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Dinâmica sazonal da comunidade de vespas (Hymenoptera: Chalcidoidea) associadas a Ficus citrifolia Mill. (Moraceae)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Santos, Nayara
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59131/tde-30042025-173012/
Resumo: A biodiversidade em ecossistemas tropicais é moldada por interações complexas entre fatores bióticos e abióticos. Os sistemas mutualísticos, como o de figueiras e vespas associadas, representam bem essa complexidade de interações. Este trabalho teve como objetivo investigar como fatores espaciais, temporais e ambientais influenciam a estruturação das comunidades de vespas de figo, contribuindo para uma compreensão mais ampla dos processos ecológicos que moldam essas comunidades. O estudo buscou avaliar o papel da paisagem e sazonalidade, bem como de fatores ambientais e espaciais na estruturação das comunidades de vespas de figo e em sua relação mutualística com Ficus citrifolia. Os dados foram coletados bimestralmente entre março de 2021 e setembro de 2023 em Ribeirão Preto, São Paulo, abrangendo 28 safras em áreas rurais e urbanas. No total, 840 figos foram coletados e mantidos em laboratório para a identificação das vespas e quantificação das estruturas internas do figo. No Capítulo 1, utilizamos a Análise de Variância Multivariada Baseada em Permutações (PERMANOVA) para avaliar a influência do local e da sazonalidade na composição de espécies e modelos lineares generalizados mistos (GLMM) para investigar os efeitos da sazonalidade climática e da incidência solar nos figos sobre os números de sementes, polinizadoras e vespas não polinizadoras. Observamos que os figos que se desenvolveram no lado voltado ao sul (i.e., lado mais sombreado da copa da árvore) produziram significativamente mais sementes e vespas polinizadoras. Esses mesmos figos apresentaram uma taxa significativamente menor de parasitismo por vespas não polinizadoras, evidenciando a influência das condições microclimáticas. No Capítulo 2 avaliamos a correlação entre distâncias espaciais e dissimilaridades na composição das comunidades, por meio do teste de Mantel. Usamos a partição da variância para quantificar a contribuição relativa das variáveis ambientais e espaciais, juntamente com a Análise de Redundância Baseada em Distâncias (db-RDA) para investigar padrões estruturais associados a essas variáveis. As variáveis espaciais explicaram 20% da variação na composição das comunidades, enquanto as variáveis ambientais contribuíram com apenas 1%. A correlação significativa entre a distância geográfica e a dissimilaridade foi observada apenas em áreas rurais, indicando que a densidade de figueiras em ambientes urbanos promove maior homogeneidade nas comunidades. A elevada capacidade de dispersão das vespas polinizadoras, impulsionada pelo vento, e a alta especificidade das vespas em relação ao hospedeiro contribuem para a resiliência dessas interações mutualísticas, mesmo em paisagens fragmentadas. As condições microclimáticas emergiram como fatores importantes das interações ecológicas. Estes resultados fornecem uma base para futuras pesquisas que considerem escalas espaciais e temporais mais detalhadas, além de destacar a importância de conservar paisagens heterogêneas e conectadas para a manutenção de sistemas mutualísticos.
