Determinação dos efeitos do silenciamento gênico de proteínas dissulfeto isomerases na colonização de carrapatos e de células embrionárias de carrapatos por Rickettsia rickettsii.
| Ano de defesa: | 2023 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-06042026-155130/ |
Resumo: | Rickettsia rickettsii é o agente etiológico da febre maculosa brasileira (FMB). Após a sua transmissão pela picada de um carrapato infectado, a bactéria infecta as células endoteliais do hospedeiro vertebrado, ocasionando vasculite, cuja evolução é potencialmente fatal. R. rickettsii apresenta transmissão transestadial e transovariana, de forma que a bactéria pode se perpetuar por gerações consecutivas nas populações naturais de carrapatos. Dessa forma, os carrapatos, além de vetores, são considerados reservatórios de R. rickettsii. Os patógenos ingeridos juntamente com a refeição sanguínea chegam primeiramente ao intestino do carrapato, onde precisam resistir aos efeitos de moléculas efetoras do sistema imune. Caso tenham sucesso em evadir ao ataque dos fatores antimicrobianos do intestino, os patógenos precisam migrar para a hemolinfa, onde também sofrem o ataque de reações do sistema imune, e atingir as glândulas salivares. Assim, podem ser transmitidos, via saliva, para um hospedeiro vertebrado sadio em um repasto sanguíneo subsequente. Nesse contexto, compreender as interações entre R. rickettsii e os seus carrapatos vetores é importante, podendo levar à identificação de potenciais alvos para o desenvolvimento de estratégias para o bloqueio da transmissão. No Brasil, o principal vetor de R. rickettsii é o carrapato Amblyomma sculptum [uma espécie do complexo de espécies Amblyomma cajennense]. Especificamente na região metropolitana de São Paulo, a transmissão é dada por Amblyomma aureolatum. Apesar de pertencerem ao mesmo gênero, A. aureolatum e A. sculptum apresentam diferenças marcantes quanto à susceptibilidade à infecção por R. rickettsii, sendo A. aureolatum mais suscetível que A. sculptum. Nosso grupo de pesquisa determinou previamente os efeitos da infecção sobre o perfil de expressão gênica das glândulas salivares de carrapatos A. aureolatum. Dentre as CDSs induzidas pela infecção, destaca-se a CDS de uma proteína dissulfeto isomerase (PDI; Ambaur-64469). As PDIs são proteínas redox da superfamília das tiorredoxinas, sendo necessárias para a correta formação das pontes dissulfeto e dobramento de proteínas no retículo endoplasmático. O silenciamento gênico da PDI Ambaur-64469 por RNA de interferência (RNAi) tornou os carrapatos A. aureolatum mais susceptíveis à infecção. Em A. sculptum, uma PDI similar à CDS Ambaur-64469 foi detectada (AcajSigP-77638). Além disso, análises de RNA-seq evidenciaram outras cinco CDSs de PDIs em A. sculptum, dentre as quais Acaj-77698 e AcajSigP-76333 também possuem os sítios ativos conservados das PDIs. Assim, o presente estudo teve como objetivo principal caracterizar os efeitos do silenciamento gênico de PDIs sobre a infecção por R. rickettsii, utilizando para isso uma linhagem de células embrionárias de A. sculptum (IBU/ASE-16) e carrapatos A. aureolatum como modelo. Primeiramente, foi realizada a determinação da expressão gênica das PDIs AcajSigP-77638, Acaj-77698 e AcajSigP-76333 em células IBU/ASE-16 em resposta à infecção por R. rickettsii. A infecção não afetou a expressão gênica das PDIs em nenhum dos tempos analisados. Além disso, o tratamento das células com dsRNAs específicas para a CDS AcajSigP-77638 levou a uma diminuição significativa em sua expressão gênica, mas não teve nenhum efeito na proliferação de R. rickettsii. Da mesma forma, o silenciamento simultâneo das CDSs AcajSigP-76333 Acaj-77698 e AcajSigP-77638, não alterou a infecção das células IBU/ASE-16. A ausência de uma diferença significativa entre o número de riquétsias nos grupos dsPDI e controle poderia ser atribuída a um possível aumento na expressão de outras CDSs, compensando assim o silenciamento das CDSs