Saúde mental global - sintomas emocionais em crianças e adolescentes frente à pandemia COVID-19: estudo observacional e ensaio controlado randomizado testando intervenção por tele-atendimento
| Ano de defesa: | 2024 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-18062025-155315/ |
Resumo: | Saúde mental global é um tema que vem ganhando maior atenção da comunidade nos últimos anos, mas que ainda apresenta muitas lacunas, principalmente no que refere a países de renda média ou baixa e à saúde mental de crianças e adolescentes. Esses países possuem, em geral, redes de suporte à saúde mental mais precárias e sobrecarregadas, e a falta de conhecimento é mais um dos fatores que dificulta a mudança dessa situação. Isso os torna ainda mais vulneráveis a crises humanitárias, como foi a pandemia do coronavírus-19. Para analisar essas lacunas no conhecimento e endereçá-las, a presente tese foi realizada, composta de artigos científicos. O primeiro artigo traz dados de um levantamento de sintomas emocionais realizado entre junho de 2020 e junho de 2021 com 5795 crianças e adolescentes brasileiros (idade média de 10,7 anos, desvio padrão [DP] 3,63; 50,5% do sexo masculino). As prevalências ponderadas de sintomas de ansiedade, depressão, e de sintomas emocionais totais foram de 29,7%, 36,1% e 36%, respectivamente. Destes participantes, 3221 (55,6%) participaram do acompanhamento longitudinal, em que foram encontradas flutuações nos níveis sintomáticos, em paralelo a fatores como variações nas taxas de mortalidade pela pandemia e de grau de restrições impostas. Fatores como sentimento de solidão, idade, diagnóstico prédio de transtornos mentais ou de neurodesenvolvimento, exposição prévia a eventos traumáticos ou maus tratos, psicopatologia parental e alterações de sono estiveram associados a maiores níveis de psicopatologia. O segundo e o terceiro artigos trazem, respectivamente, o protocolo e os resultados de um ensaio clínico randomizado único cego que avaliou a eficácia de uma intervenção cognitivo-comportamental breve (5 sessões) e remota (realizada por videoconferência) em reduzir sintomas emocionais em crianças e adolescentes de 8 a 17 anos, comparado a uma intervenção psicoeducativa. Participaram 280 jovens (idade média de 12 anos, DP 2,51), acompanhados de um cuidador. A intervenção cognitivocomportamental esteve associada a uma maior redução nos sintomas emocionais totais nas crianças e adolescentes (diferença padronizada das médias [DPM]=0,25, IC95% 0,05- 0,44, na versão reportada pelas crianças, e DPM=0,25, IC95% 0,03- 0·40, na versão reportada pelos cuidadores), assim como sintomas ansiosos (DPM=0,28, IC95% CI 0,09- 0·47 na versão reportada pelas crianças, e DPM=0,21, IC95% 0,02- 0,40, na versão reportada pelos cuidadores), ao final do tratamento. No seguimento de um mês, os efeitos iniciais se mantiveram, e ficou evidente uma maior redução também nos sintomas depressivos no primeiro grupo. A intervenção cognitivo-comportamental foi bem aceita pelos cuidadores dos participantes. O quarto artigo mostrou, através da análise de dados do Programme of International Student Assessment, um aumento discreto nos níveis de sofrimento emocional em adolescentes de 15 anos em 5 dos 6 países analisados (aumento mediano de 0,11 escores-z, p<0,001) comparando-se 2018 e 2022 (períodos pré- e póspandêmicos). Apesar desse aumento discreto, a proporção de adolescentes com níveis intensos de sintomas (pontuando acima do escore de corte para o percentil 95 na amostra de 2018) aumentou 137%. Por fim, o quinto artigo documentou as lacunas nos dados nacionalmente representativos de prevalência de transtornos mentais ao redor do mundo a partir da análise das fontes de dados incluídas no Global Burden of Disease de 2021. Foram incluídas 1241 fontes de dados diferentes, cuja maioria refere-se a anos prévios a 2010 (70-80% nos diferentes transtornos). Os transtornos do neurodesenvolvimento foram os menos cobertos, com apenas 13% dos países tendo algum dado de prevalência de pelo menos um dos transtornos do grupo. Quanto ao nível de renda, os países de renda mais baixa foram os com maiores lacunas no conhecimento, sem dados sobre transtorno do neurodesenvolvimento, e com apenas 28,57% e 21,43% tendo dados em transtornos psiquiátricos gerais, e transtornos por uso de substâncias, respectivamente. Geograficamente, as regiões africanas e do pacífico oeste foram as com menos dados, e as crianças foram a demografia com menos estudos, com quase 90% dos países não apresentando ao menos uma fonte de dado nacionalmente representativa de prevalência referente à essa faixa