Papel da via de sinalização succinato/Sucnr1 em neurônios sensoriais primários na fisiopatologia da dor neuropática induzida por paclitaxel
| Ano de defesa: | 2024 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17133/tde-29102024-162055/ |
Resumo: | A dor neuropática é uma doença do sistema somatossensorial que pode ser causada por danos mecânicos, biológicos, metabólicos ou químicos. Os agentes antineoplásicos são neurotóxicos aos neurônios sensoriais primários, causam axonopatia em indivíduos sob tratamento oncológico, e levam ao surgimento de sintomas como alodinia e hiperalgesia a estímulos mecânicos e térmicos de duração prolongada. Isso limita o emprego ótimo da dose e/ou a duração adequada do tratamento antineoplásico e altera a morbidade e mortalidade de pacientes oncológicos. Evidências científicas das duas últimas décadas indicam que agentes antineoplásicos causam danos mitocondriais em neurônios sensoriais primários por alterar a estrutura e a função mitocondrial, o que culmina em danos bioenergéticos e metabólitos. Dentre tais evidências, observa-se o efeito inibitório do agente antineoplásico paclitaxel sobre a atividade enzimática do complexo mitocondrial II ou succinato desidrogenase (SDH). Dessa forma, hipotetizamos que o tratamento com paclitaxel causaria estresse e desbalanço energético, culminando com elevação nos níveis de succinato. Tal fenômeno, de maneira similar a outros contextos patológicos, causaria a ativação da via de sinalização succinato e seu receptor, Sucnr1, resultando em um papel biológico na dor neuropática induzida por paclitaxel. Assim, objetivamos estudar o papel da via de sinalização succinato/Sucnr1 em neurônios sensoriais primários na fisiopatologia da dor neuropática induzida por paclitaxel. Nossos achados demonstraram que o tratamento com paclitaxel (8 mg/kg; i.p.) elevou a concentração plasmática e tecidual, nervo isquiático, de ácido succínico de maneira significativa, não se observando diferenças nos gânglios da raiz dorsal da medula espinal após quantificação por cromatografia líquida acoplada a espectroscopia de massas. Ademais, a reanálise de bancos de dados de sequenciamento de RNA revelou que o tratamento com paclitaxel modifica a assinatura transcricional de neurônios sensoriais primários, enriquecendo genes relacionados à oxidação fosforilativa, ciclo dos ácidos tricarboxílicos e cadeia de transporte de elétrons. Adicionalmente, ensaio de atividade enzimática de SDH no gânglio da raiz dorsal revelou redução significativa após o tratamento com paclitaxel, não sendo observado o mesmo para no nervo isquiático. Para averiguar o impacto da deleção total do receptor de succinato, desenvolvemos uma nova linhagem de camundongos com deleção total desse receptor. Nessa linhagem, o tratamento com paclitaxel não causou o desenvolvimento de respostas nociceptivas de maneira similar ao observado a sua linhagem wildtype, havendo atenuação das respostas comportamentais nociceptivas no modelo de dor neuropática induzida por paclitaxel. Em seguida, observou-se que a injeção de succinato (0,1 - 100 nmol) na pata de camundongos selvagens reduziu o limiar mecânico de retirada de maneira dose-dependente. Ainda, a dose de 1 nmol/pata sensibilizou camundongos a estímulos mecânicos inócuos e térmicos frio e quente, contudo, camundongos com deleção total de Sucnr1 apresentaram falência no desenvolvimento dessas respostas comportamentais. A seguir, demonstramos que a resposta inflamatória não contribui para o efeito pronociceptivo da via succinato/Sucnr1 e que succinato 10mM elevou a frequência de disparos espontâneos de neurônios do gânglio da raiz dorsal in vitro. Após isso, determinou-se a identidade molecular do neurônio sensorial primário que expressa Sucnr1. A reanálise de bancos de dados de sequenciamento de RNA de neurônios sensitivos revelou que Sucnr1 é expresso principalmente por neurônios Nav1.8 negativos, sendo posteriormente revelado que neurônios TrkB positivos carregam maior expressão de Sucnr1 em relação a demais identidades neuronais. Tais achados foram validados por RNA scope de Sucnr1, em que observamos cerca de 55% de neurônios TrKB+Sucnr1+. Assim, para excluirmos um possível papel funcional em nociceptores, depletou-se fibras sensitivas Trpv1 positivas com resiniferatoxina e Nav1.8 positivas pelo uso de animais Nav1.8Cre/0; iDTR