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Impacto do uso da goma de mascar no íleo pós-operatório de cirurgia ginecológica: revisão sistemática de literatura com meta-análise

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Alves, Aline Torres [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/269506
Resumo: (Introdução) O Íleo Pós-Operatório (IPO) é uma inibição temporária da motilidade gastrointestinal após intervenção cirúrgica. Representa uma complicação comum após cirurgias abdominais e ocorre devido a causas não mecânicas que impedem a ingestão oral da dieta de forma adequada. Complicações pós-operatórias como o IPO têm grande impacto na recuperação e no tempo de internação hospitalar. O programa Enhanced Recovery After Surgery (ERAS) foi criado a fim de otimizar os cuidados perioperatórios de forma ampla, abrangendo o retorno da função gastrointestinal normal, diminuindo a ocorrência de IPO. Dentre os benefícios, destacam-se a redução do tempo de internação e dos custos hospitalares; e a aceleração do retorno das pacientes às atividades diárias, sem aumentar complicações e taxas de readmissão hospitalar. Entre os recursos adotados internacionalmente pelo ERAS, para diminuir a ocorrência do IPO, está o consumo da goma de mascar. Esse recurso consiste em uma alimentação simulada que ativa o reflexo cefálico-vagal por meio do mecanismo que se assemelha à ingestão oral de alimentos, estimulando a motilidade duodenal, estomacal e retal. A utilização desse recurso também aumenta a concentração de peptídeos no plasma e a secreção alcalina no duodeno, promovendo a função gastrointestinal. (Objetivo) O objetivo desta pesquisa é avaliar a eficácia do uso da goma de mascar no IPO das cirurgias ginecológicas a fim de contribuir para o Programa Internacional ERAS, apoiado pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). (Métodos) A pesquisa caracteriza-se por um estudo secundário, do tipo revisão sistemática de literatura, com meta-análise. O percurso metodológico engloba a utilização do protocolo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and META-analyses (PRISMA), combinado aos seguintes recursos de manipulação e análise dos dados: seleção cega dos estudos; extração de dados via formulário modelo de MetaEasy; R Studio para análise estatística; avaliação dos riscos de viés dos ensaios clínicos randomizados ferramenta Risk of Bias 2 (RoB2) Cochrane e avaliação do nível de evidência científica pela Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation (GRADE). (Resultados) Os resultados, quanto ao uso da goma de mascar comparado ao não uso da goma em mulheres submetidas a cirurgia ginecológica, demonstraram que os primeiros flatos aconteceram primeiro no grupo intervenção (MD -3,84; IC 95% -5,93 a -1,76; p < 0,01), o que também foi observado em relação aos ruídos hidroaéreos (OR 5,22; IC 95% 1,78-15,36; p = 0,003) e primeira defecação (MD -8,84; IC 95% -16,94 a 0,75; p = 0,03). Ademais, o risco de ocorrência de íleo pós-operatório leve foi menor (OR 0,53; IC 95% 0,28 a 0,98; p = 0,044). Apesar de os dados estatísticos serem favoráveis à intervenção, os resultados apresentaram baixo nível de evidência pela GRADE. Esse resultado implica a não recomendação de implementação da medida para otimizar a recuperação gastrointestinal no pós-operatório pelo Protocolo ERAS. (Considerações finais) Foi possível considerar que a goma de mascar diminui a ocorrência de IPO de cirurgias ginecológicas e não acarretou aumento de complicações. A intervenção é segura, acessível e de baixo custo. Deve-se investir em estudos futuros, com menor heterogeneidade, que avaliem a medida em subgrupos específicos de forma a definir quais pacientes de fato poderão se beneficiar com a medida.
