| Ano de defesa: | 2025 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo Escola de Artes, Ciências e Humanidades |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100134/tde-18122025-000153/ |
Resumo: | A bioeconomia vem sendo tratada, sobretudo no Brasil, país marcado por sua megassociobiodiversidade, como uma promessa capaz de enfrentar crises ambientais, econômicas e sociais, convertendo-se em pauta recorrente de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento. Esta tese investiga criticamente os sentidos, tensões e disputas epistêmicas em torno de sua formulação e implementação na Amazônia, propondo a Sociobioeconomia como chave analítica e horizonte político insurgente, orientado por práticas comunitárias e pela pluralidade de saberes. A partir de uma perspectiva decolonial e pluriepistêmica, o estudo problematiza as narrativas que associam bioeconomia a uma transição ecológica inevitável ou a um desenvolvimento sustentável conciliador, formuladas por governos, organizações multilaterais, empresas e redes globais, confrontando-as com modos de vida, cosmologias e práticas das populações tradicionais da floresta. Parte-se da hipótese de que a bioeconomia, quando concebida hegemonicamente, tende a reproduzir lógicas coloniais de mercantilização da biodiversidade, financeirização dos territórios e subalternização de saberes locais, mesmo sob a retórica de inovação e sustentabilidade. O objetivo é compreender como diferentes propostas - ortodoxas, reformistas/contra-hegemônicas e decoloniais - disputam os rumos do desenvolvimento amazônico, tensionando as fronteiras entre conhecimento científico e saber tradicional, entre governança tecnocrática e protagonismo comunitário. A metodologia é qualitativa, transdisciplinar e fundamentada em epistemologias do Sul, combinando revisão bibliográfica crítica, análise de 26 documentos estratégicos (planos, relatórios, diretrizes e agendas) e pesquisa de campo em seis territórios amazônicos com experiências de Turismo de Base Comunitária (TBC), envolvendo conversas com 54 membros de 30 comunidades. A análise documental permitiu agrupar os textos conforme orientação epistêmico-política, concepção de natureza, arranjos de governança e mecanismos de financiamento; o trabalho de campo, por sua vez, revelou práticas concretas de reexistência, que articulam socioprodução sustentável, regeneração ecológica, redes solidárias e resistência cultural. Os resultados apontam que a maioria das propostas institucionais tende ao reformismo ou ao tecnocratismo, priorizando inovação tecnológica e mercados globais, muitas vezes apropriando-se do vocabulário da sociobiodiversidade sem compromissos efetivos com autonomia territorial ou justiça socioambiental. A tese conclui que a Sociobioeconomia, para transcender uma simples adaptação verde ao capitalismo global, precisa ser reconstruída a partir das práticas, das cosmologias e dos arranjos comunitários dos povos da floresta, reconhecendo sua centralidade como sujeitos políticos, epistêmicos e ecológicos. Para tanto, impõe-se superar a colonialidade do poder e do saber, adotar governança intercultural, valorizar epistemologias ribeirinhas, quilombolas e indígenas, e fortalecer arranjos econômicos locais. A Amazônia não deve ser reduzida a reserva estratégica do mundo, mas compreendida como espaço de criação de futuros plurais, onde a diversidade é fundamento de novas economias e políticas de vida. A Sociobioeconomia decolonial, longe de constituir mera resposta técnica, se afirma como projeto civilizatório ancorado no Bem Viver, na justiça climática, na reciprocidade com a floresta e na autonomia dos povos que a habitam. |
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Amazônia - Território de Reexistência: Caminhos contra- hegemônicos entre Sociobioeconomia, práticas decoloniais e mudança socialAmazonia - Territory of Resistance: Counter-hegemonic paths between Sociobioeconomy, decolonial practices and social changeFreire, Juliana Maria de BarrosNeiman, ZysmanTurismo de Base ComunitáriaAmazôniaBioeconomiaDecolonialidadeSociobioeconomiaJustiça socioambientalSocioenvironmental JusticeSociobioeconomyDecolonialityCommunity-Based TourismBioeconomyAmazonA bioeconomia vem sendo tratada, sobretudo no Brasil, país marcado por sua megassociobiodiversidade, como uma promessa capaz de enfrentar crises ambientais, econômicas e sociais, convertendo-se em pauta recorrente de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento. Esta tese investiga criticamente os sentidos, tensões e disputas epistêmicas em torno de sua formulação e implementação na Amazônia, propondo a Sociobioeconomia como chave analítica e horizonte político insurgente, orientado por práticas comunitárias e pela pluralidade de saberes. A partir de uma perspectiva decolonial e pluriepistêmica, o estudo problematiza as narrativas que associam bioeconomia a uma transição ecológica inevitável ou a um desenvolvimento sustentável conciliador, formuladas por governos, organizações