Uma força para existir. Os Kiriri e a retomada de seus modos de vida.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Ayala, Daniel Contreras
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-24072025-115506/
Resumo: Esta tese se dedica à visão dos Kiriri, povo indígena da Bahia, sobre seu processo de retomada, iniciado na década de 1970 e alavancado pelo que entendem como um reaprendizado do ritual do Toré. Desde os finais do século XIX os Kiriri enfrentaram um processo de desestruturação cujas origens identificam na morte dos antigos pajés e dos últimos falantes da língua nativa, o kipeâ, na Guerra de Canudos, que implicaram na interrupção da transmissão dos segredos da Jurema. Como consequência, a comunicação com os encantados, seres vivos mas invisíveis que associam aos ancestrais, viu-se seriamente prejudicada. Ao mesmo tempo, seu território foi usurpado por população não-indígena que se assentou nas terras mais férteis dele, empurrando os Kiriri as áreas mais agrestes localizadas nas margens. Na década de 1970 iniciaram um processo de articulação coletiva com o propósito de expulsar os invasores e retomar o território concedido a seus antepassados pelo Rei de Portugal em 1700. De modo concomitante, passaram a realizar o Toré, que definem como sua força. A mobilização dos Kiriri despertou o interesse dos etnólogos do Nordeste do Brasil, que logo a caracterizaram como um caso de etnogênese e emergência étnica, em que um ritual até então não praticado por eles foi incorporado no intuito de comunicar sua identidade indígena e conferir legitimidade a sua luta pelo território. Por sua vez, os Kiriri reivindicam um reaprendizado do Toré, que representou um resgate de uma tradição que seus antepassados não puderam transmitir-lhes. Este estudo pretende aproximar-se do sentido por trás dessas reivindicações, a partir do ponto de vista kiriri. Com base na releitura de etnografias sobre esse povo, bem como na análise de narrativas históricas, algumas já publicadas e outras colhidas em campo pelo pesquisador, esta pesquisa apresenta a noção de força como o fio condutor das histórias kiriri e da própria retomada, entendida como um processo de fortalecimento cujo propósito final é garantir a vida. Nesse intuito, à luz das histórias kiriri refletimos sobre o entrelaçamento indissociável entre os Kiriri, os encantados e o território, que informa os sentidos dos múltiplos desdobramentos da retomada kiriri
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Ao mesmo tempo, seu território foi usurpado por população não-indígena que se assentou nas terras mais férteis dele, empurrando os Kiriri as áreas mais agrestes localizadas nas margens. Na década de 1970 iniciaram um processo de articulação coletiva com o propósito de expulsar os invasores e retomar o território concedido a seus antepassados pelo Rei de Portugal em 1700. De modo concomitante, passaram a realizar o Toré, que definem como sua força. A mobilização dos Kiriri despertou o interesse dos etnólogos do Nordeste do Brasil, que logo a caracterizaram como um caso de etnogênese e emergência étnica, em que um ritual até então não praticado por eles foi incorporado no intuito de comunicar sua identidade indígena e conferir legitimidade a sua luta pelo território. Por sua vez, os Kiriri reivindicam um reaprendizado do Toré, que representou um resgate de uma tradição que seus antepassados não puderam transmitir-lhes. Este estudo pretende aproximar-se do sentido por trás dessas reivindicações, a partir do ponto de vista kiriri. Com base na releitura de etnografias sobre esse povo, bem como na análise de narrativas históricas, algumas já publicadas e outras colhidas em campo pelo pesquisador, esta pesquisa apresenta a noção de força como o fio condutor das histórias kiriri e da própria retomada, entendida como um processo de fortalecimento cujo propósito final é garantir a vida. Nesse intuito, à luz das histórias kiriri refletimos sobre o entrelaçamento indissociável entre os Kiriri, os encantados e o território, que informa os sentidos dos múltiplos desdobramentos da retomada kiririThis thesis is dedicated to the view of the Kiriri, an indigenous people from Bahia, on their process of retaking their land, which began in the 1970s and was leveraged by what they see as a relearning of the Toré ritual. Since the end of the 19th century, the Kiriri have faced a process of destructuring whose origins they identify in the death of the old shamans and the last speakers of the native language, Kipeâ, in the Canudos War, which led to the interruption of the transmission of the secrets of the Jurema. As a result, communication with the enchanted, living but invisible beings that they associate with their ancestors, was seriously impaired. At the same time, their territory was usurped by the non-indigenous population who settled on its most fertile lands, pushing the Kiriri to the harsher areas on the margins. In the 1970s, they began a process of collective articulation with the aim of expelling the invaders and taking back the territory granted to their ancestors by the King of Portugal in 1700. At the same time, they began to perform the Toré, which they define as their strength. The Kiriri\'s mobilization aroused the interest of ethnologists in the Northeast of Brazil, who soon characterized it as a case of ethnogenesis and ethnic emergence, in which a ritual not previously practiced by them was incorporated in order to communicate their indigenous identity and give legitimacy to their struggle for territory. For their part, the Kiriri claim to have re-learned the Toré, which represents a revival of a tradition that their ancestors were unable to pass on to them. This study aims to understand the meaning behind these claims from the Kiriri point of view. Based on a re-reading of ethnographies about this people, as well as an analysis of historical narratives, some already published and others collected in the field by the researcher, this research presents the notion of strength as the guiding thread of the Kiriri stories and of the retaking itself, understood as a process of strengthening whose ultimate purpose is to guarantee life. To this end, in the light of the Kiriri stories, we reflect on the inseparable intertwining between the Kiriri, the enchanted and the territory, which informs the meanings of the multiple developments of the Kiriri retakingBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMoisés, Beatriz PerroneAyala, Daniel Contreras2025-03-20info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-24072025-115506/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-24T15:04:02Zoai:teses.usp.br:tde-24072025-115506Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-24T15:04:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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