A experiência racial em HIV/Aids: racismo no tratamento e acesso ao cuidado em saúde

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Silva, Paulo Ricardo de Souza
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-24022026-182338/
Resumo: O estudo sobre a experiência racial relativa ao diagnóstico, tratamento e cuidado em HIV/Aids, conforme apresentado neste trabalho, parte de um objetivo de fundo quanto à necessidade de produção de dados atualizados e de renovação dos paradigmas vigentes para a compreensão das especificidades e dos desafios que enfrentamos na quinta década da epidemia. Nesse sentido, o estudo busca seu referenciamento em arcabouço teórico compatível com o percurso metodológico de produção de dados qualitativos, empreendido por meio do registro de áudio digital. Entre os meses de novembro de 2024 e fevereiro de 2025, foi possível conversar em profundidade com sete Pessoas Vivendo com HIV/Aids (PVHA), em diferentes zonas do município de São Paulo. Para cumprir objetivos de produção de dados qualitativos com base na ciência compreensiva, foram realizadas sessões individuais de entrevista semiestruturada com as/os participantes incluídas na amostra. O estudo teve por objetivo principal descrever, analisar e compreender os impactos do racismo e das iniquidades no acesso ao cuidado, incluindo as rotinas terapêuticas, discutidas no trabalho como rearranjos em acordo com as trajetórias pessoais que se desenvolvem no campo social. O instrumento utilizado na produção de dados narrativos condicionou o discurso dos/as participantes à caracterização descritiva, incluindo uma ampla variedade de elementos sociais, políticos, econômicos e de cuidados em saúde na experiência das PVHA entrevistadas, considerando as trajetórias singulares de vida, adoecimento e proximidade com a morte. Ao quadro desenhado ao longo deste trabalho, somam-se na experiência racial com HIV/Aids as tendências estruturais e forças difusas de adoecimento e compensação da vida no conjunto da população negra, frequentemente com as vidas negras sendo arrancadas do jardim com solo fértil, onde se desenvolviam. Constituiu-se neste trabalho uma amostra por conveniência, incluindo pessoas autodeclaradas negras (pretas ou pardas), com alinhamento de gênero cis e trans, e adultas (32-64 anos). Realizou-se a captação de participantes para o estudo nas entidades e organizações que promovem o cuidado para as PVHA, em contextos múltiplos. O trabalho voluntário nesses espaços de circulação de pessoas e ideias permitiu empreender uma verdadeira rotina de \"observação participante\", para o caráter sistemático da produção de dados por trabalho de campo de longa duração. Houve o desenvolvimento de trabalho voluntário nos movimentos sociais de aids em alguns dias na semana, por objetivo da convivência e mobilizar o conhecimento que advém das técnicas socioantropológicas de permanência e estabelecimento de relações pessoais como parte do percurso metodológico. Os resultados principais do trabalho convergem para a caracterização da experiência racial em HIV/Aids, a partir dos impactos do racismo na vida cotidiana e no cuidado das PVHA no município de São Paulo resultando a epidemia de HIV/Aids estabelecida como mecanismos da Necropolítica do Estado, sustentada pelo racismo, condicionando a raça como determinante.
