Tradução da poesia Tang no Brasil: a questão da forma na teoria e na prática

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Chen, Chen
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8165/tde-05032026-110255/
Resumo: A poesia Tang tem sido uma janela através da qual estrangeiros se aproximam da cultura e do povo chineses e os entendem. Enquanto no mundo de língua inglesa e francesa já existe uma tradição contínua de vários séculos de tradução dos clássicos chineses, as primeiras traduções da poesia clássica em língua portuguesa apareceram somente nas últimas décadas do século XIX, com o lançamento da antologia Phalenas (1870), de Machado de Assis. Em 1996, outra antologia, Li Po e Tu Fu: Poemas Chineses, traduzida pela poetisa Cecília Meireles, foi publicada e, no mesmo ano, o poeta concretista brasileiro Haroldo de Campos lançou sua coletânea de poesia chinesa, Escrito sobre jade. Cerca de uma década e meia depois, Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao publicaram a Antologia da Poesia Clássica Chinesas Dinastia Tang (2013). Leituras analíticas das traduções contidas nas quatro principais coletâneas brasileiras acima mencionadas tornam evidente uma questão eminente: todas as traduções diretas, que, segundo os próprios tradutores, são mais adequadamente definidas como transcriações e recriações, parecem destacar a dicotomia de conteúdo/sentido e forma e valorizam desproporcionalmente esta última. Este trabalho tem como objetivo central investigar a questão da forma presente nas traduções brasileiras da poesia Tang, tomando como corpus essas quatro coletâneas, a partir de dois aspectos, nomeadamente, a teoria e a prática. Para tanto, examinamos, primeiramente, o status quo da tradução da poesia Tang na comunidade tradutória brasileira, por meio de leituras textuais analíticas. Esse exame analítico e crítico revelou que o fenômeno de valorização quase extrema da forma poética existe devido à alta uniformidade dos recursos teóricos utilizados pelos tradutores brasileiros. Em segundo lugar, procuramos entender a origem e o conteúdo das teorias de tradução que mais influenciaram os tradutores brasileiros principalmente, a poundiana, a formalista russa e a jakobsoniana e discutimos a questionável aplicabilidade dessas teorias às atividades de tradução da poesia clássica chinesa no Brasil atual. Em seguida, a fim de fornecer bases factuais e históricas mais sólidas para as conclusões tiradas na discussão teórica, partindo da perspectiva da prática, aprofundamo-nos na língua chinesa e na poesia Tang e avaliamos a problemática validade da decisão de supervalorização da forma poética nas atividades de tradução propriamente dita. Nas considerações finais, concluímos que, nos textos de chegada impregnados de elementos formais indicativos de conceitos ocidentais modernos, tais como literariedade e estranhamento, o que o leitor brasileiro lê não é, certamente, o português que está acostumado a falar no cotidiano, mas, também, muito provavelmente, não é a poesia clássica chinesa, mas uma série repetida de práticas e exemplos de aplicação de técnicas de criação ou teorias poéticas com as quais ele provavelmente já está bem familiarizado, lendo a poesia brasileira existente desde o movimento modernista brasileiro. Como resultado, em vez de ajudar a aproximar os leitores brasileiros da poesia clássica e da cultura tradicional chinesas, essas traduções vão, provavelmente, aprofundar e reforçar mais ainda a identificação dos leitores ocidentais com as atuais teorias e críticas literárias dominantes do seu próprio ambiente cultural e linguístico
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Em 1996, outra antologia, Li Po e Tu Fu: Poemas Chineses, traduzida pela poetisa Cecília Meireles, foi publicada e, no mesmo ano, o poeta concretista brasileiro Haroldo de Campos lançou sua coletânea de poesia chinesa, Escrito sobre jade. Cerca de uma década e meia depois, Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao publicaram a Antologia da Poesia Clássica Chinesas Dinastia Tang (2013). Leituras analíticas das traduções contidas nas quatro principais coletâneas brasileiras acima mencionadas tornam evidente uma questão eminente: todas as traduções diretas, que, segundo os próprios tradutores, são mais adequadamente definidas como transcriações e recriações, parecem destacar a dicotomia de conteúdo/sentido e forma e valorizam desproporcionalmente esta última. Este trabalho tem como objetivo central investigar a questão da forma presente nas traduções brasileiras da poesia Tang, tomando como corpus essas quatro coletâneas, a partir de dois aspectos, nomeadamente, a teoria e a prática. Para tanto, examinamos, primeiramente, o status quo da tradução da poesia Tang na comunidade tradutória brasileira, por meio de leituras textuais analíticas. Esse exame analítico e crítico revelou que o fenômeno de valorização quase extrema da forma poética existe devido à alta uniformidade dos recursos teóricos utilizados pelos tradutores brasileiros. Em segundo lugar, procuramos entender a origem e o conteúdo das teorias de tradução que mais influenciaram os tradutores brasileiros principalmente, a poundiana, a formalista russa e a jakobsoniana