Aspectos epidemiológicos e clínicos das fantasias e transtornos parafílicos no Brasil : estudo nacional sobre a prevalência, fatores de risco e implicações para a saúde pública
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/297659 |
Resumo: | Introdução: Parafilias, definidas como preferências e comportamentos sexuais atípicos fora das normas sociais, representam uma questão complexa na psiquiatria. O DSM-5-TR distingue fantasias parafílicas de transtornos parafílicos, sendo estes últimos caracterizados por causar sofrimento significativo ou prejuízo. Historicamente, o entendimento sobre parafilias tem sido limitado pelo estigma social e pela subnotificação. Este estudo investiga os aspectos clínicos e epidemiológicos das fantasias e transtornos parafílicos no Brasil, com foco em pedofilia e hebefilia, com o objetivo de subsidiar políticas públicas de saúde e prevenir crimes sexuais relacionados a comportamentos parafílicos. Metodologia: Este foi um estudo transversal, exploratório e quantitativo, conduzido online com uma amostra por conveniência de participantes do Brasil. O questionário incluiu dados sociodemográficos e o Protocolo de Avaliação Parafílica baseado no Projeto Dunkelfeld, com questões sobre a presença de fantasias parafílicas, critérios temporais e critérios relacionados ao prejuízo e sofrimento associados às parafilias. Resultados: Obtivemos 5.335 respondentes. A maioria relatou três ou mais fantasias parafílicas (62,2%). As mais comuns foram masoquismo (64,4%), fetichismo por partes do corpo (58,0%), sadismo (49,2%), voyeurismo (47,8%) e fetichismo por características corporais (45,0%). Entre as fantasias não consensuais listadas no CID-11, destacaram-se pedofilia (3,7%), hebefilia (6,6%), frotteurismo (7,5%) e exibicionismo (6,8%). Os transtornos mais comuns foram masoquismo (5,4%), voyeurismo (3,54%) e sadismo (3,02%). Transtornos pedofílicos e hebefílicos foram encontrados em 1,87% e 2,46% dos participantes, respectivamente, associados a jovens de 18-24 anos (p < 0,001), homens cisgênero (p < 0,000), orientação bissexual (p < 0,000) e ausência de parceiro(a) (p < 0,02). Profissionais de saúde e educação foram associados a esses transtornos. Conclusão: Este é o primeiro levantamento populacional nacional sobre parafilias, abordando um tema de grande relevância para a saúde pública. Considerando a associação entre transtornos parafílicos e crimes sexuais, compreender essa população é essencial. Apesar da alta prevalência de fantasias e transtornos parafílicos, os números podem estar subestimados devido ao estigma. A identificação de maior incidência de pedofilia (em profissionais de saúde e educação) e hebefilia (em profissionais de educação) pode direcionar intervenções para prevenir abusos sexuais e tratar essas parafilias. |
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Jordani, João Guilherme de AlmeidaLobato, Maria Inês Rodrigues2025-10-01T07:55:20Z2025http://hdl.handle.net/10183/297659001294081Introdução: Parafilias, definidas como preferências e comportamentos sexuais atípicos fora das normas sociais, representam uma questão complexa na psiquiatria. O DSM-5-TR distingue fantasias parafílicas de transtornos parafílicos, sendo estes últimos caracterizados por causar sofrimento significativo ou prejuízo. Historicamente, o entendimento sobre parafilias tem sido limitado pelo estigma social e pela subnotificação. Este estudo investiga os aspectos clínicos e epidemiológicos das fantasias e transtornos parafílicos no Brasil, com foco em pedofilia e hebefilia, com o objetivo de subsidiar políticas públicas de saúde e prevenir crimes sexuais relacionados a comportamentos parafílicos. Metodologia: Este foi um estudo transversal, exploratório e quantitativo, conduzido online com uma amostra por conveniência de participantes do Brasil. O questionário incluiu dados sociodemográficos e o Protocolo de Avaliação Parafílica baseado no Projeto Dunkelfeld, com questões sobre a presença de fantasias parafílicas, critérios temporais e critérios relacionados ao prejuízo e sofrimento associados às parafilias. Resultados: Obtivemos 5.335 respondentes. A maioria relatou três ou mais fantasias parafílicas (62,2%). As mais comuns foram masoquismo (64,4%), fetichismo por partes do corpo (58,0%), sadismo (49,2%), voyeurismo (47,8%) e fetichismo por características corporais (45,0%). Entre as fantasias não consensuais listadas no CID-11, destacaram-se pedofilia (3,7%), hebefilia (6,6%), frotteurismo (7,5%) e exibicionismo (6,8%). Os transtornos mais comuns foram masoquismo (5,4%), voyeurismo (3,54%) e sadismo (3,02%). Transtornos