Participação política de mulheres em processos de paz. As Resoluções do Conselho de Segurança da ONU em perspectiva comparada

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Moura, Laura Dantas de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/101/101131/tde-17112025-194006/
Resumo: Esta dissertação tem como objetivo estudar a participação política de mulheres em processos de paz, após a instituição da Resolução 1325 do Conselho de Segurança da ONU. Essa resolução inaugura uma série de normas aprovadas pelo Conselho a respeito do tópico Mulheres, Paz e Segurança. Assim, o tema passa a ser foco e responsabilidade do Conselho, da organização e de seus países membros, e condutor para todas as missões de paz gerenciadas pela ONU. A importância deste se dá não apenas devido a composição demográfica pós-conflito, que tende para uma maioria de mulheres, mas também devido a ligações diretas entre status social e político das mulheres e causas do conflito. Ademais, as divisões sociais de gênero fazem com que o imaginário coletivo identifique mulheres apenas como vítimas do conflito, por vez oferecendo-as proteção, mas negligenciando mulheres que contribuíram para o conflito, direta ou indiretamente, e suas motivações. As Resoluções do Conselho abordam tanto tópicos de proteção de mulheres, quanto de empoderamento para que, na teoria, mulheres conquistem espaço político e a transição para a paz seja construída de forma mais igualitária do que o cenário anterior. Para verificar se as Resoluções alcançaram o resultado desejado, foram coletados dados referentes a cada uma das 11 Resoluções sobre o tema, além de estudo de 3 casos, verificando a aplicabilidade das mesmas. Assim, foi produzida process tracing dos casos de Ruanda, país receptor da Missão UNAMIR, que ocorreu entre 1993 e 1995, anterior a adoção da Resolução 1325; Timor Leste, receptor da Missão UNMISET, de 1002 a 2005, posterior a adoção da Resolução 1325, mas anterior as demais resoluções; e por último, Mali, receptor da Missão MINUSMA, realizada de 2013 a 2023, após a adoção de múltiplas resoluções sobre o tema e com demais resoluções sendo aprovadas durante o período de vigência do mandato. Foram utilizados também dados relativos a participação de mulheres nos conflitos e nos processos de paz, efetivas contribuições destas para o processo e situação atual do status político de mulheres nos países, sobretudo relativo a ocupação de cargos no parlamento e ministérios. Ao fim da pesquisa, verificou-se que as resoluções guiam as ações das Nações Unidas e das Missões, além de oferecerem respaldo político para mulheres que lutam pelo seu lugar nos processos. Contudo a forma que a organização as coloca em prática fica aquém do esperado. A tímida melhora do status político das mulheres tem também como obstáculo a aceitação da retórica de igualdade dos países receptores, uma vez que a população local que conduz e tem propriedade sob o processo, optando pela receptividade, negligência, hostilidade, ou oposição a participação das mulheres. Por fim, conclui-se que a agenda de Mulheres, Paz e Segurança é um trabalho em andamento, sendo então necessário que a comunidade acadêmica continue estudando sua aplicação para contribuir com sua construção.
