Do doce ao ensino de Química : atravessando a invisibilidade negra
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/303304 |
Resumo: | Esta pesquisa investiga as aproximações entre o Ensino de Química e a tradição doceira de Pelotas, explorando e demonstrando o potencial das discussões do conhecimento químico, culturais e, especialmente, étnico-raciais. As discussões étnico-raciais estão presentes nessa tradição, ainda que a sociedade ignore a contribuição negra, assumindo-a apenas às etnias europeias. Essa contribuição extrapola seu papel como mão de obra escravizada, pois está presente no quilombo, casas de umbanda e nos terreiros, onde seus saberes são utilizados para produção doceira. Desse modo, o primeiro movimento desta dissertação buscou identificar como a comunidade acadêmica tem abordado a temática doceira. Os resultados indicaram que a temática doceira não é objeto de estudo da Educação em Ciências, evidenciando, em certa medida, o ineditismo desta pesquisa. Destaca-se a importância do Museu do Doce e da Fenadoce, pois constituíram a categoria com o maior número de artigos. O segundo movimento mapeou os trabalhos do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, com o objetivo de entender como as discussões sobre as relações étnico-raciais são abordadas no Ensino de Química. Os textos destacam um movimento que não busca “cientificar” as diversas culturas, como a indígenas e afro-brasileira, mas sim aproximá-las e propiciar um diálogo que inter-relaciona as discussões. O terceiro movimento buscou identificar as aproximações entre a temática dos doces de Pelotas e o Ensino de Química, promovendo uma aproximação entre o Ensino de Química e as relações étnico-raciais, com vistas à implementação da Lei Federal 10.639/03. Como resultado, destacou-se que a tradição doceira está imersa nas relações étnico-raciais, principalmente pelos debates sobre a escravização ocorrida no contexto de Pelotas e os impactos desse processo, que ainda hoje resultam na invisibilidade da contribuição negra para a tradição doceira. Sua relação com o conhecimento químico perpassa discussões sobre a conservação de alimentos, como o caso do charque e do açúcar, além da proibição do uso do tacho de cobre e os processos de oxidações relacionados. O quarto movimento buscou trazer uma contribuição para o debate da restrição do tacho de cobre. O tacho de cobre é um utensilio culturalmente relevante e associado à produção de doces na região doceira de Pelotas e suas articulações perpassam os sabere-fazer da cultura negra e outras etnias. A pesquisa evidenciou que há incoerências entre os encaminhamentos da ANVISA e os dados das pesquisas química em termos de contaminação, toxicidade e transferências do cobre para os doces produzidos. Nesse sentido, o último movimento foi articular ensaios químicos com os produtos doceiros desse utensilio tradicional no sentido de contribuir à discussão sobre as concentrações mínimas e máximas presentes em amostras. Por meio desta etapa da pesquisa, foi possível construir dados e argumentos em favor do sistema tradicional de produção de um grupo de doces com a utilização do tacho de cobre. Desse movimento ficou evidente a necessidade de aprofundar os estudos sobre essa restrição, incluindo a realização de uma pesquisa analítica que abranja desde os insumos até os produtos, os doces. |
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Rufino, Matheus de LimaSoares, Alessandro CuryPastoriza, Bruno dos Santos2026-04-11T06:55:40Z2025http://hdl.handle.net/10183/303304001304167Esta pesquisa investiga as aproximações entre o Ensino de Química e a tradição doceira de Pelotas, explorando e demonstrando o potencial das discussões do conhecimento químico, culturais e, especialmente, étnico-raciais. As discussões étnico-raciais estão presentes nessa tradição, ainda que a sociedade ignore a contribuição negra, assumindo-a apenas às etnias europeias. Essa contribuição extrapola seu papel como mão de obra escravizada, pois está presente no quilombo, casas de umbanda e nos terreiros, onde seus saberes são utilizados para produção doceira. Desse modo, o primeiro movimento desta dissertação buscou identificar como a comunidade acadêmica tem abordado a temática doceira. Os resultados indicaram que a temática doceira não é objeto de estudo da Educação em Ciências, evidenciando, em certa medida, o ineditismo desta pesquisa. Destaca-se a importância do Museu do Doce e da Fenadoce, pois constituíram a categoria com o maior número de artigos. O segundo movimento mapeou os trabalhos do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, com o objetivo de entender como as discussões sobre as relações