Contexto geográfico e projetos de futuro: os horizontes de possibilidades de jovens estudantes da cidade pequena de Queiroz/SP

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Silva, Igor Adriano Sufi Soares da [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/314754
Resumo: Este trabalho tem como objetivo compreender como jovens de uma cidade pequena — Queiroz, São Paulo, Brasil — pensam, vivem e negociam seus projetos de futuro a partir dos contextos em que estão inseridos. A investigação parte da premissa de que a juventude é uma construção social situada, marcada por experiências desiguais que atravessam gênero, classe, raça, sexualidade e, sobretudo, o espaço. Assim, propõe-se uma leitura geográfica das juventudes que considera o lugar, a cidade pequena e a escola não apenas como cenários, mas como dimensões constitutivas das possibilidades que se abrem (ou se fecham) para os jovens. Este trabalho é, antes de tudo, uma tentativa de escuta atenta e devolução comprometida, que possa, de algum modo, contribuir com a escola, com os jovens que dela fazem parte e com a produção de geografias mais sensíveis às vidas que se desenham fora dos grandes centros urbanos. A pesquisa foi realizada com estudantes do 3º ano do Ensino Médio de uma escola pública de tempo integral, onde se construíram, em diálogo com eles, os “mapas das possibilidades” — dispositivos visuais e afetivos que ajudaram a tornar visíveis os desejos, receios e limitações que marcam os projetos de vida desses sujeitos. Por meio desses mapas, foi possível acessar suas geografias imaginadas, suas aspirações de mobilidade, e a forma como investem sentido em lugares próximos e distantes. Ainda que muitos desejem “sair”, os destinos visados tendem a ser cidades intermediárias próximas, evidenciando que a mobilidade é sempre mediada por recursos, redes, vínculos e disposições historicamente e espacialmente construídas. A escola surge, nesse cenário, como um espaço de contradições. É percebida tanto como lugar de afeto e proteção quanto como um ambiente cansativo, descolado da realidade concreta de muitos alunos. A estrutura do Ensino Integral, pensada como oportunidade, é frequentemente vivida como excesso — de tarefas, de tempo, de exigências — especialmente por aqueles que conciliam estudo com trabalho. Ainda assim, há o reconhecimento do esforço dos profissionais da educação e do valor dos vínculos criados ali. A escola aparece como um espaço onde se constroem redes de apoio, amizades e também frustrações, mostrando que ela é parte de um sistema maior — uma Geografia da Educação — que reproduz desigualdades estruturais no acesso ao direito à educação e, consequentemente, no próprio direito à juventude, especialmente em uma cidade pequena do interior do estado de São Paulo.
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Assim, propõe-se uma leitura geográfica das juventudes que considera o lugar, a cidade pequena e a escola não apenas como cenários, mas como dimensões constitutivas das possibilidades que se abrem (ou se fecham) para os jovens. Este trabalho é, antes de tudo, uma tentativa de escuta atenta e devolução comprometida, que possa, de algum modo, contribuir com a escola, com os jovens que dela fazem parte e com a produção de geografias mais sensíveis às vidas que se desenham fora dos grandes centros urbanos. A pesquisa foi realizada com estudantes do 3º ano do Ensino Médio de uma escola pública de tempo integral, onde se construíram, em diálogo com eles, os “mapas das possibilidades” — dispositivos visuais e afetivos que ajudaram a tornar visíveis os desejos, receios e limitações que marcam os projetos de vida desses sujeitos. Por meio desses mapas, foi possível acessar suas geografias imaginadas, suas aspirações de mobilidade, e a forma como investem sentido em lugares próximos e distantes. Ainda que muitos desejem “sair”, os destinos visados tendem a ser cidades intermediárias próximas, evidenciando que a mobilidade é sempre mediada por recursos, redes, vínculos e disposições historicamente e espacialmente construídas. A escola surge, nesse cenário, como um espaço de contradições. É percebida tanto como lugar de afeto e proteção quanto como um ambiente cansativo, descolado da realidade concreta de muitos alunos. A estrutura do Ensino Integral, pensada como oportunidade, é frequentemente vivida como excesso — de tarefas, de tempo, de exigências — especialmente por aqueles que conciliam estudo com trabalho. Ainda assim, há o reconhecimento do esforço dos profissionais da educação e do valor dos vínculos criados ali. A escola aparece como um espaço onde se constroem redes de apoio, amizades e também frustrações, mostrando que ela é parte de um sistema maior — uma Geografia da Educação — que reproduz desigualdades estruturais no acesso ao direito à educação e, consequentemente, no próprio direito à juventude, especialmente em uma cidade pequena do interior do estado de São Paulo.This work aims to understand how young people from a small town — Queiroz, Sao Paulo, Brazil — think about, experience, and negotiate their future projects based on the contexts in which they are embedded. The investigation starts from the premise that youth is a situated social construction, shaped by unequal experiences that intersect gender, class, race, sexuality, and, above all, space. Thus, a geographic reading of youth is proposed — one that considers place, the small town, and the school not merely as settings, but as constitutive dimensions of the possibilities that open up (or close down) for young people. This research is, above all, an attempt at attentive listening and a committed response. It seeks, in some way, to contribute to the school, to the young people who are part of it, and to the production of geographies more sensitive to lives unfolding beyond large urban centers. The research was carried out with third-year high school students from a full-time public school, where, in dialogue with them, the “maps of possibilities” were created — visual and affective devices that helped make visible the desires, fears, and limitations that shape their life projects. Through these maps, it was possible to access their imagined geographies, their aspirations for mobility, and the ways they assign meaning to nearby and distant places. Even though many wish to "leave," the destinations they envision tend to be nearby intermediate cities, revealing that mobility is always mediated by resources, networks, relationships, and dispositions that are historically and spatially constructed. In this context, the school emerges as a space of contradictions. It is perceived both as a place of affection and protection and as a tiring environment, disconnected from many students’ concrete realities. The structure of full-time education, conceived as an opportunity, is often experienced as an excess — of tasks, time, and demands — especially by those who juggle school and work. Still, there is recognition of the dedication of education professionals and the value of the bonds created there. The school appears as a space where support networks, friendships, and also frustrations are built, showing that it is part of a larger system — a Geography of Education — that reproduces structural inequalities in access to the right to education, and, consequently, in the right to youth, especially in a small town in the interior of the state of São Paulo.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)CAPES: 001Universidade Estadual Paulista (Unesp)Turra Neto, Nécio [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Silva, Igor Adriano Sufi Soares da [UNESP]2025-10-31T00:35:04Z2025-10-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfSILVA, Igor Adriano Sufi Soares da. Contexto geográfico e projetos de futuro: os horizontes de possibilidades de jovens estudantes da cidade pequena de Queiroz/SP. Orientador: Nécio Turra Neto. 2025. 267 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, 2025.https://hdl.handle.net/11449/31475433004129042P310108932637163130000-0003-4348-153Xporinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-10-31T05:06:27Zoai:repositorio.unesp.br:11449/314754Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-10-31T05:06:27Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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