A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Silva, Denise Maria Perissini da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/30103/00130000007hg
Idioma: por
Instituição de defesa: UNISA
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://dspace.unisa.br/handle/123456789/2284
Resumo: Esta dissertação analisa 14 acórdãos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) referentes ao tema do racismo e crimes de intolerância racial, disponíveis em inteiro teor na página eletrônica daquele Tribunal, no tópico ‘Jurisprudência selecionada’ sob o verbete ‘Racismo’, no período de 1998 a 2016 por meio da Análise de Jurisprudências (AJ). O problema de investigação desta pesquisa consiste em analisar se as decisões jurisprudenciais correspondem às expectativas da população afrodescendente brasileira no tocante à tutela da honra subjetiva preconizada pela legislação anti-racista e pelos costumes sociais. Foram abordados os temas da negritude, considerada um elemento de valorização e autonomia da identidade dos negros, e o mito da ‘democracia racial’ que propaga discursos demagógicos de que ‘não existe racismo’ devido à miscigenação e à suposta igualdade de oportunidades entre brancos e negros. As tensões sociais decorrentes do racismo foram analisadas sob a óptica da Psicologia Social e da Psicanálise, considerando-se que a formação de estigmas e estereótipos são produções grupais que se enraízam no inconsciente da sociedade, e formam representações sociais que se solidificam, fazendo com que o indivíduo se despersonalize para adotar acriticamente esses valores, e aja conforme os parâmetros do grupo pelo mecanismo da projeção de juízos de valor diferentes dos dados de realidade que o grupo-alvo procura apresentar. A partir da lei nº 7.716/1989, a conduta racista veio perdendo seu caráter de ‘impunidade’ e passou a ser objeto de questionamento jurisdicional pelas vítimas. Porém, os resultados da análise das jurisprudências do TJSP apontam que somente a partir de 2010 começa a haver efetiva proteção aos atos de intolerância racial, o que sugere uma resistência inicial em aplicar corretamente a legislação aos casos concretos, com o escamoteamento da gravidade dos fatos e o desvio dos propósitos do legislador frente ao combate ao racismo ou injúria racial, uma vez que o agente argumenta que ‘foi uma brincadeira’, ‘não sabia o que estava fazendo’, ou que a vítima está ‘inventando’ ou ‘exagerando’. Essa situação faz com que haja percalços na instauração da efetiva igualdade, com abalos na identidade dos afrobrasileiros, que caminha de modo não entrecruzado, mas sim paralelo, à legislação que busca demarcar critérios de igualdade racial. O racismo deve ser combatido com a plena aplicabilidade da legislação e da jurisprudência, mas também com conscientização individual e coletiva do significado simbólico da gravidade desta conduta nociva e das implicações dela para si e para os outros. A conquista e a construção cotidiana dos direitos à equidade racial incluem o direito e acesso à judicialização. Não obstante, problematizamos as situações nas quais o acesso ao Judiciário dos afrobrasileiros tem sido ampliado, mas paradoxalmente apresenta poucos resultados efetivos. A dilaceração do recurso dos afrobrasileiros à busca da honra subjetiva violada pelas práticas de intolerância racial é uma questão que deve ser considerada pelas políticas públicas que garantam a construção cotidiana da subjetividade, voltadas à consolidação da negritude, visando a transformar o direito de acesso ao Judiciário em um direito à proteção e garantias de equidade social/racial e cidadania.
