Preditores da ocorrência de lesão esofágica após ablação de fibrilação atrial
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/291475 |
Resumo: | Introdução: a fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais prevalente em adultos, e a ablação por cateter é atualmente considerada a terapia padrão para o controle do ritmo. Por se tratar de procedimento invasivo, a ablação da FA não está isenta de riscos. A fístula átrioesofágica (FAE) é uma complicação rara, porém grave, associada a altas morbidade e mortalidade. Lesões térmicas esofágicas identificadas precocemente podem servir como precursoras de complicações mais sérias. Objetivos: desenvolver modelo preditivo para a ocorrência de lesão térmica esofágica após ablação de FA com base na identificação de fatores de risco associados ao desfecho. Métodos: estudo de coorte prospectivo foi conduzido com pacientes submetidos ao seu primeiro procedimento de ablação de FA por radiofrequência (RF) entre outubro de 2018 e junho de 2024. A temperatura esofágica foi monitorada utilizando sonda esofágica com múltiplos sensores. As lesões por RF na parede posterior do átrio esquerdo (AE) foram limitadas a 10-12 segundos a 40 W, e interrompidas se temperatura ≥ 38 °C. Os pacientes foram avaliados por endoscopia digestiva dentro de 48 horas após o procedimento, e as lesões esofágicas foram classificadas de acordo com a classificação de Kansas City (KCC). Resultados: foram incluídos 391 pacientes (idade média de 61 ± 12 anos; 73% homens; 71% com fibrilação atrial paroxística; escore CHA2DS2-VASc médio de 1,7 ± 1,4). O diâmetro médio do AE foi de 42 ± 6 mm, e a fração de ejeção do ventrículo esquerdo média foi de 63 ± 9%. Além do isolamento das veias pulmonares, 16% dos pacientes foram submetidos a ablações adicionais. Lesão térmica esofágica foi identificada em 42 pacientes (10,7%). Na análise multivariada, o aumento no diâmetro do AE foi considerado fator protetor para a ocorrência de lesão (OR 0,920; IC 95% 0,870-0,974; P = 0,004 para cada 1 mm), enquanto a elevação na temperatura esofágica foi fator de risco (OR 1,813; IC 95% 1,354-2,428; P < 0,001 para cada 1 °C). Um modelo preditivo que incluiu o diâmetro do AE e a temperatura esofágica identificou pacientes com risco menor e maior de lesão (AUC 0,749). Todas as lesões esofágicas foram tratadas de forma conservadora, sem progressão para FAE. Conclusões: pacientes com diâmetro reduzido do AE e aqueles que apresentaram elevação da temperatura esofágica durante a ablação de FA demonstraram um risco aumentado de lesão térmica. A identificação de fatores de risco é fundamental para a prevenção de complicações esofágicas mais graves. |
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Borges, Anibal PiresPimentel, MauricioSilveira, Anderson Donelli da2025-05-10T06:55:59Z2025http://hdl.handle.net/10183/291475001256042Introdução: a fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais prevalente em adultos, e a ablação por cateter é atualmente considerada a terapia padrão para o controle do ritmo. Por se tratar de procedimento invasivo, a ablação da FA não está isenta de riscos. A fístula átrioesofágica (FAE) é uma complicação rara, porém grave, associada a altas morbidade e mortalidade. Lesões térmicas esofágicas identificadas precocemente podem servir como precursoras de complicações mais sérias. Objetivos: desenvolver modelo preditivo para a ocorrência de lesão térmica esofágica após ablação de FA com base na identificação de fatores de risco associados ao desfecho. Métodos: estudo de coorte prospectivo foi conduzido com pacientes submetidos ao seu primeiro procedimento de ablação de FA por radiofrequência (RF) entre outubro de 2018 e junho de 2024. A temperatura esofágica foi monitorada utilizando sonda esofágica com múltiplos sensores. As lesões por RF na parede posterior do átrio esquerdo (AE) foram limitadas a 10-12 segundos a 40 W, e interrompidas se temperatura ≥ 38 °C. Os pacientes foram avaliados por endoscopia digestiva dentro de 48 horas após o procedimento, e as lesões esofágicas foram classificadas de acordo com a classificação de Kansas City (KCC). Resultados: foram incluídos 391 pacientes (idade média de 61 ± 12 anos; 73% homens; 71% com fibrilação atrial paroxística; escore CHA2DS2-VASc médio de 1,7 ± 1,4). O diâmetro médio do AE foi de 42 ± 6 mm, e a fração de ejeção do ventrículo esquerdo média foi de 63 ± 9%. Além do isolamento das veias pulmonares, 16% dos pacientes foram submetidos a ablações adicionais. Lesão térmica esofágica foi identificada em 42 pacientes (10,7%). Na análise multivariada, o aumento no diâmetro do AE foi considerado fator protetor para a ocorrência de lesão (OR 0,920; IC 95% 0,870-0,974; P = 0,004 para cada 1 mm), enquanto a elevação na temperatura esofágica foi fator de risco (OR 1,813; IC 95% 1,354-2,428; P < 0,001 para cada 1 °C). Um modelo preditivo que incluiu o diâmetro do AE e a temperatura esofágica identificou pacientes com risco menor e maior de lesão (AUC 0,749). Todas as lesões esofágicas foram tratadas de forma conservadora, sem progressão para FAE. Conclusões: pacientes com diâmetro reduzido do AE e aqueles que apresentaram elevação da temperatura esofágica durante a ablação de FA demonstraram um risco aumentado de lesão térmica. A identificação de fatores de risco é fundamental para a prevenção de complicações esofágicas mais graves.Introduction: atrial fibrillation (AF) is the most prevalent sustained arrhythmia in adults, and catheter ablation is currently considered the standard therapy for rhythm control. As an invasive procedure, AF ablation is not without risks. Atrioesophageal fistula (AEF) is a rare but serious complication