multilaterais, empresas e redes globais, confrontando-as com modos de vida, cosmologias e práticas das populações tradicionais da floresta. Parte-se da hipótese de que a bioeconomia, quando concebida hegemonicamente, tende a reproduzir lógicas coloniais de mercantilização da biodiversidade, financeirização dos territórios e subalternização de saberes locais, mesmo sob a retórica de inovação e sustentabilidade. O objetivo é compreender como diferentes propostas - ortodoxas, reformistas/contra-hegemônicas e decoloniais - disputam os rumos do desenvolvimento amazônico, tensionando as fronteiras entre conhecimento científico e saber tradicional, entre governança tecnocrática e protagonismo comunitário. A metodologia é qualitativa, transdisciplinar e fundamentada em epistemologias do Sul, combinando revisão bibliográfica crítica, análise de 26 documentos estratégicos (planos, relatórios, diretrizes e agendas) e pesquisa de campo em seis territórios amazônicos com experiências de Turismo de Base Comunitária (TBC), envolvendo conversas com 54 membros de 30 comunidades. A análise documental permitiu agrupar os textos conforme orientação epistêmico-política, concepção de natureza, arranjos de governança e mecanismos de financiamento; o trabalho de campo, por sua vez, revelou práticas concretas de reexistência, que articulam socioprodução sustentável, regeneração ecológica, redes solidárias e resistência cultural. Os resultados apontam que a maioria das propostas institucionais tende ao reformismo ou ao tecnocratismo, priorizando inovação tecnológica e mercados globais, muitas vezes apropriando-se do vocabulário da sociobiodiversidade sem compromissos efetivos com autonomia territorial ou justiça socioambiental. A tese conclui que a Sociobioeconomia, para transcender uma simples adaptação verde ao capitalismo global, precisa ser reconstruída a partir das práticas, das cosmologias e dos arranjos comunitários dos povos da floresta, reconhecendo sua centralidade como sujeitos políticos, epistêmicos e ecológicos. Para tanto, impõe-se superar a colonialidade do poder e do saber, adotar governança intercultural, valorizar epistemologias ribeirinhas, quilombolas e indígenas, e fortalecer arranjos econômicos locais. A Amazônia não deve ser reduzida a reserva estratégica do mundo, mas compreendida como espaço de criação de futuros plurais, onde a diversidade é fundamento de novas economias e políticas de vida. A Sociobioeconomia decolonial, longe de constituir mera resposta técnica, se afirma como projeto civilizatório ancorado no Bem Viver, na justiça climática, na reciprocidade com a floresta e na autonomia dos povos que a habitam.The bioeconomy has increasingly been portrayed in Brazil, a megabiodiverse country, as a promising pathway to address pressing environmental, economic, and social challenges, becoming a central element in policy agendas and development strategies. This dissertation critically investigates the meanings, tensions, and epistemic disputes surrounding its formulation and implementation in the Amazon, advancing Sociobioeconomy as both an analytical key and an insurgent political horizon grounded in community practices and epistemic plurality. From a decolonial and pluriepistemic perspective, the study problematizes the narratives that equate bioeconomy with inevitable ecological transition or conciliatory sustainable development, articulated by governments, international organizations, corporations, and global networks, while confronting them with the knowledge, cosmologies, and practices of traditional forest peoples. The hypothesis is that bioeconomy, as hegemonically conceived, reproduces colonial logics of biodiversity commodification, territorial financialization, and subalternization of local knowledge, even under the rhetoric of innovation and sustainability. The aim is to understand how orthodox, reformist/counter-hegemonic, and decolonial approaches dispute the paths of Amazonian development, challenging boundaries between scientific and traditional knowledge, technocratic governance, and community protagonism. Methodologically, this research is qualitative, transdisciplinary, and grounded in epistemologies of the South, combining critical literature review, analysis of 26 strategic documents (plans, reports, guidelines, agendas), and fieldwork in six territories with Community-Based Tourism (CBT) initiatives, involving 54 members across 30 communities. The document analysis organized texts according to their epistemic-political orientation, governance criteria, financing mechanisms, and conceptions of nature; fieldwork revealed concrete practices of re-existence that articulate sustainable socioproductive arrangements, ecological regeneration, solidarity networks, and cultural resistance. Findings indicate that most institutional proposals are reformist or technocratic, privileging innovation and global markets, while often appropriating the vocabulary of sociobiodiversity without genuine commitments to territorial autonomy or