Integração física sul-americana: um estudo sobre a Rota de Integração Latino-Americana (RILA)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Martins, Paulo Cesar dos Santos [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/310604
Resumo: Esta tese analisa a natureza da Rota de Integração Latino-Americana (RILA), entendendo-a como parte de um processo mais amplo de reconfiguração territorial impulsionado por projetos de infraestrutura voltados à integração física da América do Sul. Parte-se do pressuposto de que a RILA vai além de um corredor logístico, constituindo uma estratégia geopolítica e econômica que envolve múltiplos atores — públicos e privados — e impacta os territórios atravessados. O estudo enfoca os países diretamente envolvidos na rota — Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — e investiga as dinâmicas sociais, econômicas e ambientais geradas pela expansão da infraestrutura entre 2015 e 2024. A hipótese central sustenta que a RILA reforça o modelo de desenvolvimento neoextrativista predominante na região, marcado pela exploração intensiva de recursos naturais e pelo escoamento de commodities em larga escala. Esse modelo se vincula a uma lógica de integração regional baseada em megaprojetos, geralmente implementados sem ampla participação social e sem avaliação aprofundada dos impactos territoriais. Nesse contexto, a infraestrutura atua como vetor de transformação que, embora prometa ganhos em competitividade e conectividade, também produz assimetrias regionais, pressões ambientais e conflitos sociais. A metodologia é qualitativa, com ênfase na análise documental e em entrevistas semiestruturadas com professores, pesquisadores e moradores de Porto Murtinho (MS) — ponto estratégico da RILA no Brasil. O trabalho de campo buscou captar percepções locais sobre as obras e observar seus primeiros efeitos territoriais. A pesquisa empírica permitiu identificar desdobramentos concretos da infraestrutura e suas repercussões econômicas, sociais e ambientais. Os resultados mostram que, embora a RILA seja apresentada como vetor de desenvolvimento e integração, sua materialização reproduz dinâmicas consolidadas de espoliação territorial. A ampliação da malha logística favorece certos setores e agentes, mas também gera vulnerabilidades que devem ser consideradas no planejamento de políticas públicas. Conclui-se que a RILA, como projeto emblemático da integração sul-americana contemporânea, precisa ser continuamente avaliada de forma crítica, para que promova uma integração sensível às especificidades territoriais e às demandas sociais.
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spelling Integração física sul-americana: um estudo sobre a Rota de Integração Latino-Americana (RILA)Integración física sudamericana: un estudio sobre la Ruta de Integración Latinoamericana (RILA)South American Physical Integration: A Study on the Latin American Integration Route (RILA)RILAAmérica do SulIntegração Regional e InfraestruturaNeoextrativismoSouth AmericaRegional Integration and InfrastructureNeoextractivismAmérica del SurIntegración Regional e InfraestructuraNeoextractivismoEsta tese analisa a natureza da Rota de Integração Latino-Americana (RILA), entendendo-a como parte de um processo mais amplo de reconfiguração territorial impulsionado por projetos de infraestrutura voltados à integração física da América do Sul. Parte-se do pressuposto de que a RILA vai além de um corredor logístico, constituindo uma estratégia geopolítica e econômica que envolve múltiplos atores — públicos e privados — e impacta os territórios atravessados. O estudo enfoca os países diretamente envolvidos na rota — Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — e investiga as dinâmicas sociais, econômicas e ambientais geradas pela expansão da infraestrutura entre 2015 e 2024. A hipótese central sustenta que a RILA reforça o modelo de desenvolvimento neoextrativista predominante na região, marcado pela exploração intensiva de recursos naturais e pelo escoamento de commodities em larga escala. Esse modelo se vincula a uma lógica de integração regional baseada em megaprojetos, geralmente implementados sem ampla participação social e sem avaliação aprofundada dos impactos territoriais. Nesse contexto, a infraestrutura atua como vetor de transformação que, embora prometa ganhos em competitividade e conectividade, também produz assimetrias regionais, pressões ambientais e conflitos sociais. A metodologia é qualitativa, com ênfase na análise documental e em entrevistas semiestruturadas com professores, pesquisadores e moradores de Porto Murtinho (MS) — ponto estratégico da RILA no Brasil. O trabalho de campo buscou captar percepções locais sobre as obras e observar seus primeiros efeitos territoriais. A pesquisa empírica permitiu identificar desdobramentos concretos da infraestrutura e suas repercussões econômicas, sociais e ambientais. Os resultados mostram que, embora a RILA seja apresentada como vetor de desenvolvimento e integração, sua materialização reproduz dinâmicas consolidadas de espoliação territorial. A ampliação da malha logística favorece certos setores e agentes, mas também gera vulnerabilidades que devem ser consideradas no planejamento de políticas públicas. Conclui-se que a RILA, como projeto emblemático da integração sul-americana contemporânea, precisa ser continuamente avaliada de forma crítica, para que promova uma integração sensível às especificidades territoriais e às demandas sociais.This thesis analyzes the nature of the Latin American Integration Route (RILA), understanding it as part of a broader process of