Análise do modelo de assistência em saúde mental na gestão Erundina - 1989-1992
| Ano de defesa: | 2019 |
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Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
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Resumo: | A Reforma Psiquiátrica brasileira ocorreu durante a redemocratização do país, no contexto da Reforma Sanitária, a partir de um processo político de mobilização e transformação social, caracterizado pela reestruturação dos serviços, dos processos de trabalho na assistência em saúde mental e com novas formas de cuidado. Nesse período, experiências inovadoras ocorreram no Brasil, como a assistência em saúde mental paulistana. Este trabalho tem como objetivos analisar o modelo de assistência em saúde mental no município de São Paulo, implantado no período entre 1989 a 1992, desvelado por seus colaboradores; analisar as influências técnico-assistenciais e teórico-conceitual na escolha do modelo de assistência em Saúde Mental implantado; verificar as mudanças promovidas por esse modelo de assistência em Saúde Mental; analisar, pela percepção dos participantes, a influência do modelo implantado de assistência em Saúde Mental na mudança de paradigma social da loucura e o modelo de assistência em saúde mental no município de São Paulo, implantado no período entre 1989 a 1992, desvelado por seus colaboradores. Utilizamos o método da história oral para revisitarmos as experiências passadas, a partir das narrativas dos gestores do Programa de Saúde Mental do Município de São Paulo. Como resultado, apresentamos o envolvimento político social dos profissionais da saúde nos movimentos estudantis e, posteriormente, nos movimentos sociais da Saúde Mental contra o modelo hospitalocêntrico. A construção do modelo paulistano se deu no Núcleo de Saúde Mental do Partido dos Trabalhadores, seus idealizadores estavam ligados aos sindicatos, aos movimentos populares e partido político, com influências nas bases conceituais da Reforma Sanitária e a partir dos dados epistemológicos da população. Criada a rede de serviços de saúde mental, de forma descentralizada e hierarquizada, constituída por Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidade de Convivência Terapêutica Intensiva (UNCOVITI), Hospital dia (HD), Hospital Geral (HG), Pronto Socorro (PS), Serviço de Residencial Terapêutica (SRT) e Centro de Convivência e Cooperativa (CECCO). O modelo teve grande impacto em relação à quantidade de serviços implantados, à diminuição de leitos e ao fechamento de hospitais psiquiátricos. A capacitação e a formação dos profissionais de saúde mental, desenvolvida pela Gestão, foram fatores responsáveis pela transformação da assistência psiquiátrica e para a quebra do paradigma da loucura na sociedade. Apesar de toda a inovação do modelo paulistano, a pesquisa mostra que seus propósitos não foram contemplados nas Políticas Nacionais de Saúde Mental. O modelo incorporado e escolhido foi no formato de equipamentos tipo CAPS, mantendo a visão excludente da pessoa com transtorno mental dos serviços de saúde em geral e da sociedade. Concluímos que a escolha do modelo de assistência em Saúde Mental, paulistano e brasileiro, se deu pelo viés político, em acordo com as articulações dos grupos político-ideológicos. |
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Doutoradohttp://lattes.cnpq.br/5449589014899461Migliari, Fabricia De Freitas Faria [UNIFESP]http://lattes.cnpq.br/7588045554997309Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)Marcolan, Joao Fernando [UNIFESP]São Paulo2021-01-19T16:37:09Z2021-01-19T16:37:09Z2019-05-30A Reforma Psiquiátrica brasileira ocorreu durante a redemocratização do país, no contexto da Reforma Sanitária, a partir de um processo político de mobilização e transformação social, caracterizado pela reestruturação dos serviços, dos processos de trabalho na assistência em saúde mental e com novas formas de cuidado. Nesse período, experiências inovadoras ocorreram no Brasil, como a assistência em saúde mental paulistana. Este trabalho tem como objetivos analisar o modelo de assistência em saúde mental no município de São Paulo, implantado no período entre 1989 a 1992, desvelado por seus colaboradores; analisar as influências técnico-assistenciais e teórico-conceitual na escolha do modelo de assistência em Saúde Mental implantado; verificar as mudanças promovidas por esse modelo de assistência em Saúde Mental; analisar, pela percepção dos participantes, a influência do modelo implantado de assistência em Saúde Mental na mudança de paradigma social da loucura e o modelo de assistência em saúde mental no município de São Paulo, implantado no período entre 1989 a 1992, desvelado por seus colaboradores. Utilizamos o método da história oral para revisitarmos as experiências passadas, a partir das narrativas dos gestores do Programa de Saúde