O crepúsculo do Antigo Egito Imperial: contradições estruturais da economia raméssida na geopolítica do colapso da Idade do Bronze

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Stella, Thomas Henrique de Toledo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-01072025-105300/
Resumo: A tese analisa as transformações estruturais da economia do Antigo Egito na 20a Dinastia (1186-1069 AEC), período correspondente ao colapso da Idade do Bronze. No Reino Novo, o estado faraônico expandiu seu poder imperial para além das fronteiras tradicionais, ocupando a Núbia e o Levante Sírio-Palestino. No entanto, o fim do Período Raméssida foi marcado por invasões, guerras, conspirações, corrupções, greves e convulsões sociais, culminando na divisão política entre o Alto e o Baixo Egito. A pesquisa baseia-se em uma ampla revisão de fontes primárias e secundárias arqueológicas, epigráficas e históricas. São analisados registros em templos como Karnak, Medinet Habu e Khonsu; tumbas da Necrópole Tebana; vilas como Set-Maat (Deir el-Medina); cidades como Per- Ramesse e Tanis; além de artefatos encontrados em escavações e naufrágios. Documentos administrativos, como os papiros Harris e Wilbour, monumentos, estelas e óstracos relacionados à economia, também são examinados. A abordagem interdisciplinar utiliza o método dialético do materialismo histórico para investigar como as contradições entre forças produtivas e relações de produção impulsionaram mudanças estruturais nos modos de produção que integravam a formação social do Antigo Egito no Reino Novo. Os resultados apontam para uma reestruturação econômica caracterizada pela descentralização e integração local, que redefiniu o padrão de acumulação de uma economia pré-capitalista. No Alto Egito, a indústria de pilhagem de tumbas reciclou tesouros acumulados, recolocando-os em circulação; no Baixo Egito, a nova capital, Tanis, foi construída a partir da reutilização de monumentos urbanos de Per-Ramesse. Complexos templários como o Domínio de Amon consolidaram-se como principais agentes econômicos e o setor privado expandiu-se na agricultura; ambos foram favorecidos por doações estatais em um movimento assemelhado a uma \"reforma agrária\". Conclui-se que, apesar da retração das fronteiras, do colapso da infraestrutura imperial e da divisão interna, o Antigo Egito reorganizou sua economia, mantendo relativa prosperidade na transição da Idade do Bronze para a do Ferro. Lutas de classes nas greves e manifestações dos construtores de tumbas reais abalaram a ideologia faraônica que, embora tenha sobrevivido por mais um milênio, encontrou seu declínio final. Essa ideologia foi revitalizada na era colonialista do imperialismo moderno, influenciando o viés conservador e ocidentalista da Egiptologia.
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spelling O crepúsculo do Antigo Egito Imperial: contradições estruturais da economia raméssida na geopolítica do colapso da Idade do BronzeThe Sunset of Imperial Ancient Egypt: Structural Contradictions of the Ramesside Economy in the Geopolitics of the Bronze Age Collapse.Ancient Egypt; Ramses; Bronze Age; Economy; Geopolitics.Antigo Egito; Ramsés; Idade do Bronze; Economia; Geopolítica.A tese analisa as transformações estruturais da economia do Antigo Egito na 20a Dinastia (1186-1069 AEC), período correspondente ao colapso da Idade do Bronze. No Reino Novo, o estado faraônico expandiu seu poder imperial para além das fronteiras tradicionais, ocupando a Núbia e o Levante Sírio-Palestino. No entanto, o fim do Período Raméssida foi marcado por invasões, guerras, conspirações, corrupções, greves e convulsões sociais, culminando na divisão política entre o Alto e o Baixo Egito. A pesquisa baseia-se em uma ampla revisão de fontes primárias e secundárias arqueológicas, epigráficas e históricas. São analisados registros em templos como Karnak, Medinet Habu e Khonsu; tumbas da Necrópole Tebana; vilas como Set-Maat (Deir el-Medina); cidades como Per- Ramesse e Tanis; além de artefatos encontrados em escavações e naufrágios. Documentos administrativos, como os papiros Harris e Wilbour, monumentos, estelas e óstracos relacionados à economia, também são examinados. A abordagem interdisciplinar utiliza o método dialético do materialismo histórico para investigar como as contradições entre forças produtivas e relações de produção