étnico-raciais são abordadas no Ensino de Química. Os textos destacam um movimento que não busca “cientificar” as diversas culturas, como a indígenas e afro-brasileira, mas sim aproximá-las e propiciar um diálogo que inter-relaciona as discussões. O terceiro movimento buscou identificar as aproximações entre a temática dos doces de Pelotas e o Ensino de Química, promovendo uma aproximação entre o Ensino de Química e as relações étnico-raciais, com vistas à implementação da Lei Federal 10.639/03. Como resultado, destacou-se que a tradição doceira está imersa nas relações étnico-raciais, principalmente pelos debates sobre a escravização ocorrida no contexto de Pelotas e os impactos desse processo, que ainda hoje resultam na invisibilidade da contribuição negra para a tradição doceira. Sua relação com o conhecimento químico perpassa discussões sobre a conservação de alimentos, como o caso do charque e do açúcar, além da proibição do uso do tacho de cobre e os processos de oxidações relacionados. O quarto movimento buscou trazer uma contribuição para o debate da restrição do tacho de cobre. O tacho de cobre é um utensilio culturalmente relevante e associado à produção de doces na região doceira de Pelotas e suas articulações perpassam os sabere-fazer da cultura negra e outras etnias. A pesquisa evidenciou que há incoerências entre os encaminhamentos da ANVISA e os dados das pesquisas química em termos de contaminação, toxicidade e transferências do cobre para os doces produzidos. Nesse sentido, o último movimento foi articular ensaios químicos com os produtos doceiros desse utensilio tradicional no sentido de contribuir à discussão sobre as concentrações mínimas e máximas presentes em amostras. Por meio desta etapa da pesquisa, foi possível construir dados e argumentos em favor do sistema tradicional de produção de um grupo de doces com a utilização do tacho de cobre. Desse movimento ficou evidente a necessidade de aprofundar os estudos sobre essa restrição, incluindo a realização de uma pesquisa analítica que abranja desde os insumos até os produtos, os doces.This study explores the relationships between Chemistry Education and the Pelotas confectionery tradition, aiming to highlight the potential for integrating chemical, traditional, and, most importantly, ethno-racial knowledge. Although ethno-racial elements are historically embedded in this tradition, dominant narratives often silence or marginalize Black contributions, attributing confectionery practices primarily to European groups. However, these contributions extend beyond the labor of enslaved people and are also present in cultural spaces such as quilombos, terreiros, and Umbanda houses, where traditional knowledge plays a role in confectionery production. The initial stage of the research focused on examining how academic literature has addressed the topic of confectionery. The results indicated a notable absence of this topic in Science Education, highlighting the originality and importance of this study. The Sweet Museum and Fenadoce appeared as the most cited elements in the few existing references. The second stage involved mapping papers presented at the National Science Education Research Meeting (ENPEC) to analyze how ethnic-racial relations are addressed in Chemistry Education. The selected studies reflect a movement that resists the epistemological imposition of "scientizing" Indigenous and Afro-Brazilian cultures. Instead, they promote intercultural dialogues based on mutual respect and epistemological pluralism. The third stage sought to establish connections between Pelotas's sweets and Chemistry Education, seeking to bring ethnic-racial discussions into this field, as established by Federal Law 10.639/03. The results revealed that the tradition of sweets is strongly linked to ethnic-racial dynamics, especially in relation to the historical context of enslavement in Pelotas and the continued invisibility of Black contributions. Chemical knowledge is intertwined with this theme, particularly in food preservation practices—such as jerked beef and sugar—and in the restriction on the use of copper utensils due to the risks of oxidation and contamination. The fourth stage addressed the debate over the regulation of copper pots, culturally significant to the identity of Pelotas's confectionery and with symbolic value for Black and marginalized communities. The study revealed inconsistencies between ANVISA guidelines and empirical chemical data related to copper contamination, toxicity, and migration in confectionery. Finally, laboratory analyses were conducted on sweets prepared in traditional copper pots. This empirical