Trajetórias afro-brasileiras na arquitetura nigeriana do século XIX

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Silva, Wellington Conegundes da [UNIFESP]
Orientador(a): Jardim, Marta Denise da Rosa [UNIFESP]
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/48912/001300001wtmj
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=10401374
https://hdl.handle.net/11600/64711
Resumo: Na presente dissertação apresentamos um estudo sobre a arquitetura em estilo brasileiro que se fez na cidade de Lagos, Nigéria, durante o século XIX e início do XX, examinando, em especial, a mesquita de Shitta Bey. O templo é um importante testemunho da relação entre Brasil-África, e seu exame permite abordar aspectos culturais presentes em diferentes tradições constituídas nas diásporas negras sobre o Atlântico (do escravismo ao retorno dos afro-brasileiros). Boa parte dos estudos com os quais deparamos na literatura revisada configura uma perspectiva hegemônica, a qual desconsidera a participação criativa da cultura negra na arquitetura colonial brasileira. Ao examinar a presença do estilo brasileiro nesta arquitetura nigeriana, propomos estabelecer uma contraposição a esta perspectiva. Em nossa abordagem damos destaque às relações transculturais do retorno das populações de libertos (forras) e seus descendentes, presentes na chamada Iorubalândia, que corresponde aos territórios ocupados pelas nações iorubas na Nigéria, principalmente. Buscamos mostrar, assim, como entre os anos de 1820 e 1870 – época em que o colonialismo inglês acontecia na cidade de Lagos – estes afro-brasileiros retornados participaram do processo de modernização nigeriano, introduzindo uma série avanços técnicos e contribuindo para transformações nos costumes. A abordagem do vínculo entre Brasil e Nigéria evidencia aspectos importantes da experiência dos retornados, uma vez que a formação vivenciada no canteiro de obras possibilitou a importação de padrões estéticos, os quais serviram como recurso de diferenciação em relação aos demais grupos sociais, atuando, também, como símbolo de prestígio num processo de renascimento social que envolveu a apropriação de elementos das relações de exploração escravista para ressignificá-los na experiência do retorno. Apresentamos, assim, a mesquita de Shitta Bey como síntese de momentos significativos dessa experiência que transita entre dois mundos, por meio da qual podemos identificar os sinais diacríticos que, nesse entrecruzamento, apresentam aspectos distintos da Bahia e dos Iorubas. Destacamos, ademais, o sincretismo religioso como um traço da brasilidade dos retornados que configura um território de permanências, fonte de grande valor para a elaboração de novas perspectivas historiográficas sobre brasilidade.
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spelling MestradoSilva, Wellington Conegundes da [UNIFESP]Universidade Federal de São PauloJardim, Marta Denise da Rosa [UNIFESP]2022-07-21T18:58:35Z2022-07-21T18:58:35Z2020-06-25Na presente dissertação apresentamos um estudo sobre a arquitetura em estilo brasileiro que se fez na cidade de Lagos, Nigéria, durante o século XIX e início do XX, examinando, em especial, a mesquita de Shitta Bey. O templo é um importante testemunho da relação entre Brasil-África, e seu exame permite abordar aspectos culturais presentes em diferentes tradições constituídas nas diásporas negras sobre o Atlântico (do escravismo ao retorno dos afro-brasileiros). Boa parte dos estudos com os quais deparamos na literatura revisada configura uma perspectiva hegemônica, a qual desconsidera a participação criativa da cultura negra na arquitetura colonial brasileira. Ao examinar a presença do estilo brasileiro nesta arquitetura nigeriana, propomos estabelecer uma contraposição a esta perspectiva. Em nossa abordagem damos destaque às relações transculturais do retorno das populações de libertos (forras) e seus descendentes, presentes na chamada Iorubalândia, que corresponde aos territórios ocupados pelas nações iorubas na Nigéria, principalmente. Buscamos mostrar, assim, como entre os anos de 1820 e 1870 – época em que o colonialismo inglês acontecia na cidade de Lagos – estes afro-brasileiros retornados participaram do processo de modernização nigeriano, introduzindo uma série avanços técnicos e contribuindo para transformações nos costumes. A abordagem do vínculo entre Brasil e Nigéria evidencia aspectos importantes da experiência dos retornados, uma vez que a formação vivenciada no canteiro de obras possibilitou a importação de padrões estéticos, os quais serviram como recurso de diferenciação em relação aos demais grupos sociais, atuando, também, como símbolo