impulsionaram mudanças estruturais nos modos de produção que integravam a formação social do Antigo Egito no Reino Novo. Os resultados apontam para uma reestruturação econômica caracterizada pela descentralização e integração local, que redefiniu o padrão de acumulação de uma economia pré-capitalista. No Alto Egito, a indústria de pilhagem de tumbas reciclou tesouros acumulados, recolocando-os em circulação; no Baixo Egito, a nova capital, Tanis, foi construída a partir da reutilização de monumentos urbanos de Per-Ramesse. Complexos templários como o Domínio de Amon consolidaram-se como principais agentes econômicos e o setor privado expandiu-se na agricultura; ambos foram favorecidos por doações estatais em um movimento assemelhado a uma \"reforma agrária\". Conclui-se que, apesar da retração das fronteiras, do colapso da infraestrutura imperial e da divisão interna, o Antigo Egito reorganizou sua economia, mantendo relativa prosperidade na transição da Idade do Bronze para a do Ferro. Lutas de classes nas greves e manifestações dos construtores de tumbas reais abalaram a ideologia faraônica que, embora tenha sobrevivido por mais um milênio, encontrou seu declínio final. Essa ideologia foi revitalizada na era colonialista do imperialismo moderno, influenciando o viés conservador e ocidentalista da Egiptologia.This thesis analysing the structural transformations of Ancient Egypt\'s economy during the 20th Dynasty (11861069 BCE), a period corresponding to the Bronze Age Collapse. During the New Kingdom, the pharaonic state expanded its imperial power beyond its traditional borders, occupying Nubia and the Syrian-Palestinian Levant. However, the end of the Ramesside Period was marked by invasions, wars, conspiracies, corruptions, strikes, and social upheavals, culminating in political division between Upper and Lower Egypt. The research is based on an extensive review of primary and secondary archaeological, epigraphic, and historical sources. It examines records from temples such as Karnak, Medinet Habu, and Khonsu; tombs in the Theban Necropolis; villages like Set-Maat (Deir el-Medina); cities such as Per- Ramesse and Tanis; as well as artefacts discovered in excavations and shipwrecks. Administrative documents, including the Harris and Wilbour papyri, alongside monuments, stelae and ostraca related to economic activities, are also scrutinised. The interdisciplinary approach employs the dialectical method of historical materialism to investigate how contradictions between productive forces and relations of production drove structural changes in the modes of production that constituted Ancient Egypt\'s social formation during the New Kingdom. The findings indicate an economic restructuring characterised by decentralisation and local integration, which redefined the accumulation pattern of a pre-capitalist economy. In Upper Egypt, the tomb-plundering industry recycled accumulated treasures, reintroducing them into circulation; in Lower Egypt, the new capital, Tanis, was constructed through the reuse of urban monuments from Per-Ramesse. Temple complexes such as the Domain of Amun became main economic agents, while the private sector expanded its role in agriculture; both were favoured by state donations in a movement akin to a \"agrarian reform\". It is concluded that, in spite of the contraction of borders, the collapse of imperial infrastructure, and internal division, Ancient Egypt reorganised its economy, maintaining relative prosperity during the transition from the Bronze Age to the Iron Age. Class struggles, reflected in strikes and demonstrations by royal tomb builders, weakened the Pharaonic Ideology, which, although it survived for another millennium, ultimately faced its definitive decline. This ideology was revitalised during the colonialist era of modern imperialism, influencing the conservative and Western-centric bias of Egyptology.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPassos, Maria Cristina Nicolau KormikiariStella, Thomas Henrique de Toledo2024-08-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-01072025-105300/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-16T13:49:02Zoai:teses.usp.br:tde-01072025-105300Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-16T13:49:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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