investigation sought to contribute to the debate on acceptable and detectable levels of copper in these products. The data corroborated traditional production practices using copper pots and highlighted the need for further scientific investigation on the subject—from raw ingredients to final products—thus reconciling scientific rigor with cultural and traditional preservation.application/pdfporEnsino de quimicaDocesRelações étnicas e raciaisEtnoeducaçãoChemistry educationPelotas sweetsEthnic-racial relationsBlack invisibilityDo doce ao ensino de Química : atravessando a invisibilidade negrainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de Ciências Básicas da SaúdePrograma de Pós-Graduação em Educação em Ciências - Associação de IESPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001304167.pdf.txt001304167.pdf.txtExtracted Texttext/plain204042http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/303304/2/001304167.pdf.txt6f232ed0c0dfe90df4d5280ad974883aMD52ORIGINAL001304167.pdfTexto completoapplication/pdf1573519http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/303304/1/001304167.pdf8025f8238a096ca3b2c645fb80f7a47bMD5110183/3033042026-04-12 08:03:57.947395oai:www.lume.ufrgs.br:10183/303304Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-04-12T11:03:57Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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Esta pesquisa investiga as aproximações entre o Ensino de Química e a tradição doceira de Pelotas, explorando e demonstrando o potencial das discussões do conhecimento químico, culturais e, especialmente, étnico-raciais. As discussões étnico-raciais estão presentes nessa tradição, ainda que a sociedade ignore a contribuição negra, assumindo-a apenas às etnias europeias. Essa contribuição extrapola seu papel como mão de obra escravizada, pois está presente no quilombo, casas de umbanda e nos terreiros, onde seus saberes são utilizados para produção doceira. Desse modo, o primeiro movimento desta dissertação buscou identificar como a comunidade acadêmica tem abordado a temática doceira. Os resultados indicaram que a temática doceira não é objeto de estudo da Educação em Ciências, evidenciando, em certa medida, o ineditismo desta pesquisa. Destaca-se a importância do Museu do Doce e da Fenadoce, pois constituíram a categoria com o maior número de artigos. O segundo movimento mapeou os trabalhos do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, com o objetivo de entender como as discussões sobre as relações étnico-raciais são abordadas no Ensino de Química. Os textos destacam um movimento que não busca “cientificar” as diversas culturas, como a indígenas e afro-brasileira, mas sim aproximá-las e propiciar um diálogo que inter-relaciona as discussões. O terceiro movimento buscou identificar as aproximações entre a temática dos doces de Pelotas e o Ensino de Química, promovendo uma aproximação entre o Ensino de Química e as relações étnico-raciais, com vistas à implementação da Lei Federal 10.639/03. Como resultado, destacou-se que a tradição doceira está imersa nas relações étnico-raciais, principalmente pelos debates sobre a escravização ocorrida no contexto de Pelotas e os impactos desse processo, que ainda hoje resultam na invisibilidade da contribuição negra para a tradição doceira. Sua relação com o conhecimento químico perpassa discussões sobre a conservação de alimentos, como o caso do charque e do açúcar, além da proibição do uso do tacho de cobre e os processos de oxidações relacionados. O quarto movimento buscou trazer uma contribuição para o debate da restrição do tacho de cobre. O tacho de cobre é um utensilio culturalmente relevante e associado à produção de doces na região doceira de Pelotas e suas articulações perpassam os sabere-fazer da cultura negra e outras etnias. A pesquisa evidenciou que há incoerências entre os encaminhamentos da ANVISA e os dados das pesquisas química em termos de contaminação, toxicidade e transferências do cobre para os doces produzidos. Nesse sentido, o último movimento foi articular ensaios químicos com os produtos doceiros desse utensilio tradicional no sentido de contribuir à discussão sobre as concentrações mínimas e máximas presentes em amostras. Por meio desta etapa da pesquisa, foi possível construir dados e argumentos em favor do sistema tradicional de produção de um grupo de doces com a utilização do tacho de cobre. Desse movimento ficou evidente a necessidade de aprofundar os estudos sobre essa restrição, incluindo a realização de uma pesquisa analítica que abranja desde os insumos até os produtos, os doces. |
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