Cuidado e individuação masculina: experiência de homens no suporte a familiares em cuidados paliativos
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-04062025-233506/ |
Resumo: | A participação da família é um importante elemento dos cuidados paliativos, com desdobramentos para a qualidade de vida de pacientes e familiares. Adicionalmente, com a maior demanda de pacientes crônicos, diminuição do tamanho das famílias e mudanças sociais diversas, tem-se observado modificações no exercício dos cuidados familiares, incluindo a inserção de figuras até então minoritárias na função de cuidadores. Pode-se, então, destacar a participação masculina nos cuidados com familiares doentes como um elemento ainda pouco abordado na literatura. A presente pesquisa objetiva, assim, analisar a experiência de homens que cuidam de familiares adultos ou idosos em cuidados paliativos. Para tal, busca investigar os motivos dos cuidadores principais para assumirem esta função, bem como levantar os tipos de cuidado prestados pelos familiares, identificar as facilidades e dificuldades encontradas no exercício da função de cuidador familiar, observar os impactos psicossociais da experiência de ser cuidador e relacionar a experiência de ser cuidador com o processo de individuação destes cuidadores, além de identificar elementos simbólicos relacionados ao cuidar. A pesquisa, desenvolvida a partir da abordagem da Psicologia Analítica, tomou por base o método qualitativo e realizou entrevistas reflexivas, associadas ao uso de desenhos enquanto recurso expressivo com cinco homens que exerceram a função de cuidadores familiares com suas mães, pais ou cônjuges. Os dados foram descritos e interpretados de acordo com o processamento simbólico, conforme sistematizado por Penna. As falas e desenhos de cada colaborador foram inicialmente analisados considerando elementos conscientes e inconscientes que vão de dimensões de base arquetípica ao contexto cultural, territorial, histórico, familiar e individual. Explorou-se o desenvolvimento da relação com o cuidado ao longo do processo de individuação de cada um, evidenciando movimentos de continuidade e transformação, diferenciação e integração, que impactaram e foram impactados pelo cuidar. A análise da experiência individual mostrou que essas não podem ser reduzidas a uma expectativa genérica relativa a modos de (não) cuidar masculino, mas sim que o cuidar está profundamente relacionado à história e personalidade das pessoas envolvidas. Em uma dimensão comparativa, incluindo a narrativa de todos os participantes, a literatura científica e amplificações simbólicas, o cuidado foi abordado inicialmente a partir da oposição entre cuidar e prover, a qual se sobrepõe a uma série de outros pares de opostos. Contudo, as narrativas também mostraram que o cuidado não se resume a uma classificação estática e polarizada, sendo possível perceber que o próprio cuidar comporta em si a existência de pares de opostos e pode ser vivido como processo de unificação dos opostos. O engajamento no cuidado é relacionado, então, ao processo de individuação como desenvolvimento do eu em direção ao si-mesmo. Por fim, considerou-se que o reconhecimento do cuidar como aprendido e reaprendido continuamente ao longo da vida, assim como fonte de aprendizado significativo e de desenvolvimento pessoal, destaca a importância de ações de suporte a cuidadoras e cuidadores familiares que fomentem distribuições de responsabilidades equilibradas e sustentáveis. |
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Cuidado e individuação masculina: experiência de homens no suporte a familiares em cuidados paliativosCare and male individuation: the experience of men as family caregivers of relatives in palliative careCuidados paliativosFamíliaFamilyGenderGêneroJungian PsychologyMasculinidadeMasculinityPalliative CarePsicologia JunguianaA participação da família é um importante elemento dos cuidados paliativos, com desdobramentos para a qualidade de vida de pacientes e familiares. Adicionalmente, com a maior demanda de pacientes crônicos, diminuição do tamanho das famílias e mudanças sociais diversas, tem-se observado modificações no exercício dos cuidados familiares, incluindo a inserção de figuras até então minoritárias na função de cuidadores. Pode-se, então, destacar a participação masculina nos cuidados com familiares doentes como um elemento ainda pouco abordado na literatura. A presente pesquisa objetiva, assim, analisar a experiência de homens que cuidam de familiares adultos ou idosos em cuidados paliativos. Para tal, busca investigar os motivos dos cuidadores principais para assumirem esta função, bem como levantar os tipos de cuidado prestados pelos familiares, identificar as facilidades e dificuldades encontradas no exercício da função de cuidador familiar, observar os impactos psicossociais da experiência de ser cuidador e relacionar a experiência de ser cuidador com o processo de individuação destes cuidadores, além de identificar elementos simbólicos relacionados ao cuidar. A pesquisa, desenvolvida a partir da abordagem da Psicologia Analítica, tomou por base o método qualitativo e realizou entrevistas reflexivas, associadas ao uso de desenhos enquanto recurso expressivo com cinco homens que exerceram a função de cuidadores familiares com suas mães, pais ou cônjuges. Os dados foram