Cuerpos de arcilla: análise comparativa de zoomorfos, antropomorfos e zooantropomorfos cerâmicos Chavín e Cupisnique, Período Formativo dos Andes Centrais, Peru
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-23012026-112022/ |
Resumo: | O chamado Período Formativo dos Andes Centrais constitui um recorte metodológico que abrange os três milênios anteriores à Era Cristã, tradicionalmente definido a partir de transformações expressivas como as inovações agrícolas, a construção de grandes centros cerimoniais, a intensificação das redes de troca e a crescente complexificação sociopolítica. Nesse contexto, a produção cerâmica, marcada por um elaborado repertório iconográfico, configura-se como um dos principais suportes materiais para a investigação das dinâmicas culturais do período. Esta tese desenvolve uma análise comparativa de cerâmicas atribuídas às tradições Chavín e Cupisnique, articulando o estudo de coleções museológicas com dados provenientes de contextos arqueológicos escavados. A partir da sistematização de mais de quinhentos exemplares, foi elaborado um banco de dados voltado à caracterização formal e iconográfica das peças, permitindo não apenas classificações tipológicas, mas a identificação de limiares permeáveis entre categorias analíticas. Tal abordagem evidenciou continuidades, variações e zonas de interseção estilística entre conjuntos tradicionalmente tratados de modo estanque. Com base nas relações de semelhança e dessemelhança observadas, foram definidos conjuntos iconográficos orientados pela recorrência de unidades mínimas de significação. Essa estratégia possibilitou quantificar e qualificar a presença de traços antropomorfos, zoomorfos e zooantropomorfos ao longo do Período Formativo, bem como identificar padrões de correlação entre atributos específicos. A análise comparativa revelou, assim, não apenas a frequência desses elementos nas cerâmicas Chavín e Cupisnique, mas também os modos pelos quais se articulam na construção de narrativas visuais compartilhadas ou distintivas. Ao integrar dados quantitativos e interpretação qualitativa, a pesquisa contribui para a compreensão das relações políticas, econômicas e culturais entre sítios da serra e da costa do atual Peru, problematizando fronteiras culturais rígidas e propondo uma leitura dinâmica das interações inter-regionais. Assim, a análise iconográfica consolida-se como um campo metodologicamente rigoroso e teoricamente produtivo para a arqueologia andina, ao evidenciar os circuitos de circulação, transformação e rearticulação de ideias, imagens e formas ao longo do Período Formativo. A abordagem comparativa demonstra que a cerâmica não constitui mero reflexo de processos políticos, econômicos e culturais, mas participa ativamente de sua constituição, operando como meio de mediação e produção de relações. Desse modo, reafirma-se a centralidade da cultura material como instância analítica capaz de apreender não apenas práticas e dinâmicas sociais relacionadas à modelagem, circulação e deposição desses vasos de prestígio, mas também o papel ativo na criação e transformação de mundos socialmente significativos, participando plenamente da rede de atores evidenciada no contexto arqueológico do Período Formativo dos Andes Centrais. |
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Cuerpos de arcilla: análise comparativa de zoomorfos, antropomorfos e zooantropomorfos cerâmicos Chavín e Cupisnique, Período Formativo dos Andes Centrais, PeruCuerpos de arcilla: comparative analysis of ceramic zoomorphs, anthropomorphs and zooanthropomorphs from Chavín and Cupisnique, Formative Period of the Central andes, Peru.ArqueologiaChavínChavínCupisniqueCupisniqueFormative Period of the Central AndesPeríodo Formativo dos Andes CentraisPeruPeruO chamado Período Formativo dos Andes Centrais constitui um recorte metodológico que abrange os três milênios anteriores à Era Cristã, tradicionalmente definido a partir de transformações expressivas como as inovações agrícolas, a construção de grandes centros cerimoniais, a intensificação das redes de troca e a crescente complexificação sociopolítica. Nesse contexto, a produção cerâmica, marcada por um elaborado repertório iconográfico, configura-se como um dos principais suportes materiais para a investigação das dinâmicas culturais do período. Esta tese desenvolve uma análise comparativa de cerâmicas atribuídas às tradições Chavín e Cupisnique, articulando o estudo de coleções museológicas com dados provenientes de contextos arqueológicos escavados. A partir da sistematização de mais de quinhentos exemplares, foi elaborado um banco de dados voltado à caracterização formal e iconográfica das peças, permitindo não apenas classificações tipológicas, mas a identificação de limiares permeáveis entre categorias analíticas. Tal abordagem evidenciou continuidades, variações e zonas de interseção estilística entre conjuntos tradicionalmente tratados de modo estanque. Com base nas relações de semelhança e dessemelhança observadas, foram definidos conjuntos iconográficos orientados pela recorrência de unidades mínimas de significação. Essa estratégia possibilitou quantificar e qualificar a presença de traços antropomorfos, zoomorfos e zooantropomorfos ao longo do Período Formativo, bem como identificar padrões de correlação entre atributos específicos. A análise comparativa revelou, assim, não apenas a frequência desses elementos nas cerâmicas Chavín e Cupisnique, mas também os modos pelos quais se articulam na construção de narrativas visuais compartilhadas ou distintivas. Ao integrar dados quantitativos e interpretação qualitativa, a pesquisa contribui para a compreensão das relações políticas, econômicas e culturais entre sítios da serra e da costa do atual Peru, problematizando fronteiras culturais rígidas e propondo uma leitura dinâmica das interações inter-regionais. Assim, a análise iconográfica consolida-se como um campo metodologicamente rigoroso e teoricamente produtivo para a arqueologia andina, ao evidenciar os circuitos de circulação, transformação e rearticulação de ideias, imagens e formas ao longo do Período Formativo. A abordagem comparativa demonstra que a cerâmica não constitui mero reflexo de processos políticos, econômicos e culturais, mas participa ativamente de sua constituição, operando como meio de mediação e produção de relações. Desse modo, reafirma-se a centralidade da cultura material como instância analítica capaz de apreender não apenas práticas e dinâmicas sociais relacionadas à modelagem, circulação e deposição desses vasos de prestígio, mas também o papel ativo na criação e transformação de mundos socialmente significativos, participando plenamente da rede de atores