AcajSigP-77638, Acaj-77698 e AcajSigP-76333. Nesse sentido, investigamos a expressão gênica das demais CDSs de PDI, AcajSigP-81727, AcajSigP-24920 e Acaj-72396, previamente identificadas no transcriptoma do carrapato A. sculptum. Porém, não foram observadas diferenças significativas na expressão das CDSs de PDI que não foram alvo de silenciamento, sugerindo a inexistência de um mecanismo de compensação. Com o propósito de confirmar os resultados previamente obtidos pelo nosso grupo de pesquisa, a expressão gênica da PDI Ambaur-64469 de A. aureolatum foi silenciada. Assim como anteriormente observado, o número de R. rickettsii foi significativamente maior nas glândulas salivares e no intestino dos carrapatos do grupo ds64469 em comparação com o grupo dsGFP (controle). Em conjunto, os resultados obtidos pelo presente estudo demonstram que as PDIs não estão associadas com o controle da infecção por R. rickettsii em células embrionárias de A. sculptum. Por outro lado, o silenciamento de apenas uma PDI é capaz de elevar os níveis de infecção de carrapatos A. aureolatum por R. rickettsii. Para confirmar que as PDIs, de fato, não exercem um efeito sobre a infecção de carrapatos A. sculptum por R. rickettsii, um experimento similar ao experimento realizado com A. aureolatum deverá ser conduzido. |
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Determinação dos efeitos do silenciamento gênico de proteínas dissulfeto isomerases na colonização de carrapatos e de células embrionárias de carrapatos por Rickettsia rickettsii.Determination of the effects of gene silencing of disulfide isomerases proteins on the colonization of ticks and tick embryonic cells by Rickettsia rickettsii.carrapato; riquétsia; proteína dissulfeto isomerase; febre maculosa; RNAi; qPCRtick; rickettsiae; spotted fever; protein disulfide isomerase; RNAi; qPCRRickettsia rickettsii é o agente etiológico da febre maculosa brasileira (FMB). Após a sua transmissão pela picada de um carrapato infectado, a bactéria infecta as células endoteliais do hospedeiro vertebrado, ocasionando vasculite, cuja evolução é potencialmente fatal. R. rickettsii apresenta transmissão transestadial e transovariana, de forma que a bactéria pode se perpetuar por gerações consecutivas nas populações naturais de carrapatos. Dessa forma, os carrapatos, além de vetores, são considerados reservatórios de R. rickettsii. Os patógenos ingeridos juntamente com a refeição sanguínea chegam primeiramente ao intestino do carrapato, onde precisam resistir aos efeitos de moléculas efetoras do sistema imune. Caso tenham sucesso em evadir ao ataque dos fatores antimicrobianos do intestino, os patógenos precisam migrar para a hemolinfa, onde também sofrem o ataque de reações do sistema imune, e atingir as glândulas salivares. Assim, podem ser transmitidos, via saliva, para um hospedeiro vertebrado sadio em um repasto sanguíneo subsequente. Nesse contexto, compreender as interações entre R. rickettsii e os seus carrapatos vetores é importante, podendo levar à identificação de potenciais alvos para o desenvolvimento de estratégias para o bloqueio da transmissão. No Brasil, o principal vetor de R. rickettsii é o carrapato Amblyomma sculptum [uma espécie do complexo de espécies Amblyomma cajennense]. Especificamente na região metropolitana de São Paulo, a transmissão é dada por Amblyomma aureolatum. Apesar de pertencerem ao mesmo gênero, A. aureolatum e A. sculptum apresentam diferenças marcantes quanto à susceptibilidade à infecção por R. rickettsii, sendo A. aureolatum mais suscetível que A. sculptum. Nosso grupo de pesquisa determinou previamente os efeitos da infecção sobre o perfil de expressão gênica das glândulas salivares de carrapatos A. aureolatum. Dentre as CDSs induzidas pela infecção, destaca-se a CDS de uma proteína dissulfeto isomerase (PDI; Ambaur-64469). As PDIs são proteínas redox da superfamília das tiorredoxinas, sendo necessárias para a correta formação das pontes dissulfeto