Microbiota intestinal e homeostase glicêmica após derivação gástrica em Y de Roux: avaliação integrada com consumo alimentar, ácidos biliares e GLP-1 em mulheres com obesidade e diabetes tipo 2.
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5168/tde-03022026-123440/ |
Resumo: | A derivação gástrica em Y de Roux (DGYR) é uma técnica bariátrica que combina procedimentos de restrição gástrica e má absorção intestinal. Seu emprego é amplamente indicado para o manejo e tratamento da obesidade e do diabetes mellitus tipo 2 (DM2), quando terapêuticas primárias falham. Evidências sugerem que adaptações metabólicas precoces após DGYR podem estar associadas à melhora do controle glicêmico, que ocorre antes mesmo da perda de peso significativa. Diante da escassez de pesquisas voltadas à investigação desse mérito, o presente estudo teve como objetivo avaliar a integração de alterações na microbiota intestinal (MI), consumo alimentar, ácidos biliares (ABs) e GLP-1 (Peptídeo-1 semelhante ao glucagon) em mulheres com obesidade submetidas à DGYR e sua relação com a remissão do DM2. Ele constituiu um subprojeto do estudo temático intitulado SURMetaGIT, no qual foram incluídas 20 mulheres pertencentes a essa coorte, com idade entre 18 e 60 anos, diagnóstico de obesidade (Índice de Massa Corpórea entre 35 e 50 kg/m²) e DM2 (glicemia em jejum 126 mg/dL, hemoglobina glicada > 6,5% ou em uso de medicação antidiabética oral). As participantes foram submetidas à técnica DGYR sem anel, com tamanhos de alças alimentares (100-120 cm) e biliopancreática (50-60 cm) padronizados. Amostras de sangue e de fezes foram coletadas antes e três meses após DGYR. O consumo alimentar foi avaliado e calculado nesses períodos, a partir de Registro alimentar de 7 dias. Concentrações de ABs fecais (alvo) e plasmáticos (shotgun) foram avaliadas por espectrometria de massas, enquanto o GLP-1 foi dosado após um teste de refeição padronizada, e, posteriormente, foi calculada a área sob a curva (AUC) para determinar sua concentração ao longo do tempo. O perfil de MI foi determinado por sequenciamento (Illumina V4 16SS rRNA). Após um ano da intervenção cirúrgica as pacientes foram classificadas como respondedoras (R) ou não-respondedoras (NR) à remissão completa do DM2, de acordo com os critérios da American Diabetes Association. Correlações entre as diferentes variáveis do estudo com o perfil de MI foram avaliadas por testes paramétricos ou não paramétricos e teste de Pearson ou Spearman, respectivamente, com nível de significância 5%. Alterações no perfil da MI, bem como das outras variáveis analisadas diferiram de acordo com o desfecho glicêmico das pacientes. Os resultados mostraram que, apenas em mulheres com remissão de DM2, as alterações induzidas por DGYR (vs. pré-operatório) na MI se correlacionaram com o consumo alimentar, as concentrações de ABs fecais e a resposta plasmática do GLP-1 ao estímulo alimentar. Especificamente, alterações na abundância relativa de Fusobacterium nucleatum e de Fusobacterium periodonticum se correlacionaram com alterações da ingestão de ácidos graxos monoinsaturados e das concentrações fecais do AB secundário desoxicólico (DCA), respectivamente. Além disso, as bactérias Prevotella copri e Escherichia coli se correlacionaram negativamente com a AUC. Em conjunto, os achados revelam a influência potencial da interação entre MI, a dieta, os ABs e o GLP-1 na homeostase glicêmica após DGYR. |
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Microbiota intestinal e homeostase glicêmica após derivação gástrica em Y de Roux: avaliação integrada com consumo alimentar, ácidos biliares e GLP-1 em mulheres com obesidade e diabetes tipo 2.Gut microbiota and glycemic homeostasis after Roux-en-Y gastric bypass: an integrated assessment with dietary intake, bile acids, and GLP-1 in women with obesity and type 2 diabetesÁcidos biliaresBariatric surgeryBile acidsCirurgia bariátricaDiabetes mellitusDiabetes mellitusEatingGlucagon-like peptide 1Gut microbiotaIngestão de alimentosMicrobiota intestinalPeptídeo 1 semelhante ao glucagonA derivação gástrica em Y de Roux (DGYR) é uma técnica bariátrica que combina procedimentos de restrição gástrica e má absorção intestinal. Seu emprego é amplamente indicado para o manejo e tratamento da obesidade e do diabetes mellitus tipo 2 (DM2), quando terapêuticas primárias falham. Evidências sugerem que adaptações metabólicas precoces após DGYR podem estar associadas à melhora do controle glicêmico, que ocorre antes mesmo da perda de peso significativa. Diante da escassez de pesquisas