e discutimos a questionável aplicabilidade dessas teorias às atividades de tradução da poesia clássica chinesa no Brasil atual. Em seguida, a fim de fornecer bases factuais e históricas mais sólidas para as conclusões tiradas na discussão teórica, partindo da perspectiva da prática, aprofundamo-nos na língua chinesa e na poesia Tang e avaliamos a problemática validade da decisão de supervalorização da forma poética nas atividades de tradução propriamente dita. Nas considerações finais, concluímos que, nos textos de chegada impregnados de elementos formais indicativos de conceitos ocidentais modernos, tais como literariedade e estranhamento, o que o leitor brasileiro lê não é, certamente, o português que está acostumado a falar no cotidiano, mas, também, muito provavelmente, não é a poesia clássica chinesa, mas uma série repetida de práticas e exemplos de aplicação de técnicas de criação ou teorias poéticas com as quais ele provavelmente já está bem familiarizado, lendo a poesia brasileira existente desde o movimento modernista brasileiro. Como resultado, em vez de ajudar a aproximar os leitores brasileiros da poesia clássica e da cultura tradicional chinesas, essas traduções vão, provavelmente, aprofundar e reforçar mais ainda a identificação dos leitores ocidentais com as atuais teorias e críticas literárias dominantes do seu próprio ambiente cultural e linguísticoTang poetry has been a window through which foreigners approach and understand Chinese culture and people. While the English- and French-speaking worlds have a centuries-long tradition of translating Chinese classics, the first translations of Chinese classical poetry into Portuguese appeared only in the last decades of the 19th century with the publication of Machado de Assis\'s anthology, Phalenas (1870). In 1996, another anthology, Li Po e Tu Fu: Poemas Chineses, translated by poet Cecília Meireles, was published, and in the same year, Brazilian concrete poet Haroldo de Campos released his collection of Chinese poetry, Escrito sobre jade. About a decade and a half later, Ricardo Primo Portugal and Tan Xiao published their Antologia da Poesia Clássica Chinesas Dinastia Tang (2013). Analytical readings of the translations contained in the four main Brazilian collections mentioned above, make a pressing issue quite clear: all direct translations, which, according to the translators themselves, are more appropriately defined as transcriações and recriações, seem to emphasize the dichotomy of content/meaning and form, disproportionately valuing the latter. This studys central objective is to investigate the issue of form present in Brazilian translations of Tang poetry, taking these four collections as a corpus, from two perspectives: theory and practice. To this end, we first examine the status quo of Tang poetry translation within the Brazilian translation community through analytical textual readings. This analytical and critical examination revealed that the phenomenon of an almost extreme valorization of poetic form exists due to the high uniformity of the theoretical resources used by Brazilian translators. Second, we sought to understand the origin and content of the translation theories that most influenced Brazilian translatorsprimarily Poundian, Russian Formalist and Jakobsonianand discussed the questionable applicability of these theories to the translation of classical Chinese poetry in Brazil today. Next, to provide a more solid factual and historical basis for the conclusions drawn in the theoretical discussion, we delved deeper into the Chinese language and Tang poetry and evaluated the problematic validity of the decision to overvalue poetic form in translation activities per se. In our final considerations, based on a brief comparison between Chinese and Western literary traditions and the different definitions given to poetry by the two traditions, we conclude that, in the target texts imbued with formal elements indicative of modern Western concepts, such as literariness and strangeness, what Brazilian readers read is certainly not the Portuguese they are accustomed to seeing in everyday life. However, it is also very likely not classical Chinese poetry. What they read is probably a repeated series of practices and examples of the application of creative techniques or poetic theories with which they are likely already well acquainted, having read Brazilian poetry since the Brazilian modernist movement. As a result, rather than helping to bring Brazilian readers closer to classical poetry and traditional culture of China, these translations will likely deepen and further reinforce Western readers identification with the current dominant literary theories and criticisms of their own cultural and linguistic environmentBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPNavarro, Eduardo de AlmeidaChen, Chen2025-11-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8165/tde-05032026-110255/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-05T14:09:06Zoai:teses.usp.br:tde-05032026-110255Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-05T14:09:06Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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