Alterações metabólicas e de qualidade de vida com o uso de dexametasona pré-paclitaxel em pacientes com câncer de mama
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5155/tde-02042026-170312/ |
Resumo: | Objetivo: O tratamento de pacientes com diagnóstico de câncer de mama, no cenário com intenção curativa, baseia-se em drogas quimioterápicas como antraciclinas e taxanos. Alguns fármacos são utilizados como pré-tratamento com o objetivo de evitar efeitos colaterais durante e após a infusão dos quimioterápicos, como náuseas, vômitos e reações alérgicas imediatas, entre eles a dexametasona. No entanto, eventos adversos decorrentes da administração de corticosteroides são clinicamente evidentes nesses indivíduos. O objetivo desse estudo foi avaliar os impactos da omissão da dexametasona como pré-medicação após a segunda semana de quimioterapia com paclitaxel em pacientes com câncer de mama em cenário curativo. O estudo buscou identificar se essa abordagem poderia reduzir alterações metabólicas e melhorar a qualidade de vida, sem alterar os desfechos oncológicos, além de determinar a segurança da omissão e os marcadores de doenças inflamatórias. Pacientes e métodos: Estudo prospectivo, randomizado e não cego. Pacientes com câncer de mama com indicação de tratamento neoadjuvante e adjuvante com quimioterapia com AC-T modificado (doxorrubicina, ciclofosfamida e paclitaxel 100mg/m2 semanal) ou AC-TH (doxorrubicina, ciclofosfamida, paclitaxel semanal e trastuzumabe), foram randomizadas para o tratamento padrão, com dexametasona pré-taxano em todos os ciclos, e para o braço experimental, no qual a dexametasona foi omitida do preparo da pré-medicação após a segunda até a última aplicação do paclitaxel. Resultados: Recrutamos 86 pacientes, sendo 43 alocadas no braço padrão e 43 no braço experimental. Não houve diferença significativa entre os grupos em relação à recidiva da doença (p=0,79) ou mortalidade (p=0,92). Baseado no questionário EORTC-QLQ-C30, a fadiga foi intensa nos dois grupos, embora se apresentasse de menor intensidade no braço experimental. O grupo experimental também experimentou melhora na função física e social. O grupo experimental apresentou melhor estado emocional (p=0,03), redução nos sintomas de náuseas, vômitos e constipação (p=0,025) e dor de menor intensidade (p=0,025). Houve diminuição dos níveis de insulina no grupo experimental, sugerindo menor risco metabólico. Observou-se uma tendência de aumento de peso nas pacientes do grupo controle. Não ocorreu nenhuma reação de hipersensibilidade durante o tratamento, não houve nenhum evento adverso relatado no grupo experimental relacionado à retirada da dexametasona e nenhum óbito decorrente do tratamento ou por outras causas durante o recrutamento. Conclusão: A omissão de dexametasona mostrou-se segura, sem comprometer os desfechos oncológicos nessa população. Em pacientes do grupo experimental, houve melhora dos sintomas relacionados aos eventos adversos mais comuns durante a quimioterapia, principalmente os de origem gastrointestinal e dor. Além disso, os benefícios incluem menor impacto metabólico e antropométrico, bem como uma melhor qualidade de vida. A redução potencial da incidência de síndrome metabólica também parece plausível. Estudos adicionais com acompanhamento prolongado são necessários para confirmar e ampliar os achados. A segurança e a tolerabilidade a curto prazo deste regime justificam a sua utilização em populações maiores. |
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Alterações metabólicas e de qualidade de vida com o uso de dexametasona pré-paclitaxel em pacientes com câncer de mamaMetabolic and quality of life changes with the use of dexamethasone pre-paclitaxel in patients with breast cancerAlterações metabólicasBreast cancerCâncer de mamaCorticosteroidCorticosteroideDexametasonaDexamethasoneMetabolic changesObjetivo: O tratamento de pacientes com diagnóstico de câncer de mama, no cenário com intenção curativa, baseia-se em drogas quimioterápicas como antraciclinas e taxanos. Alguns fármacos são utilizados como pré-tratamento com o objetivo de evitar efeitos colaterais durante e após a infusão dos quimioterápicos, como náuseas, vômitos e reações alérgicas imediatas, entre eles a dexametasona. No entanto, eventos adversos decorrentes da administração de corticosteroides são clinicamente evidentes nesses indivíduos. O objetivo desse estudo foi avaliar os impactos da omissão da dexametasona como pré-medicação após a segunda semana de quimioterapia com paclitaxel em pacientes com câncer de mama em cenário curativo. O estudo buscou