Acesso à justiça e violência doméstica : as varas especializadas com competência híbrida

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Cunha, Larissa Fernanda Romão da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2137/tde-18012024-132229/
Resumo: O debate legislativo em torno da criação do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres (JVDFM) com competência híbrida (art. 14 da Lei no 11.340/2006) se iniciou com o trâmite da Lei Maria da Penha, em 2004, no mesmo contexto sociopolítico da Reforma do Judiciário, marcado por tensionamentos entre diversos segmentos e suas diferentes concepções sobre o acesso à justiça, que podem ser resumidas em redistributiva e gerencial. A partir de 2019, diante de um cenário de baixa implementação do art. 14 e da recepção de um substancial volume de processos nessas varas, o debate legislativo em torno dessa norma foi reativado, principalmente em função do PL no 510/2019 e do PL no 3.244/2020. Diante disso, esta pesquisa buscou responder à pergunta: quais os atores envolvidos e suas respectivas compreensões sobre acesso à justiça nos debates legislativos em torno do JVDFM e de sua competência híbrida? Foram formuladas duas hipóteses para responder à pergunta: a primeira é a de que alguns atores carregam uma visão redistributiva e outros atores uma visão gerencial do acesso à justiça, enquanto a segunda é a de que os atores que partem de uma visão gerencial são desfavoráveis à implementação do JVDFM com competência híbrida e os atores que partem de uma visão redistributiva são favoráveis. Para responder à pergunta, foi feita uma pesquisa teórica seguida de uma pesquisa empírica legislativa, com objetivo exploratório, abordagem qualitativa, com método hipotético-dedutivo e a partir do procedimento de análise categorial de conteúdo. Desse modo, foram analisados, a partir de determinados indicadores, diversos documentos como anteprojetos de lei, projetos de lei, substitutivos, exposições de motivos, notas técnicas e notas taquigráficas de sessões legislativas. Com isso, a partir da criação de categorias, as hipóteses se confirmaram em parte, já que foi possível, de um lado, identificar atores favoráveis e relacioná- los a uma visão redistributiva e, de outro lado, atores parcialmente favoráveis e relacioná-los com uma visão gerencial, se destacando os grupos organizados da Magistratura enquanto um forte ator político resistente à implementação. Contudo, foi possível identificar algumas coincidências argumentativas entre os diferentes atores, como a escassez de um diagnóstico empírico exato para a defesa de seus argumentos, o uso da experiência própria no sistema de justiça como parâmetro para validar ou não um posicionamento, além da mobilização de argumentos processuais voltados à economicidade, redução da burocracia e precedentes vinculantes, o que resulta no uso de diversos conceitos essenciais para o debate (como especialização) a partir de pressupostos diferentes e, por vezes, excludentes.
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A partir de 2019, diante de um cenário de baixa implementação do art. 14 e da recepção de um substancial volume de processos nessas varas, o debate legislativo em torno dessa norma foi reativado, principalmente em função do PL no 510/2019 e do PL no 3.244/2020. Diante disso, esta pesquisa buscou responder à pergunta: quais os atores envolvidos e suas respectivas compreensões sobre acesso à justiça nos debates legislativos em torno do JVDFM e de sua competência híbrida? Foram formuladas duas hipóteses para responder à pergunta: a primeira é a de que alguns atores carregam uma visão redistributiva e outros atores uma visão gerencial do acesso à justiça, enquanto a segunda é a de que os atores que partem de uma visão gerencial são desfavoráveis à implementação do JVDFM com competência híbrida e os atores que partem de uma visão redistributiva são favoráveis. Para responder à pergunta, foi feita uma pesquisa teórica seguida de uma pesquisa empírica legislativa, com objetivo exploratório, abordagem qualitativa, com método hipotético-dedutivo e a partir do procedimento de análise categorial de conteúdo. Desse modo, foram analisados, a partir de determinados indicadores, diversos documentos como anteprojetos de lei, projetos de lei, substitutivos, exposições de motivos, notas técnicas e notas taquigráficas de sessões legislativas. Com isso, a partir da criação de categorias, as hipóteses se confirmaram em parte, já que foi possível, de um lado, identificar atores favoráveis e relacioná- los a uma visão redistributiva e, de outro lado, atores parcialmente favoráveis e relacioná-los com uma visão gerencial, se destacando os grupos organizados da Magistratura enquanto um forte ator político resistente à implementação. Contudo, foi possível identificar algumas coincidências argumentativas entre os diferentes atores, como a escassez de um diagnóstico empírico exato para a defesa de seus argumentos, o uso da experiência própria no sistema de justiça como parâmetro para validar ou não um posicionamento, além da mobilização de argumentos processuais voltados à economicidade, redução da burocracia e precedentes vinculantes, o que resulta no uso de diversos conceitos essenciais para o debate (como especialização) a partir de pressupostos diferentes e, por vezes, excludentes.The legislative debate around the creation of the Court of Domestic and Family Violence against Women with hybrid competence (art. 14 of Law no 11.340/2006) began with the legislative procedure of the Maria da Penha Law, in 2004, in the same sociopolitical context of the Judiciary Reform, marked by tensions between different segments and their different conceptions of access to justice, which can be summarized as redistributive and managerial. As of 2019, faced with a scenario of low implementation of art. 14 and the reception of a substantial volume of cases in these courts, the legislative debate around this rule was reactivated, mainly due to PL no 510/2019 and PL no 3.244/2020. Therefore, this research sought to answer the question: who are the actors involved and their respective understandings of access to justice in legislative debates around the Court of Domestic and Family Violence against Women and its hybrid competence? Two hypotheses were formulated to answer the question: the first is that some actors have a redistributive vision and other actors a managerial vision of access to justice, while the second is that actors who have a managerial vision are unfavorable to the implementation of the Court of Domestic and Family Violence against Women with hybrid competence and the actors that have a redistributive vision are favorable. To answer the question, a theoretical research was carried out followed by an empirical legislative research, with an exploratory objective, a qualitative approach, with a hypothetical-deductive method and based on the categorical content analysis procedure. Thus, based on certain indicators, various documents such as draft bills, bills, substitutes, explanatory memorandums, technical notes and shorthand notes of legislative sessions were analysed. With this, from the creation of categories, the hypotheses were confirmed in part, since it was possible, on the one hand, to identify favorable actors and relate them to a redistributive vision and, on the other hand, partially favorable actors and to relate them with a managerial vision, highlighting the organized groups of judges as a strong political actor resistant to implementation. However, it was possible to identify some argumentative coincidences between the different actors, such as the scarcity of an exact empirical diagnosis to defend their arguments, the use of their own experience in the justice system as a parameter to validate or not a position, in addition to the mobilization of procedural arguments aimed at economy, reduction of bureaucracy and binding precedents, which result in the use of several essential concepts for the debate (such as specialization) based on different and sometimes conflicting assumptions.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCosta, Susana Henriques daCunha, Larissa Fernanda Romão da2023-05-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2137/tde-18012024-132229/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-22T20:38:02Zoai:teses.usp.br:tde-18012024-132229Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-22T20:38:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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