Entre ruínas e resistências : (r)emoções em Porto Alegre de 2013 a 2015

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Damasceno, Marcelo Oliveira
Orientador(a): Fuao, Fernando Delfino de Freitas
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/180102
Resumo: Há mais de um século, a população pobre da cidade de Porto Alegre sofre com remoções. Percebe-se uma continuidade na prática de políticas remocionistas em determinadas localidades da capital gaúcha e, recentemente, milhares de pessoas foram removidas por causa de obras diretamente relacionadas a realização do megaevento Copa do Mundo 2014 na cidade. A forma como se deu esse processo revelou que as remoções e a consequente transformação urbana não ocorrem de forma pacífica. A cidade é uma arena de disputa entre diversos grupos sociais em que se confrontam diferentes discursos sobre a sua construção, ganhando corpo tanto em uma dimensão discursiva quanto material. São objetos de investigação deste trabalho as transformações que motivaram as desapropriações do espaço a partir das intervenções urbanas e as consequentes remoções de comunidades, favelas e vilas para a construção ou remodelação de arquiteturas urbanas, bem como o deslocamento das pessoas para outras áreas da cidade. Para tanto, são analisados três territórios que sofreram remoções: Ilhota, Dique e Tronco. A Ilhota é uma comunidade que sofreu a maior remoção da cidade no final dos anos 1970, devido a um processo de gentrificação do centro da capital Dique e Tronco são comunidades que sofreram remoções depois do anúncio que o megaevento Copa do Mundo seria realizado na cidade. Com a ideia de construir cartografias das remoções, três instrumentos foram utilizados como forma de registro, análise e construção de saberes para detectar pontos de conflitos e injustiças nesses territórios: (i) documentário sobre as violências sofridas e as resistências à remoção para a permanência de suas casas; (ii) mapas que evidenciam a periferização das pessoa que sofreram as remoções; (iii) levantamento dos mecanismos de remoção empregados pelo Estado para pressionar as famílias a saírem de suas casas. As cartografias das remoções buscam tratá-las como um dos eixos de um projeto de transformação profunda na dinâmica urbana, envolvendo de um lado novos processos de elitização e mercantilização da cidade, e de outro, novos padrões de relação entre o Estado e os agentes econômicos e sociais, marcados pela negação das esferas públicas democráticas de tomada de decisões e por intervenções autoritárias.
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São objetos de investigação deste trabalho as transformações que motivaram as desapropriações do espaço a partir das intervenções urbanas e as consequentes remoções de comunidades, favelas e vilas para a construção ou remodelação de arquiteturas urbanas, bem como o deslocamento das pessoas para outras áreas da cidade. Para tanto, são analisados três territórios que sofreram remoções: Ilhota, Dique e Tronco. A Ilhota é uma comunidade que sofreu a maior remoção da cidade no final dos anos 1970, devido a um processo de gentrificação do centro da capital Dique e Tronco são comunidades que sofreram remoções depois do anúncio que o megaevento Copa do Mundo seria realizado na cidade. Com a ideia de construir cartografias das remoções, três instrumentos foram utilizados como forma de registro, análise e construção de saberes para detectar pontos de conflitos e injustiças nesses territórios: (i) documentário sobre as violências sofridas e as resistências à remoção para a permanência de suas casas; (ii) mapas que evidenciam a periferização das pessoa que sofreram as remoções; (iii) levantamento dos mecanismos de remoção empregados pelo Estado para pressionar as famílias a saírem de suas casas. As cartografias das remoções buscam tratá-las como um dos eixos de um projeto de transformação profunda na dinâmica urbana, envolvendo de um lado novos processos de elitização e mercantilização da cidade, e de outro, novos padrões de relação entre o Estado e os agentes econômicos e sociais, marcados pela negação das esferas públicas democráticas de tomada de decisões e por intervenções autoritárias.For more than a century, the poor population of the city of Porto Alegre have suffered with the urban removals. There is a continuity in the practice of removal policies in certain locations in the capital of Rio Grande do Sul, and recently thousands of people have been removed because of works directly related to the 2014 World Cup mega-event in the city. The way in which this process took place has revealed that the removals and the consequent urban transformation do not occur in a peaceful way. The city is an arena of dispute between several social groups in which different discourses about their construction are confronted, taking shapeboth in a discursive and material dimension. This study aims at the transformations that motivated the expropriation of space from the urban interventions and the consequent removals of communities, favelas and villages for the construction or remodeling of urban architectures, as well as the displacement of the people to other areas of the city. For this purpose, three territories that have been removed are analyzed: Ilhota, Dique and Tronco. Ilhota is a community that suffered the largest removal of the city in the late 1970s, due to a process of gentrification of the city center Dique and Tronco are communities that suffered removals after the announcement that the mega-event World Cup would be held in the city. With the idea of constructing cartographies of the removals, three instruments were used to record, analyze and build knowledge in order to detect points of conflict and injustice in these territories: (i) a documentary about the violence suffered and the resistance to removal for the permanence of their homes; (ii) maps showing the peripheralization of the people who suffered the removals; (iii) a survey of the removal mechanisms employed by the State to pressure families to leave their homes. Removal cartography seeks to treat them as one of the axes of a project of deep transformation in urban dynamics, involving on the one hand new processes of elitization and commercialization of the city, and on the other, new patterns of relationship between the State and economic and social agents, marked by the denial of the democratic public spheres of decision-making and by authoritarian interventions.application/pdfporMegaeventosCopa do mundoPlanejamento urbanoMobilidade urbanaUrban removalMega-eventsWorld Cup 2014Cartography of removals in Porto AlegreResistance movementsEntre ruínas e resistências : (r)emoções em Porto Alegre de 2013 a 2015info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de ArquiteturaPrograma de Pesquisa e Pós-Graduação em ArquiteturaPorto Alegre, BR-RS2018mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSORIGINAL001070045.pdf001070045.pdfTexto completoapplication/pdf23060145http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/180102/1/001070045.pdf0c9bb219e0de5eb9e91a99b82ed41cf8MD51TEXT001070045.pdf.txt001070045.pdf.txtExtracted Texttext/plain290218http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/180102/2/001070045.pdf.txta50d39e2d7d49d8022b92a25e0093c46MD5210183/1801022018-07-06 02:26:58.345365oai:www.lume.ufrgs.br:10183/180102Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br||lume@ufrgs.bropendoar:18532018-07-06T05:26:58Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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