Mental do Município de São Paulo. Como resultado, apresentamos o envolvimento político social dos profissionais da saúde nos movimentos estudantis e, posteriormente, nos movimentos sociais da Saúde Mental contra o modelo hospitalocêntrico. A construção do modelo paulistano se deu no Núcleo de Saúde Mental do Partido dos Trabalhadores, seus idealizadores estavam ligados aos sindicatos, aos movimentos populares e partido político, com influências nas bases conceituais da Reforma Sanitária e a partir dos dados epistemológicos da população. Criada a rede de serviços de saúde mental, de forma descentralizada e hierarquizada, constituída por Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidade de Convivência Terapêutica Intensiva (UNCOVITI), Hospital dia (HD), Hospital Geral (HG), Pronto Socorro (PS), Serviço de Residencial Terapêutica (SRT) e Centro de Convivência e Cooperativa (CECCO). O modelo teve grande impacto em relação à quantidade de serviços implantados, à diminuição de leitos e ao fechamento de hospitais psiquiátricos. A capacitação e a formação dos profissionais de saúde mental, desenvolvida pela Gestão, foram fatores responsáveis pela transformação da assistência psiquiátrica e para a quebra do paradigma da loucura na sociedade. Apesar de toda a inovação do modelo paulistano, a pesquisa mostra que seus propósitos não foram contemplados nas Políticas Nacionais de Saúde Mental. O modelo incorporado e escolhido foi no formato de equipamentos tipo CAPS, mantendo a visão excludente da pessoa com transtorno mental dos serviços de saúde em geral e da sociedade. Concluímos que a escolha do modelo de assistência em Saúde Mental, paulistano e brasileiro, se deu pelo viés político, em acordo com as articulações dos grupos político-ideológicos.Brazilian Psychiatric Reform was characterized by mental health care services restructuration and working process with new ways of care, it occurred from a political process of social transformation based on great political and social mobilization during Brazilian re-democratization process in the Health Reform context. Innovative experiences in Brazil particularly involving the mental health care in São Paulo city which was highlighted due to the intense aim of social, political and technical movements and its innovative approach of service networks. This study aims to analyze the mental health care model implanted in the period between 1989-1992 in the São Paulo City, disclosed by its collaborators; the technical-welfare and theoretical-conceptual influences in the choice of the implemented Mental Health Care model; to verify the changes undertaken by this Mental Health Care model and to analyze the influence of this implanted model in the changing of the mental illness social paradigm through participants' perception. We used the oral history method to revisit past experiences from the managers’ narrative of the Mental Health Program of the São Paulo city. As a result, we introduce the social political engagement of health professionals in student movements and, later, in the social movements of Mental Health against the hospital-centered model. The São Paulo City model was built inside the Mental Health Nucleus of the Workers Party (PT), its creators were linked to the unions, popular movement and a political party, with influences on the Health Reform conceptual ground and from the epistemological data of the population. The network of Mental Health Care was established in a decentralized and hierarchical way, consisting of Basic Health Units (UBS), UNCOVITI, Day Hospital (HD), General Hospital (HG), Emergency Room (PS), Therapeutic Residential Service SRT) and Coexistence and Cooperative Center (CECCO). The Model had a great impact on the amount of implemented services, reduction of hospitals beds and the closing of psychiatric hospitals. The health care professionals’ training and qualification, developed by this management, was one of the factors responsible for the transformation of psychiatric care and for the breaking of the paradigm of madness in society. Despite all innovation of the São Paulo City model, its purposes were not considered by Health Mental Care National Policy. The incorporated and chosen model was in the CAPS (Center of Psychosocial Attention) type implement format, which maintained the excluding view of the person with mental disorder of health services in general and society. We conclude that the choice of the assistance model in Mental Health, both in São Paulo City and in Brazil, was caused through the political bias, in agreement with the directions of the political-ideological groups.Dados abertos - Sucupira - Teses e dissertações (2019)258f.https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=8831538MIGLIARI, Fabrícia de Freitas Faria. Análise do modelo de assistência em saúde mental na Gestão Erundina 19891992. 2019. 