etária. O conjunto de artigos desta tese aborda alguns pontos importantes. Primeiramente, mostrou que parcela significativa das crianças e adolescentes brasileiros apresentou níveis elevados de sintomas de ansiedade e depressão durante o primeiro ano da pandemia. Em segundo lugar, sugeriu que mesmo aumentos discretos nos níveis médios ou medianos de psicopatologia podem representar um aumento substancial no número de pessoas necessitando de cuidados clínicos, potencialmente aumentado a tensão em sistemas de saúde já sobrecarregados. Além disso, mostrou que um modelo de intervenção remoto e breve pode ser uma alternativa crucial para melhorar o acesso ao tratamento em um cenário de alta demanda, diminuindo essa sobrecarga, sendo eficaz e bem aceito. Por fim, ao documentar as lacunas globais no conhecimento sobre transtornos mentais, reforça a necessidade de mais dados para planejar políticas públicas eficazes, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo |
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Saúde mental global - sintomas emocionais em crianças e adolescentes frente à pandemia COVID-19: estudo observacional e ensaio controlado randomizado testando intervenção por tele-atendimentoGlobal Mental Health - Emotional Symptoms in Children and Adolescents During the COVID-19 Pandemic: Observational Study and Randomized Controlled Trial Testing a Telehealth InterventionAnsiedadeAnxietyCarga global da doençaChild psychiatryCOVID-19COVID-19DepressãoDepressionEnsaio clínico controlado aleatórioGlobal burden of diseaseGlobal healthMental healthMental Health teletherapyPrevalencePrevalênciaPsicoterapiaPsiquiatria infantilPsychotherapyRandomized controlled trialSaúde globalSaúde mentalTelemedicinaTelemedicineTelessaúde mentalSaúde mental global é um tema que vem ganhando maior atenção da comunidade nos últimos anos, mas que ainda apresenta muitas lacunas, principalmente no que refere a países de renda média ou baixa e à saúde mental de crianças e adolescentes. Esses países possuem, em geral, redes de suporte à saúde mental mais precárias e sobrecarregadas, e a falta de conhecimento é mais um dos fatores que dificulta a mudança dessa situação. Isso os torna ainda mais vulneráveis a crises humanitárias, como foi a pandemia do coronavírus-19. Para analisar essas lacunas no conhecimento e endereçá-las, a presente tese foi realizada, composta de artigos científicos. O primeiro artigo traz dados de um levantamento de sintomas emocionais realizado entre junho de 2020 e junho de 2021 com 5795 crianças e adolescentes brasileiros (idade média de 10,7 anos, desvio padrão [DP] 3,63; 50,5% do sexo masculino). As prevalências ponderadas de sintomas de ansiedade, depressão, e de sintomas emocionais totais foram de 29,7%, 36,1% e 36%, respectivamente. Destes participantes, 3221 (55,6%) participaram do acompanhamento longitudinal, em que foram encontradas flutuações nos níveis sintomáticos, em paralelo a fatores como variações nas taxas de mortalidade pela pandemia e de grau de restrições impostas. Fatores como sentimento de solidão, idade, diagnóstico prédio de transtornos mentais ou de neurodesenvolvimento, exposição prévia a eventos traumáticos ou maus tratos, psicopatologia parental e alterações de sono estiveram associados a maiores níveis de psicopatologia. O segundo e o terceiro artigos trazem, respectivamente, o protocolo e os resultados de um ensaio clínico randomizado único cego que avaliou a eficácia de uma intervenção cognitivo-comportamental breve (5 sessões) e remota (realizada por videoconferência) em reduzir sintomas emocionais em crianças e adolescentes de 8 a 17 anos, comparado a uma intervenção psicoeducativa. Participaram 280 jovens (idade média de 12 anos, DP 2,51), acompanhados de um cuidador. A intervenção cognitivocomportamental esteve associada a uma maior redução nos sintomas emocionais totais nas crianças e adolescentes (diferença padronizada das médias [DPM]=0,25, IC95% 0,05- 0,44, na versão reportada pelas crianças, e DPM=0,25, IC95% 0,03- 0·40, na versão reportada pelos cuidadores), assim como sintomas ansiosos (DPM=0,28, IC95% CI 0,09- 0·47 na versão reportada pelas crianças, e DPM=0,21, IC95% 0,02- 0,40, na versão reportada pelos cuidadores), ao final do tratamento. No seguimento de um mês, os efeitos iniciais se mantiveram, e ficou evidente uma maior redução também nos sintomas depressivos no primeiro grupo. A intervenção cognitivo-comportamental foi bem aceita pelos cuidadores dos participantes. O quarto artigo mostrou, através da análise de dados do Programme of International Student Assessment, um aumento