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Entre os meses de novembro de 2024 e fevereiro de 2025, foi possível conversar em profundidade com sete Pessoas Vivendo com HIV/Aids (PVHA), em diferentes zonas do município de São Paulo. Para cumprir objetivos de produção de dados qualitativos com base na ciência compreensiva, foram realizadas sessões individuais de entrevista semiestruturada com as/os participantes incluídas na amostra. O estudo teve por objetivo principal descrever, analisar e compreender os impactos do racismo e das iniquidades no acesso ao cuidado, incluindo as rotinas terapêuticas, discutidas no trabalho como rearranjos em acordo com as trajetórias pessoais que se desenvolvem no campo social. O instrumento utilizado na produção de dados narrativos condicionou o discurso dos/as participantes à caracterização descritiva, incluindo uma ampla variedade de elementos sociais, políticos, econômicos e de cuidados em saúde na experiência das PVHA entrevistadas, considerando as trajetórias singulares de vida, adoecimento e proximidade com a morte. Ao quadro desenhado ao longo deste trabalho, somam-se na experiência racial com HIV/Aids as tendências estruturais e forças difusas de adoecimento e compensação da vida no conjunto da população negra, frequentemente com as vidas negras sendo arrancadas do jardim com solo fértil, onde se desenvolviam. Constituiu-se neste trabalho uma amostra por conveniência, incluindo pessoas autodeclaradas negras (pretas ou pardas), com alinhamento de gênero cis e trans, e adultas (32-64 anos). Realizou-se a captação de participantes para o estudo nas entidades e organizações que promovem o cuidado para as PVHA, em contextos múltiplos. O trabalho voluntário nesses espaços de circulação de pessoas e ideias permitiu empreender uma verdadeira rotina de \"observação participante\", para o caráter sistemático da produção de dados por trabalho de campo de longa duração. Houve o desenvolvimento de trabalho voluntário nos movimentos sociais de aids em alguns dias na semana, por objetivo da convivência e mobilizar o conhecimento que advém das técnicas socioantropológicas de permanência e estabelecimento de relações pessoais como parte do percurso metodológico. Os resultados principais do trabalho convergem para a caracterização da experiência racial em HIV/Aids, a partir dos impactos do racismo na vida cotidiana e no cuidado das PVHA no município de São Paulo resultando a epidemia de HIV/Aids estabelecida como mecanismos da Necropolítica do Estado, sustentada pelo racismo, condicionando a raça como determinante.The study on racial experience related to the diagnosis, treatment, and care of VIH/SIDA, as presented in this work, is based on a fundamental objective regarding the need for updated data production and the renewal of existing paradigms to understand the specificities and challenges we face in the fifth decade of the epidemic. In this sense, the study seeks its reference in a theoretical framework compatible with the methodological course of qualitative data production, undertaken thru digital audio recording. Between the months of November 2024 and February 2025, it was possible to have in-depth conversations with seven People Living with VIH/SIDA (PLWHA) in different areas of the municipality of São Paulo. To achieve the objectives of producing qualitative data based on comprehensive science, individual semi-structured interview sessions were conducted with the participants included in the sample. The main objective of the study was to describe, analyze, and understand the impacts of racism and inequities in access to care, including therapeutic routines, discussed in the work as rearrangements in accordance with personal trajectories that develop in the social field. The instrument used in the production of narrative data conditioned the participants\' discourse to descriptive characterization, including a wide variety of social, political, economic, and healthcare elements in the experience of the interviewed PLWHA, considering their unique life trajectories, illnesses, and proximity to death. To the framework drawn throughout this work, the structural trends and diffuse forces of illness and life compensation in the context of the Black population experiencing VIH/SIDA are added, often with Black lives being uprooted from the garden with fertile soil where they thrived. In this work, a convenience sample was constituted, including self-identified Black people (Black or Brown), with cis and trans gender alignment, and adults (32-64 years old). Participants for the study were recruited from entities and organizations that promote care for PLHIV, in multiple contexts. Volunteering in these spaces of circulation of people and ideas allowed for the undertaking of a true routine of \"participant observation,\" for the systematic nature of data production thru long-term fieldwork. There was the development of volunteer work in SIDA social movements on certain days of the week, with the aim of fostering coexistence and mobilizing the knowledge that comes from socio-anthropological techniques of permanence and the establishment of personal relationships as part of the methodological process. The main results of the work converge on the characterization of the racial experience in VIH/SIDA, based on the impacts of racism in everyday life and in the care of PLWHA in the municipality of São Paulo, resulting in the VIH/SIDA epidemic established as mechanisms of the State\'s Necropolitics, systematically intertwined with race interconnected with other markers of difference.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDias, Diego MadiSilva, Paulo Ricardo de Souza2025-12-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-24022026-182338/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-25T17:51:31Zoai:teses.usp.br:tde-24022026-182338Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-25T17:51:31Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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