Avaliação de parâmetros funcionais e musculares em diferentes níveis de gravidade da DPOC

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Brizola, Luis Fernando Pereira [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/318475
Resumo: Introdução: Caracterizada pela limitação progressiva não totalmente reversível do fluxo aéreo, a DPOC impacta de forma acentuada o sistema musculoesquelético, conferindo dispneia e intolerância ao exercício devido a remodelação das fibras musculares, a hiperinsuflação e baixa capacidade inspiratória. Objetivo: Avaliar parâmetros funcionais e musculares em diferentes níveis de gravidade da DPOC e investigar suas associações com sintomas e qualidade de vida. Métodos: Trata-se de estudo transversal com indivíduos com diagnóstico de DPOC. A altura, peso e IMC foram obtidos por meio de estadiômetro e balança elétrica, a força muscular periférica foi avaliada pela dinamometria e a força respiratória pelas pressões inspiratória e expiratória máximas. A avaliação muscular foi complementada pela ultrassonografia apendicular e diafragmática. A capacidade física foi avaliada pelo teste de caminhada de seis minutos e 4-metre gait speed e, a função pulmonar, foi avaliada pela prova de função pulmonar completa. Para avaliação da dispneia e a qualidade de vida, questionários específicos foram aplicados (Medical Research Council modificado, Índice de Dispneia Basal, teste de avaliação de DPOC – CAT e Saint George Respiratory Questionnaire – SGRQ). Resultados: Foram avaliados 88 indivíduos, com idade de 67,0 (62,8–71,0) anos e IMC médio de 26,2±5,4kg/m². O valor médio de VEF1 foi de 57,6±18,0 na amostra geral. Quando comparado o grupo GOLD E com o grupo GOLD A/B, o grupo GOLD E apresentou menor Pimax [57,5%(49,7–68,7); 79,4%(64,5–99,9) p<0,001] e Pemax [86,5%(67,8–95,8); 97,7 (84,4–132,1) p=0,028), menor TC6 [63,6%(19,5); 77,9%(15,4) p=0,006], menor velocidade no 4MGS [0,78m/s (0,70–0,91); 1,01m/s (0,74–1,14) p=0,024), redução de VEF1 [46,5(18,3%); 60,4(16,9%) p=0,003], redução da DLCO [47,5%(17,4); 70,4%(18,2) p<0,001], menor VVM [42,9%(17,5); 59,8%(20,7) p=0,008] e redução da espessura diafragmática direita [0,20cm(0,18–0,23); 0,24 (0,21–0,28) p=0,019], respectivamente. Adicionalmente, identificamos correlação do VEF1 com a musculatura periférica (r=0,23–0,30; p<0,05), percentual de Pimax (r=–0,671; p<0,001), Pemax (r=0,451;p<0,001) e desempenho funcional (TC6: r=0,441;p<0,001; 4MGS: r=0,37; p=0,001). A dispneia, impacto clínico e qualidade de vida correlacionaram-se com o percentual da VVM (r = 0,570; p < 0,001), com o percentual do TC6 (r = −0,462; p < 0,001), com a Pimáx (r = −0,352; p = 0,002) e Pemáx (r = 0,341; p = 0,003). Ainda, o SGRQ apresentou correlação com a espessura do diafragma direito (r = 0,309; p = 0,012), diafragma esquerdo (r = 0,274; p = 0,026), e SLOPE direito (r = 0,331; p = 0,008). A velocidade da marcha pelo 4MGS se correlacionou com a dispneia pelo BDI [r = 0,286; p = 0,018] e impacto clínico pelo CAT [r = −0,329; p = 0,004]. Notamos ainda que, o tabagismo se associou com a gravidade da DPOC (OR = 0,22; IC95%: 0,07 – 0,69; p = 0,009), enquanto a espessura do vasto intermédio se associou de forma independente à gravidade (OR = 0,13; IC95%: 0,02–0,96; p = 0,045). Conclusão: Indivíduos com DPOC mais grave apresentam maior comprometimento funcional, respiratório e muscular, refletido em pior desempenho físico e maior sintomatologia.