socio-environmental justice. The dissertation concludes that Sociobioeconomy, to move beyond a mere green adaptation of global capitalism, must be reconstructed from the practices, cosmologies, and community arrangements of forest peoples, recognizing their centrality as political, epistemic, and ecological subjects. This requires overcoming the coloniality of power and knowledge, adopting intercultural governance, valuing indigenous, quilombola, and riverside epistemologies, and strengthening local economic arrangements. The Amazon must not be reduced to a strategic reserve for the world, but reimagined as a territory of plural futures, where diversity becomes the foundation for new economies and politics of life. A decolonial Sociobioeconomy is not simply a technical solution, but a civilizational project rooted in Buen Vivir, climate justice, reciprocity with the forest, and the autonomy of its peoples.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloEscola de Artes, Ciências e Humanidades2026-05-122026-05-12T14:18:04Z2025-11-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100134/tde-18122025-000153/10.11606/T.100.2025.tde-18122025-000153tde-18122025-000153Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPDoutoradodoctoralUniversidade de São PauloBiblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-05-12T14:18:04Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)falseoai:teses.usp.br:tde-18122025-000153 |
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A bioeconomia vem sendo tratada, sobretudo no Brasil, país marcado por sua megassociobiodiversidade, como uma promessa capaz de enfrentar crises ambientais, econômicas e sociais, convertendo-se em pauta recorrente de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento. Esta tese investiga criticamente os sentidos, tensões e disputas epistêmicas em torno de sua formulação e implementação na Amazônia, propondo a Sociobioeconomia como chave analítica e horizonte político insurgente, orientado por práticas comunitárias e pela pluralidade de saberes. A partir de uma perspectiva decolonial e pluriepistêmica, o estudo problematiza as narrativas que associam bioeconomia a uma transição ecológica inevitável ou a um desenvolvimento sustentável conciliador, formuladas por governos, organizações multilaterais, empresas e redes globais, confrontando-as com modos de vida, cosmologias e práticas das populações tradicionais da floresta. Parte-se da hipótese de que a bioeconomia, quando concebida hegemonicamente, tende a reproduzir lógicas coloniais de mercantilização da biodiversidade, financeirização dos territórios e subalternização de saberes locais, mesmo sob a retórica de inovação e sustentabilidade. O objetivo é compreender como diferentes propostas - ortodoxas, reformistas/contra-hegemônicas e decoloniais - disputam os rumos do desenvolvimento amazônico, tensionando as fronteiras entre conhecimento científico e saber tradicional, entre governança tecnocrática e protagonismo comunitário. A metodologia é qualitativa, transdisciplinar e fundamentada em epistemologias do Sul, combinando revisão bibliográfica crítica, análise de 26 documentos estratégicos (planos, relatórios, diretrizes e agendas) e pesquisa de campo em seis territórios amazônicos com experiências de Turismo de Base Comunitária (TBC), envolvendo conversas com 54 membros de 30 comunidades. A análise documental permitiu agrupar os textos conforme orientação epistêmico-política, concepção de natureza, arranjos de governança e mecanismos de financiamento; o trabalho de campo, por sua vez, revelou práticas concretas de reexistência, que articulam socioprodução sustentável, regeneração ecológica, redes solidárias e resistência cultural. Os resultados apontam que a maioria das propostas institucionais tende ao reformismo ou ao tecnocratismo, priorizando inovação tecnológica e mercados globais, muitas vezes apropriando-se do vocabulário da sociobiodiversidade sem compromissos efetivos com autonomia territorial ou justiça socioambiental. A tese conclui que a Sociobioeconomia, para transcender uma simples adaptação verde ao capitalismo global, precisa ser reconstruída a partir das práticas, das cosmologias e dos arranjos comunitários dos povos da floresta, reconhecendo sua centralidade como sujeitos políticos, epistêmicos e ecológicos. Para tanto, impõe-se superar a colonialidade do poder e do saber, adotar governança intercultural, valorizar epistemologias ribeirinhas, quilombolas e indígenas, e fortalecer arranjos econômicos locais. A Amazônia não deve ser reduzida a reserva estratégica do mundo, mas compreendida como espaço de criação de futuros plurais, onde a diversidade é fundamento de novas economias e políticas de vida. A Sociobioeconomia decolonial, longe de constituir mera resposta técnica, se afirma como projeto civilizatório ancorado no Bem Viver, na justiça climática, na reciprocidade com a floresta e na autonomia dos povos que a habitam. |
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