discreto nos níveis de sofrimento emocional em adolescentes de 15 anos em 5 dos 6 países analisados (aumento mediano de 0,11 escores-z, p<0,001) comparando-se 2018 e 2022 (períodos pré- e póspandêmicos). Apesar desse aumento discreto, a proporção de adolescentes com níveis intensos de sintomas (pontuando acima do escore de corte para o percentil 95 na amostra de 2018) aumentou 137%. Por fim, o quinto artigo documentou as lacunas nos dados nacionalmente representativos de prevalência de transtornos mentais ao redor do mundo a partir da análise das fontes de dados incluídas no Global Burden of Disease de 2021. Foram incluídas 1241 fontes de dados diferentes, cuja maioria refere-se a anos prévios a 2010 (70-80% nos diferentes transtornos). Os transtornos do neurodesenvolvimento foram os menos cobertos, com apenas 13% dos países tendo algum dado de prevalência de pelo menos um dos transtornos do grupo. Quanto ao nível de renda, os países de renda mais baixa foram os com maiores lacunas no conhecimento, sem dados sobre transtorno do neurodesenvolvimento, e com apenas 28,57% e 21,43% tendo dados em transtornos psiquiátricos gerais, e transtornos por uso de substâncias, respectivamente. Geograficamente, as regiões africanas e do pacífico oeste foram as com menos dados, e as crianças foram a demografia com menos estudos, com quase 90% dos países não apresentando ao menos uma fonte de dado nacionalmente representativa de prevalência referente à essa faixa etária. O conjunto de artigos desta tese aborda alguns pontos importantes. Primeiramente, mostrou que parcela significativa das crianças e adolescentes brasileiros apresentou níveis elevados de sintomas de ansiedade e depressão durante o primeiro ano da pandemia. Em segundo lugar, sugeriu que mesmo aumentos discretos nos níveis médios ou medianos de psicopatologia podem representar um aumento substancial no número de pessoas necessitando de cuidados clínicos, potencialmente aumentado a tensão em sistemas de saúde já sobrecarregados. Além disso, mostrou que um modelo de intervenção remoto e breve pode ser uma alternativa crucial para melhorar o acesso ao tratamento em um cenário de alta demanda, diminuindo essa sobrecarga, sendo eficaz e bem aceito. Por fim, ao documentar as lacunas globais no conhecimento sobre transtornos mentais, reforça a necessidade de mais dados para planejar políticas públicas eficazes, não apenas no Brasil, mas em todo o mundoGlobal mental health has been gaining more attention from the community in recent years, but many gaps still exist, especially concerning low- and middle-income countries and the mental health of children and adolescents. These countries generally have more precarious and overburdened mental health support systems, and the lack of knowledge is another factor that hinders the improvement of this situation. This makes them even more vulnerable to humanitarian crises, such as the COVID-19 pandemic. To analyze these knowledge gaps and address them, the present dissertation was conducted, consisting of scientific articles. The first article presents data from an emotional symptom survey conducted between June 2020 and June 2021 with 5,795 Brazilian children and adolescents (mean age 10.7 years, standard deviation [SD] 3.63; 50.5% male). The weighted prevalence rates of anxiety, depression, and total emotional symptoms were 29.7%, 36.1%, and 36%, respectively. Of these participants, 3,221 (55.6%) participated in a longitudinal follow-up, in which fluctuations in symptom levels were found, parallel to factors such as variations in pandemic mortality rates and the degree of imposed restrictions. Factors such as feelings of loneliness, age, pre-existing mental or neurodevelopmental disorders, previous exposure to traumatic events or maltreatment, parental psychopathology, and sleep disturbances were associated with higher levels of psychopathology. The second and third articles present, respectively, the protocol and results of a single-blind randomized clinical trial that evaluated the efficacy of a brief (5- session) and remote (via videoconference) cognitive-behavioral intervention in reducing emotional symptoms in children and adolescents aged 8 to 17 years, compared to a psychoeducational intervention. A total of 280 young people (mean age 12 years, SD 2.51) participated, accompanied by a caregiver. The cognitive-behavioral intervention was associated with a greater reduction in total emotional symptoms in children and adolescents (standardized mean difference [SMD]=0.25, 95% CI 0.05-0.44, in the child-reported version, and SMD=0.25, 95% CI 0.03-0.40, in the