Negócio jurídico normativo : estrutura, espécies e âmbito operativo
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde-10062024-150839/ |
Resumo: | A autonomia privada consiste em poder atribuído aos sujeitos de direito de autorregrarem seus interesses. Dentre os interesses jurídicos aptos a serem regrados, pode-se vislumbrar que a própria autonomia privada se afigura, em tese, como interesse apto a ser objeto de regulação. Nessa perspectiva, os particulares estariam autorizados a delimitar negocialmente o âmbito de manifestação de seu poder de autorregramento, seja para estruturar previamente seu conteúdo, seja para impor o seu exercício ou ainda para restringi-lo. Os negócios jurídicos com esse objeto têm sido nomeados de negócios jurídicos normativos. Embora semelhantes manifestações negociais não sejam recentes, remontando ao Direito romano, não se constata haver, até hoje, sistematizações compreensivas da categoria, as quais enumerem as suas principais tipologias e indiquem o regime jurídico comum que lhes é aplicável. Busca-se, nesse trabalho, suprir essas deficiências, o que é realizado mediante consulta a obras doutrinárias e julgados que se ocupam dos negócios jurídicos normativos no direito brasileiro e estrangeiro. Para alcançar tais objetivos, o trabalho é dividido em três partes, as quais se subdividem em sete capítulos no total. A primeira parte da obra foi dedicada à análise da estrutura da categoria dos negócios jurídicos normativos. No primeiro capítulo, foram identificados parâmetros para a delimitação conceitual da categoria, definindo-se negócio jurídico normativo como todo aquele cujo objeto é a regulação da autonomia privada dos sujeitos de direito que neles figuram mediante direcionamento das futuras manifestações deste poder. No segundo capítulo, estudou-se o estado da arte da matéria no Direito estrangeiro e nacional, sendo apresentadas as principais questões controvertidas em seu âmbito. A segunda parte foi dedicada ao estudo dos negócios jurídicos normativos em espécie. No terceiro capítulo, foram investigadas as espécies cujo escopo é a modulação do conteúdo das manifestações de autonomia privada, a exemplo das condições gerais dos contratos, dos acordos coletivos e dos contratos-quadro. No quarto capítulo, foram examinadas as espécies destinadas a impor o exercício da autonomia privada, com especial enfoque aos contratos preliminares. No quinto capítulo, foram analisadas as espécies da categoria que promovem a restrição do exercício futuro da autonomia privada das partes. A terceira parte se dedicou ao estudo do âmbito operativo dos negócios jurídicos normativos, notadamente de seus limites e das modificações negociais do âmbito de competência dos particulares admitidas na ordem jurídica brasileira. No sexto capítulo, foram avaliados quais são os limites dos negócios jurídicos normativos, havendo sido proposta uma metodologia para avaliar em cada caso concreto se o negócio jurídico normativo promove ou não uma restrição insuportável ao exercício da autonomia privada. No sétimo capítulo, foram observadas as hipóteses em que a ordem jurídica brasileira admite a atribuição de uma eficácia constitutiva aos negócios jurídicos normativos, havendo se concluído que essa dimensão de efeitos apenas é admitida quando há expressa autorização da ordem jurídica. |
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Negócio jurídico normativo : estrutura, espécies e âmbito operativoThe normative juridical act : structure, species, and scope of application.Condições gerais dos contratosContratos normativosContratos-quadroMaster agreementNegócios jurídicos normativosNormative agreementsNormative juridical actsPactum de non cedendoPactum de non cedendoStandard form contractsA autonomia privada consiste em poder atribuído aos sujeitos de direito de autorregrarem seus interesses. Dentre os interesses jurídicos aptos a serem regrados, pode-se vislumbrar que a própria autonomia privada se afigura, em tese, como interesse apto a ser objeto de regulação. Nessa perspectiva, os particulares estariam autorizados a delimitar negocialmente o âmbito de manifestação de seu poder de autorregramento, seja para estruturar previamente seu conteúdo, seja para impor o seu exercício ou ainda para restringi-lo. Os negócios jurídicos com esse objeto têm sido nomeados de negócios jurídicos normativos. Embora semelhantes manifestações negociais não sejam recentes, remontando ao Direito romano, não se constata haver, até hoje, sistematizações compreensivas da categoria, as quais enumerem as suas principais tipologias e indiquem o regime jurídico comum que lhes é aplicável. Busca-se, nesse trabalho, suprir essas deficiências, o que é realizado mediante consulta a obras doutrinárias e julgados que se ocupam dos negócios jurídicos normativos no direito brasileiro e estrangeiro. Para alcançar tais objetivos, o trabalho é dividido em três partes, as quais se subdividem em sete capítulos no total. A primeira parte da obra foi dedicada à análise da estrutura da categoria dos negócios jurídicos normativos. No primeiro capítulo, foram identificados parâmetros para a delimitação conceitual da categoria, definindo-se negócio jurídico normativo como todo aquele cujo objeto é a