de prestígio num processo de renascimento social que envolveu a apropriação de elementos das relações de exploração escravista para ressignificá-los na experiência do retorno. Apresentamos, assim, a mesquita de Shitta Bey como síntese de momentos significativos dessa experiência que transita entre dois mundos, por meio da qual podemos identificar os sinais diacríticos que, nesse entrecruzamento, apresentam aspectos distintos da Bahia e dos Iorubas. Destacamos, ademais, o sincretismo religioso como um traço da brasilidade dos retornados que configura um território de permanências, fonte de grande valor para a elaboração de novas perspectivas historiográficas sobre brasilidade.This dissertation focuses on the study of Brazilian-style architecture that took place in the city of Lagos, Nigeria, during the 19th and early 20th centuries, in particular, the Shitta Bey mosque. The temple is an important testimony of the relationship between Brazil-Africa, and of the cultural aspects between traditions that took place in the black diasporas over the Atlantic (from slavery to the return of the agudás), starting with the Portuguese expansionism that took place since the 15 thcentury. The proposition of these studies references the historiography of Brazilian architecture, which disregards the creative participation of black culture, that is well represented in this Nigerian architecture. This story took place through transcultural relations of the return of the populations of freed people (forras) and their descendants to the so-called Yorubaland, which corresponds mainly to the territories occupied by the Yoruba nations in Nigeria. Thus, in the years 1820 and 1870, these returned Afro-Brazilians participated in the process of Nigerian modernization, a time when English colonialism took place in the city of Lagos. In the new order, Afro-Brazilian returnees introduced a series of technical advancements and contributed to changes in customs. Brazilian-style architecture emerged within an identity pattern of Afro-Brazilians, as their art had a strong link with colonial architecture, especially between the 18th and 19th centuries (particularly n Bahia). For the returnees, it was a training that took place on the construction site and also through the importation of aesthetic standards, which served to differentiate them from other social groups, as well as motivating them to seek rebirth under signs of prestige that had re-signified the relationships the relationships of to slave exploitation. Thus, the Shitta Bey Mosque sums up a strategy of placing itself between two worlds, that is, in it we can identify the diacritical signs that present different aspects of Bahia and the Yoruba crossing. And the Brazilian aspects of the returnees are configured mainly around religious syncretism’s, which seem to be a territory of permanence, which are of great value for new historiographical perspectives on Brazilian’s.Dados abertos - Sucupira - Teses e dissertações (2020)https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=10401374WELLINGTON CONEGUNDES DA SILVA.pdfhttps://hdl.handle.net/11600/64711ark:/48912/001300001wtmjporUniversidade Federal de São Paulo (UNIFESP)info:eu-repo/semantics/openAccessArquiteturaDiásporas AfricanasEstilo BrasileiroSéculo XIXLagos-NigériaArchitectureAfrican DiasporasBrazilian StyleXIX CenturyLagos-NigeriaTrajetórias afro-brasileiras na arquitetura nigeriana do século XIXinfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPGuarulhos, Escola de Filosofia, Letras e Ciências HumanasHistória da ArteHistória Da ArteInstituições, Discursos E AlteridadeORIGINALWELLINGTON CONEGUNDES DA SILVA.pdfWELLINGTON CONEGUNDES DA SILVA.pdfapplication/pdf8424607https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/99b6151a-b288-4483-b46a-10d6df76a093/download1b0287d751650b8b3e64dc7d1d9d5f3cMD51TEXTWELLINGTON CONEGUNDES DA SILVA.pdf.txtWELLINGTON CONEGUNDES DA SILVA.pdf.txtExtracted texttext/plain102563https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/e1c7cb4e-cf02-42c9-9c22-572207d311cb/downloadf9bf3c7869065dc224a9dc0c333af174MD510THUMBNAILWELLINGTON CONEGUNDES DA SILVA.pdf.jpgWELLINGTON CONEGUNDES DA SILVA.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg6131https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/d116e8e5-9c2b-4156-a39e-998770ef2964/downloaddf808abc2191d748544c374688435972MD51111600/647112024-12-04 20:44:21.181oai:repositorio.unifesp.br:11600/64711https://repositorio.unifesp.brRepositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652024-12-04T20:44:21Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false
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