flox/0 tratados com toxina diftérica. Observou-se a manutenção do efeito pronociceptivo após injeção de succinato 1 nmol/pata, assim como a expressão gênica de Sucnr1 no gânglio da raiz dorsal da medula espinal. Adicionalmente, a depleção condicional de Sucnr1 em fibras Nav1.8 positivas pelo uso de camundongos Nav1.8Cre/0; Sucnr1 flox/flox também não modificou as respostas comportamentais ao succinato 1 nmol/pata e nem a expressão gênica de Sucnr1 nos gânglios da raiz dorsal da medula espinal. Avaliou-se ainda se nociceptores seriam sensibilizados in vitro por succinato 10mM, porém, não se observou aumento de correntes totais de sódio como parâmetro de hiperexcitabilidade neuronal. Por fim, a deleção condicional de Sucnr1 em neurônios Nav1.8 positivos, Nav1.8Cre/0; Sucnr1 flox/flox, não atenuou/preveniu o desenvolvimento de dor neuropática induzida por paclitaxel (8 mg/kg; i.p.) após análise das respostas comportamentais ao longo de vinte e cinco dias. Portanto, nossos achados demonstram que o tratamento com paclitaxel eleva os níveis de succinato, que por sua vez pode atuar em neurônios Nav1.8 negativos, possivelmente TrkB positivos, sensibilizando essa população neuronal para o desenvolvimento de respostas nociceptivas. |
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Papel da via de sinalização succinato/Sucnr1 em neurônios sensoriais primários na fisiopatologia da dor neuropática induzida por paclitaxelRole of the succinate/Sucnr1 signaling pathway in primary sensory neurons in the pathophysiology of paclitaxel-induced neuropathic painChemotherapyDor neuropáticaNeuropathic painPaclitaxelPaclitaxelQuimioterapiaSuccinateSuccinatoSucnr1Sucnr1A dor neuropática é uma doença do sistema somatossensorial que pode ser causada por danos mecânicos, biológicos, metabólicos ou químicos. Os agentes antineoplásicos são neurotóxicos aos neurônios sensoriais primários, causam axonopatia em indivíduos sob tratamento oncológico, e levam ao surgimento de sintomas como alodinia e hiperalgesia a estímulos mecânicos e térmicos de duração prolongada. Isso limita o emprego ótimo da dose e/ou a duração adequada do tratamento antineoplásico e altera a morbidade e mortalidade de pacientes oncológicos. Evidências científicas das duas últimas décadas indicam que agentes antineoplásicos causam danos mitocondriais em neurônios sensoriais primários por alterar a estrutura e a função mitocondrial, o que culmina em danos bioenergéticos e metabólitos. Dentre tais evidências, observa-se o efeito inibitório do agente antineoplásico paclitaxel sobre a atividade enzimática do complexo mitocondrial II ou succinato desidrogenase (SDH). Dessa forma, hipotetizamos que o tratamento com paclitaxel causaria estresse e desbalanço energético, culminando com elevação nos níveis de succinato. Tal fenômeno, de maneira similar a outros contextos patológicos, causaria a ativação da via de sinalização succinato e seu receptor, Sucnr1, resultando em um papel biológico na dor neuropática induzida por paclitaxel. Assim, objetivamos estudar o papel da via de sinalização succinato/Sucnr1 em neurônios sensoriais primários na fisiopatologia da dor neuropática induzida por paclitaxel. Nossos achados demonstraram que o tratamento com paclitaxel (8 mg/kg; i.p.) elevou a concentração plasmática e tecidual, nervo isquiático, de ácido succínico de maneira significativa, não se observando diferenças nos gânglios da raiz dorsal da medula espinal após quantificação por cromatografia líquida acoplada a espectroscopia de massas. Ademais, a reanálise de bancos de dados de sequenciamento de RNA revelou que o tratamento com paclitaxel modifica a assinatura transcricional de neurônios sensoriais primários, enriquecendo genes relacionados à oxidação fosforilativa, ciclo dos ácidos tricarboxílicos e cadeia de transporte de elétrons. Adicionalmente, ensaio de atividade enzimática de SDH no gânglio da raiz dorsal revelou redução significativa após o tratamento com paclitaxel, não sendo observado o mesmo para no nervo isquiático. Para averiguar o impacto da deleção total do receptor de succinato, desenvolvemos uma nova linhagem de camundongos com deleção total desse receptor. Nessa linhagem, o tratamento com paclitaxel não causou o desenvolvimento de respostas nociceptivas de maneira similar ao observado a sua linhagem wildtype, havendo atenuação