descritos e interpretados de acordo com o processamento simbólico, conforme sistematizado por Penna. As falas e desenhos de cada colaborador foram inicialmente analisados considerando elementos conscientes e inconscientes que vão de dimensões de base arquetípica ao contexto cultural, territorial, histórico, familiar e individual. Explorou-se o desenvolvimento da relação com o cuidado ao longo do processo de individuação de cada um, evidenciando movimentos de continuidade e transformação, diferenciação e integração, que impactaram e foram impactados pelo cuidar. A análise da experiência individual mostrou que essas não podem ser reduzidas a uma expectativa genérica relativa a modos de (não) cuidar masculino, mas sim que o cuidar está profundamente relacionado à história e personalidade das pessoas envolvidas. Em uma dimensão comparativa, incluindo a narrativa de todos os participantes, a literatura científica e amplificações simbólicas, o cuidado foi abordado inicialmente a partir da oposição entre cuidar e prover, a qual se sobrepõe a uma série de outros pares de opostos. Contudo, as narrativas também mostraram que o cuidado não se resume a uma classificação estática e polarizada, sendo possível perceber que o próprio cuidar comporta em si a existência de pares de opostos e pode ser vivido como processo de unificação dos opostos. O engajamento no cuidado é relacionado, então, ao processo de individuação como desenvolvimento do eu em direção ao si-mesmo. Por fim, considerou-se que o reconhecimento do cuidar como aprendido e reaprendido continuamente ao longo da vida, assim como fonte de aprendizado significativo e de desenvolvimento pessoal, destaca a importância de ações de suporte a cuidadoras e cuidadores familiares que fomentem distribuições de responsabilidades equilibradas e sustentáveis.Family involvement is a key element in palliative care, with significant implications for the quality of life of both patients and their relatives. Additionally, as a result of an increasing number of chronic patients, smaller family units, and broader social transformations, shifts have been observed in the exercise of family caregiving, including individuals traditionally seen as minorities in caregiving roles. Among these, the participation of men in caring for ill family members remains insufficiently addressed in existing literature. This research aims to analyze the experiences of men who care for adult or elderly family members in palliative care. Specifically, it seeks to investigate the motivations of these primary caregivers in taking on this role, identify the types of care provided by the family, recognize the facilitators and challenges encountered in the caregiving process, observe the psychosocial impacts of caregiving, relate the caregiving experience to the individuation process of these caregivers, and identify symbolic elements related to caregiving. The study, developed within the framework of Analytical Psychology, employed a qualitative method and reflective interviews combined with expressive drawing involving five men who cared for their mothers, fathers, or spouses. The data were described and interpreted based on symbolic processing as systematized by Penna. Each participant\'s narratives and drawings were initially analyzed, considering both conscious and unconscious elements, ranging from archetypal dimensions to cultural, territorial, historical, familial, and individual contexts. The study explored the development of the caregiving relationship throughout each participant\'s individuation process, revealing movements of continuity and transformation, differentiation and integration, which both influenced and were influenced by the caregiving experience. The analysis of individual experiences showed that they cannot be reduced to generic expectations about \"masculine\" ways of caregiving but are instead deeply connected to the history and personality of the individuals involved. In a comparative dimension, incorporating the narratives of all participants, scientific literature, and symbolic amplifications, caregiving was initially addressed through the opposition between caring and providing, which overlaps with several other pairs of opposites. However, the narratives also demonstrated that caregiving is not limited to a static or polarized classification. Instead, caregiving itself reflects the interplay of opposites and can be experienced as a process of unifying these opposites. Engagement in caregiving is thus related to the individuation process as a development of the ego toward the Self. Finally, the recognition of caregiving as a practice that is continuously learned and relearned throughout life as well as a source of meaningful learning and personal development underscores the importance of support initiatives for family caregivers that promote balanced and sustainable distributions of responsibilities.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPKovacs, Maria JuliaArrais, Rebecca Holanda2025-03-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-04062025-233506/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-31T19:15:02Zoai:teses.usp.br:tde-04062025-233506Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-31T19:15:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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