e dobramento de proteínas no retículo endoplasmático. O silenciamento gênico da PDI Ambaur-64469 por RNA de interferência (RNAi) tornou os carrapatos A. aureolatum mais susceptíveis à infecção. Em A. sculptum, uma PDI similar à CDS Ambaur-64469 foi detectada (AcajSigP-77638). Além disso, análises de RNA-seq evidenciaram outras cinco CDSs de PDIs em A. sculptum, dentre as quais Acaj-77698 e AcajSigP-76333 também possuem os sítios ativos conservados das PDIs. Assim, o presente estudo teve como objetivo principal caracterizar os efeitos do silenciamento gênico de PDIs sobre a infecção por R. rickettsii, utilizando para isso uma linhagem de células embrionárias de A. sculptum (IBU/ASE-16) e carrapatos A. aureolatum como modelo. Primeiramente, foi realizada a determinação da expressão gênica das PDIs AcajSigP-77638, Acaj-77698 e AcajSigP-76333 em células IBU/ASE-16 em resposta à infecção por R. rickettsii. A infecção não afetou a expressão gênica das PDIs em nenhum dos tempos analisados. Além disso, o tratamento das células com dsRNAs específicas para a CDS AcajSigP-77638 levou a uma diminuição significativa em sua expressão gênica, mas não teve nenhum efeito na proliferação de R. rickettsii. Da mesma forma, o silenciamento simultâneo das CDSs AcajSigP-76333 Acaj-77698 e AcajSigP-77638, não alterou a infecção das células IBU/ASE-16. A ausência de uma diferença significativa entre o número de riquétsias nos grupos dsPDI e controle poderia ser atribuída a um possível aumento na expressão de outras CDSs, compensando assim o silenciamento das CDSs AcajSigP-77638, Acaj-77698 e AcajSigP-76333. Nesse sentido, investigamos a expressão gênica das demais CDSs de PDI, AcajSigP-81727, AcajSigP-24920 e Acaj-72396, previamente identificadas no transcriptoma do carrapato A. sculptum. Porém, não foram observadas diferenças significativas na expressão das CDSs de PDI que não foram alvo de silenciamento, sugerindo a inexistência de um mecanismo de compensação. Com o propósito de confirmar os resultados previamente obtidos pelo nosso grupo de pesquisa, a expressão gênica da PDI Ambaur-64469 de A. aureolatum foi silenciada. Assim como anteriormente observado, o número de R. rickettsii foi significativamente maior nas glândulas salivares e no intestino dos carrapatos do grupo ds64469 em comparação com o grupo dsGFP (controle). Em conjunto, os resultados obtidos pelo presente estudo demonstram que as PDIs não estão associadas com o controle da infecção por R. rickettsii em células embrionárias de A. sculptum. Por outro lado, o silenciamento de apenas uma PDI é capaz de elevar os níveis de infecção de carrapatos A. aureolatum por R. rickettsii. Para confirmar que as PDIs, de fato, não exercem um efeito sobre a infecção de carrapatos A. sculptum por R. rickettsii, um experimento similar ao experimento realizado com A. aureolatum deverá ser conduzido.Rickettsia rickettsii is the etiological agent of brazilian spotted fever (BSF). Following transmission through the bite of an infected tick, the bacterium infects the endothelial cells of the vertebrate host, leading to vasculitis, which can be potentially fatal. R. rickettsii exhibits both transstadial and transovarian transmission, allowing the bacterium to persist across consecutive generations in natural tick populations. Therefore, ticks are not only vectors but also reservoirs of R. rickettsii. Pathogens ingested during a blood meal initially reach the tick midgut, where they must evade the effects of immune effector molecules. If they successfully evade the antimicrobial factors in the gut, the pathogens must migrate to the hemolymph, where they also contact immune system factors, before ultimately reaching the salivary glands. They can be transmitted via saliva to a healthy vertebrate host during a subsequent blood meal. In this context, studies on the interactions between R. rickettsii and its tick vectors are important and may lead to the identification of potential targets