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O programa Enhanced Recovery After Surgery (ERAS) foi criado a fim de otimizar os cuidados perioperatórios de forma ampla, abrangendo o retorno da função gastrointestinal normal, diminuindo a ocorrência de IPO. Dentre os benefícios, destacam-se a redução do tempo de internação e dos custos hospitalares; e a aceleração do retorno das pacientes às atividades diárias, sem aumentar complicações e taxas de readmissão hospitalar. Entre os recursos adotados internacionalmente pelo ERAS, para diminuir a ocorrência do IPO, está o consumo da goma de mascar. Esse recurso consiste em uma alimentação simulada que ativa o reflexo cefálico-vagal por meio do mecanismo que se assemelha à ingestão oral de alimentos, estimulando a motilidade duodenal, estomacal e retal. A utilização desse recurso também aumenta a concentração de peptídeos no plasma e a secreção alcalina no duodeno, promovendo a função gastrointestinal. (Objetivo) O objetivo desta pesquisa é avaliar a eficácia do uso da goma de mascar no IPO das cirurgias ginecológicas a fim de contribuir para o Programa Internacional ERAS, apoiado pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). (Métodos) A pesquisa caracteriza-se por um estudo secundário, do tipo revisão sistemática de literatura, com meta-análise. O percurso metodológico engloba a utilização do protocolo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and META-analyses (PRISMA), combinado aos seguintes recursos de manipulação e análise dos dados: seleção cega dos estudos; extração de dados via formulário modelo de MetaEasy; R Studio para análise estatística; avaliação dos riscos de viés dos ensaios clínicos randomizados ferramenta Risk of Bias 2 (RoB2) Cochrane e avaliação do nível de evidência científica pela Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation (GRADE). (Resultados) Os resultados, quanto ao uso da goma de mascar comparado ao não uso da goma em mulheres submetidas a cirurgia ginecológica, demonstraram que os primeiros flatos aconteceram primeiro no grupo intervenção (MD -3,84; IC 95% -5,93 a -1,76; p < 0,01), o que também foi observado em relação aos ruídos hidroaéreos (OR 5,22; IC 95% 1,78-15,36; p = 0,003) e primeira defecação (MD -8,84; IC 95% -16,94 a 0,75; p = 0,03). Ademais, o risco de ocorrência de íleo pós-operatório leve foi menor (OR 0,53; IC 95% 0,28 a 0,98; p = 0,044). Apesar de os dados estatísticos serem favoráveis à intervenção, os resultados apresentaram baixo nível de evidência pela GRADE. Esse resultado implica a não recomendação de implementação da medida para otimizar a recuperação gastrointestinal no pós-operatório pelo Protocolo ERAS. (Considerações finais) Foi possível considerar que a goma de mascar diminui a ocorrência de IPO de cirurgias ginecológicas e não acarretou aumento de complicações. A intervenção é segura, acessível e de baixo custo. Deve-se investir em estudos futuros, com menor heterogeneidade, que avaliem a medida em subgrupos específicos de forma a definir quais pacientes de fato poderão se beneficiar com a medida.(Introduction) Postoperative Ileus (POI) is a temporary inhibition of gastrointestinal motility following surgical intervention. It represents a common complication after abdominal surgeries and occurs due to non-mechanical causes that prevent the proper oral intake of food. Postoperative complications such as POI have a significant impact on recovery and hospital length of stay. The Enhanced Recovery After Surgery (ERAS) program was created to optimize perioperative care broadly, encompassing the return of normal gastrointestinal function and reducing the occurrence of POI. Among its benefits are reduced length of hospital stay and healthcare costs, as well as accelerated return to daily activities for patients, without increasing complications and readmission rates. One of the internationally adopted resources by ERAS to reduce the occurrence of POI is the use of chewing gum. This approach simulates feeding by activating the cephalic-vagal reflex through a mechanism that resembles oral food intake, stimulating duodenal, gastric, and rectal motility. The use of this resource also increases peptide concentrations in plasma and alkaline secretion in the duodenum, promoting gastrointestinal function. (Objective) The objective of this research is to evaluate the effectiveness of chewing gum use in postoperative ileus (POI) following gynecological surgeries, in order to contribute to the international ERAS program, supported by the Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics (Febrasgo). (Methods) The research is characterized as a secondary study, specifically a systematic literature review with meta-analysis. The methodological approach includes the use of the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) protocol, combined with the following data manipulation and analysis resources: blinded selection of studies; data extraction using the MetaEasy template form; R Studio for statistical analysis; assessment of bias risks in randomized clinical trials using the Risk of Bias 2 (RoB2) Cochrane and tool and evaluation of the level of scientific evidence using the Grading of Recommendations, Assessment, Development and Evaluation (GRADE) system. (Results) The results emonstrated that the use of chewing gum, compared to its non-use in women undergoing gynecological surgery, led to earlier first flatus in the intervention group (MD -3.84; 95% CI -5.93 to -1.76; p<0.01). This was also observed for bowel sounds (OR 5.22; 95% CI 1.78-15.36; p=0.003) and first defecation (MD -8.84; 95% CI -16.94 to 0.75; p=0.03). Furthermore, the risk of mild postoperative ileus occurrence was lower (OR 0.53; 95% CI 0.28 to 0.98; p=0.044). Despite the statistical data favoring the intervention, the results presented a low level of evidence according to the GRADE system. This implies that the measure should not be recommended for implementation to optimize gastrointestinal recovery in the postoperative period according to the ERAS protocol. (Conclusions) It was possible to conclude that chewing gum reduces the occurrence of POI after gynecological surgeries and does not lead to an increase in complications. The intervention is safe, accessible, and low-cost. Future studies with lower heterogeneity should be conducted to evaluate the measure in specific subgroups to determine which patients would truly benefit from it.Universidade Estadual Paulista (Unesp)Silva Filho, Agnaldo Lopes da [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Santiago, Aline EvangelistaAlves, Aline Torres [UNESP]2025-03-10T19:49:26Z2025-03-10T19:49:26Z2025-02-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfALVES, Aline Torres. Impacto do uso da goma de mascar no íleo pós-operatório de cirurgia ginecológica: revisão sistemática de literatura com meta-análise. Orientador: Agnaldo Lopes da Silva Filho. 2025 Dissertação (Mestrado em Tocoginecologia) - Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu. 2024.https://hdl.handle.net/11449/26950633004064077P268901840823121700009-0003-4579-406Xporinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-10-16T10:02:35Zoai:repositorio.unesp.br:11449/269506Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-10-16T10:02:35Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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