das respostas comportamentais nociceptivas no modelo de dor neuropática induzida por paclitaxel. Em seguida, observou-se que a injeção de succinato (0,1 - 100 nmol) na pata de camundongos selvagens reduziu o limiar mecânico de retirada de maneira dose-dependente. Ainda, a dose de 1 nmol/pata sensibilizou camundongos a estímulos mecânicos inócuos e térmicos frio e quente, contudo, camundongos com deleção total de Sucnr1 apresentaram falência no desenvolvimento dessas respostas comportamentais. A seguir, demonstramos que a resposta inflamatória não contribui para o efeito pronociceptivo da via succinato/Sucnr1 e que succinato 10mM elevou a frequência de disparos espontâneos de neurônios do gânglio da raiz dorsal in vitro. Após isso, determinou-se a identidade molecular do neurônio sensorial primário que expressa Sucnr1. A reanálise de bancos de dados de sequenciamento de RNA de neurônios sensitivos revelou que Sucnr1 é expresso principalmente por neurônios Nav1.8 negativos, sendo posteriormente revelado que neurônios TrkB positivos carregam maior expressão de Sucnr1 em relação a demais identidades neuronais. Tais achados foram validados por RNA scope de Sucnr1, em que observamos cerca de 55% de neurônios TrKB+Sucnr1+. Assim, para excluirmos um possível papel funcional em nociceptores, depletou-se fibras sensitivas Trpv1 positivas com resiniferatoxina e Nav1.8 positivas pelo uso de animais Nav1.8Cre/0; iDTR flox/0 tratados com toxina diftérica. Observou-se a manutenção do efeito pronociceptivo após injeção de succinato 1 nmol/pata, assim como a expressão gênica de Sucnr1 no gânglio da raiz dorsal da medula espinal. Adicionalmente, a depleção condicional de Sucnr1 em fibras Nav1.8 positivas pelo uso de camundongos Nav1.8Cre/0; Sucnr1 flox/flox também não modificou as respostas comportamentais ao succinato 1 nmol/pata e nem a expressão gênica de Sucnr1 nos gânglios da raiz dorsal da medula espinal. Avaliou-se ainda se nociceptores seriam sensibilizados in vitro por succinato 10mM, porém, não se observou aumento de correntes totais de sódio como parâmetro de hiperexcitabilidade neuronal. Por fim, a deleção condicional de Sucnr1 em neurônios Nav1.8 positivos, Nav1.8Cre/0; Sucnr1 flox/flox, não atenuou/preveniu o desenvolvimento de dor neuropática induzida por paclitaxel (8 mg/kg; i.p.) após análise das respostas comportamentais ao longo de vinte e cinco dias. Portanto, nossos achados demonstram que o tratamento com paclitaxel eleva os níveis de succinato, que por sua vez pode atuar em neurônios Nav1.8 negativos, possivelmente TrkB positivos, sensibilizando essa população neuronal para o desenvolvimento de respostas nociceptivas.Neuropathic pain is a disease of the somatosensory system that can be caused by mechanical, biological, metabolic, or chemical damage. Antineoplastic agents are neurotoxic to primary sensory neurons, cause axonopathy in individuals undergoing cancer treatment, and lead to the emergence of symptoms such as allodynia and hyperalgesia to prolonged mechanical and thermal stimuli. This limits the optimal use of the appropriate dose and/or duration of antineoplastic treatment and alters the morbidity and mortality of cancer patients. Scientific evidence from the last two decades indicates that antineoplastic agents cause mitochondrial damage in primary sensory neurons by altering mitochondrial structure and function, which culminates in bioenergetic and metabolite damage. Among such evidence, the inhibitory effect of the antineoplastic agent paclitaxel on the enzymatic activity of mitochondrial complex II or succinate dehydrogenase (SDH) is observed. Therefore, we hypothesized that treatment with paclitaxel would cause stress and energy imbalance, culminating in an increase in succinate levels. This phenomenon, like other pathological contexts, would cause the activation of the succinate signaling pathway and its receptor, Sucnr1, resulting in a biological role in paclitaxel-induced neuropathic pain. Therefore, we aimed to study the role of the succinate/Sucnr1 signaling pathway in primary sensory neurons in the pathophysiology of paclitaxel-induced neuropathic pain. Our findings demonstrated that treatment with paclitaxel (8 mg/kg; i.p.) significantly increased the plasma and tissue concentration, sciatic nerve, of succinic acid, with no differences being observed in