Escola de heróis: um estudo sobre a atual crise da educação

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Tomaz, Mauro Sérgio de Carvalho
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-10112025-103921/
Resumo: O presente trabalho parte de um problema levantado pelo filósofo e educador espanhol José Ortega y Gasset no início do século XX. Para ele, antes da prática educativa propriamente dita, é preciso definir quais são os fins ou ideais educativos, de modo que a prática seja direcionada justamente para a realização deste fim. A partir desse fundamento, a pesquisa que agora se desenvolve apresenta-se como um esforço de reflexão para compreender qual poderia ser, na atualidade, o objetivo do fazer educativo. Considera-se, também, que a educação atual se encontra em um momento problemático, anômalo ou crítico: em um hiato entre a chamada Educação Tradicional (ou clássica) e a Educação Nova (ou nova pedagogia). Dessa maneira, compreende-se que a educação se encontra sem uma finalidade distinta e inequivocamente estabelecida. Poder-se-ia dizer: sem sentido. Para abordar tal problema, são consideradas, além da Filosofia, contribuições da Psicologia analítica e da mitologia comparada, especificamente aquelas que se concentram na importância dos arquétipos mitológicos como forma de explicação das origens e desenvolvimento da consciência. Nestes estudos de mitologia comparada, é possível perceber certos padrões arquetípicos, cujo simbolismo torna-se onipresente nas diversas manifestações mitológicas da humanidade. Eles sobrevivem ainda hoje nas várias camadas do substrato que compõem a cultura em suas mais variadas formas, de modo que se pode falar, em última instância, de uma Cultura fundamental, alicerce das múltiplas manifestações culturais. A presença destes símbolos arquetípicos pode ser reduzida a uma única grande história (ou monomito) conhecido como o mito do herói. Uma vez que se admite que a tarefa primordial da mitologia é permitir ao homem dar significado ao mundo, pode-se perceber nela um caráter essencialmente educativo. Dessa maneira, procura-se apresentar como resposta ao problema orteguiano a seguinte afirmação: a finalidade da educação deve ser transformar o educando no herói de sua própria existência, isto é, fornecer a ele as ferramentas necessárias para que ele possa ser um agente da ordem quando o caos se manifestar em sua vida. Sendo um elemento arquetípico, a atitude do herói mítico torna-se um padrão comportamental que pode servir como bússola da conduta humana, portanto, também como norteadora da tarefa da educação. Este padrão de comportamento pode ser reduzido às seguintes palavras: esforço e sacrifício. Por fim, serão discutidas obras selecionadas da educadora sueca Inger Enkvist, que se dedica a analisar modelos de educação atuais em diversos países, concentrando-se naqueles que têm se destacado positivamente nas avaliações externas, como o PISA. O objetivo desta discussão é perceber qual é o papel do esforço do educando no processo educativo e se, de fato, como se observa no mito do herói, o sacrifício pode dar sentido às ações realizadas e, em consequência, também às educativas. Conclui-se, finalmente, a partir da fundamentação teórica e da análise das obras da educadora, que o esforço do estudante representa papel decisivo no processo de ensino-aprendizagem, pois atribui a ele um significado, e que insistir em uma educação que valorize, incentive e promova o esforço pode ser uma forma de resolver o impasse em que a educação atual se encontra alojada, propondo um objetivo claro e unívoco que norteie as ações do fazer educativo.