pedofílicos e hebefílicos foram encontrados em 1,87% e 2,46% dos participantes, respectivamente, associados a jovens de 18-24 anos (p < 0,001), homens cisgênero (p < 0,000), orientação bissexual (p < 0,000) e ausência de parceiro(a) (p < 0,02). Profissionais de saúde e educação foram associados a esses transtornos. Conclusão: Este é o primeiro levantamento populacional nacional sobre parafilias, abordando um tema de grande relevância para a saúde pública. Considerando a associação entre transtornos parafílicos e crimes sexuais, compreender essa população é essencial. Apesar da alta prevalência de fantasias e transtornos parafílicos, os números podem estar subestimados devido ao estigma. A identificação de maior incidência de pedofilia (em profissionais de saúde e educação) e hebefilia (em profissionais de educação) pode direcionar intervenções para prevenir abusos sexuais e tratar essas parafilias.Introduction: Paraphilias, which are atypical sexual preferences and behaviours outside societal norms, are a complex issue in psychiatry. The DSM-5-TR distinguishes between paraphilic fantasies and disorders, with disorders causing distress or harm. Historically, understanding of paraphilias has been limited by social stigma and under-reporting. This study examines the clinical and epidemiological aspects of paraphilic fantasies and disorders in Brazil, with a focus on pedophilia and hebephilia, with the aim of supporting public health policies and preventing sexual crimes related to paraphilic behaviours. Methodology: This study was cross-sectional, exploratory, and quantitative, conducted online with a convenience sample of participants from Brazil. The survey included socio demographic information, and the Paraphilic Assessment Protocol based on The Dunkelfeld Project, including questions about the presence of paraphilic fantasies, temporal criteria, criteria related to impairment and distress associated with paraphilias. Results: We obtained 5335 respondents. Most had three or more paraphilic fantasies (62.2%). The most common were masochism (64.4%), body part fetishism (58.0%), sadism (49.2%), voyeurism (47.8%), and body feature fetishism (45.0%). Among non-consensual fantasies listed in the ICD-11, pedophilic (3.7%), hebephilic (6.6%), frotteuristic (7.5%), and exhibitionistic (6.8%) fantasies were reported. The most common disorder was masochism (5.4%), followed by voyeurism (3.54%) and sadism (3.02%). Pedophilic and hebephilic disorders were found in (1.87%) and (2.46%) of participants, respectively. We found significative association of this group with ages between 18-24 years (p< 0,001); cis male (p< 0,000), bisexual orientation (p< 0,000) and without partner (p< 0,02). Two professional areas (health care and educational) were associated with pedophilic and hebephilic disorders. Conclusion: The study stands out for being the first nationwide populational survey, addressing a topic of extreme relevance in terms of public health. Considering that having a paraphilic disorder is associated with sexual crimes, understanding this population is essential. There is a significant stigma surrounding the topic, so despite the high prevalence of paraphilic fantasies and disorders, these numbers may still be underestimated. Identifying a higher incidence of certain paraphilias, such as pedophilia (in health and education professionals) and hebephilia (in education professionals), helps to target interventions to prevent sexual abuse and treat these paraphilias.application/pdfporTranstornos parafílicosSexualidadeEpidemiologiaPrevalênciaFatores de riscoSaúde públicaParaphilic fantasyParaphilic disorderSexualityEpidemiologySexual abuse preventionPopulation studyAspectos epidemiológicos e clínicos das fantasias e transtornos parafílicos no Brasil : estudo nacional sobre a prevalência, fatores de risco e implicações para a saúde públicainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do ComportamentoPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001294081.pdf.txt001294081.pdf.txtExtracted Texttext/plain175358http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/297659/2/001294081.pdf.txtf9fb829cc6d84359dd1709a681f41c74MD52ORIGINAL001294081.pdfTexto completoapplication/pdf987128http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/297659/1/001294081.pdfecf28e59b1f714c5d79bc7ce388da1c7MD5110183/2976592025-10-02 06:58:08.83951oai:www.lume.ufrgs.br:10183/297659Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-10-02T09:58:08Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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