id UNISA-1_8bcfe24af7ff5e4c644d376a06433160
oai_identifier_str oai:dspace.unisa.br:123456789/2284
network_acronym_str UNISA-1
network_name_str Repositório Digital Unisa da Universidade Santo Amaro
repository_id_str
spelling A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdadeNegritudeRacismoInjúria racialDemocracia racialAnálise de JurisprudênciasEsta dissertação analisa 14 acórdãos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) referentes ao tema do racismo e crimes de intolerância racial, disponíveis em inteiro teor na página eletrônica daquele Tribunal, no tópico ‘Jurisprudência selecionada’ sob o verbete ‘Racismo’, no período de 1998 a 2016 por meio da Análise de Jurisprudências (AJ). O problema de investigação desta pesquisa consiste em analisar se as decisões jurisprudenciais correspondem às expectativas da população afrodescendente brasileira no tocante à tutela da honra subjetiva preconizada pela legislação anti-racista e pelos costumes sociais. Foram abordados os temas da negritude, considerada um elemento de valorização e autonomia da identidade dos negros, e o mito da ‘democracia racial’ que propaga discursos demagógicos de que ‘não existe racismo’ devido à miscigenação e à suposta igualdade de oportunidades entre brancos e negros. As tensões sociais decorrentes do racismo foram analisadas sob a óptica da Psicologia Social e da Psicanálise, considerando-se que a formação de estigmas e estereótipos são produções grupais que se enraízam no inconsciente da sociedade, e formam representações sociais que se solidificam, fazendo com que o indivíduo se despersonalize para adotar acriticamente esses valores, e aja conforme os parâmetros do grupo pelo mecanismo da projeção de juízos de valor diferentes dos dados de realidade que o grupo-alvo procura apresentar. A partir da lei nº 7.716/1989, a conduta racista veio perdendo seu caráter de ‘impunidade’ e passou a ser objeto de questionamento jurisdicional pelas vítimas. Porém, os resultados da análise das jurisprudências do TJSP apontam que somente a partir de 2010 começa a haver efetiva proteção aos atos de intolerância racial, o que sugere uma resistência inicial em aplicar corretamente a legislação aos casos concretos, com o escamoteamento da gravidade dos fatos e o desvio dos propósitos do legislador frente ao combate ao racismo ou injúria racial, uma vez que o agente argumenta que ‘foi uma brincadeira’, ‘não sabia o que estava fazendo’, ou que a vítima está ‘inventando’ ou ‘exagerando’. Essa situação faz com que haja percalços na instauração da efetiva igualdade, com abalos na identidade dos afrobrasileiros, que caminha de modo não entrecruzado, mas sim paralelo, à legislação que busca demarcar critérios de igualdade racial. O racismo deve ser combatido com a plena aplicabilidade da legislação e da jurisprudência, mas também com conscientização individual e coletiva do significado simbólico da gravidade desta conduta nociva e das implicações dela para si e para os outros. A conquista e a construção cotidiana dos direitos à equidade racial incluem o direito e acesso à judicialização. Não obstante, problematizamos as situações nas quais o acesso ao Judiciário dos afrobrasileiros tem sido ampliado, mas paradoxalmente apresenta poucos resultados efetivos. A dilaceração do recurso dos afrobrasileiros à busca da honra subjetiva violada pelas práticas de intolerância racial é uma questão que deve ser considerada pelas políticas públicas que garantam a construção cotidiana da subjetividade, voltadas à consolidação da negritude, visando a transformar o direito de acesso ao Judiciário em um direito à proteção e garantias de equidade social/racial e cidadania.UNISA2017info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfSILVA, Denise Maria Perissini da. A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade. Orientador: Luiz Antonio Dias. 2017. 141 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) — Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2017.http://dspace.unisa.br/handle/123456789/2284ark:/30103/00130000007hgSilva, Denise Maria Perissini daporreponame:Repositório Digital Unisa da Universidade Santo Amaroinstname:Universidade Santo Amaro (UNISA)instacron:UNISAinfo:eu-repo/semantics/openAccess2025-06-30T10:25:06Zoai:dspace.unisa.br:123456789/2284Repositório InstitucionalPRIhttps://dspace.unisa.br/server/oai/requestjesantos@prof.unisa.br || mimartins@unisa.bropendoar:2025-06-30T10:25:06Repositório Digital Unisa da Universidade Santo Amaro - Universidade Santo Amaro (UNISA)false
dc.title.none.fl_str_mv A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade
title A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade
spellingShingle A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade
Silva, Denise Maria Perissini da
Negritude
Racismo
Injúria racial
Democracia racial
Análise de Jurisprudências
title_short A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade
title_full A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade
title_fullStr A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade
title_full_unstemmed A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade
title_sort A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade
