O hiato no interior da palavra no português brasileiro
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/290818 |
Resumo: | Os hiatos são encontros vocálicos em sílabas distintas e ocorrem internamente à palavra (coador) ou externamente a ela (vi isso). Historicamente, esse encontro surgiu em grande quantidade no período galego-português pela queda de consoantes intervocálicas (sedere>seer). A partir do início do século XIII, esses hiatos passaram a ser resolvidos por alguns processos como a ditongação (De.us>Dews). Na sincronia, observa-se a variação livre de hiatos e ditongos crescentes (t[e.’a]tro~t[ja]tro). Camara Jr. (1970) questiona se realmente há ditongos crescentes na língua e considera o hiato mais formal – variante padrão. Para Bisol (1989), os ditongos são derivados, formados por ressilabação. Ambos os autores consideram a sequência de consoante velar + vogal posterior (kw/gw) como os únicos ditongos crescentes da língua. Este estudo aborda os hiatos em contexto interno, em especial aqueles com potencial de variação com o ditongo crescente, analisando-os e revisitando-os do ponto de vista de sua formação e evolução; dos contextos vocálicos existentes em diferentes sincronias; de seu comportamento variável com ditongos e de sua representação pela teoria fonológica. Ao examinar o tema sequências vocálicas em gramáticas, dicionários e estudos linguísticos, nota-se a existência de problemas conceituais e divergências. Apesar de o hiato ser um fenômeno antigo, há poucos estudos a respeito, seja do ponto de vista diacrônico ou sincrônico. A pesquisa de Simioni (2005), com dados de fala de Porto Alegre, subsidiou nossa análise variacionista em uma amostra de língua falada de duas capitais do sul do Brasil (Florianópolis e Curitiba). Essa amostra pertence ao projeto VARSUL (Variação Linguística do Sul do Brasil). Foram analisados 28 informantes das capitais catarinense e paranaense, e os dados foram submetidos à análise estatística pelo programa Goldvarb. Este trabalho procura evidências em termos de condicionamentos linguísticos e de seu comportamento fonológico para explicar casos categóricos e variáveis de hiato no interior da palavra, acreditando-se que os ditongos correspondem a hiatos na forma subjacente, sequência esta que persiste na língua. Os resultados da análise em língua falada evidenciam que os hiatos se mantêm principalmente nos seguintes casos: depois de grupos consonantais (criança), com peso silábico em V2 (aliás), com V2 tônica (teatro) e em posição inicial (viajar), apresentando-se em mais de 40% dos dados. A variável social que demonstrou relevância foi a localização geográfica: Curitiba realiza mais hiatos do que Florianópolis. Nesse aspecto, a capital paranaense se assemelha a Porto Alegre. Este estudo trouxe também evidências de que palavras com registro mais antigo tendem a formar hiatos na fala espontânea, enquanto aquelas com registro mais recente tendem a formar ditongos. Com base nos resultados obtidos, foi possível sistematizar os contextos nos quais os hiatos são tratados como categóricos e aqueles nos quais são tratados como tendência. |
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Brambila, Tarcisio OliveiraMonaretto, Valeria Neto de Oliveira2025-04-25T06:56:39Z2025http://hdl.handle.net/10183/290818001255289Os hiatos são encontros vocálicos em sílabas distintas e ocorrem internamente à palavra (coador) ou externamente a ela (vi isso). Historicamente, esse encontro surgiu em grande quantidade no período galego-português pela queda de consoantes intervocálicas (sedere>seer). A partir do início do século XIII, esses hiatos passaram a ser resolvidos por alguns processos como a ditongação (De.us>Dews). Na sincronia, observa-se a variação livre de hiatos e ditongos crescentes (t[e.’a]tro~t[ja]tro). Camara Jr. (1970) questiona se realmente há ditongos crescentes na língua e considera o hiato mais formal – variante padrão. Para Bisol (1989), os ditongos são derivados, formados por ressilabação. Ambos os autores consideram a sequência de consoante velar + vogal posterior (kw/gw) como os únicos ditongos crescentes da língua. Este estudo aborda os hiatos em contexto interno, em especial aqueles com potencial de variação com o ditongo crescente, analisando-os e revisitando-os do ponto de vista de sua formação e evolução; dos contextos vocálicos existentes em diferentes sincronias; de seu comportamento variável com ditongos e de sua representação pela teoria fonológica. Ao examinar o tema sequências vocálicas em gramáticas, dicionários e estudos linguísticos, nota-se a existência de problemas conceituais e divergências. Apesar de o hiato ser um fenômeno antigo, há poucos estudos a respeito, seja do ponto de vista diacrônico ou sincrônico. A pesquisa de Simioni (2005), com dados de fala de Porto Alegre, subsidiou nossa análise variacionista em uma amostra de língua falada de duas capitais do sul do Brasil (Florianópolis e Curitiba). Essa amostra pertence ao projeto VARSUL (Variação Linguística do Sul do Brasil). Foram analisados 28 informantes das capitais catarinense e paranaense, e