Discriminação algorítmica e direito do trabalho : condições e limites jurídicos para o uso da inteligência artificial nas relações de trabalho

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Miziara, Raphael
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde-09052024-122554/
Resumo: A natureza jurídica de um sistema de IA é a de agente instrumental sociotecnológico. Nesta qualidade, a inteligência artificial tem um efeito conformador da realidade, ao absorver e redefinir as práticas sociais. Contudo, há um abismo informacional entre referidas tecnologias e as pessoas por elas afetadas. Uma das mais severas consequências desse vazio comunicacional é a forma como tais ferramentas vêm produzindo injustiças decorrentes de suas decisões automatizadas. Trata-se do que se convencionou chamar de discriminação algorítmica. O presente estudo procura demonstrar que um dos principais mecanismos para mitigação dos vieses discriminatórios naturalmente presentes em sistemas de decisões automatizadas é o estabelecimento de condições de possibilidade comunicacionais. A ponte para superar o abismo informacional existente entre o sistema e as partes interessadas se dá por meio da explicabilidade linguisticamente mediada. Para tanto, a partir da incorporação das bases fundantes da Teoria do Agir Comunicativo de Jürgen Habermas, procura-se deliminar a Teoria do Agir Algorítmico Comunicativo para estabelecer os pressupostos para uma explicabilidade racionalizada. A Teoria do Agir Algorítmico Comunicativo encampa as contribuições da pragmática linguística para o campo da inteligência artificial explicável (xAI) e procura delimitar as bases de uma teoria que não esteja comprometida com os pressupostos ideológicos e objetivistas da filosofia da consciência. Tal teoria é especialmente útil quando se pensa no uso de sistemas de IA nas relações de trabalho, pois o uso de tais ferramentas no contexto laboral potencializa em caráter exponencial o poder do empregador, exacerbando a assimetria negocial e informacional típica dessas relações. Bem por isso, a aplicação da IA nestes cenários é considerada de alto risco. O trabalho está dividido em cinco partes. Inicialmente, lança-se mão de noções propedêuticas em IA, tais como sua evolução histórica e conceitos básicos. Em seguida, o estudo revisita a teoria geral do Direito Antidiscriminatório, parte na qual procura esclarecer a confusão terminológica existente na tipologia das discriminações. Em seguida, expõe o papel deste último diante das novas ferramentas de IA. Na terceira parte, cuida da fisiologia da produção de desigualdades por algoritmos, apresenta uma dupla perspectiva para encarar o fenômeno opacidade centrípeta e centrífuga e propõe uma extensa tipologia das discriminações algorítmicas no contexto laboral. Na quarta parte, avança para análise dos limites jurídicos no uso de IA nas relações de trabalho nas experiências comparadas e no Brasil. Na quinta parte, revisita as tradições filosóficas da metafísica até o advento da virada linguística e, em seguida, adentra na Teoria do Agir Comunicativo para incorporar a pragmática-formal de Habermas e estabelecer os pressupostos ou condições de possibilidade para a explicabilidade dos sistemas de IA.