caregiver-reported version), as well as anxious symptoms (SMD=0.28, 95% CI 0.09-0.47 in the child-reported version, and SMD=0.21, 95% CI 0.02-0.40, in the caregiver-reported version) at the end of the treatment. At the one-month follow-up, the initial effects remained, and a greater reduction in depressive symptoms was also evident in the first group. The cognitivebehavioral intervention was well accepted by the participants\' caregivers. The fourth article showed, through an analysis of data from the Programme of International Student Assessment, a slight increase in emotional distress levels among 15-year-old adolescents in 5 of the 6 countries analyzed (median increase of 0.11 z-scores, p<0.001) when comparing 2018 and 2022 (pre- and post-pandemic periods). Despite this slight increase, the proportion of adolescents with severe symptom levels (scoring above the 95th percentile cut-off from the 2018 sample) increased by 137%. Finally, the fifth article documented the gaps in nationally representative data on the prevalence of mental disorders worldwide based on the analysis of data sources included in the Global Burden of Disease 2021. A total of 1241 different data sources were included, with the majority referring to years before 2010 (70-80% across different disorders). Neurodevelopmental disorders were the least covered, with only 13% of countries having any prevalence data for at least one of these disorders. Regarding income level, lower-income countries had the largest knowledge gaps, with no data on neurodevelopmental disorders, and only 28.57% and 21.43% having data on general psychiatric disorders, and substance use disorders, respectively. Geographically, the African and Western Pacific regions had the fewest data, and children were the demographic with the fewest studies, with nearly 90% of countries lacking at least one nationally representative source of prevalence data for this age group. The collection of articles in this dissertation addresses several important points. First, it showed that a significant portion of Brazilian children and adolescents exhibited elevated levels of anxiety and depression symptoms during the first year of the pandemic. Second, it suggested that even slight increases in average or median psychopathology levels can represent a substantial increase in the number of people needing clinical care, potentially exacerbating the burden on already overwhelmed healthcare systems. Moreover, it showed that a brief and remote intervention model can be a crucial alternative to improving treatment access in a high-demand scenario, effectively reducing this burden and being well accepted. Finally, by documenting global gaps in knowledge about mental disorders, it reinforces the need for more data to plan effective public policies, not only in Brazil but worldwideBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPolanczyk, Guilherme VanoniCasella, Caio Borba2024-12-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-18062025-155315/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-26T15:29:02Zoai:teses.usp.br:tde-18062025-155315Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-26T15:29:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Saúde mental global - sintomas emocionais em crianças e adolescentes frente à pandemia COVID-19: estudo observacional e ensaio controlado randomizado testando intervenção por tele-atendimento Casella, Caio Borba Ansiedade Anxiety Carga global da doença Child psychiatry COVID-19 COVID-19 Depressão Depression Ensaio clínico controlado aleatório Global burden of disease Global health Mental health Mental Health teletherapy Prevalence Prevalência Psicoterapia Psiquiatria infantil Psychotherapy Randomized controlled trial Saúde global Saúde mental Telemedicina Telemedicine Telessaúde mental |
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Saúde mental global é um tema que vem ganhando maior atenção da comunidade nos últimos anos, mas que ainda apresenta muitas lacunas, principalmente no que refere a países de renda média ou baixa e à saúde mental de crianças e adolescentes. Esses países possuem, em geral, redes de suporte à saúde mental mais precárias e sobrecarregadas, e a falta de conhecimento é mais um dos fatores que dificulta a mudança dessa situação. Isso os torna ainda mais vulneráveis a crises humanitárias, como foi a pandemia do coronavírus-19. Para analisar essas lacunas no conhecimento e endereçá-las, a presente tese foi realizada, composta de artigos científicos. O primeiro artigo traz dados de um levantamento de sintomas emocionais realizado entre