the dorsal root ganglia of the spinal cord after quantification by liquid chromatography. coupled to mass spectroscopy. Furthermore, reanalysis of RNA sequencing databases revealed that paclitaxel treatment modifies the transcriptional signature of primary sensory neurons, enriching genes related to phosphorylative oxidation, the tricarboxylic acid cycle, and the electron transport chain. Additionally, an assay of SDH enzymatic activity in the dorsal root ganglion revealed a significant reduction after treatment with paclitaxel, with the same not being observed in the sciatic nerve. To investigate the impact of the total deletion of the succinate receptor, we developed a new mutant mouse line deficient for Sucnr1. In these animals, treatment with paclitaxel did not cause the development of nociceptive responses in a similar way to that observed in its wildtype counterpart, leading to attenuation of nociceptive behavioral responses in the paclitaxel-induced neuropathic pain model. Next, it was observed that the injection of succinate (0.1 - 100 nmol) into the paw of wild-type mice reduced the mechanical withdrawal threshold in a dose-dependent manner. Furthermore, the dose of 1 nmol/paw sensitized mice to innocuous mechanical and thermal stimuli, cold and hot, however, mice with total deletion of Sucnr1 showed failure in the development of these behavioral responses. Next, we demonstrated that the inflammatory response does not contribute to the pronociceptive effect of the succinate/Sucnr1 pathway and that 10mM succinate increased the frequency of spontaneous firing of dorsal root ganglion neurons in vitro. After this, the molecular identity of the primary sensory neuron expressing Sucnr1 was determined. Reanalysis of RNA sequencing databases of sensory neurons revealed that Sucnr1 is expressed mainly by Nav1.8-negative neurons, and it was later revealed that TrkB-positive neurons carry higher expression of Sucnr1 in relation to other neuronal identities. These findings were validated by RNA scope of Sucnr1, in which we observed around 55% of TrKB+Sucnr1+ neurons. Thus, to exclude a possible functional role in nociceptors, Trpv1-positive sensory fibers were depleted with resiniferatoxin and Nav1.8-positive by using Nav1.8Cre/0; iDTRflox/0 animals treated with diphtheria toxin. Maintenance of the pronociceptive effect was observed after injection of succinate 1 nmol/paw, as well as Sucnr1 gene expression in the dorsal root ganglion of the spinal cord. Additionally, conditional depletion of Sucnr1 in Nav1.8-positive fibers by using Nav1.8Cre/0; Sucnr1flox/flox mice also did not modify the behavioral responses to succinate 1 nmol/paw or Sucnr1 gene expression in the dorsal root ganglia of the spinal cord. It was also evaluated whether nociceptors would be sensitized in vitro by 10mM succinate, however, no increase in total sodium currents was observed as a parameter of neuronal hyperexcitability. Finally, conditional deletion of Sucnr1 in Nav1.8-positive neurons, Nav1.8Cre/0; Sucnr1flox/flox did not attenuate/prevent the development of neuropathic pain induced by paclitaxel (8 mg/kg; i.p.) after analyzing behavioral responses over twenty-five days. Therefore, our findings demonstrate that paclitaxel treatment increases succinate levels, which in turn may act on Nav1.8-negative, possibly TrkB-positive, neurons, sensitizing this neuronal population to the development of nociceptive responses.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCunha, Thiago MattarGomes, Francisco Isaac Fernandes2024-07-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17133/tde-29102024-162055/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-11-05T12:44:02Zoai:teses.usp.br:tde-29102024-162055Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-11-05T12:44:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A dor neuropática é uma doença do sistema somatossensorial que pode ser causada por danos mecânicos, biológicos, metabólicos ou químicos. Os agentes antineoplásicos são neurotóxicos aos neurônios sensoriais primários, causam axonopatia em indivíduos sob tratamento oncológico, e levam ao surgimento de sintomas como alodinia e hiperalgesia a estímulos mecânicos e térmicos de duração prolongada. Isso limita o emprego ótimo da dose e/ou a duração adequada do tratamento antineoplásico e altera a