territorial reconfiguration driven by infrastructure projects aimed at promoting physical integration in South America. The research assumes that RILA goes beyond a logistical corridor, representing a geopolitical and economic strategy involving multiple public and private actors, with significant impacts on the territories it crosses. The study focuses on the countries directly involved in the route — Brazil, Paraguay, Argentina, and Chile — and examines the social, economic, and environmental dynamics resulting from infrastructure expansion between 2015 and 2024. The central hypothesis argues that RILA reinforces the prevailing neo-extractivist development model in the region, characterized by intensive natural resource exploitation and large-scale commodity flows. This model aligns with a regional integration logic based on megaprojects, often implemented without broad social participation or thorough territorial impact assessments. In this context, infrastructure becomes a vector of transformation that, although promising gains in competitiveness and connectivity, also generates regional asymmetries, environmental pressures, and social conflicts. The methodology is qualitative, with an emphasis on document analysis and semi-structured interviews with university professors, researchers, and residents of Porto Murtinho (MS) — a strategic point of RILA in Brazil. Fieldwork aimed to capture local perceptions of the construction projects and observe their initial territorial effects. The empirical research allowed for the identification of concrete outcomes and their economic, social, and environmental repercussions. The results show that, although RILA is presented as a development and integration vector, its implementation reproduces established dynamics of territorial dispossession. The expansion of the logistics network benefits certain economic sectors and regional actors but also creates vulnerabilities that must be addressed in public policy planning. The thesis concludes that RILA, as an emblematic project of contemporary South American integration, must undergo continuous and critical evaluation in order to promote integration that respects territorial specificities and meets social demands.Esta tesis analiza la naturaleza de la Ruta de Integración Latinoamericana (RILA), entendiéndola como parte de un proceso más amplio de reconfiguración territorial impulsado por proyectos de infraestructura orientados a la integración física de América del Sur. Se parte del supuesto de que la RILA va más allá de un corredor logístico, constituyendo una estrategia geopolítica y económica que involucra a múltiples actores —públicos y privados— y afecta directamente a los territorios que atraviesa. El estudio se enfoca en los países directamente involucrados —Brasil, Paraguay, Argentina y Chile— e investiga las dinámicas sociales, económicas y ambientales generadas por la expansión de la infraestructura entre 2015 y 2024. La hipótesis central sostiene que la RILA refuerza el modelo de desarrollo neoextractivista predominante en la región, caracterizado por la explotación intensiva de recursos naturales y la exportación a gran escala de materias primas. Este modelo se articula con una lógica de integración regional basada en megaproyectos, generalmente implementados sin una participación social amplia ni evaluaciones profundas de los impactos territoriales. En este contexto, la infraestructura actúa como un vector de transformación que, aunque promete mejoras en competitividad y conectividad, también genera asimetrías regionales, presiones ambientales y conflictos sociales. La metodología es cualitativa, con énfasis en el análisis documental y entrevistas semiestructuradas con profesores, investigadores y habitantes de Porto Murtinho (MS), punto estratégico de la RILA en Brasil. El trabajo de campo buscó captar percepciones locales sobre las obras y observar sus primeros efectos territoriales. La investigación empírica permitió identificar efectos concretos de la infraestructura y sus repercusiones económicas, sociales y ambientales. Los resultados muestran que, aunque la RILA se presenta como un vector de desarrollo e integración, su implementación reproduce dinámicas consolidadas de despojo territorial. La ampliación de la red logística favorece a ciertos sectores y actores, pero también genera vulnerabilidades que deben considerarse en la planificación de políticas públicas. Se concluye que la RILA, como proyecto emblemático de la integración sudamericana contemporánea, debe ser evaluada de manera crítica y continua, con el fin de promover una integración sensible a las especificidades territoriales y a las demandas sociales.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)CAPES: 88887.761435/2022-00Universidade Estadual Paulista (Unesp)Bressan, Regiane NitschUniversidade Estadual Paulista (Unesp)Martins, Paulo Cesar dos Santos [UNESP]2025-05-22T15:18:50Z2025-04-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfMARTINS, Paulo Cesar dos Santos. Integração física sul-americana: um estudo sobre a Rota de Integração Latino-Americana (RILA). Orientadora: Regiane Nitsch Bressan. 2025. 230 f. Tese (Doutorado em Relações Internacionais) – UNESP/UNICAMP/PUC-SP, Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, 2025.https://hdl.handle.net/11449/31060433004110044P0porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-06-02T18:35:42Zoai:repositorio.unesp.br:11449/310604Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-06-02T18:35:42Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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