voltadas à investigação desse mérito, o presente estudo teve como objetivo avaliar a integração de alterações na microbiota intestinal (MI), consumo alimentar, ácidos biliares (ABs) e GLP-1 (Peptídeo-1 semelhante ao glucagon) em mulheres com obesidade submetidas à DGYR e sua relação com a remissão do DM2. Ele constituiu um subprojeto do estudo temático intitulado SURMetaGIT, no qual foram incluídas 20 mulheres pertencentes a essa coorte, com idade entre 18 e 60 anos, diagnóstico de obesidade (Índice de Massa Corpórea entre 35 e 50 kg/m²) e DM2 (glicemia em jejum 126 mg/dL, hemoglobina glicada > 6,5% ou em uso de medicação antidiabética oral). As participantes foram submetidas à técnica DGYR sem anel, com tamanhos de alças alimentares (100-120 cm) e biliopancreática (50-60 cm) padronizados. Amostras de sangue e de fezes foram coletadas antes e três meses após DGYR. O consumo alimentar foi avaliado e calculado nesses períodos, a partir de Registro alimentar de 7 dias. Concentrações de ABs fecais (alvo) e plasmáticos (shotgun) foram avaliadas por espectrometria de massas, enquanto o GLP-1 foi dosado após um teste de refeição padronizada, e, posteriormente, foi calculada a área sob a curva (AUC) para determinar sua concentração ao longo do tempo. O perfil de MI foi determinado por sequenciamento (Illumina V4 16SS rRNA). Após um ano da intervenção cirúrgica as pacientes foram classificadas como respondedoras (R) ou não-respondedoras (NR) à remissão completa do DM2, de acordo com os critérios da American Diabetes Association. Correlações entre as diferentes variáveis do estudo com o perfil de MI foram avaliadas por testes paramétricos ou não paramétricos e teste de Pearson ou Spearman, respectivamente, com nível de significância 5%. Alterações no perfil da MI, bem como das outras variáveis analisadas diferiram de acordo com o desfecho glicêmico das pacientes. Os resultados mostraram que, apenas em mulheres com remissão de DM2, as alterações induzidas por DGYR (vs. pré-operatório) na MI se correlacionaram com o consumo alimentar, as concentrações de ABs fecais e a resposta plasmática do GLP-1 ao estímulo alimentar. Especificamente, alterações na abundância relativa de Fusobacterium nucleatum e de Fusobacterium periodonticum se correlacionaram com alterações da ingestão de ácidos graxos monoinsaturados e das concentrações fecais do AB secundário desoxicólico (DCA), respectivamente. Além disso, as bactérias Prevotella copri e Escherichia coli se correlacionaram negativamente com a AUC. Em conjunto, os achados revelam a influência potencial da interação entre MI, a dieta, os ABs e o GLP-1 na homeostase glicêmica após DGYR.Roux-en-Y gastric bypass (RYGB) is a bariatric technique that combines gastric restriction and intestinal malabsorption procedures. Its use is widely indicated for the management and treatment of obesity and type 2 diabetes mellitus (T2DM), particularly when primary therapies fail. Evidence suggests that early metabolic adaptations following RYGB may be associated with improved glycemic control, occurring even before significant weight loss takes place. Given the scarcity of studies focused on investigating this phenomenon, the present study aimed to evaluate the integration of changes in gut microbiota (GM), dietary intake, bile acids (BAs), and glucagon-like peptide-1 (GLP-1) in women with obesity undergoing RYGB and their relationship with T2DM remission. This was a subproject of the thematic study entitled SURMetaGIT, which included 20 women from this cohort, aged 18 to 60 years, with a diagnosis of obesity (Body Mass Index between 35 and 50 kg/m²) and T2DM (fasting glucose 126 mg/dL, glycated hemoglobin >6.5%, or on oral antidiabetic medication). Participants underwent RYGB without a ring, using standardized alimentary (100120 cm) and biliopancreatic (5060 cm) limb lengths. Blood and fecal samples were collected before and 3 months after surgery. Dietary intake was assessed and calculated in both periods using a 7-day food record. Fecal (targeted) and plasma (shotgun) BA concentrations were analyzed by mass spectrometry, while GLP-1 was measured following a standardized meal test, and the area under the curve (AUC) was calculated to assess its response over time. The GM profile was determined by sequencing (Illumina V4 16S rRNA). One year after surgery, patients were classified as responders (R) or non-responders (NR) to complete T2DM remission according to the American Diabetes Association criteria. Correlations between study variables and GM profiles were evaluated using parametric