Modelo molecular da cadeia d da hemoglobina de Lumbricus terrestris

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 1994
Autor(a) principal: Viana, Ednilson
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/75/75132/tde-07102025-164607/
Resumo: O pigmento respiratório de Lumbricus terrestris é uma hemoproteína gigante extracelular, vista em microscopia eletrônica como tendo a forma de dois discos hexagonais sobrepostos e composto de quatro cadeias polipeptídicas principais que ligam oxigênio, α, b, c (as quais formam um trímero) e d (um monômero). As subunidades do trímero são covalentemente ligadas por pontes dissulfeto e, junto com o monômero, associam-se para formar um tetrâmero. O modelo molecular foi construído para a cadeia d (monomérica) da hemoglobina de Lumbricus terrestris com base na cadeia da deoxihemoglobina humana, que apresentou um arranjo das subunidades mais favorável à formação das duas pontes dissulfeto existentes entre as cadeias α/b e α/c da hemoglobina de Lumbricus terrestris. A conformação dos \"loops\" e das cadeias laterais foram ajustadas baseado nas estruturas de globinas encontradas no banco de dados Brookhaven ou utilizando pesquisa no banco de dados de todas as estruturas disponíveis para encontrar conformações adequadas para as regiões não helicoidais e os rotâmeros das cadeias laterais. O modelo é estereoquimicamente bom, como avaliado pelo programa PROCHECK e bem enovelado, como mostrado pelo programa VERIFY_30 e QUALITY, apesar de possuir baixa identidade sequencial (~20%) com a cadeia humana usada para a modelagem. O modelo mostra que o resíduo triptofano B10 da subunidade d está muito próximo do grupo heme e orientado de forma perpendicular ao plano deste grupo. Além disso, este resíduo de particular nota está ausente em todas as globinas com estrutura cristalográfica conhecida, o que resultou na necessidade de um deslocamento de toda a hélice B onde está localizado, e portanto foi de difícil modelagem. É de se esperar que, apesar da proximidade deste ao heme, a orientação da cadeia lateral desfavoreça a supressão da fluorescência do triptofano pelo heme. Os três resíduos de triptofano na molécula são encontrados no interior da molécula e não deveriam se expor ao solvente em função da dissociação da molécula em pH alto. O modelo sugere também um conteúdo normal de α-hélices, mais alto do que aquele observado por dicroísmo circular. Os resíduos responsáveis pela interface entre as subunidades a1 e a2 na cadeia da desoxihemoglobina humana, de especial nota a tirosina HC2, não estão presentes na cadeia d da hemoglobina de Lumbricus terrestris. Isto mostra que o arranjo das subunidades (αbcd) de Lumbricus terrestris deve ser diferente daquele encontrado para as estruturas tetraméricas até o momento conhecidas, ou que o mecanismo de cooperatividade seja diferente. O ambiente do grupo heme é bem hidrofóbico, como observado nas estruturas de globinas conhecidas, havendo apenas três resíduos na superfície dessa cavidade que interagem com os grupos propionatos do heme.
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O modelo molecular foi construído para a cadeia d (monomérica) da hemoglobina de Lumbricus terrestris com base na cadeia da deoxihemoglobina humana, que apresentou um arranjo das subunidades mais favorável à formação das duas pontes dissulfeto existentes entre as cadeias α/b e α/c da hemoglobina de Lumbricus terrestris. A conformação dos \"loops\" e das cadeias laterais foram ajustadas baseado nas estruturas de globinas encontradas no banco de dados Brookhaven ou utilizando pesquisa no banco de dados de todas as estruturas disponíveis para encontrar conformações adequadas para as regiões não helicoidais e os rotâmeros das cadeias laterais. O modelo é estereoquimicamente bom, como avaliado pelo programa PROCHECK e bem enovelado, como mostrado pelo programa VERIFY_30 e QUALITY, apesar de possuir baixa identidade sequencial (~20%) com a cadeia humana usada para a modelagem. O modelo mostra que o resíduo triptofano B10 da subunidade d está muito próximo do grupo heme e orientado de forma perpendicular ao plano deste grupo. Além disso, este resíduo de particular nota está ausente em todas as globinas com estrutura cristalográfica conhecida, o que resultou na necessidade de um deslocamento de toda a hélice B onde está localizado, e portanto foi de difícil modelagem. É de se esperar que, apesar da proximidade deste ao heme, a orientação da cadeia lateral desfavoreça a supressão da fluorescência do triptofano pelo heme. Os três resíduos de triptofano na molécula são encontrados no interior da molécula e não deveriam se expor ao solvente em função da dissociação da molécula em pH alto. O modelo sugere também um conteúdo normal de α-hélices, mais alto do que aquele observado por dicroísmo circular. Os resíduos responsáveis pela interface entre as subunidades a1 e a2 na cadeia da desoxihemoglobina humana, de especial nota a tirosina HC2, não estão presentes na cadeia d da hemoglobina de Lumbricus terrestris. Isto mostra que o arranjo das subunidades (αbcd) de Lumbricus terrestris deve ser diferente daquele encontrado para as estruturas tetraméricas até o momento conhecidas, ou que o mecanismo de cooperatividade seja diferente. O ambiente do grupo heme é bem hidrofóbico, como observado nas estruturas de globinas conhecidas, havendo apenas três resíduos na superfície dessa cavidade que interagem com os grupos propionatos do heme.The respiratory pigment from Lumbricus terrestris is a giant extracellular hemoprotein, observed under electron microscopy as having the form of two superposed hexagonal discs and composed of four principal oxygen-binding polypeptide chains: α, b, c (which form a trimer) and d (a monomer). The subunits of the trimer are covalently linked by disulfide bridges and, together with the monomer, associate to form a tetramer. A molecular model was constructed for the monomeric d chain of hemoglobin from Lumbricus terrestris, based on the chain of human deoxyhemoglobin, which presented the most favorable subunit arrangement for the formation of the two disulfide bridges that exist between the α/b and α/c chains of Lumbricus terrestris hemoglobin. Loop and side-chain conformations were adjusted using globin structures from the Brookhaven database or by searching all known available structures in order to select suitable conformations for non-helical regions and side-chain rotamers. The model is stereochemically reasonable, as judged by the program PROCHECK, and well folded, as shown by the programs VERIFY_3D and QUALITY, despite possessing low sequence identity (~20%) with the human chain used for the modeling. The model shows that tryptophan B10 of the d subunit lies very close to the heme group and is oriented perpendicularly to its plane. This residue, of particular interest, is absent in all globins with known crystal structures, which required displacement of the entire B helix in which it is located, making it particularly difficult to model. It is expected that, despite the proximity of this residue to the heme, the orientation of its side chain disfavors the quenching of tryptophan fluorescence by the heme. All three tryptophan residues in the molecule are buried within the protein core and should not become solvent-exposed upon dissociation of the molecule at high pH. The model also suggests a normal α-helical content, higher than that observed by circular dichroism. The residues responsible for the interface between the a1 and a2 subunits in the β chain of human deoxyhemoglobinmost notably tyrosine HC2are absent in the d chain of Lumbricus terrestris hemoglobin. This demonstrates that the arrangement of the abcd subunits of Lumbricus terrestris must be different from that observed in tetrameric structures known to date, or that the mechanism of cooperativity is different. The environment of the heme group is largely hydrophobic, as observed in other known globin structures, with only three residues at the surface of the cavity interacting with the propionate groups of the heme.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGarratt, Richard CharlesViana, Ednilson1994-09-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/75/75132/tde-07102025-164607/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-08T11:51:02Zoai:teses.usp.br:tde-07102025-164607Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-08T11:51:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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