Letramentos acadêmicos e ideologias de linguagem : repertórios comunicativos nas práticas de leitura e escrita em contextos universitários diversos
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Palavras-chave em Inglês: | |
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| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/302099 |
Resumo: | Na presente pesquisa, investigamos como as ideologias de linguagem nacionalistas e raciolinguísticas (Rosa; Flores, 2017), em especial a ideologia uma pátria-uma língua, atravessam as práticas institucionais de ensino e de avaliação de leitura e escrita de estudantes indígenas e surdos em programas de pós-graduação em duas universidades federais brasileiras, bem como defendemos uma visão de repertório comunicativo (Rymes, 2014), em oposição à noção moderna de língua, como mais adequada para compreender e avaliar as práticas de leitura e escrita desses grupos discentes, e promover sua participação nas práticas sociais acadêmicas. Como eixo principal desta tese, foram elaborados dois artigos com base em dois estudos de caso. No primeiro artigo (Carvalho; Schlatter, 2022), analisamos o uso da linguagem e a escrita acadêmica de duas dissertações de mestrado desenvolvidas em duas universidades para verificar de que modos os autores (uma autora avá-guarani e um autor kaingang) se apropriam do português para participar dessa prática acadêmica. A análise focalizou os propósitos de escrita, a interlocução projetada, o uso dos repertórios comunicativos e as formas de articulação da escrita para produzir conhecimentos. Observamos que o português e a escrita acadêmica foram usados pelos estudantes para denunciar e posicionar-se como autor e autora indígena frente a dificuldades e violências sofridas, expor e defender modos de fazer pesquisa, e registrar conhecimentos de seus povos, recriando o propósito da dissertação para servir a suas agendas políticas e sociais em uma interlocução com indígenas e não indígenas. No segundo artigo (Carvalho; Schlatter, 2024), analisamos as ideologias que sustentam a avaliação da proficiência em leitura em língua adicional de estudantes indígenas e surdos nas duas universidades referidas. Foram analisadas diretrizes institucionais e testes de proficiência aplicados nos últimos cinco anos em ambas as universidades. Observamos que, embora os documentos oficiais estejam fundamentados na ideologia uma nação-uma língua, o desenho e a implementação dos testes refletem esforços para valorizar os repertórios comunicativos dos estudantes, buscando formas mais democráticas de avaliação. A partir dos achados nos dois artigos, propomos uma reflexão, retomando o contexto histórico e estrutural da construção da universidade desde a perspectiva raciolinguística, e defendendo que essa é uma tomada de consciência necessária para o professor/pesquisador que hoje está sendo desafiado na universidade brasileira pela presença de grupos minoritarizados a redefinir modos de construir conhecimentos, ensinar e avaliar leitura e produção escrita. Em resposta a tais desafios e tensões, propomos três movimentos fundamentais para engajar professores e pesquisadores na busca por perspectivas alternativas às suas posições institucionais de sujeitos perceptivos brancos (Rosa; Flores, 2017). O primeiro trata da aceitação necessária de que há outras epistemes possíveis para além das historicamente legitimadas na universidade. O segundo defende a necessidade de criação de espaços dialógicos para pautar, enfrentar e negociar coletivamente as tensões relativas a modos de se construir conhecimento. E o terceiro movimento diz respeito à (re)invenção de modos de ensinar e avaliar que deem conta de responder a outras maneiras de aprender e demonstrar aprendizagem em leitura e escrita acadêmica. |
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Carvalho, Simone da CostaSchlatter, Margarete2026-03-10T08:00:54Z2024http://hdl.handle.net/10183/302099001302476Na presente pesquisa, investigamos como as ideologias de linguagem nacionalistas e raciolinguísticas (Rosa; Flores, 2017), em especial a ideologia uma pátria-uma língua, atravessam as práticas institucionais de ensino e de avaliação de leitura e escrita de estudantes indígenas e surdos em programas de pós-graduação em duas universidades federais brasileiras, bem como defendemos uma visão de repertório comunicativo (Rymes, 2014), em oposição à noção moderna de língua, como mais adequada para compreender e avaliar as práticas de leitura e escrita desses grupos discentes, e promover sua participação nas práticas sociais acadêmicas. Como eixo principal desta tese, foram elaborados dois artigos com base em dois estudos de caso. No primeiro artigo (Carvalho; Schlatter, 2022), analisamos o uso da linguagem e a escrita acadêmica de duas dissertações de mestrado desenvolvidas em duas universidades para verificar de que modos os autores (uma autora avá-guarani e um autor kaingang) se apropriam do português para participar dessa prática acadêmica. A análise focalizou os propósitos de escrita, a interlocução projetada, o uso dos repertórios comunicativos e as formas de articulação da escrita para produzir conhecimentos. Observamos que o português e a