Mortalidade por hepatite C crônica no Brasil no período de 2000 a 2019: análise das causas múltiplas de morte

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Festa, Larissa
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-15052024-162742/
Resumo: Introdução: a hepatite C representa um desafio premente de saúde pública em escala global, destacando-se como a principal causa de óbito entre as hepatites virais no Brasil. As estatísticas convencionais de mortalidade, que se concentram apenas na causa básica de morte, podem oferecer uma visão limitada da complexidade dessa condição e não capturar integralmente a extensão real da mortalidade por hepatite C. Até o momento, não há um estudo abrangendo todo o território brasileiro que analise a mortalidade por hepatite C considerando as causas múltiplas de morte registradas na Declaração de Óbito (DO). Objetivo: descrever e analisar os óbitos por hepatite C crônica (HCC), como causa básica e causas múltiplas de morte no Brasil, no período de 2000 a 2019. Métodos: estudo ecológico, com dados extraídos do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Foram realizadas as análises descritivas das causas de morte e das variáveis sociodemográficas dos óbitos. Utilizou-se a regressão linear de Prais-Winsten para analisar as tendências temporais das taxas de mortalidade por HCC, por região e sexo. Realizou-se a distribuição espacial das taxas de mortalidade por HCC por estados. Resultados: ocorreram 33.115 óbitos com a HCC mencionada em qualquer linha da DO, no período de 2000 a 2019, sendo 25.390 (76,67%) com HCC mencionada como causa básica de morte. Foi encontrada subenumeração da mortalidade por HCC em 30,42%, ao serem considerados os 7.725 óbitos nos quais a doença foi mencionada como causa associada de morte. Destes, a neoplasia maligna do fígado foi relatada como causa básica em 6.510 óbitos (84,27%). Quando a HCC foi causa básica de morte, doenças do aparelho digestivo foram frequentemente associadas a esses óbitos. Do total de óbitos por HCC como causas múltiplas, houve predominância de indivíduos: do sexo masculino; de raça/cor branca; com 60 anos ou mais de idade e com 12 anos ou mais de estudo. As tendências temporais da mortalidade por HCC no Brasil mostraram-se estacionárias, tanto como causa básica de morte, com taxas de 0,23 (2000) para 0,50 (2019), quanto como causas múltiplas de morte, com taxas de 0,27 (2000) para 0,72 (2019). Entretanto, a análise temporal por região e a distribuição espacial por estado, revelaram heterogeneidade da mortalidade por hepatite C no território. Nordeste, Centro-Oeste e Norte apresentaram as menores taxas de mortalidade, porém mostraram tendências crescentes. Em contrapartida, as regiões Sul e Sudeste, que compreenderam os estados com as maiores taxas de mortalidade, apresentaram tendências estacionárias. As tendências não se alteraram quando analisadas por sexo. Conclusão: observou-se uma subenumeração da mortalidade por HCC no Brasil, no período de 2000 a 2019, devido à inadequada classificação das causas de morte na DO. A hepatite C foi frequentemente mencionada como causa associada de morte em óbitos ocasionados por doenças decorrentes desta enfermidade. A análise das causas múltiplas de morte neste estudo proporcionou uma compreensão mais abrangente da dimensão da mortalidade por HCC no país. Destaca-se a importância de revisar os processos de preenchimento e codificação das causas de morte, visando aprimorar o indicador de mortalidade da hepatite C
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spelling Mortalidade por hepatite C crônica no Brasil no período de 2000 a 2019: análise das causas múltiplas de morteMortality from chronic hepatitis C in Brazil from 2000 to 2019: analyzing multiple causes of deathBrasilBrazilCausas de morteCauses of deathDistribuição espacialEstudos de séries temporaisHepatite CHepatitis CMortalidadeMortalitySpatial distributionTime series studiesIntrodução: a hepatite C representa um desafio premente de saúde pública em escala global, destacando-se como a principal causa de óbito entre as hepatites virais no Brasil. As estatísticas convencionais de mortalidade, que se concentram apenas na causa básica de morte, podem oferecer uma visão limitada da complexidade dessa condição e não capturar integralmente a extensão real da mortalidade por hepatite C. Até o momento, não há um estudo abrangendo todo o território brasileiro que analise a mortalidade por hepatite C considerando as causas múltiplas de morte registradas na Declaração de Óbito (DO). Objetivo: descrever e analisar os óbitos por hepatite C crônica (HCC), como causa básica e causas múltiplas de morte no Brasil, no período de 2000 a 2019. Métodos: estudo ecológico, com dados extraídos do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Foram realizadas as análises descritivas das causas de morte e das variáveis sociodemográficas dos óbitos. Utilizou-se a regressão linear de Prais-Winsten para analisar as tendências temporais das taxas de mortalidade por HCC, por região e sexo. Realizou-se a distribuição espacial das taxas de mortalidade por HCC por estados. Resultados: ocorreram 33.115 óbitos com a HCC mencionada em qualquer linha da DO, no período de 2000 a 2019, sendo 25.390 (76,67%) com HCC mencionada como causa básica de