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Uma das mais severas consequências desse vazio comunicacional é a forma como tais ferramentas vêm produzindo injustiças decorrentes de suas decisões automatizadas. Trata-se do que se convencionou chamar de discriminação algorítmica. O presente estudo procura demonstrar que um dos principais mecanismos para mitigação dos vieses discriminatórios naturalmente presentes em sistemas de decisões automatizadas é o estabelecimento de condições de possibilidade comunicacionais. A ponte para superar o abismo informacional existente entre o sistema e as partes interessadas se dá por meio da explicabilidade linguisticamente mediada. Para tanto, a partir da incorporação das bases fundantes da Teoria do Agir Comunicativo de Jürgen Habermas, procura-se deliminar a Teoria do Agir Algorítmico Comunicativo para estabelecer os pressupostos para uma explicabilidade racionalizada. A Teoria do Agir Algorítmico Comunicativo encampa as contribuições da pragmática linguística para o campo da inteligência artificial explicável (xAI) e procura delimitar as bases de uma teoria que não esteja comprometida com os pressupostos ideológicos e objetivistas da filosofia da consciência. Tal teoria é especialmente útil quando se pensa no uso de sistemas de IA nas relações de trabalho, pois o uso de tais ferramentas no contexto laboral potencializa em caráter exponencial o poder do empregador, exacerbando a assimetria negocial e informacional típica dessas relações. Bem por isso, a aplicação da IA nestes cenários é considerada de alto risco. O trabalho está dividido em cinco partes. Inicialmente, lança-se mão de noções propedêuticas em IA, tais como sua evolução histórica e conceitos básicos. Em seguida, o estudo revisita a teoria geral do Direito Antidiscriminatório, parte na qual procura esclarecer a confusão terminológica existente na tipologia das discriminações. Em seguida, expõe o papel deste último diante das novas ferramentas de IA. Na terceira parte, cuida da fisiologia da produção de desigualdades por algoritmos, apresenta uma dupla perspectiva para encarar o fenômeno opacidade centrípeta e centrífuga e propõe uma extensa tipologia das discriminações algorítmicas no contexto laboral. Na quarta parte, avança para análise dos limites jurídicos no uso de IA nas relações de trabalho nas experiências comparadas e no Brasil. Na quinta parte, revisita as tradições filosóficas da metafísica até o advento da virada linguística e, em seguida, adentra na Teoria do Agir Comunicativo para incorporar a pragmática-formal de Habermas e estabelecer os pressupostos ou condições de possibilidade para a explicabilidade dos sistemas de IA.The legal nature of an AI system is that of a sociotechnological instrumental agent. In this capacity, artificial intelligence has a reality-shaping effect, by absorbing and redefining social practices. However, there is an informational gap between these technologies and the people affected by them. One of the most severe consequences of this communication gap is the way in which such tools have been producing injustices resulting from their automated decisions. This is what is commonly called algorithmic discrimination. The present study seeks to demonstrate that one of the main mechanisms for mitigating the discriminatory biases naturally present in automated decision systems is the establishment of conditions of communication possibility. The bridge to overcome the informational gap that exists between the system and interested parties is through linguistically mediated explainability. To this end, based on the incorporation of the founding bases of Jürgen Habermas Theory of Communicative Acting, seeks to outline the Theory of Communicative Algorithmic Acting to establish the assumptions for rationalized explainability. The Theory of Communicative Algorithmic Action encompasses the contributions of linguistic pragmatics to the field of explainable artificial intelligence (xAI) and seeks to define the bases of a theory that is not committed to the ideological and objectivist assumptions of the philosophy of consciousness. This theory is especially useful when thinking about the use of AI systems in labor practices, as the use of such tools in the work context exponentially enhances the employers power, exacerbating the negotiation and informational asymmetry typical of these relationships. Therefore, the application of AI in these scenarios is considered high risk. The work is divided into five parts. Initially, propaedeutic notions in AI are used, such as its historical evolution and basic concepts. Next, the study revisits the general theory of Anti- Discrimination Law, part of which seeks to clarify the terminological confusion that exists in the typology of discrimination. It then explains the role of the latter in the face of new AI tools. In the third part, it deals with the physiology of the production of inequalities by algorithms, presents a double perspective to face the phenomenon of opacity centripetal and centrifugal and proposes an extensive typology of algorithmic discriminations in the work context. In the fourth part, it advances to the analysis of the legal limits in the use of AI in labor relations in comparative experiences and in Brazil. In the fifth part, it revisits the philosophical traditions of metaphysics until the advent of the linguistic turn and then delves into the Theory of Communicative Acting to incorporate Habermas formal-pragmatics and establish the assumptions or conditions of possibility for the explainability of AI systems.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva, Otavio Pinto eMiziara, Raphael2024-02-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde-09052024-122554/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-15T15:22:02Zoai:teses.usp.br:tde-09052024-122554Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-15T15:22:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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