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A altura, peso e IMC foram obtidos por meio de estadiômetro e balança elétrica, a força muscular periférica foi avaliada pela dinamometria e a força respiratória pelas pressões inspiratória e expiratória máximas. A avaliação muscular foi complementada pela ultrassonografia apendicular e diafragmática. A capacidade física foi avaliada pelo teste de caminhada de seis minutos e 4-metre gait speed e, a função pulmonar, foi avaliada pela prova de função pulmonar completa. Para avaliação da dispneia e a qualidade de vida, questionários específicos foram aplicados (Medical Research Council modificado, Índice de Dispneia Basal, teste de avaliação de DPOC – CAT e Saint George Respiratory Questionnaire – SGRQ). Resultados: Foram avaliados 88 indivíduos, com idade de 67,0 (62,8–71,0) anos e IMC médio de 26,2±5,4kg/m². O valor médio de VEF1 foi de 57,6±18,0 na amostra geral. Quando comparado o grupo GOLD E com o grupo GOLD A/B, o grupo GOLD E apresentou menor Pimax [57,5%(49,7–68,7); 79,4%(64,5–99,9) p<0,001] e Pemax [86,5%(67,8–95,8); 97,7 (84,4–132,1) p=0,028), menor TC6 [63,6%(19,5); 77,9%(15,4) p=0,006], menor velocidade no 4MGS [0,78m/s (0,70–0,91); 1,01m/s (0,74–1,14) p=0,024), redução de VEF1 [46,5(18,3%); 60,4(16,9%) p=0,003], redução da DLCO [47,5%(17,4); 70,4%(18,2) p<0,001], menor VVM [42,9%(17,5); 59,8%(20,7) p=0,008] e redução da espessura diafragmática direita [0,20cm(0,18–0,23); 0,24 (0,21–0,28) p=0,019], respectivamente. Adicionalmente, identificamos correlação do VEF1 com a musculatura periférica (r=0,23–0,30; p<0,05), percentual de Pimax (r=–0,671; p<0,001), Pemax (r=0,451;p<0,001) e desempenho funcional (TC6: r=0,441;p<0,001; 4MGS: r=0,37; p=0,001). A dispneia, impacto clínico e qualidade de vida correlacionaram-se com o percentual da VVM (r = 0,570; p < 0,001), com o percentual do TC6 (r = −0,462; p < 0,001), com a Pimáx (r = −0,352; p = 0,002) e Pemáx (r = 0,341; p = 0,003). Ainda, o SGRQ apresentou correlação com a espessura do diafragma direito (r = 0,309; p = 0,012), diafragma esquerdo (r = 0,274; p = 0,026), e SLOPE direito (r = 0,331; p = 0,008). A velocidade da marcha pelo 4MGS se correlacionou com a dispneia pelo BDI [r = 0,286; p = 0,018] e impacto clínico pelo CAT [r = −0,329; p = 0,004]. Notamos ainda que, o tabagismo se associou com a gravidade da DPOC (OR = 0,22; IC95%: 0,07 – 0,69; p = 0,009), enquanto a espessura do vasto intermédio se associou de forma independente à gravidade (OR = 0,13; IC95%: 0,02–0,96; p = 0,045). Conclusão: Indivíduos com DPOC mais grave apresentam maior comprometimento funcional, respiratório e muscular, refletido em pior desempenho físico e maior sintomatologia.Rationale: Characterized by progressive and non-fully reversible airflow limitation, COPD has a marked impact on the musculoskeletal system, conferring dyspnea and exercise intolerance due to muscle fiber remodeling, hyperinflation, and low inspiratory capacity. Objective: To evaluate functional and muscular parameters at different levels of COPD severity and to investigate their associations with symptoms and quality of life. Methods: This was a cross-sectional study involving individuals diagnosed with COPD. Height, weight, and BMI were obtained using a stadiometer and electric scale, peripheral muscle strength was assessed by dynamometry, and respiratory strength was