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spelling Dinâmica sazonal da comunidade de vespas (Hymenoptera: Chalcidoidea) associadas a Ficus citrifolia Mill. (Moraceae)Seasonal Dynamics of the Wasp Community (Hymenoptera: Chalcidoidea) Associated with Ficus citrifolia Mill. (Moraceae)Community dynamicsDinâmica de comunidadesInsect-plant interactionInteração inseto-plantaMutualismMutualismoSazonalidadeSeasonalityA biodiversidade em ecossistemas tropicais é moldada por interações complexas entre fatores bióticos e abióticos. Os sistemas mutualísticos, como o de figueiras e vespas associadas, representam bem essa complexidade de interações. Este trabalho teve como objetivo investigar como fatores espaciais, temporais e ambientais influenciam a estruturação das comunidades de vespas de figo, contribuindo para uma compreensão mais ampla dos processos ecológicos que moldam essas comunidades. O estudo buscou avaliar o papel da paisagem e sazonalidade, bem como de fatores ambientais e espaciais na estruturação das comunidades de vespas de figo e em sua relação mutualística com Ficus citrifolia. Os dados foram coletados bimestralmente entre março de 2021 e setembro de 2023 em Ribeirão Preto, São Paulo, abrangendo 28 safras em áreas rurais e urbanas. No total, 840 figos foram coletados e mantidos em laboratório para a identificação das vespas e quantificação das estruturas internas do figo. No Capítulo 1, utilizamos a Análise de Variância Multivariada Baseada em Permutações (PERMANOVA) para avaliar a influência do local e da sazonalidade na composição de espécies e modelos lineares generalizados mistos (GLMM) para investigar os efeitos da sazonalidade climática e da incidência solar nos figos sobre os números de sementes, polinizadoras e vespas não polinizadoras. Observamos que os figos que se desenvolveram no lado voltado ao sul (i.e., lado mais sombreado da copa da árvore) produziram significativamente mais sementes e vespas polinizadoras. Esses mesmos figos apresentaram uma taxa significativamente menor de parasitismo por vespas não polinizadoras, evidenciando a influência das condições microclimáticas. No Capítulo 2 avaliamos a correlação entre distâncias espaciais e dissimilaridades na composição das comunidades, por meio do teste de Mantel. Usamos a partição da variância para quantificar a contribuição relativa das variáveis ambientais e espaciais, juntamente com a Análise de Redundância Baseada em Distâncias (db-RDA) para investigar padrões estruturais associados a essas variáveis. As variáveis espaciais explicaram 20% da variação na composição das comunidades, enquanto as variáveis ambientais contribuíram com apenas 1%. A correlação significativa entre a distância geográfica e a dissimilaridade foi observada apenas em áreas rurais, indicando que a densidade de figueiras em ambientes urbanos promove maior homogeneidade nas comunidades. A elevada capacidade de dispersão das vespas polinizadoras, impulsionada pelo vento, e a alta especificidade das vespas em relação ao hospedeiro contribuem para a resiliência dessas interações mutualísticas, mesmo em paisagens fragmentadas. As condições microclimáticas emergiram como fatores importantes das interações ecológicas. Estes resultados fornecem uma base para futuras pesquisas que considerem escalas espaciais e temporais mais detalhadas, além de destacar a importância de conservar paisagens heterogêneas e conectadas para a manutenção de sistemas mutualísticos.Biodiversity in tropical ecosystems is shaped by complex interactions between biotic and abiotic factors. Mutualistic systems, such as those between fig trees and their associated wasps, exemplify this intricate interplay. This study investigates how spatial, temporal, and environmental factors influence the structuring of fig wasp communities, advancing our understanding of the ecological processes governing these systems. We evaluated the roles of landscape, seasonality, and environmental and spatial variables in shaping fig wasp communities and their mutualistic relationship with Ficus citrifolia. Data were collected bimonthly from March 2021 to September 2023 in Ribeirão Preto, São Paulo, covering 28 fig crops across rural and urban landscapes. A total of 840 figs were sampled and processed in the laboratory to identify wasp species and quantify internal fig structures. In Chapter 1, we applied Permutational Multivariate Analysis of Variance (PERMANOVA) to assess the effects of site and seasonality on species composition, alongside Generalized Linear Mixed Models (GLMMs) to evaluate how climatic seasonality and solar exposure influenced seed production, pollinator wasp abundance, and non-pollinator wasp parasitism. Figs developing on the south-facing (i.e., shaded) side of tree canopies produced significantly more seeds and pollinator wasps while exhibiting reduced parasitism by non-pollinating wasps, highlighting the role of microclimatic conditions. In Chapter 2, Mantel tests revealed correlations between spatial distances and community dissimilarity. Variance partitioning and Distance-Based Redundancy Analysis (db-RDA) were used to disentangle the relative contributions of environmental and spatial variables. Spatial factors explained 20% of community variation, whereas environmental variables accounted for only 1%. A significant geographic distance-dissimilarity relationship emerged solely in rural areas, suggesting that higher fig tree density in urban landscapes fosters community homogenization. The wind-mediated dispersal capacity of the pollinating wasps and the host specificity of the fig wasps, in general, enhance the resilience of these mutualisms, even in fragmented habitats. Microclimatic conditions emerged as relevant factors in shaping ecological interactions. These findings establish a framework for future studies integrating finer spatial and temporal scales and emphasize the conservation of heterogeneous, interconnected landscapes to sustain mutualistic systems.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPereira, Rodrigo Augusto SantineloSantos, Nayara2025-03-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59131/tde-30042025-173012/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-07T09:15:02Zoai:teses.usp.br:tde-30042025-173012Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-07T09:15:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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