258f. Tese (Doutotado em Enfermagem) – Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo. São Paulo, 2019.FABRICIA DE FREITAS FARIA MIGLIARI-A.pdfhttps://repositorio.unifesp.br/handle/11600/59926ark:/48912/001300002d8v9porUniversidade Federal de São Paulo (UNIFESP)info:eu-repo/semantics/openAccessPolítica De SaúdeSaúde MentalHistóriaReforma PsiquiátricaPolíticas Públicas.Health PolicyMental HealthHistoryPsychiatric ReformPublic Policies.Análise do modelo de assistência em saúde mental na gestão Erundina - 1989-1992The analysis of the mental health care model during the São Paulo City government of Erundina, 1989-1992.info:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPSão Paulo, Escola Paulista de EnfermagemEnfermagemEnfermagem, Cuidado E SaúdeORIGINALFABRICIA DE FREITAS FARIA MIGLIARI-A.pdfapplication/pdf3415197https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/44be0f77-54c6-4618-9dec-cfdb3dea16ae/download359368f0fa2685a9e6f97d91c7d4953bMD51TEXTFABRICIA DE FREITAS FARIA MIGLIARI-A.pdf.txtFABRICIA DE FREITAS FARIA MIGLIARI-A.pdf.txtExtracted texttext/plain117195https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/f59b4b9b-8730-4df6-9d79-9de949b68195/downloadffd7e598668dfc019ede154603c9f832MD52THUMBNAILFABRICIA DE FREITAS FARIA MIGLIARI-A.pdf.jpgFABRICIA DE FREITAS FARIA MIGLIARI-A.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg2457https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/0e64b547-407e-4dc2-8eab-1e180027659f/download63805eaf2700940014e53f783e73c6afMD5311600/599262024-07-30 06:53:07.401oai:repositorio.unifesp.br:11600/59926https://repositorio.unifesp.brRepositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652024-07-30T06:53:07Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false |
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A Reforma Psiquiátrica brasileira ocorreu durante a redemocratização do país, no contexto da Reforma Sanitária, a partir de um processo político de mobilização e transformação social, caracterizado pela reestruturação dos serviços, dos processos de trabalho na assistência em saúde mental e com novas formas de cuidado. Nesse período, experiências inovadoras ocorreram no Brasil, como a assistência em saúde mental paulistana. Este trabalho tem como objetivos analisar o modelo de assistência em saúde mental no município de São Paulo, implantado no período entre 1989 a 1992, desvelado por seus colaboradores; analisar as influências técnico-assistenciais e teórico-conceitual na escolha do modelo de assistência em Saúde Mental implantado; verificar as mudanças promovidas por esse modelo de assistência em Saúde Mental; analisar, pela percepção dos participantes, a influência do modelo implantado de assistência em Saúde Mental na mudança de paradigma social da loucura e o modelo de assistência em saúde mental no município de São Paulo, implantado no período entre 1989 a 1992, desvelado por seus colaboradores. Utilizamos o método da história oral para revisitarmos as experiências passadas, a partir das narrativas dos gestores do Programa de Saúde Mental do Município de São Paulo. Como resultado, apresentamos o envolvimento político social dos profissionais da saúde nos movimentos estudantis e, posteriormente, nos movimentos sociais da Saúde Mental contra o modelo hospitalocêntrico. A construção do modelo paulistano se deu no Núcleo de Saúde Mental do Partido dos Trabalhadores, seus idealizadores estavam ligados aos sindicatos, aos movimentos populares e partido político, com influências nas bases conceituais da Reforma Sanitária e a partir dos dados epistemológicos da população. Criada a rede de serviços de saúde mental, de forma descentralizada e hierarquizada, constituída por Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidade de Convivência Terapêutica Intensiva (UNCOVITI), Hospital dia (HD), Hospital Geral (HG), Pronto Socorro (PS), Serviço de Residencial Terapêutica (SRT) e Centro de Convivência e Cooperativa (CECCO). O modelo teve grande impacto em relação à quantidade de serviços implantados, à diminuição de leitos e ao fechamento de hospitais psiquiátricos. A capacitação e a formação dos profissionais de saúde mental, desenvolvida pela Gestão, foram fatores responsáveis pela transformação da assistência psiquiátrica e para a quebra do paradigma da loucura na sociedade. Apesar de toda a inovação do modelo paulistano, a pesquisa mostra que seus propósitos não foram contemplados nas Políticas Nacionais de Saúde Mental. O modelo incorporado e escolhido foi no formato de equipamentos tipo CAPS, mantendo a visão excludente da pessoa com transtorno mental dos serviços de saúde em geral e da sociedade. Concluímos que a escolha do modelo de assistência em Saúde Mental, paulistano e brasileiro, se deu pelo viés político, em acordo com as articulações dos grupos político-ideológicos. |
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