author Silva, Denise Maria Perissini da
author_facet Silva, Denise Maria Perissini da
author_role author
dc.contributor.author.fl_str_mv Silva, Denise Maria Perissini da
dc.subject.por.fl_str_mv Negritude
Racismo
Injúria racial
Democracia racial
Análise de Jurisprudências
topic Negritude
Racismo
Injúria racial
Democracia racial
Análise de Jurisprudências
description Esta dissertação analisa 14 acórdãos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) referentes ao tema do racismo e crimes de intolerância racial, disponíveis em inteiro teor na página eletrônica daquele Tribunal, no tópico ‘Jurisprudência selecionada’ sob o verbete ‘Racismo’, no período de 1998 a 2016 por meio da Análise de Jurisprudências (AJ). O problema de investigação desta pesquisa consiste em analisar se as decisões jurisprudenciais correspondem às expectativas da população afrodescendente brasileira no tocante à tutela da honra subjetiva preconizada pela legislação anti-racista e pelos costumes sociais. Foram abordados os temas da negritude, considerada um elemento de valorização e autonomia da identidade dos negros, e o mito da ‘democracia racial’ que propaga discursos demagógicos de que ‘não existe racismo’ devido à miscigenação e à suposta igualdade de oportunidades entre brancos e negros. As tensões sociais decorrentes do racismo foram analisadas sob a óptica da Psicologia Social e da Psicanálise, considerando-se que a formação de estigmas e estereótipos são produções grupais que se enraízam no inconsciente da sociedade, e formam representações sociais que se solidificam, fazendo com que o indivíduo se despersonalize para adotar acriticamente esses valores, e aja conforme os parâmetros do grupo pelo mecanismo da projeção de juízos de valor diferentes dos dados de realidade que o grupo-alvo procura apresentar. A partir da lei nº 7.716/1989, a conduta racista veio perdendo seu caráter de ‘impunidade’ e passou a ser objeto de questionamento jurisdicional pelas vítimas. Porém, os resultados da análise das jurisprudências do TJSP apontam que somente a partir de 2010 começa a haver efetiva proteção aos atos de intolerância racial, o que sugere uma resistência inicial em aplicar corretamente a legislação aos casos concretos, com o escamoteamento da gravidade dos fatos e o desvio dos propósitos do legislador frente ao combate ao racismo ou injúria racial, uma vez que o agente argumenta que ‘foi uma brincadeira’, ‘não sabia o que estava fazendo’, ou que a vítima está ‘inventando’ ou ‘exagerando’. Essa situação faz com que haja percalços na instauração da efetiva igualdade, com abalos na identidade dos afrobrasileiros, que caminha de modo não entrecruzado, mas sim paralelo, à legislação que busca demarcar critérios de igualdade racial. O racismo deve ser combatido com a plena aplicabilidade da legislação e da jurisprudência, mas também com conscientização individual e coletiva do significado simbólico da gravidade desta conduta nociva e das implicações dela para si e para os outros. A conquista e a construção cotidiana dos direitos à equidade racial incluem o direito e acesso à judicialização. Não obstante, problematizamos as situações nas quais o acesso ao Judiciário dos afrobrasileiros tem sido ampliado, mas paradoxalmente apresenta poucos resultados efetivos. A dilaceração do recurso dos afrobrasileiros à busca da honra subjetiva violada pelas práticas de intolerância racial é uma questão que deve ser considerada pelas políticas públicas que garantam a construção cotidiana da subjetividade, voltadas à consolidação da negritude, visando a transformar o direito de acesso ao Judiciário em um direito à proteção e garantias de equidade social/racial e cidadania.
publishDate 2017
dc.date.none.fl_str_mv 2017
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv SILVA, Denise Maria Perissini da. A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade. Orientador: Luiz Antonio Dias. 2017. 141 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) — Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2017.
http://dspace.unisa.br/handle/123456789/2284
dc.identifier.dark.fl_str_mv ark:/30103/00130000007hg
identifier_str_mv SILVA, Denise Maria Perissini da. A emergência da negritude no Brasil, as teorias de inferiorização racial e os caminhos da legislação de proteção à igualdade. Orientador: Luiz Antonio Dias. 2017. 141 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) — Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2017.
ark:/30103/00130000007hg
url http://dspace.unisa.br/handle/123456789/2284
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.publisher.none.fl_str_mv UNISA
publisher.none.fl_str_mv UNISA
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Digital Unisa da Universidade Santo Amaro
instname:Universidade Santo Amaro (UNISA)
instacron:UNISA
instname_str Universidade Santo Amaro (UNISA)
instacron_str UNISA
institution UNISA
reponame_str Repositório Digital Unisa da Universidade Santo Amaro
collection Repositório Digital Unisa da Universidade Santo Amaro
repository.name.fl_str_mv Repositório Digital Unisa da Universidade Santo Amaro - Universidade Santo Amaro (UNISA)
repository.mail.fl_str_mv jesantos@prof.unisa.br || mimartins@unisa.br
_version_ 1846690525314285568