identificar se essa abordagem poderia reduzir alterações metabólicas e melhorar a qualidade de vida, sem alterar os desfechos oncológicos, além de determinar a segurança da omissão e os marcadores de doenças inflamatórias. Pacientes e métodos: Estudo prospectivo, randomizado e não cego. Pacientes com câncer de mama com indicação de tratamento neoadjuvante e adjuvante com quimioterapia com AC-T modificado (doxorrubicina, ciclofosfamida e paclitaxel 100mg/m2 semanal) ou AC-TH (doxorrubicina, ciclofosfamida, paclitaxel semanal e trastuzumabe), foram randomizadas para o tratamento padrão, com dexametasona pré-taxano em todos os ciclos, e para o braço experimental, no qual a dexametasona foi omitida do preparo da pré-medicação após a segunda até a última aplicação do paclitaxel. Resultados: Recrutamos 86 pacientes, sendo 43 alocadas no braço padrão e 43 no braço experimental. Não houve diferença significativa entre os grupos em relação à recidiva da doença (p=0,79) ou mortalidade (p=0,92). Baseado no questionário EORTC-QLQ-C30, a fadiga foi intensa nos dois grupos, embora se apresentasse de menor intensidade no braço experimental. O grupo experimental também experimentou melhora na função física e social. O grupo experimental apresentou melhor estado emocional (p=0,03), redução nos sintomas de náuseas, vômitos e constipação (p=0,025) e dor de menor intensidade (p=0,025). Houve diminuição dos níveis de insulina no grupo experimental, sugerindo menor risco metabólico. Observou-se uma tendência de aumento de peso nas pacientes do grupo controle. Não ocorreu nenhuma reação de hipersensibilidade durante o tratamento, não houve nenhum evento adverso relatado no grupo experimental relacionado à retirada da dexametasona e nenhum óbito decorrente do tratamento ou por outras causas durante o recrutamento. Conclusão: A omissão de dexametasona mostrou-se segura, sem comprometer os desfechos oncológicos nessa população. Em pacientes do grupo experimental, houve melhora dos sintomas relacionados aos eventos adversos mais comuns durante a quimioterapia, principalmente os de origem gastrointestinal e dor. Além disso, os benefícios incluem menor impacto metabólico e antropométrico, bem como uma melhor qualidade de vida. A redução potencial da incidência de síndrome metabólica também parece plausível. Estudos adicionais com acompanhamento prolongado são necessários para confirmar e ampliar os achados. A segurança e a tolerabilidade a curto prazo deste regime justificam a sua utilização em populações maiores.Objective: Breast cancer treatment in curative settings typically involves chemotherapy agents such as anthracyclines and taxanes. Pre-medications, including dexamethasone, are used to mitigate adverse effects like nausea, vomiting, and allergic reactions associated with chemotherapy. However, the high dose of corticosteroids, such as dexamethasone, can lead to significant side effects in patients. This study aimed to evaluate the impacts of omitting dexamethasone as pre-medication after the second week of chemotherapy with paclitaxel in breast cancer patients in a curative scenario. The study sought to determine if this approach could reduce metabolic alterations and improve the patients\' quality of life without altering oncological outcomes, as well as assess the safety of the omission and identify inflammatory disease markers. Methods: A prospective, randomized, non-blind study was conducted on patients with breast cancer undergoing neoadjuvant and adjuvant chemotherapy with AC-T (doxorubicin, cyclophosphamide, and weekly paclitaxel) with or without trastuzumab. Patients were randomized into two groups: one receiving standard treatment with dexamethasone premedication throughout all cycles, and the other with dexamethasone pre-medication omitted after the second to the last paclitaxel application. Results: We recruited 86 patients, 43 allocated to the standard arm and 43 to the experimental arm. There was no significant difference between groups in disease recurrence (p=0.79) or mortality (p=0.92). Based on the EORTC-QLQ-C30 questionnaire, fatigue was worse in both groups, although it was less severe in the experimental arm. Physical and social function improved in the experimental group. The experimental group showed a better emotional state (p=0.03), reduced symptoms of nausea, vomiting, and constipation (p=0.025), and less pain increase (p=0.025). A decrease in insulin levels was observed in the experimental group, suggesting lower metabolic risk. Patients in the standard group showed a tendency toward weight gain. No hypersensitivity