os dados foram submetidos à análise estatística pelo programa Goldvarb. Este trabalho procura evidências em termos de condicionamentos linguísticos e de seu comportamento fonológico para explicar casos categóricos e variáveis de hiato no interior da palavra, acreditando-se que os ditongos correspondem a hiatos na forma subjacente, sequência esta que persiste na língua. Os resultados da análise em língua falada evidenciam que os hiatos se mantêm principalmente nos seguintes casos: depois de grupos consonantais (criança), com peso silábico em V2 (aliás), com V2 tônica (teatro) e em posição inicial (viajar), apresentando-se em mais de 40% dos dados. A variável social que demonstrou relevância foi a localização geográfica: Curitiba realiza mais hiatos do que Florianópolis. Nesse aspecto, a capital paranaense se assemelha a Porto Alegre. Este estudo trouxe também evidências de que palavras com registro mais antigo tendem a formar hiatos na fala espontânea, enquanto aquelas com registro mais recente tendem a formar ditongos. Com base nos resultados obtidos, foi possível sistematizar os contextos nos quais os hiatos são tratados como categóricos e aqueles nos quais são tratados como tendência.Hiatuses are vowel encounters in different syllables and occur internally to the word (coador) or externally to it (vi isso). Historically, this sequence arose in large numbers in the Galician-Portuguese period due to the drop of intervocalic consonants (sedere>seer). From the beginning of the 13th century, these hiatuses began to be solved by some processes such as diphthongization (De.us>Dews). In synchrony, there is free variation of hiatuses and rising diphthongs (t[e.’a]tro~t[ja]tro). Camara Jr. (1970) questions whether there really are rising diphthongs in the language and considers the hiatus to be the most formal form. For Bisol (1989), diphthongs are derivatives, formed by resyllabification. Both authors consider the sequence of velar consonant + back vowel (kw/gw) as the only rising diphthongs in the language. This study analyzes hiatuses in an internal context, especially those with potential for variation with rising diphthong, analyzing and revisiting them from the point of view of their formation and evolution; of the vowel contexts existing in different synchronies; of its variable behavior with diphthongs and its representation by phonological theory. When examining the topic of vowel sequences in grammars, dictionaries and linguistic studies, the existence of conceptual problems and divergences is noted. Although hiatus is an old phenomenon, there are few studies on it, whether from a diachronic or synchronic point of view. Simioni's research (2005), with speech data from Porto Alegre, supported our variationist analysis in a sample of spoken language from two capitals in southern Brazil (Florianópolis and Curitiba). This sample belongs to the VARSUL Project (Linguistic Variation in Southern Brazil). 28 informants from the capitals of Santa Catarina and Paraná were analyzed, and the data were subjected to statistical analysis using the Goldvarb program. This work seeks evidence in terms of linguistic conditioning and its phonological behavior to explain categorical and variable cases of hiatus within the word, believing that diphthongs correspond to hiatuses in the underlying form, a sequence that persists in the language. The results of the analysis in spoken language show that the hiatuses are maintained mainly in the following cases: after consonant cluster (criança), with syllable weight in V2 (aliás), with tonic V2 (teatro) and in initial position (viagem), presented up in more than 40% of the data. The social variable that revealed relevance was geographic location: Curitiba has more hiatuses than Florianópolis. This study also provided evidence that words with older records tend to form hiatuses in spontaneous speech, while those with more recent records tend to form diphthongs. Based on the results obtained, it was possible to systematize the contexts in which hiatuses are treated as categorical and those in which they are treated as a tendency.application/pdfporLíngua portuguesaVariação lingüística : Brasil, Região SulHiatusVowel sequenceRising diphthongVariationO hiato no interior da palavra no português brasileiroinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de LetrasPrograma de Pós-Graduação em LetrasPorto Alegre, BR-RS2025doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001255289.pdf.txt001255289.pdf.txtExtracted Texttext/plain411826http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/290818/2/001255289.pdf.txt687ee90e6b96f516bccefc1c5a5ca5c4MD52ORIGINAL001255289.pdfTexto completoapplication/pdf4180469http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/290818/1/001255289.pdf6bfafe47bb8da2937fdfbeedaada560eMD5110183/2908182025-04-26 06:56:23.977725oai:www.lume.ufrgs.br:10183/290818Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br||lume@ufrgs.bropendoar:18532025-04-26T09:56:23Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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