associated with high morbidity and mortality. Early identification of thermal esophageal lesions may serve as precursors to more severe complications. Objectives: to develop a predictive model for the occurrence of thermal esophageal injury following AF ablation grounded in the identification of associated risk factors. Methods: a prospective cohort study was conducted with patients undergoing their first radiofrequency (RF) ablation procedure for AF between October 2018 and June 2024. Esophageal temperature was monitored using a multi-sensor esophageal probe. RF lesions on the posterior wall of the left atrium (LA) were limited to 10-12 seconds at 40 W and were interrupted if temperature ≥ 38 °C. Patients were assessed via upper gastrointestinal endoscopy within 48 hours post-procedure, and esophageal lesions were classified according to the Kansas City Classification (KCC). Results: a total of 391 patients were included (mean age 61 ± 12 years; 73% male; 71% with paroxysmal atrial fibrillation; mean CHA2DS2-VASc score of 1.7 ± 1.4). The mean LA diameter was 42 ± 6 mm, and the mean left ventricular ejection fraction was 63 ± 9%. In addition to pulmonary vein isolation, 16% of patients underwent additional ablations. Thermal esophageal injury was identified in 42 patients (10.7%). In multivariate analysis, an increase in LA diameter was found to be a protective factor for lesion occurrence (OR 0.920; 95% CI 0.870-0.974; p = 0.004 per 1 mm), while an elevation in esophageal temperature was a risk factor (OR 1.813; 95% CI 1.354-2.428; p < 0.001 per 1 °C). A predictive model that included LA diameter and esophageal temperature identified patients at lower and higher risk for injury (AUC 0.749). All esophageal lesions were treated conservatively, with no progression to AEF. Conclusions: patients with reduced LA diameter and those who exhibited elevated esophageal temperature during AF ablation demonstrated an increased risk of thermal injury. Identifying risk factors is essential for the prevention of more serious esophageal complications.application/pdfporFibrilação atrialAblação por cateterFerimentos e lesõesPrognósticoEsôfagoAtrial fibrillationCatheter ablationThermal esophageal injuryPredictive modelPreditores da ocorrência de lesão esofágica após ablação de fibrilação atrialinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em Ciências da Saúde: Cardiologia e Ciências CardiovascularesPorto Alegre, BR-RS2025doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001256042.pdf.txt001256042.pdf.txtExtracted Texttext/plain89548http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/291475/2/001256042.pdf.txt9750558e2b3c17ef56453f4faaa7f922MD52ORIGINAL001256042.pdfTexto parcialapplication/pdf2361838http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/291475/1/001256042.pdf545ecb229d0e3f245474d0650fc1098bMD5110183/2914752025-06-27 07:58:30.645339oai:www.lume.ufrgs.br:10183/291475Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-06-27T10:58:30Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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Introdução: a fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais prevalente em adultos, e a ablação por cateter é atualmente considerada a terapia padrão para o controle do ritmo. Por se tratar de procedimento invasivo, a ablação da FA não está isenta de riscos. A fístula átrioesofágica (FAE) é uma complicação rara, porém grave, associada a altas morbidade e mortalidade. Lesões térmicas esofágicas identificadas precocemente podem servir como precursoras de complicações mais sérias. Objetivos: desenvolver modelo preditivo para a ocorrência de lesão térmica esofágica após ablação de FA com base na identificação de fatores de risco associados ao desfecho. Métodos: estudo de coorte prospectivo foi conduzido com pacientes submetidos ao seu primeiro procedimento de ablação de FA por radiofrequência (RF) entre outubro de 2018 e junho de 2024. A temperatura esofágica foi monitorada utilizando sonda esofágica com múltiplos sensores. As lesões por RF na parede posterior do átrio esquerdo (AE) foram limitadas a 10-12 segundos a 40 W, e interrompidas se temperatura ≥ 38 °C. Os pacientes foram avaliados por endoscopia digestiva dentro de 48 horas após o procedimento, e as lesões esofágicas foram classificadas de acordo com a classificação de Kansas City (KCC). Resultados: foram incluídos 391 pacientes (idade média de 61 ± 12 anos; 73% homens; 71% com fibrilação atrial paroxística; escore CHA2DS2-VASc médio de 1,7 ± 1,4). O diâmetro médio do AE foi de 42 ± 6 mm, e a fração de ejeção do ventrículo esquerdo média foi de 63 ± 9%. Além do isolamento das veias pulmonares, 16% dos pacientes foram submetidos a ablações adicionais. Lesão térmica esofágica foi identificada em 42 pacientes (10,7%). Na análise multivariada, o aumento no diâmetro do AE foi considerado fator protetor para a ocorrência de lesão (OR 0,920; IC 95% 0,870-0,974; P = 0,004 para cada 1 mm), enquanto a elevação na temperatura esofágica foi fator de risco (OR 1,813; IC 95% 1,354-2,428; P < 0,001 para cada 1 °C). Um modelo preditivo que incluiu o diâmetro do AE e a temperatura esofágica identificou pacientes com risco menor e maior de lesão (AUC 0,749). Todas as lesões esofágicas foram tratadas de forma conservadora, sem progressão para FAE. Conclusões: pacientes com diâmetro reduzido do AE e aqueles que apresentaram elevação da temperatura esofágica durante a ablação de FA demonstraram um risco aumentado de lesão térmica. A identificação de fatores de risco é fundamental para a prevenção de complicações esofágicas mais graves. |
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