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A reforma política possível: o fim das coligações em eleições proporcionais e a constitucionalização da cláusula de desempenho no Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Militão, Guilherme José Sanches
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8131/tde-25062025-143848/
Resumo: Até meados da década de 2010, não se esperava que o Congresso Nacional brasileiro aprovasse qualquer reforma nas regras do jogo político que alterasse pontos relevantes do sistema eleitoral brasileiro. A partir de 2015, porém, reformas eleitorais com maior impacto passaram a ter êxito no Legislativo, sendo o fim das coligações em eleições proporcionais e a constitucionalização de uma cláusula de desempenho, por meio da Emenda Constitucional nº 97, de 2017 (EC 97), as principais mudanças nesse ciclo. A presente pesquisa tem o objetivo de explicar o fim das coligações em eleições proporcionais e a constitucionalização da cláusula de desempenho, por meio da aprovação da EC 97, identificando os mecanismos que levaram à emenda constitucional tal como foi aprovada. A pesquisa foi elaborada com o método process tracing, por meio do qual se busca evidências que revelem uma explicação suficiente para o objeto. Foram utilizados como materiais empíricos os dados de tramitação da matéria disponibilizados pela Câmara dos Deputados e Senado Federal, além de matérias jornalísticas e entrevistas com deputados federais. Em relação às motivações, o contexto de crise política e social no Brasil nos anos que antecederam 2017 foi fundamental para que os parlamentares priorizassem o tema da reforma política, mas isso afetou de forma diferente partidos grandes e pequenos. Para os partidos grandes, com mais cadeiras no Congresso Nacional, além da alegada necessidade de resposta à insatisfação da sociedade com as instituições políticas, a reforma eleitoral visava a manutenção do protagonismo no cenário político nacional cada vez mais ameaçado pela alta fragmentação partidária no país. Assim, os grandes puderam defender medidas diretamente relacionadas aos seus interesses que, ao mesmo tempo, atacavam problemas de fato criticados pela opinião pública, sobretudo por entidades da imprensa, como o grande número de partidos representados no Congresso Nacional. Os partidos pequenos, com pouca possibilidade de defesa do status quo e posição mais frágil por terem menos cadeiras no parlamento, defenderam medidas de mitigação de danos. Nesse contexto de respaldo do Congresso a reformas eleitorais, o apoio à cláusula de desempenho e ao fim das coligações em eleições proporcionais veio tanto porque ambas as matérias já eram velhas conhecidas no Congresso Nacional, quanto porque eram mais consensuais e tinham menos restrições de legitimidade frente a outras propostas concorrentes. No processo de aprovação, partidos grandes tiveram papel essencial de liderança na apresentação da proposta, nas negociações para formação da maioria qualificada para a aprovação da emenda constitucional e na utilização das regras internas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para priorizar a tramitação das medidas, culminando na aprovação da EC 97
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A presente pesquisa tem o objetivo de explicar o fim das coligações em eleições proporcionais e a constitucionalização da cláusula de desempenho, por meio da aprovação da EC 97, identificando os mecanismos que levaram à emenda constitucional tal como foi aprovada. A pesquisa foi elaborada com o método process tracing, por meio do qual se busca evidências que revelem uma explicação suficiente para o objeto. Foram utilizados como materiais empíricos os dados de tramitação da matéria disponibilizados pela Câmara dos Deputados e Senado Federal, além de matérias jornalísticas e entrevistas com deputados federais. Em relação às motivações, o contexto de crise política e social no Brasil nos anos que antecederam 2017 foi fundamental para que os parlamentares priorizassem o tema da reforma política, mas isso afetou de forma diferente partidos grandes e pequenos. Para os partidos grandes, com mais cadeiras no Congresso Nacional, além da alegada necessidade de resposta à insatisfação da sociedade com as instituições políticas, a reforma eleitoral visava a manutenção do protagonismo no cenário político nacional cada vez mais ameaçado pela alta fragmentação partidária no país. Assim, os grandes puderam defender medidas diretamente relacionadas aos seus interesses que, ao mesmo tempo, atacavam problemas de fato criticados pela opinião pública, sobretudo por entidades da imprensa, como o grande número de partidos representados no Congresso Nacional. Os partidos pequenos, com pouca possibilidade de defesa do status quo e posição mais frágil por terem menos cadeiras no parlamento, defenderam medidas de mitigação de danos. Nesse contexto de respaldo do Congresso a reformas eleitorais, o apoio à cláusula de desempenho e ao fim das coligações em eleições proporcionais veio tanto porque ambas as matérias já eram velhas conhecidas no Congresso Nacional, quanto porque eram mais consensuais e tinham menos restrições de legitimidade frente a outras propostas concorrentes. No processo de aprovação, partidos grandes tiveram papel essencial de liderança na apresentação da proposta, nas negociações para formação da maioria qualificada para a aprovação da emenda constitucional e na utilização das regras internas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para priorizar a tramitação das medidas, culminando na aprovação da EC 97Until the mid-2010s, the Brazilian National Congress was not expected to approve any reform to the rules of the political game that would alter relevant points of the Brazilian electoral system. Since 2015, however, electoral reforms with a greater impact have been successful in the Legislative Power, with the end of coalitions in proportional elections and the constitutionalization of a performance clause, through Constitutional Amendment No. 97 of 2017 (CA 97), being the main changes in this cycle. This research aims to explain the end of coalitions in proportional elections and the constitutionalization of the performance clause, through the approval of CA 97, identifying the mechanisms that led to the constitutional amendment as it was approved. The research was carried out using the process tracing method, through which evidence is sought that reveals a sufficient explanation for the object. The empirical materials used were the data on the matter made available by the Chamber of Deputies and the Federal Senate, as well as journalistic articles and interviews with federal deputies. In terms of motivations, the context of the political and social crisis in Brazil in the years leading up to 2017 was fundamental for parliamentarians to prioritize the issue of political reform, but this affected large and small parties differently. For the large parties, with the majority of seats in Congress, in addition to the alleged need to respond to society\'s dissatisfaction with political institutions, electoral reform was also intended to maintain their leading role on the national political arena, which was increasingly threatened by the high degree of party fragmentation in the country. Thus, the large parties were able to defend measures directly related to their interests that, at the same time, tackled problems that had been criticized by public opinion, especially by the press, such as the large number of parties represented in the National Congress. The smaller parties, with little chance of defending the status quo and a weaker position because of their fewer seats in parliament, defended damage mitigation measures. In this context of congressional support for electoral reforms, support for the performance clause and the end of coalitions in proportional elections came both because both issues were already well known in Congress, as well as because they were more consensual and had fewer legitimacy restrictions compared to other competing proposals. In the approval process, large parties played an essential leadership role in presenting the proposal, in the negotiations to form a qualified majority for the approval of the constitutional amendment and in using the internal rules of the Chamber of Deputies and the Federal Senate to prioritize the measures, culminating in the approval of CA 97Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva, Glauco Peres daMilitão, Guilherme José Sanches2025-04-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8131/tde-25062025-143848/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-25T17:44:02Zoai:teses.usp.br:tde-25062025-143848Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-25T17:44:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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