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Dessa maneira, compreende-se que a educação se encontra sem uma finalidade distinta e inequivocamente estabelecida. Poder-se-ia dizer: sem sentido. Para abordar tal problema, são consideradas, além da Filosofia, contribuições da Psicologia analítica e da mitologia comparada, especificamente aquelas que se concentram na importância dos arquétipos mitológicos como forma de explicação das origens e desenvolvimento da consciência. Nestes estudos de mitologia comparada, é possível perceber certos padrões arquetípicos, cujo simbolismo torna-se onipresente nas diversas manifestações mitológicas da humanidade. Eles sobrevivem ainda hoje nas várias camadas do substrato que compõem a cultura em suas mais variadas formas, de modo que se pode falar, em última instância, de uma Cultura fundamental, alicerce das múltiplas manifestações culturais. A presença destes símbolos arquetípicos pode ser reduzida a uma única grande história (ou monomito) conhecido como o mito do herói. Uma vez que se admite que a tarefa primordial da mitologia é permitir ao homem dar significado ao mundo, pode-se perceber nela um caráter essencialmente educativo. Dessa maneira, procura-se apresentar como resposta ao problema orteguiano a seguinte afirmação: a finalidade da educação deve ser transformar o educando no herói de sua própria existência, isto é, fornecer a ele as ferramentas necessárias para que ele possa ser um agente da ordem quando o caos se manifestar em sua vida. Sendo um elemento arquetípico, a atitude do herói mítico torna-se um padrão comportamental que pode servir como bússola da conduta humana, portanto, também como norteadora da tarefa da educação. Este padrão de comportamento pode ser reduzido às seguintes palavras: esforço e sacrifício. Por fim, serão discutidas obras selecionadas da educadora sueca Inger Enkvist, que se dedica a analisar modelos de educação atuais em diversos países, concentrando-se naqueles que têm se destacado positivamente nas avaliações externas, como o PISA. O objetivo desta discussão é perceber qual é o papel do esforço do educando no processo educativo e se, de fato, como se observa no mito do herói, o sacrifício pode dar sentido às ações realizadas e, em consequência, também às educativas. Conclui-se, finalmente, a partir da fundamentação teórica e da análise das obras da educadora, que o esforço do estudante representa papel decisivo no processo de ensino-aprendizagem, pois atribui a ele um significado, e que insistir em uma educação que valorize, incentive e promova o esforço pode ser uma forma de resolver o impasse em que a educação atual se encontra alojada, propondo um objetivo claro e unívoco que norteie as ações do fazer educativo.The starting point for this research is a problem raised by the Spanish philosopher and educator José Ortega y Gasset in the early 20th century. For him, before the educational practice itself, it is necessary to define the ends or educational ideals, so that practice is directed precisely toward the realization of that end. Based on this principle, the present research is an effort to reflect on what might currently be the aim of educational practice. It is also considered that todays education finds itself in a problematic, anomalous, or critical moment: a hiatus between so-called Traditional Education (or classical education) and New Education (or new pedagogy). Thus, it is understood that education currently lacks a clearly and unequivocally established purpose. One could say: it is without meaning. To address this issue, the research draws not only on Philosophy but also on contributions from Analytical Psychology and Comparative Mythology - specifically those that focus on the importance of mythological archetypes as a way of explaining the origins and development of consciousness. In these comparative mythology studies, it is possible to observe certain archetypal patterns whose symbolism becomes ubiquitous across the various mythological manifestations of humanity. These archetypes persist today in multiple layers of the substratum that constitutes culture in its many forms, to the extent that one can speak, ultimately, of a foundational Culture - the bedrock of diverse cultural expressions. The presence of these archetypal symbols can be reduced to a single great narrative (or monomyth) known as \"the heros journey.