escrita acadêmica foram usados pelos estudantes para denunciar e posicionar-se como autor e autora indígena frente a dificuldades e violências sofridas, expor e defender modos de fazer pesquisa, e registrar conhecimentos de seus povos, recriando o propósito da dissertação para servir a suas agendas políticas e sociais em uma interlocução com indígenas e não indígenas. No segundo artigo (Carvalho; Schlatter, 2024), analisamos as ideologias que sustentam a avaliação da proficiência em leitura em língua adicional de estudantes indígenas e surdos nas duas universidades referidas. Foram analisadas diretrizes institucionais e testes de proficiência aplicados nos últimos cinco anos em ambas as universidades. Observamos que, embora os documentos oficiais estejam fundamentados na ideologia uma nação-uma língua, o desenho e a implementação dos testes refletem esforços para valorizar os repertórios comunicativos dos estudantes, buscando formas mais democráticas de avaliação. A partir dos achados nos dois artigos, propomos uma reflexão, retomando o contexto histórico e estrutural da construção da universidade desde a perspectiva raciolinguística, e defendendo que essa é uma tomada de consciência necessária para o professor/pesquisador que hoje está sendo desafiado na universidade brasileira pela presença de grupos minoritarizados a redefinir modos de construir conhecimentos, ensinar e avaliar leitura e produção escrita. Em resposta a tais desafios e tensões, propomos três movimentos fundamentais para engajar professores e pesquisadores na busca por perspectivas alternativas às suas posições institucionais de sujeitos perceptivos brancos (Rosa; Flores, 2017). O primeiro trata da aceitação necessária de que há outras epistemes possíveis para além das historicamente legitimadas na universidade. O segundo defende a necessidade de criação de espaços dialógicos para pautar, enfrentar e negociar coletivamente as tensões relativas a modos de se construir conhecimento. E o terceiro movimento diz respeito à (re)invenção de modos de ensinar e avaliar que deem conta de responder a outras maneiras de aprender e demonstrar aprendizagem em leitura e escrita acadêmica.In this research, we investigate how nationalist and raciolinguistic language ideologies (Rosa & Flores, 2017), particularly the one-nation-one-language ideology, permeate the institutional practices of teaching and assessing reading and writing among Indigenous and Deaf students in graduate programs at two Brazilian federal universities. Furthermore, we advocate for a communicative repertoire perspective (Rymes, 2014), as opposed to the modern notion of language, as a more suitable approach to understanding and assessing the reading and writing practices of these groups of students and promoting their participation in academic social practices. As the main axis of this thesis, two articles, based on two case studies, were written. In the first article (Carvalho & Schlatter, 2022), we analyze the use of language and academic writing in two master’s theses produced at two universities to examine how the authors (an Avá-Guarani woman and a Kaingang man) use Portuguese to participate in this academic practice. The analysis focused on the purposes of writing, the projected interlocutors, the use of communicative repertoires, and the ways in which writing was articulated to produce knowledge. We observed that Portuguese and academic writing were used by the students to denounce and position themselves as Indigenous authors in response to difficulties and violence experienced, to present and defend research methods, and to register their people's knowledge, recreating the purpose of the thesis to serve their political and social agendas in a dialogue with both Indigenous and non-Indigenous audiences. In the second article (Carvalho & Schlatter, 2024), we analyze the ideologies underpin the assessment of reading proficiency in an additional language for Indigenous and Deaf students at the two universities. Institutional guidelines and proficiency tests administered over the past five years at both universities were analyzed. We observed that although the official documents are grounded in the one-nation- one-language ideology, the design and implementation of the tests reflect efforts to value the students' communicative repertoires, seeking more democratic forms of assessment. Based on the findings of the two articles, we propose a reflection, revisiting the historical and structural context of the university's construction from a raciolinguistic perspective. We argue that this is a necessary awareness for the teacher/researcher who is currently being challenged in Brazilian universities by the presence of minoritized groups to redefine ways of constructing knowledge, teaching, and assessing reading and writing production. In response to these challenges and tensions, we propose three fundamental movements to engage teachers and researchers in the search for alternative perspectives to their institutional positions as perceptive white subjects (Rosa & Flores, 2017). The first involves the necessary acceptance that other epistemes are possible beyond those historically legitimized in the university. The