Cidadão e guardião : Cavell, perfeccionismo, democracia, cinema
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Não Informado pela instituição
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Departamento: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/292292 |
Resumo: | No presente trabalho, são explorados alguns vínculos possíveis entre o perfeccionismo moral, tal como interpretado pelo filósofo estadunidense Stanley Cavell, e a democracia. São trabalhados alguns temas centrais do pensamento de Cavell, em particular, sua análise do ceticismo, sua recepção da filosofia de Ralph Waldo Emerson e seu engajamento crítico com a obra de John Rawls. Destacando esses pontos, pode-se chamar atenção a como o perfeccionismo tanto (i) não é uma doutrina moral robusta, isto é, não se prende a respostas particulares para os problemas morais, mas se preocupa com a mudança e a integridade moral, quanto (ii) não é afetado pela famosa crítica de ser elitista. O primeiro ponto é desenvolvido ao concebermos perfeccionismo como uma visão moral que destaca as possibilidades de mudança do “eu”, seu poder de passar de um estado de confusão ou alienação para um de autoconhecimento e integridade moral. O segundo ponto se dá ao indicar que tal perspectiva não exige uma realocação de recursos especiais, ou um ideal fechado de perfeição — até porque se houvesse um ponto perfeito e final, o movimento de transformação que caracteriza o perfeccionismo deixaria de existir. Em particular, são respondidas as críticas de Rawls a Friedrich Nietzsche, indicando como o perfeccionismo não faz demandas materiais, mas demandas morais e políticas em sentido amplo. Adotando tal visão do perfeccionismo, é reforçado como o próprio Rawls é um autor perfeccionista, almejando aperfeiçoar a democracia em direção ao que ela deve sempre estar se tornando. Os diferentes pontos são retomados com a interpretação filosófica de um filme, a saber, O grande ditador (1940) de Charlie Chaplin, onde tenta-se ir da leitura convencional de vê-lo como uma sátira de ditadores (embora isso seja verdade) e é indicado seu potencial perfeccionista, um filme que nos lembra dos deveres da voz democrática e de querer fazer sentido entre cidadãos. |
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Nascimento, Igor Costa doMartins, Nikolay Steffens2025-05-29T06:37:43Z2024http://hdl.handle.net/10183/292292001257715No presente trabalho, são explorados alguns vínculos possíveis entre o perfeccionismo moral, tal como interpretado pelo filósofo estadunidense Stanley Cavell, e a democracia. São trabalhados alguns temas centrais do pensamento de Cavell, em particular, sua análise do ceticismo, sua recepção da filosofia de Ralph Waldo Emerson e seu engajamento crítico com a obra de John Rawls. Destacando esses pontos, pode-se chamar atenção a como o perfeccionismo tanto (i) não é uma doutrina moral robusta, isto é, não se prende a respostas particulares para os problemas morais, mas se preocupa com a mudança e a integridade moral, quanto (ii) não é afetado pela famosa crítica de ser elitista. O primeiro ponto é desenvolvido ao concebermos perfeccionismo como uma visão moral que destaca as possibilidades de mudança do “eu”, seu poder de passar de um estado de confusão ou alienação para um de autoconhecimento e integridade moral. O segundo ponto se dá ao indicar que tal perspectiva não exige uma realocação de recursos especiais, ou um ideal fechado de perfeição — até porque se houvesse um ponto perfeito e final, o movimento de transformação que caracteriza o perfeccionismo deixaria de existir. Em particular, são respondidas as críticas de Rawls a Friedrich Nietzsche, indicando como o perfeccionismo não faz demandas materiais, mas demandas morais e políticas em sentido amplo. Adotando tal visão do perfeccionismo, é reforçado como o próprio Rawls é um autor perfeccionista, almejando aperfeiçoar a democracia em direção ao que ela deve sempre estar se tornando. Os diferentes pontos são retomados com a interpretação filosófica de um filme, a saber, O grande ditador (1940) de Charlie Chaplin, onde tenta-se ir da leitura convencional de vê-lo como uma sátira de ditadores (embora isso seja verdade) e é indicado seu potencial perfeccionista, um filme que nos lembra dos deveres da voz democrática e de querer fazer sentido entre cidadãos.In the present work, some possible paths between moral perfectionism, as interpreted by the American philosopher Stanley Cavell, and democracy are explored. Some central themes of Cavell’s thought are developed, in particular, his analysis of skepticism, his reception of Ralph Waldo Emerson’s philosophy and his critical engagement with the work of John Rawls. Highlighting these points, attention can be drawn to how perfectionism (i) it is not a robust moral doctrine, that is, it is not tied to particular answers to moral problems, but is concerned with change and moral integrity, while (ii) it is not affected by the famous criticism of being elitist. The first point is developed by conceiving perfectionism as a moral vision that highlights the possibilities of change of the “self”, its power to move from a state of confusion or alienation to one of self-knowledge and moral integrity. The second point is made by indicating that such a perspective does not require a reallocation of special resources, or a closed ideal of perfection — especially because if there were a perfect and final point, the movement of transformation that characterizes perfectionism would cease to exist. In particular, the criticisms of Rawls to Friedrich Nietzsche are responded to, showing how perfectionism does not make material demands, but moral and political demands in a broad sense. Adopting such a view of perfectionism, it is reinforced how Rawls himself is a perfectionist author, aiming to improve democracy towards what it should always be becoming. The different points are taken up with the philosophical interpretation of a film, namely, The Great Dictator (1940) by Charlie Chaplin, there is an attempt to move away from the conventional reading of seeing it as a satire of dictators (although this is true) and indicate its perfectionist potential, a film that reminds us of the duties of the democratic voice and of wanting to make sense among citizens.application/pdfporCavell, Stanley, 1926-Perfeição (Filosofia)DemocraciaMoralPolíticaCavellPerfectionismDemocracyMorals and politicsCinemaCidadão e guardião : Cavell, perfeccionismo, democracia, cinemainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de Filosofia e Ciências HumanasPrograma de Pós-Graduação em FilosofiaPorto Alegre, BR-RS2024mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001257715.pdf.txt001257715.pdf.txtExtracted Texttext/plain680377http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/292292/2/001257715.pdf.txt65aa100b3b2717b003b3a81505a2b2f5MD52ORIGINAL001257715.pdfTexto completoapplication/pdf1785908http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/292292/1/001257715.pdf860c90e5d56ad9fbdbe35aed2b4ccda4MD5110183/2922922025-05-30 06:43:45.634407oai:www.lume.ufrgs.br:10183/292292Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-05-30T09:43:45Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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