Entre becos, vielas e malocas : cartografias do saber-fazer das psicologias no acompanhamento psicossocial de mulheres trans e travestis negras em situação de rua

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Cardoso, Marcela de Oliveira [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/310263
Resumo: Neste trabalho, partimos do pressuposto que as colonialidades de raça, de gênero e de classe atravessam historicamente a construção do saber-fazer das psicologias e a produção do sofrimento psicossocial em corporalidades-subjetividades dissidentes da narrativa hegemônica. Propomos cartografar os caminhos traçados pelas psicologias no acompanhamento psicossocial de meninas e mulheres trans e travestis negras que se encontram em situação de rua na região central de São Paulo, tendo como objetivo identificar a expressão da ideologia colonial (branquitude, cisnormatividade e elitismo) nos processos formativos e nas práticas psicossociais, bem como as estratégias de enfrentamento elaboradas pelas psicologias que se comprometem ética, política e afetivamente com as existências negras, transgêneras e travestis em situação de rua. Recorremos aos saberes contracoloniais enquanto referencial epistêmico, enunciando as produções de conhecimento afrodiaspóricos e interseccionais como guias no trajeto proposto. O processo cartográfico, utilizado enquanto instrumento para construção do percurso metodológico, dialoga com as onze entrevistas semiestruturadas realizadas com profissionais da psicologia que se encontram em atuação na Rede de Atenção Psicossocial na região central de São Paulo e acompanham meninas e/ou mulheres trans e travestis negras que se encontram em situação de rua. Através de quatro capítulos, os encontros com os psicólogos são apresentados por meio de fragmentos das narrativas, manifestando-se enquanto um diálogo com os questionamentos/reflexões elaboradas e as epistemologias contracoloniais. Em “A colonização das memórias: histórias únicas de existências” refletimos sobre os impactos psicossociais que a história única (universalidades) da branquitude, da cisnormatividade e do elitismo produz nas corporalidades-subjetividades negras, transgêneras e travestis que se encontram nas ruas, dialogando com as escutas/ações psicossociais propostas pelas psicologias. Em “À margem do arco-íris: travestilidades e transgeneridades negras entre becos, vielas e malocas” discutimos sobre os prejuízos materiais que o racismo, a transfobia e o elitismo produzem no acesso/garantia aos direitos sociais da população negra, trans e travesti em situação de rua, destacando a atuação das psicologias nas políticas públicas de Assistência Social, Saúde, Educação, Trabalho e no direito à convivência familiar e comunitária. Em “Currículos ocultos, (des)educação (im)permanente e (des)continuada” repensamos as formações em psicologia, identificando tanto os resquícios quanto os movimentos de rompimento com a colonialidade na construção de saberes e fazeres psicossociais. Por fim, em “Aquilombamentos: buscando o que esquecemos” traçamos as linhas de fuga/fratura às narrativas/práticas coloniais, trazendo fragmentos narrativos dos profissionais que enunciam movimentos de aquilombamento enquanto reorientação da escuta/ação psicossocial. Esta pesquisa sugere que a subversão às lógicas manicoloniais de existência é um compromisso ético-político-afetivo das psicologias com as existências negras, as travestilidades e as transgeneridades que nas ruas se encontram.
