001). Apesar de haver uma diferença média de -8 ml/min/1,73m2 nas medidas de TFGe dos receptores de DM+ entre 1 e 5 anos após o transplante, o decaimento da TFGe ao longo do tempo foi semelhante entre os grupos (p=0,52). Após o pareamento (244 em DM+ e 488 em DM-), com controle adequado das diferenças demográficas entre os grupos, não foram observadas diferenças na sobrevida do enxerto em 5 anos (80,9 vs. 77,5%, respectivamente, p=0,62), nem nas médias das TFGe entre 1 e 5 anos (p=0,24) e nem no decaimento ao longo do tempo (-1,46 ml/min/ano, p=0,57). Nas análises histológicas das biópsias pré-implante dos doadores DM+, observou-se que uma tendência de maior frequência de espessamento vascular da íntima (22,2 vs. 17,5%, p =0,06) nos rins daqueles receptores que evoluíram para perda do enxerto no seguimento, mas na análise multivariada, nenhuma das alterações histológicas se correlacionou com os desfechos de 5 anos. Conclusões: A presença de diabetes mellitus nos doadores falecidos de rins está associada com função renal e sobrevida do enxerto reduzidas em longo prazo. Entretanto, diferenças demográficas observadas entre os doadores com e sem diabetes mellitus, bem como entre seus respectivos receptores, podem explicar esses resultados. Quando essas diferenças são adequadamente controladas usando escore de propensão, a presença de diabetes mellitus per se não impactou nos desfechos analisados. |
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