Conhecimento histórico e acúmulo de conhecimento: problemas teóricos relativos à historiografia da Independência do Brasil no bicentenário (2022- 2024)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Wunderlich, Michel Patric
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-31102025-130138/
Resumo: Esta tese parte da constatação de uma contradição frequente nos balanços historiográficos e histórias da historiografia brasileira gerais produzidos nos últimos 40 anos. Muitos desses trabalhos identificaram um conjunto de transformações cognitivas relevantes em meados da década de 1980 que, surgido no âmbito da recepção do pós-modernismo e da consolidação institucional da pesquisa histórica, teria criado uma espécie de clivagem epistemológica entre a pesquisa histórica anterior e posterior a esse marco. Embora haja forte consenso quanto a esse ponto, tais análises albergam dentro de si, inclusive dentro dos mesmos autores, dois aspectos aparentemente contraditórios que repercutem numa avaliação por vezes incoerente do impacto do pós-modernismo no estatuto epistemológico e, por fim, na dimensão parcialmente acumulativa da história. Por um lado, estudiosos pontuam a mudança e diminuição da escala dos objetos da pesquisa bem como da presença de novas abordagens, especialmente daquelas que atribuem uma maior importância da subjetividade dos indivíduos estudados, como aspectos que teriam gerado uma prática historiográfica cognitiva distinta da anterior, portanto, descontínua. Por outro lado, muitos admitem, de forma menos ou mais explícita, que o conhecimento histórico atualmente produzido no Brasil seria o resultado do desenvolvimento de uma comunidade de pesquisa que remontaria à segunda metade do século XIX e teria se consolidado desde pelo menos a década de 1970. Contrapusemos essas afirmações com a história da pesquisa historiográfica sobre Independência do Brasil desde 1823 até 2024, bem como das pretensões de rupturas dos historiadores, buscando elementos que pudessem favorecer uma e outra, continuidades e descontinuidades. Em seguida, apresentamos alguns exemplos de consenso na historiografia do tema como casos paradigmáticos de pesquisa histórica a partir dos quais pudemos analisar alguns aspectos mais pontuais de acumulação parcial e continuidades. Apresentamos, posteriormente, uma reflexão complementar sobre algumas partes da \"infraestrutura\" da pesquisa histórica, a heurística e o tratamento crítico das fontes, geralmente negligenciados pelas análises historiográficas, que corroboram a tese da continuidade e da dimensão cumulativa do conhecimento histórico. Por fim, mostramos, a partir do levantamento estatístico da produção de cada período e das ocorrências das obras de diversos períodos (1823- 2024) na produção historiográfica do Bicentenário, a repercussão de cada um desses períodos nesta produção, bem como o distanciamento que, em alguns casos, as pesquisas nessa efeméride representaram em relação a certos períodos
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Muitos desses trabalhos identificaram um conjunto de transformações cognitivas relevantes em meados da década de 1980 que, surgido no âmbito da recepção do pós-modernismo e da consolidação institucional da pesquisa histórica, teria criado uma espécie de clivagem epistemológica entre a pesquisa histórica anterior e posterior a esse marco. Embora haja forte consenso quanto a esse ponto, tais análises albergam dentro de si, inclusive dentro dos mesmos autores, dois aspectos aparentemente contraditórios que repercutem numa avaliação por vezes incoerente do impacto do pós-modernismo no estatuto epistemológico e, por fim, na dimensão parcialmente acumulativa da história. Por um lado, estudiosos pontuam a mudança e diminuição da escala dos objetos da pesquisa bem como da presença de novas abordagens, especialmente daquelas que atribuem uma maior importância da subjetividade dos indivíduos estudados, como aspectos que teriam gerado uma prática historiográfica cognitiva distinta da anterior, portanto, descontínua. Por outro lado, muitos admitem, de forma menos ou mais explícita, que o conhecimento histórico atualmente produzido no Brasil seria o resultado do desenvolvimento de uma comunidade de pesquisa que remontaria à segunda metade do século XIX e teria se consolidado desde pelo menos a década de 1970. Contrapusemos essas afirmações com a história da pesquisa historiográfica sobre Independência do Brasil desde 1823 até 2024, bem como das pretensões de rupturas dos historiadores, buscando elementos que pudessem favorecer uma e outra, continuidades e descontinuidades. Em seguida, apresentamos alguns exemplos de consenso na historiografia do tema como casos paradigmáticos de pesquisa histórica a partir dos quais pudemos analisar alguns aspectos mais pontuais de acumulação parcial e continuidades. Apresentamos, posteriormente, uma reflexão complementar sobre algumas partes da \"infraestrutura\" da pesquisa histórica, a heurística e o tratamento crítico das fontes, geralmente negligenciados pelas análises historiográficas, que corroboram a tese da continuidade e da dimensão cumulativa do conhecimento histórico. Por fim, mostramos, a partir do levantamento estatístico da produção de cada período e das ocorrências das obras de diversos períodos (1823- 2024) na produção historiográfica do Bicentenário, a repercussão de cada um desses períodos nesta produção, bem como o distanciamento que, em alguns casos, as pesquisas nessa efeméride representaram em relação a certos períodosThis thesis begins with the observation of a frequent contradiction in the historiographical assessments and histories of Brazilian historiography produced over the past 40 years. Many of these works identified a set of significant cognitive transformations in the mid-1980s that, emerging within the context of the reception of postmodernism and the institutional consolidation of historical research, created a kind of epistemological divide between historical research prior to and subsequent to this milestone. Although there is strong consensus on this point, such analyses harbor within themselves, even within the same authors, two seemingly contradictory aspects that result in a sometimes incoherent assessment of the impact of postmodernism on the epistemological status and, ultimately, on the partially cumulative dimension of history. On the one hand, scholars point out the change and reduction in the scale of research objects as well as the presence of new approaches, especially those that attribute greater importance to the subjectivity of the individuals studied, as aspects that would have generated a cognitive historiographical practice distinct from the previous one, therefore, discontinuous. On the other hand, many admit, more or less explicitly, that the historical knowledge currently produced in Brazil is the result of the development of a research community dating back to the second half of the 19th century and consolidated since at least the 1970s. We contrast these assertions with the history of historiographical research on Brazilian Independence from 1823 to 2024, as well as historians\' attempts at rupture, seeking elements that could favor both continuities and discontinuities. Next, we present some examples of consensus in the historiography of the topic as paradigmatic cases of historical research from which we were able to analyze some more specific aspects of partial accumulation and continuities. We then present a complementary reflection on some aspects of the \"infrastructure\" of historical research--heuristics and the critical treatment of sources-- generally neglected in historiographical analyses, which corroborate the thesis of continuity and the cumulative dimension of historical knowledge. Finally, we show, based on the statistical survey of the production of each period and the occurrence of works from different periods (1823-2024) in the historiographical production of the Bicentennial, the repercussion of each of these periods in this production, as well as the distance that, in some cases, the research on this occasion represented in relation to certain periodsBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPimenta, João Paulo GarridoWunderlich, Michel Patric2025-08-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-31102025-130138/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-31T15:08:02Zoai:teses.usp.br:tde-31102025-130138Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-31T15:08:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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