assessed by maximal inspiratory and expiratory pressures. Muscle evaluation was complemented by appendicular and diaphragmatic ultrasonography. Physical capacity was assessed by the six-minute walk test and 4-metre gait speed, and pulmonary function was assessed by the complete pulmonary function test. To assess dyspnea and quality of life, specific questionnaires were applied (modified Medical Research Council, Baseline Dyspnea Index, COPD Assessment Test – CAT, and Saint George Respiratory Questionnaire – SGRQ). Results: A total of 88 individuals were evaluated, with a age of 67.0 (62.8–71.0) years and a mean BMI of 26.2±5.4kg/m². The mean FEV1 value was 57.6±18.0 in the overall sample. When comparing the GOLD E group with the GOLD A/B group, the GOLD E group had lower MIP [57.5% (49.7–68.7); 79.4% (64.5–99.9) p<0.001] and Pemax [86.5% (67.8–95.8); 97.7 (84.4–132.1) p=0.028), lower 6MWT [63.6% (19.5); 77.9% (15.4) p=0.006], lower velocity in 4MGS [0.78m/s (0.70–0.91); 1.01m/s (0.74–1.14) p=0.024), reduction in FEV1 [46.5 (18.3%); 60.4 (16.9%) p=0.003], reduction in DLCO [47.5% (17.4); 70.4% (18.2) p<0.001], lower MVV [42.9% (17.5); 59.8% (20.7) p=0.008], and reduction in right diaphragmatic thickness [0.20 cm (0.18–0.23); 0.24 (0.21–0.28) p=0.019], respectively. In addition, we identified a correlation between FEV1 and peripheral musculature (r=0.23–0.30; p<0.05), percentage of MIP (r=–0.671; p<0.001), Pemax (r=0.451; p<0.001) and functional performance (6MWT: r=0.441; p<0.001; 4MGS: r=0.37; p=0.001). Dyspnea, clinical impact, and quality of life were correlated with the percentage of MVV (r = 0.570; p < 0.001), the percentage of the 6MWT (r = −0.462; p < 0.001), MIP (r = −0.352; p = 0.002), and MEP (r = 0.341; p = 0.003). In addition, the SGRQ was correlated with the thickness of the right diaphragm (r = 0.309; p = 0.012), left diaphragm (r = 0.274; p = 0.026), and right SLOPE (r = 0.331; p = 0.008). Gait velocity by 4MGS correlated with dyspnea by BDI [r = 0.286; p = 0.018] and clinical impact by CAT [r = −0.329; p = 0.004]. We also observed that smoking was associated with COPD severity (OR = 0.22; 95% CI: 0.07 – 0.69; p = 0.009), whereas vastus intermedia thickness was independently associated with gravity (OR = 0.13; 95% CI: 0.02–0.96; p = 0.045). Conclusion: Individuals with more severe COPD have greater functional, respiratory, and muscular impairment, which is reflected in worse physical performance and greater symptoms.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)88887.933273/2024-00Universidade Estadual Paulista (Unesp)Prudente, Robson Aparecido [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Tanni, Suzana Erico [UNESP]Silva, Viviana Rugolo Oliveira e [UNESP]Lapa, Mônica Silveira [UNESP]Brizola, Luis Fernando Pereira [UNESP]2026-01-16T15:14:43Z2025-12-19info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfBRIZOLA, Luís Fernando Pereira. Avaliação de parâmetros funcionais e musculares em diferentes níveis de gravidade da DPOC. 2025. Dissertação (Mestrado em Fisiopatologia em Clínica Médica) - Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2025.https://hdl.handle.net/11449/31847533004064020P087598985493470910000-0002-0333-2305porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2026-01-17T05:05:34Zoai:repositorio.unesp.br:11449/318475Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462026-01-17T05:05:34Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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description