evidenciada no contexto arqueológico do Período Formativo dos Andes Centrais.The so-called Formative Period of the Central Andes constitutes a methodological framework encompassing the three millennia prior to the Common Era, traditionally defined based on expressive transformations such as agricultural innovations and the construction of large ceremonial centers, the intensification of exchange networks, and increasing sociopolitical complexity. In this context, ceramic production--marked by an elaborate iconographic repertoire--emerges as one of the primary material supports for investigating the cultural dynamics of the period. This dissertation develops a comparative analysis of ceramic attributed to the Chavín and Cupisnique traditions, bringing together the study of museum collections and data derived from excavated archaeological contexts. Through the systematization of more than five hundred examples, a database was created to document the formal and iconographic characteristics of the pieces, enabling not only typological classifications but also the identification of permeable thresholds between analytical categories. This approach revealed continuities, variations, and zones of stylistic intersection among assemblages traditionally treated as discrete. Based on observed relationships of similarity and difference, iconographic sets were defined according to the recurrence of minimal units of meaning. This strategy made it possible to quantify and qualify the presence of anthropomorphic, zoomorphic, and zooanthropomorphic features throughout the Formative Period, as well as to identify patterns of correlation among specific attributes. The comparative analysis thus revealed not only the frequency of these elements in Chavín and Cupisnique ceramics, but also the ways in which they are articulated in the construction of shared or distinctive visual narratives. By integrating quantitative data with qualitative interpretation, this research contributes to a broader understanding of political, economic, and cultural relationships among sites in the highlands and on the coast of present-day Peru, challenging rigid cultural boundaries and proposing a dynamic reading of interregional interactions. In doing so, iconographic analysis is reaffirmed as a methodologically rigorous and theoretically productive field within Andean archaeology, illuminating circuits of circulation, transformation, and rearticulation of ideas, images, and forms throughout the Formative Period. The comparative approach demonstrates that ceramics do not merely reflect political, economic, and cultural processes, but actively participate in their constitution, operating as a medium of mediation and the production of relationships. This reaffirms the centrality of material culture as an analytical tool capable of capturing not only social practices and dynamics related to the modeling, circulation, and disposal of these prestigious vessels, but also their active role in the creation and transformation of socially significant worlds, participating fully in the network of actors evident in the archaeological context of the Formative Period of the Central Andes.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSuñer, Marcia Maria ArcuriGreco, Wellington Santos2025-09-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-23012026-112022/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-23T20:02:16Zoai:teses.usp.br:tde-23012026-112022Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-23T20:02:16Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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O chamado Período Formativo dos Andes Centrais constitui um recorte metodológico que abrange os três milênios anteriores à Era Cristã, tradicionalmente definido a partir de transformações expressivas como as inovações agrícolas, a construção de grandes centros cerimoniais, a intensificação das redes de troca e a crescente complexificação sociopolítica. Nesse contexto, a produção cerâmica, marcada por um elaborado repertório iconográfico, configura-se como um dos principais suportes materiais para a investigação das dinâmicas culturais do período. Esta tese desenvolve uma análise comparativa de cerâmicas atribuídas às tradições Chavín e Cupisnique, articulando o estudo de coleções museológicas com dados provenientes de contextos arqueológicos escavados. A partir da sistematização de mais de quinhentos exemplares, foi elaborado um banco de dados voltado à caracterização formal e iconográfica das peças, permitindo não apenas classificações tipológicas, mas a identificação de limiares permeáveis entre categorias analíticas. Tal abordagem evidenciou continuidades, variações e zonas de interseção estilística entre conjuntos tradicionalmente tratados de modo estanque. Com base nas relações de semelhança e dessemelhança observadas, foram definidos conjuntos iconográficos orientados pela recorrência de unidades mínimas de significação. Essa estratégia possibilitou quantificar e qualificar a presença de traços antropomorfos, zoomorfos e zooantropomorfos ao longo do Período Formativo, bem como identificar padrões de correlação entre atributos específicos. A análise comparativa revelou, assim, não apenas a frequência desses elementos nas cerâmicas Chavín e Cupisnique, mas também os modos pelos quais se articulam na construção de narrativas visuais compartilhadas ou distintivas. Ao integrar dados quantitativos e interpretação qualitativa, a pesquisa contribui para a compreensão das relações políticas, econômicas e culturais entre sítios da serra e da costa do atual Peru, problematizando fronteiras culturais rígidas e propondo uma leitura dinâmica das interações inter-regionais. Assim, a análise iconográfica consolida-se como um campo metodologicamente rigoroso e teoricamente produtivo para a arqueologia andina, ao evidenciar os circuitos de circulação, transformação e rearticulação de ideias, imagens e formas ao longo do Período Formativo. A abordagem comparativa demonstra que a cerâmica não constitui mero reflexo de processos políticos, econômicos e culturais, mas participa ativamente de sua constituição, operando como meio de mediação e produção de relações. Desse modo, reafirma-se a centralidade da cultura material como instância analítica capaz de apreender não apenas práticas e dinâmicas sociais relacionadas à modelagem, circulação e deposição desses vasos de prestígio, mas também o papel ativo na criação e transformação de mundos socialmente significativos, participando plenamente da rede de atores evidenciada no contexto arqueológico do Período Formativo dos Andes Centrais. |
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