or non-parametric tests, and Pearson or Spearman tests, respectively, with a significance level of 5%. Changes in the GM profile, as well as in other analyzed variables, differed according to glycemic outcome. The results showed that, only in women who achieved T2DM remission, RYGB-induced changes (vs. preoperative) in GM correlated with dietary intake, fecal BA concentrations, and GLP-1 plasma response to food stimulation. Specifically, changes in the relative abundance of Fusobacterium nucleatum and Fusobacterium periodonticum correlated with changes in monounsaturated fatty acid intake and in fecal concentrations of the secondary BA deoxycholic acid (DCA), respectively. In addition, Prevotella copri and Escherichia coli were negatively correlated with GLP-1 AUC. Together, these findings reveal the potential influence of the interaction among gut microbiota, diet, bile acids, and GLP-1 on glycemic homeostasis after RYGB.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPTorrinhas, Raquel Susana Matos de MirandaMartucelli, Giovana Pereira2025-08-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5168/tde-03022026-123440/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-03T17:08:02Zoai:teses.usp.br:tde-03022026-123440Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-03T17:08:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A derivação gástrica em Y de Roux (DGYR) é uma técnica bariátrica que combina procedimentos de restrição gástrica e má absorção intestinal. Seu emprego é amplamente indicado para o manejo e tratamento da obesidade e do diabetes mellitus tipo 2 (DM2), quando terapêuticas primárias falham. Evidências sugerem que adaptações metabólicas precoces após DGYR podem estar associadas à melhora do controle glicêmico, que ocorre antes mesmo da perda de peso significativa. Diante da escassez de pesquisas voltadas à investigação desse mérito, o presente estudo teve como objetivo avaliar a integração de alterações na microbiota intestinal (MI), consumo alimentar, ácidos biliares (ABs) e GLP-1 (Peptídeo-1 semelhante ao glucagon) em mulheres com obesidade submetidas à DGYR e sua relação com a remissão do DM2. Ele constituiu um subprojeto do estudo temático intitulado SURMetaGIT, no qual foram incluídas 20 mulheres pertencentes a essa coorte, com idade entre 18 e 60 anos, diagnóstico de obesidade (Índice de Massa Corpórea entre 35 e 50 kg/m²) e DM2 (glicemia em jejum 126 mg/dL, hemoglobina glicada > 6,5% ou em uso de medicação antidiabética oral). As participantes foram submetidas à técnica DGYR sem anel, com tamanhos de alças alimentares (100-120 cm) e biliopancreática (50-60 cm) padronizados. Amostras de sangue e de fezes foram coletadas antes e três meses após DGYR. O consumo alimentar foi avaliado e calculado nesses períodos, a partir de Registro alimentar de 7 dias. Concentrações de ABs fecais (alvo) e plasmáticos (shotgun) foram avaliadas por espectrometria de massas, enquanto o GLP-1 foi dosado após um teste de refeição padronizada, e, posteriormente, foi calculada a área sob a curva (AUC) para determinar sua concentração ao longo do tempo. O perfil de MI foi determinado por sequenciamento (Illumina V4 16SS rRNA). Após um ano da intervenção cirúrgica as pacientes foram classificadas como respondedoras (R) ou não-respondedoras (NR) à remissão completa do DM2, de acordo com os critérios da American Diabetes Association. Correlações entre as diferentes variáveis do estudo com o perfil de MI foram avaliadas por testes paramétricos ou não paramétricos e teste de Pearson ou Spearman, respectivamente, com nível de significância 5%. Alterações no perfil da MI, bem como das outras variáveis analisadas diferiram de acordo com o desfecho glicêmico das pacientes. Os resultados mostraram que, apenas em mulheres com remissão de DM2, as alterações induzidas por DGYR (vs. pré-operatório) na MI se correlacionaram com o consumo alimentar, as concentrações de ABs fecais e a resposta plasmática do GLP-1 ao estímulo alimentar. Especificamente, alterações na abundância relativa de Fusobacterium nucleatum e de Fusobacterium periodonticum se correlacionaram com alterações da ingestão de ácidos graxos monoinsaturados e das concentrações fecais do AB secundário desoxicólico (DCA), respectivamente. Além disso, as bactérias Prevotella copri e Escherichia coli se correlacionaram negativamente com a AUC. Em conjunto, os achados revelam a influência potencial da interação entre MI, a dieta, os ABs e o GLP-1 na homeostase glicêmica após DGYR. |
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