Punição e Autoritarismo: estudo sobre a \"Bancada da Segurança\" na Assembleia Legislativa de São Paulo (1987-1999)
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-03032026-074937/ |
Resumo: | Essa pesquisa investiga a inserção e práticas de policiais na política institucional partidária no Legislativo paulista a partir da transição democrática, analisando-a como um conjunto de acontecimentos que forneceram as condições de possibilidade para a entrada desses atores na política. Por meio da pesquisa documental e análise de discurso, reconstituiram-se as sucessivas posições ocupadas por esses atores ao longo do tempo, suas práticas discursivas em diferentes registros e o próprio sentido empregado para narrar sua biografia como forma de construção de legitimidade política. Em seguida, analisaram-se suas proposições legislativas e demais discursos institucionais em que se observaram estratégias, regularidades, descontinuidades e atualizações. Demonstra-se como a entrada desses atores na política partidária é constitutiva da Nova República - um processo de acomodação entre forças tensionadas em movimentos de mudança social e conservação. Nesse contexto, o objeto-problema criminalidade urbana violenta foi estratégico para sua inserção no campo político, para a manutenção e expansão do aparato repressivo, e para a reposição de fronteiras entre violência comum e violência política, suspensas pela ditadura militar. No legislativo paulista, a disputa eleitoral de 1986 foi uma estratégia coletiva dos partidos, associações, cúpula das corporações e Exército para garantir a representação de interesses na Constituinte Estadual, propiciada também pelo refluxo político e tensões do Governo Montoro. Identificou-se que a chamada bancada da segurança não se configura como um grupo organizado e de identidade fixa, nem se trata de uma continuidade simples com o que se entende atualmente como bancada da bala. No entanto, ao longo das legislaturas observa-se a constituição de uma matriz discursiva resultante do processo de seleção, aperfeiçoamento e acumulação de um aprendizado político sobre enquadramentos punitivos da vida social, cuja cristalização e eficácia - a performance punitiva - foi possibilitada sobretudo pelo processo do estatuto e referendo do desarmamento. Concluímos como os discursos dos deputados-policiais são práticas autoritárias que disputam e incorporam as linguagens e princípios democráticos, por meio e para a representação política. Nesse sentido, reitera-se uma visão crítica de nossa democracia liberal, assim como a ideia do autoritarismo como característica exclusiva de regimes não democráticos |
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Punição e Autoritarismo: estudo sobre a \"Bancada da Segurança\" na Assembleia Legislativa de São Paulo (1987-1999)Punishment and Authoritarianism: A Study on the \"Security Caucus\" in the Legislative Assembly of São Paulo (1987-1999)análise de discursoauthoritarianismautoritarismodiscourse analysislegislativelegislativopolicepolíciaspuniçãopunishmentEssa pesquisa investiga a inserção e práticas de policiais na política institucional partidária no Legislativo paulista a partir da transição democrática, analisando-a como um conjunto de acontecimentos que forneceram as condições de possibilidade para a entrada desses atores na política. Por meio da pesquisa documental e análise de discurso, reconstituiram-se as sucessivas posições ocupadas por esses atores ao longo do tempo, suas práticas discursivas em diferentes registros e o próprio sentido empregado para narrar sua biografia como forma de construção de legitimidade política. Em seguida, analisaram-se suas proposições legislativas e demais discursos institucionais em que se observaram estratégias, regularidades, descontinuidades e atualizações. Demonstra-se como a entrada desses atores na política partidária é constitutiva da Nova República - um processo de acomodação entre forças tensionadas em movimentos de mudança social e conservação. Nesse contexto, o objeto-problema criminalidade urbana violenta foi estratégico para sua inserção no campo político, para a manutenção e expansão do aparato repressivo, e para a reposição de fronteiras entre violência comum e violência política, suspensas pela ditadura militar. No legislativo paulista, a disputa eleitoral de 1986 foi uma estratégia coletiva dos partidos, associações, cúpula das corporações e Exército para garantir a representação de interesses na Constituinte Estadual, propiciada também pelo refluxo político e tensões do Governo Montoro. Identificou-se que a chamada bancada da segurança não se configura como um grupo organizado e de identidade fixa, nem se trata de uma continuidade simples com o que se entende atualmente como bancada da bala. No entanto, ao longo das legislaturas observa-se a constituição de uma matriz discursiva resultante do processo de seleção, aperfeiçoamento e acumulação de um aprendizado político sobre enquadramentos punitivos da vida social, cuja cristalização e eficácia - a performance punitiva - foi possibilitada sobretudo pelo processo do estatuto e referendo do desarmamento. Concluímos como os discursos dos deputados-policiais são práticas autoritárias que disputam e incorporam as linguagens e princípios democráticos, por meio e para a representação política. Nesse sentido, reitera-se uma visão crítica de nossa democracia liberal, assim como a ideia do autoritarismo como característica exclusiva de regimes não democráticosThis research investigates the insertion and practices of police officers in partisan institutional politics in the São Paulo Legislature from the democratic transition. It analyzes this as a set of events that provided the conditions for these social actors to enter politics. Through documen-tary research and discourse analysis, the successive positions occupied by these social actors over time were reconstituted. The specific meaning used to narrate their biography was also examined as a way of building political legitimacy. Their discursive practices on different rec-ords were also reconstructed. Afterward, their legislative proposals and other institutional dis-courses were analyzed, where strategies, regularities, discontinuities, and updates were ob-served. It is demonstrated how the entry of these social actors into party politics is constitutive of the New Republic, which is an accommodation process between forces in movements of social change and conservation. In this context, the problem-object of \"violent urban crime\" was strategic for their insertion in the political field. It was also strategic for the maintenance and expansion of the repressive apparatus, and for the replacement of borders between common violence and political violence, which had been suspended by the military dictatorship. In the São Paulo legislature, the 1986 electoral dispute was a collective strategy of parties, associa-tions, corporate leaders, and the Army to guarantee the representation of interests in the State Constituent Assembly. This was also facilitated by the political reflux and tensions of the Mon-toro Government. It was identified that the so-called \"security caucus\" is not an organized group with a fixed identity. Nor is it a simple continuity with what is currently understood as the \"bullet caucus\". However, throughout the legislatures, the constitution of a discursive matrix was observed. This matrix resulted from a process of selection, improvement, and accumulation of political learning about punitive frameworks of social life. Its crystallization and effective-ness (the punitive performance) were made possible mainly by the process of the statute and referendum on disarmament. We conclude that the discourses of police-officer deputies are authoritarian practices that contest and incorporate democratic languages and principles for the purpose of political representation. In this sense, a critical view of our liberal democracy is reiterated, as is the idea that authoritarianism is not an exclusive characteristic of non-demo-cratic regimesBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAlvarez, Marcos CesarNovello, Roberta Heleno2025-11-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-03032026-074937/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-03T10:55:02Zoai:teses.usp.br:tde-03032026-074937Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-03T10:55:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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