for transmission-blocking strategies. In Brazil, the primary vector of R. rickettsii is the tick Amblyomma sculptum [a member of the Amblyomma cajennense species complex]. In the metropolitan region of the city of São Paulo, the bacterium is trasmitted by Amblyomma aureolatum. Despite belonging to the same genus, A. aureolatum and A. sculptum exhibit significant differences in susceptibility to R. rickettsii infection, with A. aureolatum being more susceptible than A. sculptum. Our research group has previously determined the effects of infection on the gene expression profile of the salivary glands of A. aureolatum ticks. Among the genes induced by infection, we highlight a disulfide isomerase protein (PDI; Ambaur-64469). PDIs are redox proteins belonging to the thioredoxin superfamily, and they are essential for the proper formation of disulfide bridges and protein folding in the endoplasmic reticulum. Gene silencing of PDI Ambaur-64469 using RNA interference (RNAi) made A. aureolatum ticks more susceptible to infection. In A. sculptum, a PDI similar to Ambaur-64469 was identified (AcajSigP-77638). Furthermore, RNA-seq analyses revealed five additional PDI genes in A. sculptum, among which Acaj-77698 and AcajSigP-76333 also possess conserved active sites of PDIs. Therefore, the main aim of the present study was to characterize the effects of PDI gene silencing on R. rickettsii infection, using an A. sculptum tick embryonic cell line (IBU/ASE-16) and A. aureolatum ticks as a models. Initially, we determined the gene expression of PDIs AcajSigP-77638, Acaj-77698, and AcajSigP-76333 in IBU/ASE-16 cells in response to R. rickettsii infection. R. rickettsii infection did not affect the gene expression of PDIs in IBU/ASE-16 cells at any of the analyzed time points. Moreover, treatment of cells with specific dsRNA targeting AcajSigP-77638 significantly decreased its gene expression but had no effect on R. rickettsii proliferation. Similarly, simultaneous silencing of AcajSigP-76333, Acaj-77698, and AcajSigP-77638, did not alter the infection of IBU/ASE-16 cells. The lack of a significant difference in the number of rickettsiae between the dsPDI and control groups could be attributed to a potential increase in the expression of other CDSs, compensating the silencing of AcajSigP-77638, Acaj-77698, and AcajSigP-76333. Therefore, we analyzed the expression of the other PDI CDSs, AcajSigP-81727, AcajSigP-24920 and Acaj-72396, previously identified in the transcriptome of A. .Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFogaça, Andréa CristinaBibiano, Vitoria Vaz2023-12-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-06042026-155130/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-04-07T14:44:02Zoai:teses.usp.br:tde-06042026-155130Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-07T14:44:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Rickettsia rickettsii é o agente etiológico da febre maculosa brasileira (FMB). Após a sua transmissão pela picada de um carrapato infectado, a bactéria infecta as células endoteliais do hospedeiro vertebrado, ocasionando vasculite, cuja evolução é potencialmente fatal. R. rickettsii apresenta transmissão transestadial e transovariana, de forma que a bactéria pode se perpetuar por gerações consecutivas nas populações naturais de carrapatos. Dessa forma, os carrapatos, além de vetores, são considerados reservatórios de R. rickettsii. Os patógenos ingeridos juntamente com a refeição sanguínea chegam primeiramente ao intestino do carrapato, onde precisam resistir aos efeitos de moléculas efetoras do sistema imune. Caso tenham sucesso em evadir ao ataque dos fatores antimicrobianos do intestino, os patógenos precisam migrar para a hemolinfa, onde também sofrem o ataque de reações do sistema imune, e atingir as glândulas salivares. Assim, podem ser transmitidos, via saliva, para um hospedeiro vertebrado sadio em um repasto sanguíneo subsequente. Nesse contexto, compreender