reactions occurred during treatment, no adverse events related to the omission of dexamethasone were reported in the experimental group, and no deaths due to treatment or other causes were observed during the recruitment period. Conclusion: The omission of dexamethasone proved to be safe without compromising oncological outcomes. In the experimental group, it alleviated symptoms related to common adverse events during chemotherapy, particularly gastrointestinal symptoms and pain. Additionally, the benefits included reduced metabolic and anthropometric impacts and improved quality of life. The potential reduction in the incidence of metabolic syndrome also appears plausible. Further studies with prolonged follow-up are necessary to confirm and expand upon these findings. The short-term safety and tolerability of this regimen supports its application in larger populations.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDiz, Maria Del Pilar EstevezScontre, Vanessa Armenio2025-05-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5155/tde-02042026-170312/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-04-07T19:36:02Zoai:teses.usp.br:tde-02042026-170312Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-07T19:36:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Objetivo: O tratamento de pacientes com diagnóstico de câncer de mama, no cenário com intenção curativa, baseia-se em drogas quimioterápicas como antraciclinas e taxanos. Alguns fármacos são utilizados como pré-tratamento com o objetivo de evitar efeitos colaterais durante e após a infusão dos quimioterápicos, como náuseas, vômitos e reações alérgicas imediatas, entre eles a dexametasona. No entanto, eventos adversos decorrentes da administração de corticosteroides são clinicamente evidentes nesses indivíduos. O objetivo desse estudo foi avaliar os impactos da omissão da dexametasona como pré-medicação após a segunda semana de quimioterapia com paclitaxel em pacientes com câncer de mama em cenário curativo. O estudo buscou identificar se essa abordagem poderia reduzir alterações metabólicas e melhorar a qualidade de vida, sem alterar os desfechos oncológicos, além de determinar a segurança da omissão e os marcadores de doenças inflamatórias. Pacientes e métodos: Estudo prospectivo, randomizado e não cego. Pacientes com câncer de mama com indicação de tratamento neoadjuvante e adjuvante com quimioterapia com AC-T modificado (doxorrubicina, ciclofosfamida e paclitaxel 100mg/m2 semanal) ou AC-TH (doxorrubicina, ciclofosfamida, paclitaxel semanal e trastuzumabe), foram randomizadas para o tratamento padrão, com dexametasona pré-taxano em todos os ciclos, e para o braço experimental, no qual a dexametasona foi omitida do preparo da pré-medicação após a segunda até a última aplicação do paclitaxel. Resultados: Recrutamos 86 pacientes, sendo 43 alocadas no braço padrão e 43 no braço experimental. Não houve diferença significativa entre os grupos em relação à recidiva da doença (p=0,79) ou mortalidade (p=0,92). Baseado no questionário EORTC-QLQ-C30, a fadiga foi intensa nos dois grupos, embora se apresentasse de menor intensidade no braço experimental. O grupo experimental também experimentou melhora na função física e social. O grupo experimental apresentou melhor estado emocional (p=0,03), redução nos sintomas de náuseas, vômitos e constipação (p=0,025) e dor de menor intensidade (p=0,025). Houve diminuição dos níveis de insulina no grupo experimental, sugerindo menor risco metabólico. Observou-se uma tendência de aumento de peso nas pacientes do grupo controle. Não ocorreu nenhuma reação de hipersensibilidade durante o tratamento, não houve nenhum evento adverso relatado no grupo experimental relacionado à retirada da dexametasona e nenhum óbito decorrente do tratamento ou por outras causas durante o recrutamento. Conclusão: A omissão de dexametasona mostrou-se segura, sem comprometer os desfechos oncológicos nessa população. Em pacientes do grupo experimental, houve melhora dos sintomas relacionados aos eventos adversos mais comuns durante a quimioterapia, principalmente os de origem gastrointestinal e dor. Além disso, os benefícios incluem menor impacto metabólico e antropométrico, bem como uma melhor qualidade de vida. A redução potencial da incidência de síndrome metabólica também parece plausível. Estudos adicionais com acompanhamento prolongado são necessários para confirmar e ampliar os achados. A segurança e a tolerabilidade a curto prazo deste regime justificam a sua utilização em populações maiores. |
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