Introdução: Caracterizada pela limitação progressiva não totalmente reversível do fluxo aéreo, a DPOC impacta de forma acentuada o sistema musculoesquelético, conferindo dispneia e intolerância ao exercício devido a remodelação das fibras musculares, a hiperinsuflação e baixa capacidade inspiratória. Objetivo: Avaliar parâmetros funcionais e musculares em diferentes níveis de gravidade da DPOC e investigar suas associações com sintomas e qualidade de vida. Métodos: Trata-se de estudo transversal com indivíduos com diagnóstico de DPOC. A altura, peso e IMC foram obtidos por meio de estadiômetro e balança elétrica, a força muscular periférica foi avaliada pela dinamometria e a força respiratória pelas pressões inspiratória e expiratória máximas. A avaliação muscular foi complementada pela ultrassonografia apendicular e diafragmática. A capacidade física foi avaliada pelo teste de caminhada de seis minutos e 4-metre gait speed e, a função pulmonar, foi avaliada pela prova de função pulmonar completa. Para avaliação da dispneia e a qualidade de vida, questionários específicos foram aplicados (Medical Research Council modificado, Índice de Dispneia Basal, teste de avaliação de DPOC – CAT e Saint George Respiratory Questionnaire – SGRQ). Resultados: Foram avaliados 88 indivíduos, com idade de 67,0 (62,8–71,0) anos e IMC médio de 26,2±5,4kg/m². O valor médio de VEF1 foi de 57,6±18,0 na amostra geral. Quando comparado o grupo GOLD E com o grupo GOLD A/B, o grupo GOLD E apresentou menor Pimax [57,5%(49,7–68,7); 79,4%(64,5–99,9) p<0,001] e Pemax [86,5%(67,8–95,8); 97,7 (84,4–132,1) p=0,028), menor TC6 [63,6%(19,5); 77,9%(15,4) p=0,006], menor velocidade no 4MGS [0,78m/s (0,70–0,91); 1,01m/s (0,74–1,14) p=0,024), redução de VEF1 [46,5(18,3%); 60,4(16,9%) p=0,003], redução da DLCO [47,5%(17,4); 70,4%(18,2) p<0,001], menor VVM [42,9%(17,5); 59,8%(20,7) p=0,008] e redução da espessura diafragmática direita [0,20cm(0,18–0,23); 0,24 (0,21–0,28) p=0,019], respectivamente. Adicionalmente, identificamos correlação do VEF1 com a musculatura periférica (r=0,23–0,30; p<0,05), percentual de Pimax (r=–0,671; p<0,001), Pemax (r=0,451;p<0,001) e desempenho funcional (TC6: r=0,441;p<0,001; 4MGS: r=0,37; p=0,001). A dispneia, impacto clínico e qualidade de vida correlacionaram-se com o percentual da VVM (r = 0,570; p < 0,001), com o percentual do TC6 (r = −0,462; p < 0,001), com a Pimáx (r = −0,352; p = 0,002) e Pemáx (r = 0,341; p = 0,003). Ainda, o SGRQ apresentou correlação com a espessura do diafragma direito (r = 0,309; p = 0,012), diafragma esquerdo (r = 0,274; p = 0,026), e SLOPE direito (r = 0,331; p = 0,008). A velocidade da marcha pelo 4MGS se correlacionou com a dispneia pelo BDI [r = 0,286; p = 0,018] e impacto clínico pelo CAT [r = −0,329; p = 0,004]. Notamos ainda que, o tabagismo se associou com a gravidade da DPOC (OR = 0,22; IC95%: 0,07 – 0,69; p = 0,009), enquanto a espessura do vasto intermédio se associou de forma independente à gravidade (OR = 0,13; IC95%: 0,02–0,96; p = 0,045). Conclusão: Indivíduos com DPOC mais grave apresentam maior comprometimento funcional, respiratório e muscular, refletido em pior desempenho físico e maior sintomatologia.
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