morte. Foi encontrada subenumeração da mortalidade por HCC em 30,42%, ao serem considerados os 7.725 óbitos nos quais a doença foi mencionada como causa associada de morte. Destes, a neoplasia maligna do fígado foi relatada como causa básica em 6.510 óbitos (84,27%). Quando a HCC foi causa básica de morte, doenças do aparelho digestivo foram frequentemente associadas a esses óbitos. Do total de óbitos por HCC como causas múltiplas, houve predominância de indivíduos: do sexo masculino; de raça/cor branca; com 60 anos ou mais de idade e com 12 anos ou mais de estudo. As tendências temporais da mortalidade por HCC no Brasil mostraram-se estacionárias, tanto como causa básica de morte, com taxas de 0,23 (2000) para 0,50 (2019), quanto como causas múltiplas de morte, com taxas de 0,27 (2000) para 0,72 (2019). Entretanto, a análise temporal por região e a distribuição espacial por estado, revelaram heterogeneidade da mortalidade por hepatite C no território. Nordeste, Centro-Oeste e Norte apresentaram as menores taxas de mortalidade, porém mostraram tendências crescentes. Em contrapartida, as regiões Sul e Sudeste, que compreenderam os estados com as maiores taxas de mortalidade, apresentaram tendências estacionárias. As tendências não se alteraram quando analisadas por sexo. Conclusão: observou-se uma subenumeração da mortalidade por HCC no Brasil, no período de 2000 a 2019, devido à inadequada classificação das causas de morte na DO. A hepatite C foi frequentemente mencionada como causa associada de morte em óbitos ocasionados por doenças decorrentes desta enfermidade. A análise das causas múltiplas de morte neste estudo proporcionou uma compreensão mais abrangente da dimensão da mortalidade por HCC no país. Destaca-se a importância de revisar os processos de preenchimento e codificação das causas de morte, visando aprimorar o indicador de mortalidade da hepatite CIntroduction: hepatitis C is an urgent challenge to public health on the global scale, and stands out as the main cause of death among viral hepatitis types in Brazil. Conventional mortality statistics that concentrate only on underlying cause of death may offer a limited view of the complexity of this condition and not fully capture the true extent of mortality from this disease. So far, no study covering the entire country has analyzed mortality from hepatitis C considering the multiple causes of death recorded on Brazilian death certificates. Objective: to describe and analyze deaths from chronic hepatitis C (HCC) as an underlying cause and among multiple causes of death in Brazil from 2000 to 2019. Methods: this ecological study used data extracted from the Mortality Information System and descriptively analyzed causes of death and sociodemographic variables for the deceased. Prais-Winsten linear regression was used to assess temporal trends in HCC mortality rates by region and by sex, while the spatial distribution of HCC mortality rates was determined by state. Results: during 2000-2019 there were 33,115 deaths with HCC listed on any line of the death certificate, and 25,390 (76.67%) with HCC mentioned as the underlying cause. We found HCC mortality was under-enumerated by 30.42%, considering that 7,725 death certificates mentioned this disease as an associated cause. Of these, liver cancer was reported as the underlying cause of 6,510 deaths (84.27%). When HCC was listed as the underlying cause, illnesses of the digestive tract were often associated with these deaths. The total number of deaths in which HCC was one of the multiple causes listed occurred predominantly in men, white people, aged 60 or over and with 12 or more years of education. Temporal trends for HCC mortality in Brazil as an underlying cause were steady, with rates of 0.23 (2000) to 0.50 (2019), as well as for HCC as an associated cause, with rates of 0.27 (2000) to 0.72 (2019). However, temporal analysis by region and spatial distribution by state revealed heterogeneous mortality from hepatitis C in the country: mortality rates were lowest in the Northeast, Midwest, and North, although increasing trends were identified, while trends were stable in the South and Southeast, the regions with highest mortality rates from this disease. These trends did not differ when analyzed by sex. Conclusion: an under-enumeration of mortality from HCC in Brazil was observed from 2000 to 2019, due to the inadequate classification of causes of death on the deaths certificates. Hepatitis C was frequently mentioned as an associated cause of death in deaths caused by diseases resulting from this condition. Analysis of multiple causes of death in this study improves understanding of the scale of HCC mortality. Reviewing the processes of completing death certificates and coding causes is strongly recommended to obtain a more precise indicator of hepatitis C mortalityBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFigueiredo, Gerusa MariaFesta, Larissa2024-02-20info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-15052024-162742/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-08-05T12:37:03Zoai:teses.usp.br:tde-15052024-162742Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-08-05T12:37:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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