O negro herói e seu traje : sentidos do consumo de vestuário pelo movimento da negritude na contemporaneidade

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: BATISTA, Isaac Matheus Santos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal Rural de Pernambuco
Departamento de Ciências Domésticas
Brasil
UFRPE
Programa de Pós-Graduação em Consumo, Cotidiano e Desenvolvimento Social
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.tede2.ufrpe.br:8080/tede2/handle/tede2/8243
Resumo: Adornando o corpo de grande parte das pessoas do mundo, o vestuário é um dos elementos pelos quais construímos a representação do nosso Eu no cotidiano, fazendo com que os outros e nós mesmos percebamos em que categorias identitárias nos encaixamos mesmo que momentaneamente. Nesta dissertação, tivemos como objetivo geral compreender a participação do vestuário na construção do discurso de negritude do movimento da negritude na contemporaneidade. Para isso, fizemos uma pesquisa de base etnográfica/netnográfica junto ao perfil do Facebook de 64 pessoas negras antirracistas que lutam a favor da valorização do negro e de uma identidade negra/africana em comum. Ao observamos e participarmos das interações surgidas nos conteúdos publicados por esses sujeitos, pudemos perceber que o consumo de vestuário como discurso de negritude e africanidade participa de uma narrativa que coloca o Negro como um Herói. Essa narrativa inicia num passado ideal africano, em que o negro era poderoso e livre, tendo autonomia inclusive para criar formas próprias de se vestir. Porém, essa liberdade é roubada pelo Homem Branco que traz os negros desde a África até ao Novo Mundo, os oprimindo através da desvalorização e “apagamento” de seus corpos negros, da cultura negra e das religiões afro-brasileiras; inclusive, os negros e negras vão se ver desestimulados ou impedidos de usar peças de roupas e acessórios que destacam a negritude de seus corpos, que remetam à cultura negra ou que mostrem que eles pertencem a religiões de matriz afro, pois o uso desse vestuário pode fazer com que eles sejam alvos de preconceito e discriminação. Entretanto, em resistência a essas formas de opressão perpetradas pela cultura racista e eurocêntrica, os negros e negras vão achar no consumo de vestuário com estética negra/africana uma forma de se empoderar, ao demonstrarem por meio de seu uso o orgulho e amor por serem negros e africanos/afro/afrodiaspóricos. Assim, o Negro Herói retorna simbolicamente à África através da utilização de roupas e acessórios que constroem a ideia de um corpo negro, de uma cultura negra e de uma religiosidade afro anterior às influências do racismo e eurocentrismo. Apesar disso, os negros e negras do estudo ainda apresentam uma identidade híbrida que mostra a liberdade que eles encontram, no final de tudo, de poder passear pelas referências estéticas que remontam à África romantizada ou ao Ocidente moderno.
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Ao observamos e participarmos das interações surgidas nos conteúdos publicados por esses sujeitos, pudemos perceber que o consumo de vestuário como discurso de negritude e africanidade participa de uma narrativa que coloca o Negro como um Herói. Essa narrativa inicia num passado ideal africano, em que o negro era poderoso e livre, tendo autonomia inclusive para criar formas próprias de se vestir. Porém, essa liberdade é roubada pelo Homem Branco que traz os negros desde a África até ao Novo Mundo, os oprimindo através da desvalorização e “apagamento” de seus corpos negros, da cultura negra e das religiões afro-brasileiras; inclusive, os negros e negras vão se ver desestimulados ou impedidos de usar peças de roupas e acessórios que destacam a negritude de seus corpos, que remetam à cultura negra ou que mostrem que eles pertencem a religiões de matriz afro, pois o uso desse vestuário pode fazer com que eles sejam alvos de preconceito e discriminação. Entretanto, em resistência a essas formas de opressão perpetradas pela cultura racista e eurocêntrica, os negros e negras vão achar no consumo de vestuário com estética negra/africana uma forma de se empoderar, ao demonstrarem por meio de seu uso o orgulho e amor por serem negros e africanos/afro/afrodiaspóricos. Assim, o Negro Herói retorna simbolicamente à África através da utilização de roupas e acessórios que constroem a ideia de um corpo negro, de uma cultura negra e de uma religiosidade afro anterior às influências do racismo e eurocentrismo. Apesar disso, os negros e negras do estudo ainda apresentam uma identidade híbrida que mostra a liberdade que eles encontram, no final de tudo, de poder passear pelas referências estéticas que remontam à África romantizada ou ao Ocidente moderno.Embellishing the body of most people in the world, clothing is one of the elements by which we construct the representation of our Self in the everyday, making others and ourselves perceive in which identity categories we fit even if momentarily. In this dissertation, we had as general objective to understand the participation of clothing in the construction of the negritude discourse of the contemporary movement of negritude. To do this, we did an ethnographic/netnographic research based on the Facebook profile of 64 black anti-racist people who fight for the valorization of the black people and of a common black/African identity. By observing and participating in the interactions that arose in the contents published by these individuals, we could perceive that the consumption of clothing as a discourse of blackness and Africanity participates in a narrative that places the Negro as a Hero. This narrative begins in an ideal African past, in which the Negro was powerful and free, having autonomy even to create its own ways of dressing. However, this freedom is stolen by the White Man who brings black people from Africa to the New World, oppressing them by devaluing and "erasing" their black bodies, black culture and Afro-Brazilian religions; and black men and women will be discouraged or prevented from wearing pieces of clothing and accessories that highlight their bodies, refer to black culture or show that they belong to African-American religions, because wearing such clothing can turn them into targets for prejudice and discrimination. However, in resistance to these forms of oppression perpetrated by the racist and Eurocentric culture, black men and women will find in the consumption of black/African aesthetic apparel a way to empower themselves, by demonstrating through the use these clothes and accessories that tey are proud to be and that they love to be black and african/afro/afro-diasporic. Thus, the Black Hero symbolically returns to Africa through the use of clothes and accessories that build the idea of a black body, a black culture and an African religiosity prior to the influences of racism and Eurocentrism. Despite this, the black men and women of the study still have a hybrid identity that shows the freedom they find, in the end, to be able to adopt the aesthetic references that go back to romanticized Africa or that demonstrates that they also belogn to the modern West world.Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPqUniversidade Federal Rural de PernambucoDepartamento de Ciências DomésticasBrasilUFRPEPrograma de Pós-Graduação em Consumo, Cotidiano e Desenvolvimento SocialMARTINS, Marcelo MachadoARRAZOLA, Laura Susana DuqueCOSTA, Flavia Zimmerle da NóbregaBEZERRA, Amilcar AlmeidaLOPES, Maria TeresaBATISTA, Isaac Matheus Santos2019-10-07T13:49:28Z2019-01-22info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfBATISTA, Isaac Matheus Santos. O negro herói e seu traje : sentidos do consumo de vestuário pelo movimento da negritude na contemporaneidade. 2019. 590 f. 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