Urgência e emergência: contribuições do farmacêutico para a oferta de cuidado integral e seguro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Oliveira, Thalita Zago
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60137/tde-28052025-105506/
Resumo: Os danos decorrentes de cuidados inseguros são um destacado desafio de saúde pública, especialmente em unidades de emergência (UE). Nesse contexto, os farmacêuticos que anteriormente desempenhavam funções gerenciais, atualmente são corresponsáveis no cuidado direto dos indivíduos, destacando a crescente demanda por profissionais competentes. Este estudo compreende duas fases. A primeira teve o objetivo de mapear as evidências científicas que apresentam o desenvolvimento de competências clínicas na capacitação de farmacêuticos e estudantes de farmácia para atuação em assistência de emergência. A segunda teve o objetivo de analisar a contribuição do farmacêutico na promoção da segurança do paciente no contexto de urgência e emergência. Na primeira fase, uma Revisão de Escopo foi conduzida nas bases de dados PubMed, Embase, LILACS, Scopus, Web of Science e CINAHL, seguindo as recomendações do Joanna Briggs Institute. O estudo recuperou 6276 arquivos, e 31 artigos preencheram os critérios de inclusão. Observou-se que os estudos foram desenvolvidos principalmente nos Estados Unidos da América e abordaram o desenvolvimento e/ou avaliação de conhecimentos e habilidades em emergências cardíacas. A estratégia para ensino e avaliação mais empregada foi a simulação e o feedback e/ou debriefing, respectivamente. Na segunda fase, um ensaio clínico randomizado aberto, registrado na REBEC (RBR-7s755rt), foi conduzido por um ano em uma UE. Os pacientes que preencheram os onze critérios de seleção foram randomizados em grupo intervenção (GI) ou grupo controle (GC), por meio de uma planilha Excel. Com o GI, a farmacêutica realizou anamnese, aplicou questionários validados e conduziu serviços clínicos. Intervenções foram realizadas quando identificados Problemas Relacionados à Farmacoterapia (PRF). Os pacientes do GC receberam atendimento padrão. Os grupos foram comparados por meio do Índice de Comorbidade de Charlson, dados sociodemográficos e hábitos de vida e os PRF foram categorizados em relação a incidentes de segurança do paciente utilizando os sistemas de classificação PISA e da Organização Mundial da Saúde. Os desfechos foram avaliados até 6 meses a partir da data de admissão hospitalar na qual o paciente foi incluído no estudo, sendo a mortalidade o desfecho primário e tempo de permanência hospitalar e a readmissão hospitalar como secundários. O estudo abrangeu 46 participantes, 23 em cada grupo, e a amostra mostrou-se homogênea (p>0,05). A conciliação de medicamentos evidenciou 92 discrepâncias na admissão e 8 na alta hospitalar, e a revisão da farmacoterapia identificou 66 PRF, sendo a maioria classificados como Necessidade n=29 (43,94%). As intervenções para resolução dos PRF foram principalmente comunicadas à equipe de forma verbal n=35 (53,03%), e, quando aplicável, foram na sua maioria aceitas n=22 (33,33%). Os achados evidenciaram associação entre as variáveis método de comunicação e aceitabilidade das intervenções (p<0,001). Incidentes sem danos foram classificados em 43 casos (65,15%) e 8 (12,12%) foram eventos adversos. Na maioria dos casos em que não houve danos, os erros foram identificados e evitaram o dano. Os principais tipos de incidentes incluíram erros de prescrição e armazenamento, e os fatores contribuintes mais frequentes foram atribuídos à distração dos profissionais de saúde. Quanto aos desfechos clínicos, no GI há um risco reduzido de 55% no desfecho de mortalidade (p<0,05). A média de readmissão hospitalar (média ± DP) foi de 0,48 ± 0,90 para GC e 0,78 ± 1,20 para o GI (p<0,05) e o tempo médio (média ± DP) de permanência no GC foi de 8,00 ± 6,50, enquanto no GI foi de 4,57 ± 3,24 (<0,001). Portanto, os resultados ressaltam a importância da participação ativa do farmacêutico junto à equipe de saúde, promovendo melhorias na segurança do paciente.