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Propomos cartografar os caminhos traçados pelas psicologias no acompanhamento psicossocial de meninas e mulheres trans e travestis negras que se encontram em situação de rua na região central de São Paulo, tendo como objetivo identificar a expressão da ideologia colonial (branquitude, cisnormatividade e elitismo) nos processos formativos e nas práticas psicossociais, bem como as estratégias de enfrentamento elaboradas pelas psicologias que se comprometem ética, política e afetivamente com as existências negras, transgêneras e travestis em situação de rua. Recorremos aos saberes contracoloniais enquanto referencial epistêmico, enunciando as produções de conhecimento afrodiaspóricos e interseccionais como guias no trajeto proposto. O processo cartográfico, utilizado enquanto instrumento para construção do percurso metodológico, dialoga com as onze entrevistas semiestruturadas realizadas com profissionais da psicologia que se encontram em atuação na Rede de Atenção Psicossocial na região central de São Paulo e acompanham meninas e/ou mulheres trans e travestis negras que se encontram em situação de rua. Através de quatro capítulos, os encontros com os psicólogos são apresentados por meio de fragmentos das narrativas, manifestando-se enquanto um diálogo com os questionamentos/reflexões elaboradas e as epistemologias contracoloniais. Em “A colonização das memórias: histórias únicas de existências” refletimos sobre os impactos psicossociais que a história única (universalidades) da branquitude, da cisnormatividade e do elitismo produz nas corporalidades-subjetividades negras, transgêneras e travestis que se encontram nas ruas, dialogando com as escutas/ações psicossociais propostas pelas psicologias. Em “À margem do arco-íris: travestilidades e transgeneridades negras entre becos, vielas e malocas” discutimos sobre os prejuízos materiais que o racismo, a transfobia e o elitismo produzem no acesso/garantia aos direitos sociais da população negra, trans e travesti em situação de rua, destacando a atuação das psicologias nas políticas públicas de Assistência Social, Saúde, Educação, Trabalho e no direito à convivência familiar e comunitária. Em “Currículos ocultos, (des)educação (im)permanente e (des)continuada” repensamos as formações em psicologia, identificando tanto os resquícios quanto os movimentos de rompimento com a colonialidade na construção de saberes e fazeres psicossociais. Por fim, em “Aquilombamentos: buscando o que esquecemos” traçamos as linhas de fuga/fratura às narrativas/práticas coloniais, trazendo fragmentos narrativos dos profissionais que enunciam movimentos de aquilombamento enquanto reorientação da escuta/ação psicossocial. Esta pesquisa sugere que a subversão às lógicas manicoloniais de existência é um compromisso ético-político-afetivo das psicologias com as existências negras, as travestilidades e as transgeneridades que nas ruas se encontram.In this work, we start from the assumption that the colonialities of race, gender, and class have historically permeated the construction of knowledge and practices in psychology and the production of psychosocial suffering in dissident bodies-subjectivities from the hegemonic narrative. We propose to map the paths traced by psychology in the psychosocial support of black trans girls and women and travestis who find themselves homeless in the central region of São Paulo, aiming to identify the expression of colonial ideology (whiteness, cisnormativity, and elitism) in formative processes and psychosocial practices, as well as the coping strategies developed by psychologists who are ethically, politically, and affectively committed to the existences of black, transgender, and travesti individuals in street situations. We draw on counter-colonial knowledge as an epistemic reference, enunciating the productions of Afro-diasporic and intersectional knowledge as guides in the proposed journey. The cartographic process, used as a tool for constructing the methodological path, engages with the eleven semi-structured interviews conducted with psychology professionals working in the Psychosocial Care Network in the central region of São Paulo, who support black trans girls and/or women and travestis in street situations. Through four chapters, the encounters with psychologists are presented through fragments of narratives, manifesting as a dialogue between the questions/reflections elaborated and counter-colonial epistemologies. In accessing/guaranteeing social rights for the black, trans, and travesti population in street situations, highlighting the role of psychology in public policies for Social Assistance, Health, Education, Work, and the right to family and community living. In "Hidden Curricula, (Un)Education (Im)Permanent and (Un)Continued," we rethink psychology training, identifying both the remnants and the movements of rupture with coloniality in the construction of psychosocial knowledge and practices. Finally, in "Aquilombamentos: Seeking What We Forgot," we trace the lines of flight/fracture from colonial narratives/practices, bringing forth narrative fragments from professionals who articulate movements of aquilombamento as a reorientation of psychosocial listening/mobilizations. This research suggests that the subversion of manicolonial logics of existence is an ethical-political-affective commitment of psychology to the existences of black individuals, travestilities, and transgenerities found on the streets. "The Colonization of Memories: Unique Stories of Existences," we reflect on the psychosocial impacts that the single story (universals) of whiteness, cisnormativity, and elitism produces on the black, transgender, and travesti bodies-subjectivities found on the streets, engaging with the psychosocial listening/actions proposed by psychology. In "At the Margins of the Rainbow: Black Travestilities and Transgenerities among Alleys, Streets, and Shanties," we discuss the material harms that racism, transphobia, and elitism produce inUniversidade Estadual Paulista (Unesp)Souza, Leonardo Lemos de [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Cardoso, Marcela de Oliveira [UNESP]2025-05-08T23:20:22Z2025-03-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfCARDOSO, Marcela de Oliveira. Entre becos, vielas e malocas: cartografias do saber-fazer das psicologias no acompanhamento psicossocial de mulheres trans e travestis negras em situação de rua. 2025. 144 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências e Letras, Assis, 2025.https://hdl.handle.net/11449/31026333004048021P66285410034264179porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-06-02T18:39:58Zoai:repositorio.unesp.br:11449/310263Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-06-02T18:39:58Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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