second advocates for the creation of dialogic spaces to address, confront, and collectively negotiate the tensions related to ways of constructing knowledge. The third movement involves the (re)invention of teaching and assessment methods that can respond to different ways of learning and demonstrating academic reading and writing.En la presente investigación, analizamos cómo las ideologías lingüísticas nacionalistas y raciolingüísticas (Rosa; Flores, 2017), en especial la ideología una nación-una lengua, atraviesan las prácticas institucionales de enseñanza y evaluación de la lectura y escritura de estudiantes indígenas y sordos en programas de posgrado de dos universidades federales brasileñas, así como defendemos una visión de repertorio comunicativo (Rymes, 2014), en oposición a la noción moderna de lengua, como más adecuada para comprender y evaluar las prácticas de lectura y escritura de estos grupos estudiantiles y promover su participación en las prácticas sociales académicas. Como eje principal de esta tesis, se elaboraron dos artículos basados en dos estudios de caso. En el primer artículo (Carvalho; Schlatter, 2022), analizamos el uso del lenguaje y la escritura académica de dos tesis de maestría desarrolladas en dos universidades para verificar de qué forma los autores (una autora avá-guarani y un autor kaingang) se apropian del portugués para participar en esa práctica académica. El análisis se centró en los propósitos de la escritura, la interlocución proyectada, el uso de los repertorios comunicativos y las formas de articulación de la escritura para producir conocimientos. Observamos que el portugués y la escritura académica fueron utilizados por los estudiantes para denunciar y posicionarse como autor y autora indígena frente a las dificultades y violencias sufridas, exponer y defender modos de hacer investigación, y registrar conocimientos de sus pueblos, recreando el propósito de la tesis para servir a sus agendas políticas y sociales en una interlocución con indígenas y no indígenas. En el segundo artículo (Carvalho; Schlatter, 2024), analizamos las ideologías que sustentan la evaluación de la competencia lectora en lengua adicional de estudiantes indígenas y sordos en las dos universidades mencionadas. Se analizaron directrices institucionales y pruebas de competencia aplicadas en los últimos cinco años en ambas universidades. Observamos que, aunque los documentos oficiales se basan en la ideología una nación-una lengua, el diseño y la implementación de las pruebas reflejan esfuerzos por valorar los repertorios comunicativos de los estudiantes, buscando formas más democráticas de evaluación. A partir de los hallazgos en los dos artículos, proponemos una reflexión, retomando el contexto histórico y estructural de la construcción de la universidad desde la perspectiva raciolingüística, y defendiendo que esta es una toma de conciencia necesaria para el docente/investigador que hoy es desafiado en la universidad brasileña por la presencia de grupos minorizados a redefinir modos de construir conocimientos, enseñar y evaluar la lectura y la producción escrita. En respuesta a tales desafíos y tensiones, proponemos tres movimientos fundamentales para involucrar a docentes e investigadores en la búsqueda de perspectivas alternativas a sus posiciones institucionales de sujetos perceptivos blancos (Rosa; Flores, 2017). El primero trata de la aceptación necesaria de que hay otras epistemes posibles más allá de las históricamente legitimadas en la universidad. El segundo defiende la necesidad de crear espacios dialógicos para plantear, enfrentar y negociar colectivamente las tensiones relativas a los modos de construir conocimiento. Y el tercer movimiento se refiere a la (re)invención de modos de enseñar y evaluar que logren responder a otras formas de aprender y demostrar el aprendizaje en lectura y escritura académica.application/pdfporLetramentoLetramento científicoIdeologia e linguagemLeitura e escritaEscrita acadêmicaAcademic literaciesLanguage ideologiesCommunicative repertoiresTeaching academic reading and writingAssessing academic reading and writingLiteracidades académicasIdeologías de lenguajeRepertorios comunicativosEnseñanza de lectura y escritura académicaEvaluación de lectura y escritura académicaLetramentos acadêmicos e ideologias de linguagem : repertórios comunicativos nas práticas de leitura e escrita em contextos universitários diversosinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de LetrasPrograma de Pós-Graduação em LetrasPorto Alegre, BR-RS2024doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001302476.pdf.txt001302476.pdf.txtExtracted Texttext/plain555988http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302099/2/001302476.pdf.txte1b902fdac3fe2052b030c5f6b7faa59MD52ORIGINAL001302476.pdfTexto completoapplication/pdf6304622http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302099/1/001302476.pdf15d1f3c0a38ba7c07b6bfb13be83b69cMD5110183/3020992026-03-11 07:52:29.426295oai:www.lume.ufrgs.br:10183/302099Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-03-11T10:52:29Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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