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A segunda teve o objetivo de analisar a contribuição do farmacêutico na promoção da segurança do paciente no contexto de urgência e emergência. Na primeira fase, uma Revisão de Escopo foi conduzida nas bases de dados PubMed, Embase, LILACS, Scopus, Web of Science e CINAHL, seguindo as recomendações do Joanna Briggs Institute. O estudo recuperou 6276 arquivos, e 31 artigos preencheram os critérios de inclusão. Observou-se que os estudos foram desenvolvidos principalmente nos Estados Unidos da América e abordaram o desenvolvimento e/ou avaliação de conhecimentos e habilidades em emergências cardíacas. A estratégia para ensino e avaliação mais empregada foi a simulação e o feedback e/ou debriefing, respectivamente. Na segunda fase, um ensaio clínico randomizado aberto, registrado na REBEC (RBR-7s755rt), foi conduzido por um ano em uma UE. Os pacientes que preencheram os onze critérios de seleção foram randomizados em grupo intervenção (GI) ou grupo controle (GC), por meio de uma planilha Excel. Com o GI, a farmacêutica realizou anamnese, aplicou questionários validados e conduziu serviços clínicos. Intervenções foram realizadas quando identificados Problemas Relacionados à Farmacoterapia (PRF). Os pacientes do GC receberam atendimento padrão. Os grupos foram comparados por meio do Índice de Comorbidade de Charlson, dados sociodemográficos e hábitos de vida e os PRF foram categorizados em relação a incidentes de segurança do paciente utilizando os sistemas de classificação PISA e da Organização Mundial da Saúde. Os desfechos foram avaliados até 6 meses a partir da data de admissão hospitalar na qual o paciente foi incluído no estudo, sendo a mortalidade o desfecho primário e tempo de permanência hospitalar e a readmissão hospitalar como secundários. O estudo abrangeu 46 participantes, 23 em cada grupo, e a amostra mostrou-se homogênea (p>0,05). A conciliação de medicamentos evidenciou 92 discrepâncias na admissão e 8 na alta hospitalar, e a revisão da farmacoterapia identificou 66 PRF, sendo a maioria classificados como Necessidade n=29 (43,94%). As intervenções para resolução dos PRF foram principalmente comunicadas à equipe de forma verbal n=35 (53,03%), e, quando aplicável, foram na sua maioria aceitas n=22 (33,33%). Os achados evidenciaram associação entre as variáveis método de comunicação e aceitabilidade das intervenções (p<0,001). Incidentes sem danos foram classificados em 43 casos (65,15%) e 8 (12,12%) foram eventos adversos. Na maioria dos casos em que não houve danos, os erros foram identificados e evitaram o dano. Os principais tipos de incidentes incluíram erros de prescrição e armazenamento, e os fatores contribuintes mais frequentes foram atribuídos à distração dos profissionais de saúde. Quanto aos desfechos clínicos, no GI há um risco reduzido de 55% no desfecho de mortalidade (p<0,05). A média de readmissão hospitalar (média ± DP) foi de 0,48 ± 0,90 para GC e 0,78 ± 1,20 para o GI (p<0,05) e o tempo médio (média ± DP) de permanência no GC foi de 8,00 ± 6,50, enquanto no GI foi de 4,57 ± 3,24 (<0,001). Portanto, os resultados ressaltam a importância da participação ativa do farmacêutico junto à equipe de saúde, promovendo melhorias na segurança do paciente.The harms resulting from unsafe care represent a prominent public health challenge, particularly in emergency department (ED). In this context, pharmacists, who previously held managerial roles, now share responsibility in direct patient care, highlighting the increasing demand for competent professionals. This study consists of two phases. The first aimed to map scientific evidence demonstrating the development of clinical competencies in training pharmacists and pharmacy students for emergency care. The second aimed to analyze the pharmacist\'s contribution to promoting patient safety in the context of urgency and emergency. In the first phase, a Scoping Review was conducted in PubMed, Embase, LILACS, Scopus, Web of Science, and CINAHL databases, following Joanna Briggs Institute recommendations. The study retrieved 6276 records, with 31 articles meeting inclusion criteria. Studies were primarily conducted in the United States and focused on the development and/or evaluation of knowledge and skills in cardiac emergencies. The most employed teaching and assessment strategies were simulation and feedback/debriefing, respectively. In the second phase, a one-year open-label randomized controlled trial was conducted in an ED, registered with REBEC (RBR-7s755rt). Patients meeting eleven selection criteria were randomized into intervention (IG) or control (CG) groups using an Excel spreadsheet. In the IG, the pharmacist conducted patient interviews, administered validated questionnaires, and provided clinical services. Recommendations were made for identified Drug-Related Problems (DRPs). CG patients received standard care. Groups were compared using the Charlson Comorbidity Index, sociodemographic data, and lifestyle habits. DRPs were categorized as patient safety incidents using classification systems of PISA and the World Health Organization. Outcomes were assessed up to six months from the date of hospital admission, with mortality as the primary outcome and hospital length of stay and readmission as secondary outcomes. The study included 46 participants, 23 in each group, with a homogeneous sample (p>0.05). Medication reconciliation revealed 92 discrepancies at admission and 8 at discharge, while pharmacotherapy review identified 66 DRPs, with the majority classified as Necessity n=29 (43.94%). Interventions for resolving DRPs were mainly communicated verbally to the team n=35 (53.03%), with the majority accepted n=22 (33.33%). The findings showed an association between communication method and intervention acceptability (p<0.001). Non-harm incidents were classified in 43 cases (65.15%), with 8 (12.12%) being adverse events. In most cases where no harm occurred, errors were identified and prevented harm. The main types of incidents involved prescription and storage errors, and the most frequent contributing factors were attributed to healthcare professionals\' distraction. Regarding clinical outcomes, IG showed a 55% reduced risk of mortality (p<0.05). The mean hospital readmission (mean ± SD) was 0.48 ± 0.90 for CG and 0.78 ± 1.20 for IG (p<0.05), while the mean hospital length of stay (mean ± SD) in CG was 8.00 ± 6.50, compared to 4.57 ± 3.24 in the IG (<0.001). Therefore, the results emphasize the importance of active pharmacist involvement in healthcare teams, promoting improvements in patient safety.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPereira, Leonardo Régis LeiraVarallo, Fabiana RossiOliveira, Thalita Zago2024-04-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60137/tde-28052025-105506/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-29T13:19:02Zoai:teses.usp.br:tde-28052025-105506Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-29T13:19:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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