as interações entre R. rickettsii e os seus carrapatos vetores é importante, podendo levar à identificação de potenciais alvos para o desenvolvimento de estratégias para o bloqueio da transmissão. No Brasil, o principal vetor de R. rickettsii é o carrapato Amblyomma sculptum [uma espécie do complexo de espécies Amblyomma cajennense]. Especificamente na região metropolitana de São Paulo, a transmissão é dada por Amblyomma aureolatum. Apesar de pertencerem ao mesmo gênero, A. aureolatum e A. sculptum apresentam diferenças marcantes quanto à susceptibilidade à infecção por R. rickettsii, sendo A. aureolatum mais suscetível que A. sculptum. Nosso grupo de pesquisa determinou previamente os efeitos da infecção sobre o perfil de expressão gênica das glândulas salivares de carrapatos A. aureolatum. Dentre as CDSs induzidas pela infecção, destaca-se a CDS de uma proteína dissulfeto isomerase (PDI; Ambaur-64469). As PDIs são proteínas redox da superfamília das tiorredoxinas, sendo necessárias para a correta formação das pontes dissulfeto e dobramento de proteínas no retículo endoplasmático. O silenciamento gênico da PDI Ambaur-64469 por RNA de interferência (RNAi) tornou os carrapatos A. aureolatum mais susceptíveis à infecção. Em A. sculptum, uma PDI similar à CDS Ambaur-64469 foi detectada (AcajSigP-77638). Além disso, análises de RNA-seq evidenciaram outras cinco CDSs de PDIs em A. sculptum, dentre as quais Acaj-77698 e AcajSigP-76333 também possuem os sítios ativos conservados das PDIs. Assim, o presente estudo teve como objetivo principal caracterizar os efeitos do silenciamento gênico de PDIs sobre a infecção por R. rickettsii, utilizando para isso uma linhagem de células embrionárias de A. sculptum (IBU/ASE-16) e carrapatos A. aureolatum como modelo. Primeiramente, foi realizada a determinação da expressão gênica das PDIs AcajSigP-77638, Acaj-77698 e AcajSigP-76333 em células IBU/ASE-16 em resposta à infecção por R. rickettsii. A infecção não afetou a expressão gênica das PDIs em nenhum dos tempos analisados. Além disso, o tratamento das células com dsRNAs específicas para a CDS AcajSigP-77638 levou a uma diminuição significativa em sua expressão gênica, mas não teve nenhum efeito na proliferação de R. rickettsii. Da mesma forma, o silenciamento simultâneo das CDSs AcajSigP-76333 Acaj-77698 e AcajSigP-77638, não alterou a infecção das células IBU/ASE-16. A ausência de uma diferença significativa entre o número de riquétsias nos grupos dsPDI e controle poderia ser atribuída a um possível aumento na expressão de outras CDSs, compensando assim o silenciamento das CDSs AcajSigP-77638, Acaj-77698 e AcajSigP-76333. Nesse sentido, investigamos a expressão gênica das demais CDSs de PDI, AcajSigP-81727, AcajSigP-24920 e Acaj-72396, previamente identificadas no transcriptoma do carrapato A. sculptum. Porém, não foram observadas diferenças significativas na expressão das CDSs de PDI que não foram alvo de silenciamento, sugerindo a inexistência de um mecanismo de compensação. Com o propósito de confirmar os resultados previamente obtidos pelo nosso grupo de pesquisa, a expressão gênica da PDI Ambaur-64469 de A. aureolatum foi silenciada. Assim como anteriormente observado, o número de R. rickettsii foi significativamente maior nas glândulas salivares e no intestino dos carrapatos do grupo ds64469 em comparação com o grupo dsGFP (controle). Em conjunto, os resultados obtidos pelo presente estudo demonstram que as PDIs não estão associadas com o controle da infecção por R. rickettsii em células embrionárias de A. sculptum. Por outro lado, o silenciamento de apenas uma PDI é capaz de elevar os níveis de infecção de carrapatos A. aureolatum por R. rickettsii. Para confirmar que as PDIs, de fato, não exercem um efeito sobre a infecção de carrapatos A. sculptum por R. rickettsii, um experimento similar ao experimento realizado com A. aureolatum deverá ser conduzido. |
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