\" Once it is accepted that the primary task of mythology is to allow human beings to give meaning to the world, one can perceive in it an essentially educational character. In this way, the research seeks to answer Ortegas problem with the following proposition: the purpose of education should be to transform the learner into the hero of their own existence - that is, to provide them with the necessary tools to become an agent of order when chaos arises in their life. As an archetypal element, the attitude of the mythical hero becomes a behavioral pattern that can serve as a compass for human conduct and, therefore, as a guide for educational practice. This behavioral pattern can be reduced to two key terms: effort and sacrifice. Finally, selected works of Swedish educator Inger Enkvist are discussed; she is dedicated to analyzing current education models in various countries, especially those that have stood out positively in international assessments such as PISA. The goal of this discussion is to understand the role of the learner\'s effort in the educational process and whether, as observed in the hero myth, sacrifice can give meaning to actions - and, by extension, to educational actions. The conclusion reached - based on theoretical foundations and the analysis of Enkvists work - is that the students effort plays a decisive role in the teaching-learning process because it imbues the process with meaning. Persisting in an educational model that values, encourages, and promotes effort may be a way to resolve the current impasse in education by proposing a clear and unambiguous goal to guide educational practice.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCordeiro, Jaime Francisco ParreiraTomaz, Mauro Sérgio de Carvalho2025-10-20info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-10112025-103921/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-11T19:06:02Zoai:teses.usp.br:tde-10112025-103921Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-11T19:06:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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description O presente trabalho parte de um problema levantado pelo filósofo e educador espanhol José Ortega y Gasset no início do século XX. Para ele, antes da prática educativa propriamente dita, é preciso definir quais são os fins ou ideais educativos, de modo que a prática seja direcionada justamente para a realização deste fim. A partir desse fundamento, a pesquisa que agora se desenvolve apresenta-se como um esforço de reflexão para compreender qual poderia ser, na atualidade, o objetivo do fazer educativo. Considera-se, também, que a educação atual se encontra em um momento problemático, anômalo ou crítico: em um hiato entre a chamada Educação Tradicional (ou clássica) e a Educação Nova (ou nova pedagogia). Dessa maneira, compreende-se que a educação se encontra sem uma finalidade distinta e inequivocamente estabelecida. Poder-se-ia dizer: sem sentido. Para abordar tal problema, são consideradas, além da Filosofia, contribuições da Psicologia analítica e da mitologia comparada, especificamente aquelas que se concentram na importância dos arquétipos mitológicos como forma de explicação das origens e desenvolvimento da consciência. Nestes estudos de mitologia comparada, é possível perceber certos padrões arquetípicos, cujo simbolismo torna-se onipresente nas diversas manifestações mitológicas da humanidade. Eles sobrevivem ainda hoje nas várias camadas do substrato que compõem a cultura em suas mais variadas formas, de modo que se pode falar, em última instância, de uma Cultura fundamental, alicerce das múltiplas manifestações culturais. A presença destes símbolos arquetípicos pode ser reduzida a uma única grande história (ou monomito) conhecido como o mito do herói. Uma vez que se admite que a tarefa primordial da mitologia é permitir ao homem dar significado ao mundo, pode-se perceber nela um caráter essencialmente educativo. Dessa maneira, procura-se apresentar como resposta ao problema orteguiano a seguinte afirmação: a finalidade da educação deve ser transformar o educando no herói de sua própria existência, isto é, fornecer a ele as ferramentas necessárias para que ele possa ser um agente da ordem quando o caos se manifestar em sua vida. Sendo um elemento arquetípico, a atitude do herói mítico torna-se um padrão comportamental que pode servir como bússola da conduta humana, portanto, também como norteadora da tarefa da educação. Este padrão de comportamento pode ser reduzido às seguintes palavras: esforço e sacrifício. Por fim, serão discutidas obras selecionadas da educadora sueca Inger Enkvist, que se dedica a analisar modelos de educação atuais em diversos países, concentrando-se naqueles que têm se destacado positivamente nas avaliações externas, como o PISA. O objetivo desta discussão é perceber qual é o papel do esforço do educando no processo educativo e se, de fato, como se observa no mito do herói, o sacrifício pode dar sentido às ações realizadas e, em consequência, também às educativas. Conclui-se, finalmente, a partir da fundamentação teórica e da análise das obras da educadora, que o esforço do estudante representa papel decisivo no processo de ensino-aprendizagem, pois atribui a ele um significado, e que insistir em uma educação que valorize, incentive e promova o esforço pode ser uma forma de resolver o impasse em que a educação atual se encontra alojada, propondo um objetivo claro e unívoco que norteie as ações do fazer educativo.
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