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A importância deste se dá não apenas devido a composição demográfica pós-conflito, que tende para uma maioria de mulheres, mas também devido a ligações diretas entre status social e político das mulheres e causas do conflito. Ademais, as divisões sociais de gênero fazem com que o imaginário coletivo identifique mulheres apenas como vítimas do conflito, por vez oferecendo-as proteção, mas negligenciando mulheres que contribuíram para o conflito, direta ou indiretamente, e suas motivações. As Resoluções do Conselho abordam tanto tópicos de proteção de mulheres, quanto de empoderamento para que, na teoria, mulheres conquistem espaço político e a transição para a paz seja construída de forma mais igualitária do que o cenário anterior. Para verificar se as Resoluções alcançaram o resultado desejado, foram coletados dados referentes a cada uma das 11 Resoluções sobre o tema, além de estudo de 3 casos, verificando a aplicabilidade das mesmas. Assim, foi produzida process tracing dos casos de Ruanda, país receptor da Missão UNAMIR, que ocorreu entre 1993 e 1995, anterior a adoção da Resolução 1325; Timor Leste, receptor da Missão UNMISET, de 1002 a 2005, posterior a adoção da Resolução 1325, mas anterior as demais resoluções; e por último, Mali, receptor da Missão MINUSMA, realizada de 2013 a 2023, após a adoção de múltiplas resoluções sobre o tema e com demais resoluções sendo aprovadas durante o período de vigência do mandato. Foram utilizados também dados relativos a participação de mulheres nos conflitos e nos processos de paz, efetivas contribuições destas para o processo e situação atual do status político de mulheres nos países, sobretudo relativo a ocupação de cargos no parlamento e ministérios. Ao fim da pesquisa, verificou-se que as resoluções guiam as ações das Nações Unidas e das Missões, além de oferecerem respaldo político para mulheres que lutam pelo seu lugar nos processos. Contudo a forma que a organização as coloca em prática fica aquém do esperado. A tímida melhora do status político das mulheres tem também como obstáculo a aceitação da retórica de igualdade dos países receptores, uma vez que a população local que conduz e tem propriedade sob o processo, optando pela receptividade, negligência, hostilidade, ou oposição a participação das mulheres. Por fim, conclui-se que a agenda de Mulheres, Paz e Segurança é um trabalho em andamento, sendo então necessário que a comunidade acadêmica continue estudando sua aplicação para contribuir com sua construção.This dissertation aims to study the political participation of women in peace processes following the establishment of UN Security Council Resolution 1325. This resolution inaugurates a series of norms approved by the Council regarding the topic of Women, Peace, and Security. Thus, the issue becomes a focus and responsibility of the Council, the organization, and its member states, serving as a guiding principle for all UN-managed peace missions. The importance of this topic arises not only from the post-conflict demographic composition, which tends to have a majority of women, but also from the direct links between the social and political status of women and the causes of conflict. Moreover, gendered social divisions lead the collective imagination to perceive women solely as victims of conflict, at times offering them protection but neglecting women who contributed to the conflict, directly or indirectly, along with their motivations. The Council\'s resolutions address both the protection of women and their empowerment, theoretically enabling them to gain political space and ensuring that the transition to peace is built more equitably than the previous scenario. To verify whether the resolutions achieved the desired outcome, data was collected regarding each of the 11 resolutions on the topic, in addition to the study of three cases, assessing their applicability. Thus, process tracing was conducted for the cases of Rwanda, which hosted the UNAMIR mission between 1993 and 1995, prior to the adoption of Resolution 1325; Timor-Leste, which hosted the UNMISET mission from 2002 to 2005, after the adoption of Resolution 1325 but before the subsequent resolutions; and finally, Mali, which hosted the MINUSMA mission from 2013 to 2023, after the adoption of multiple resolutions on the topic and with additional resolutions being approved during the mission\'s mandate. Data on womens participation in conflicts and peace processes, their actual contributions, and the current political status of women in these countries were also used, particularly regarding their representation in parliament and ministries. At the end of the research, it was found that the resolutions guide UN actions and missions while also providing political backing for women fighting for their place in these processes. However, the way the organization implements them falls short of expectations. The modest improvement in women\'s political status also faces obstacles due to the acceptance of gender equality rhetoric by host countries, as it is ultimately the local population that leads and owns the process, choosing to be receptive, negligent, hostile, or opposed to women\'s participation. Finally, it is concluded that the Women, Peace, and Security agenda is a work in progress, making it necessary for the academic community to continue studying its implementation to contribute to its development.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPOnuki, JaninaMoura, Laura Dantas de2025-09-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/101/101131/tde-17112025-194006/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-10T15:38:02Zoai:teses.usp.br:tde-17112025-194006Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-10T15:38:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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