junho de 2020 e junho de 2021 com 5795 crianças e adolescentes brasileiros (idade média de 10,7 anos, desvio padrão [DP] 3,63; 50,5% do sexo masculino). As prevalências ponderadas de sintomas de ansiedade, depressão, e de sintomas emocionais totais foram de 29,7%, 36,1% e 36%, respectivamente. Destes participantes, 3221 (55,6%) participaram do acompanhamento longitudinal, em que foram encontradas flutuações nos níveis sintomáticos, em paralelo a fatores como variações nas taxas de mortalidade pela pandemia e de grau de restrições impostas. Fatores como sentimento de solidão, idade, diagnóstico prédio de transtornos mentais ou de neurodesenvolvimento, exposição prévia a eventos traumáticos ou maus tratos, psicopatologia parental e alterações de sono estiveram associados a maiores níveis de psicopatologia. O segundo e o terceiro artigos trazem, respectivamente, o protocolo e os resultados de um ensaio clínico randomizado único cego que avaliou a eficácia de uma intervenção cognitivo-comportamental breve (5 sessões) e remota (realizada por videoconferência) em reduzir sintomas emocionais em crianças e adolescentes de 8 a 17 anos, comparado a uma intervenção psicoeducativa. Participaram 280 jovens (idade média de 12 anos, DP 2,51), acompanhados de um cuidador. A intervenção cognitivocomportamental esteve associada a uma maior redução nos sintomas emocionais totais nas crianças e adolescentes (diferença padronizada das médias [DPM]=0,25, IC95% 0,05- 0,44, na versão reportada pelas crianças, e DPM=0,25, IC95% 0,03- 0·40, na versão reportada pelos cuidadores), assim como sintomas ansiosos (DPM=0,28, IC95% CI 0,09- 0·47 na versão reportada pelas crianças, e DPM=0,21, IC95% 0,02- 0,40, na versão reportada pelos cuidadores), ao final do tratamento. No seguimento de um mês, os efeitos iniciais se mantiveram, e ficou evidente uma maior redução também nos sintomas depressivos no primeiro grupo. A intervenção cognitivo-comportamental foi bem aceita pelos cuidadores dos participantes. O quarto artigo mostrou, através da análise de dados do Programme of International Student Assessment, um aumento discreto nos níveis de sofrimento emocional em adolescentes de 15 anos em 5 dos 6 países analisados (aumento mediano de 0,11 escores-z, p<0,001) comparando-se 2018 e 2022 (períodos pré- e póspandêmicos). Apesar desse aumento discreto, a proporção de adolescentes com níveis intensos de sintomas (pontuando acima do escore de corte para o percentil 95 na amostra de 2018) aumentou 137%. Por fim, o quinto artigo documentou as lacunas nos dados nacionalmente representativos de prevalência de transtornos mentais ao redor do mundo a partir da análise das fontes de dados incluídas no Global Burden of Disease de 2021. Foram incluídas 1241 fontes de dados diferentes, cuja maioria refere-se a anos prévios a 2010 (70-80% nos diferentes transtornos). Os transtornos do neurodesenvolvimento foram os menos cobertos, com apenas 13% dos países tendo algum dado de prevalência de pelo menos um dos transtornos do grupo. Quanto ao nível de renda, os países de renda mais baixa foram os com maiores lacunas no conhecimento, sem dados sobre transtorno do neurodesenvolvimento, e com apenas 28,57% e 21,43% tendo dados em transtornos psiquiátricos gerais, e transtornos por uso de substâncias, respectivamente. Geograficamente, as regiões africanas e do pacífico oeste foram as com menos dados, e as crianças foram a demografia com menos estudos, com quase 90% dos países não apresentando ao menos uma fonte de dado nacionalmente representativa de prevalência referente à essa faixa etária. O conjunto de artigos desta tese aborda alguns pontos importantes. Primeiramente, mostrou que parcela significativa das crianças e adolescentes brasileiros apresentou níveis elevados de sintomas de ansiedade e depressão durante o primeiro ano da pandemia. Em segundo lugar, sugeriu que mesmo aumentos discretos nos níveis médios ou medianos de psicopatologia podem representar um aumento substancial no número de pessoas necessitando de cuidados clínicos, potencialmente aumentado a tensão em sistemas de saúde já sobrecarregados. Além disso, mostrou que um modelo de intervenção remoto e breve pode ser uma alternativa crucial para melhorar o acesso ao tratamento em um cenário de alta demanda, diminuindo essa sobrecarga, sendo eficaz e bem aceito. Por fim, ao documentar as lacunas globais no conhecimento sobre transtornos mentais, reforça a necessidade de mais dados para planejar políticas públicas eficazes, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo |
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