regulação da autonomia privada dos sujeitos de direito que neles figuram mediante direcionamento das futuras manifestações deste poder. No segundo capítulo, estudou-se o estado da arte da matéria no Direito estrangeiro e nacional, sendo apresentadas as principais questões controvertidas em seu âmbito. A segunda parte foi dedicada ao estudo dos negócios jurídicos normativos em espécie. No terceiro capítulo, foram investigadas as espécies cujo escopo é a modulação do conteúdo das manifestações de autonomia privada, a exemplo das condições gerais dos contratos, dos acordos coletivos e dos contratos-quadro. No quarto capítulo, foram examinadas as espécies destinadas a impor o exercício da autonomia privada, com especial enfoque aos contratos preliminares. No quinto capítulo, foram analisadas as espécies da categoria que promovem a restrição do exercício futuro da autonomia privada das partes. A terceira parte se dedicou ao estudo do âmbito operativo dos negócios jurídicos normativos, notadamente de seus limites e das modificações negociais do âmbito de competência dos particulares admitidas na ordem jurídica brasileira. No sexto capítulo, foram avaliados quais são os limites dos negócios jurídicos normativos, havendo sido proposta uma metodologia para avaliar em cada caso concreto se o negócio jurídico normativo promove ou não uma restrição insuportável ao exercício da autonomia privada. No sétimo capítulo, foram observadas as hipóteses em que a ordem jurídica brasileira admite a atribuição de uma eficácia constitutiva aos negócios jurídicos normativos, havendo se concluído que essa dimensão de efeitos apenas é admitida quando há expressa autorização da ordem jurídica.Private autonomy consists of the power attributed to subjects to regulate their interests. Among the legal interests capable of being regulated, one can envision that private autonomy itself appears, in theory, as an interest capable of being the object of regulation. From this perspective, individuals would be authorized to negotiate the scope of expression of their self-regulating power, either to structure its content in advance, or to impose its exercise or even to restrict it. The juridical acts with this object have been named normative juridical acts. Although similar juridical acts are not recent, dating back to Roman law, there are no comprehensive systematizations of the category, which list its main typologies and indicate the common legal regime that is applicable to them. The objective of this work is to overcome these deficiencies, which is done through bibliographical consultation and judicial precedents that deal with normative legal transactions in Brazilian and foreign law. To achieve these objectives, the work is divided into three parts, which are subdivided into seven chapters in total. The first part of the work was dedicated to the analysis of the structure of the category of normative legal transactions. In the first chapter, parameters for the conceptual delimitation of the category were identified. Normative juridical acts were defined as all those whose object is the regulation of the private autonomy of their parties, regulating the future expressions of that power. In the second chapter, the state of the art of the matter in foreign and national law was studied, presenting the main controversial issues in its scope. The second part was devoted to the study of the types of normative juridical acts. In the third chapter, the species whose scope is the modulation of the content of manifestations of private autonomy were investigated, such as standard form contracts, collective agreements, and master agreements. In the fourth chapter, the species destined to impose the exercise of private autonomy were examined, with special focus on preliminary contracts. In the fifth chapter, the species of the category that promote the restriction of the future exercise of the private autonomy of the parties were analyzed. The third part was dedicated to the study of the operative scope of normative juridical acts, notably their limits and the cases in which the Brazilian legal system allows the normative juridical act to modify the scope of effects of a person\'s private autonomy. In the sixth chapter, the limits of normative juridical acts were evaluated, having proposed a methodology to assess in each specific case whether or not normative juridical acts cause an unbearable restriction on the exercise of private autonomy. In the seventh chapter, the hypotheses were observed in which the Brazilian legal order admits that the normative juridical act modifies the scope of production of effects of a person\'s private autonomy. It was concluded that this type of effect is only admitted when there is express authorization from the legal system.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPZanetti, Cristiano de SousaMendes, Davi Guimarães2024-03-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde-10062024-150839/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-23T16:39:02Zoai:teses.usp.br:tde-10062024-150839Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-23T16:39:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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