morbidade e mortalidade de pacientes oncológicos. Evidências científicas das duas últimas décadas indicam que agentes antineoplásicos causam danos mitocondriais em neurônios sensoriais primários por alterar a estrutura e a função mitocondrial, o que culmina em danos bioenergéticos e metabólitos. Dentre tais evidências, observa-se o efeito inibitório do agente antineoplásico paclitaxel sobre a atividade enzimática do complexo mitocondrial II ou succinato desidrogenase (SDH). Dessa forma, hipotetizamos que o tratamento com paclitaxel causaria estresse e desbalanço energético, culminando com elevação nos níveis de succinato. Tal fenômeno, de maneira similar a outros contextos patológicos, causaria a ativação da via de sinalização succinato e seu receptor, Sucnr1, resultando em um papel biológico na dor neuropática induzida por paclitaxel. Assim, objetivamos estudar o papel da via de sinalização succinato/Sucnr1 em neurônios sensoriais primários na fisiopatologia da dor neuropática induzida por paclitaxel. Nossos achados demonstraram que o tratamento com paclitaxel (8 mg/kg; i.p.) elevou a concentração plasmática e tecidual, nervo isquiático, de ácido succínico de maneira significativa, não se observando diferenças nos gânglios da raiz dorsal da medula espinal após quantificação por cromatografia líquida acoplada a espectroscopia de massas. Ademais, a reanálise de bancos de dados de sequenciamento de RNA revelou que o tratamento com paclitaxel modifica a assinatura transcricional de neurônios sensoriais primários, enriquecendo genes relacionados à oxidação fosforilativa, ciclo dos ácidos tricarboxílicos e cadeia de transporte de elétrons. Adicionalmente, ensaio de atividade enzimática de SDH no gânglio da raiz dorsal revelou redução significativa após o tratamento com paclitaxel, não sendo observado o mesmo para no nervo isquiático. Para averiguar o impacto da deleção total do receptor de succinato, desenvolvemos uma nova linhagem de camundongos com deleção total desse receptor. Nessa linhagem, o tratamento com paclitaxel não causou o desenvolvimento de respostas nociceptivas de maneira similar ao observado a sua linhagem wildtype, havendo atenuação das respostas comportamentais nociceptivas no modelo de dor neuropática induzida por paclitaxel. Em seguida, observou-se que a injeção de succinato (0,1 - 100 nmol) na pata de camundongos selvagens reduziu o limiar mecânico de retirada de maneira dose-dependente. Ainda, a dose de 1 nmol/pata sensibilizou camundongos a estímulos mecânicos inócuos e térmicos frio e quente, contudo, camundongos com deleção total de Sucnr1 apresentaram falência no desenvolvimento dessas respostas comportamentais. A seguir, demonstramos que a resposta inflamatória não contribui para o efeito pronociceptivo da via succinato/Sucnr1 e que succinato 10mM elevou a frequência de disparos espontâneos de neurônios do gânglio da raiz dorsal in vitro. Após isso, determinou-se a identidade molecular do neurônio sensorial primário que expressa Sucnr1. A reanálise de bancos de dados de sequenciamento de RNA de neurônios sensitivos revelou que Sucnr1 é expresso principalmente por neurônios Nav1.8 negativos, sendo posteriormente revelado que neurônios TrkB positivos carregam maior expressão de Sucnr1 em relação a demais identidades neuronais. Tais achados foram validados por RNA scope de Sucnr1, em que observamos cerca de 55% de neurônios TrKB+Sucnr1+. Assim, para excluirmos um possível papel funcional em nociceptores, depletou-se fibras sensitivas Trpv1 positivas com resiniferatoxina e Nav1.8 positivas pelo uso de animais Nav1.8Cre/0; iDTR flox/0 tratados com toxina diftérica. Observou-se a manutenção do efeito pronociceptivo após injeção de succinato 1 nmol/pata, assim como a expressão gênica de Sucnr1 no gânglio da raiz dorsal da medula espinal. Adicionalmente, a depleção condicional de Sucnr1 em fibras Nav1.8 positivas pelo uso de camundongos Nav1.8Cre/0; Sucnr1 flox/flox também não modificou as respostas comportamentais ao succinato 1 nmol/pata e nem a expressão gênica de Sucnr1 nos gânglios da raiz dorsal da medula espinal. Avaliou-se ainda se nociceptores seriam sensibilizados in vitro por succinato 10mM, porém, não se observou aumento de correntes totais de sódio como parâmetro de hiperexcitabilidade neuronal. Por fim, a deleção condicional de Sucnr1 em neurônios Nav1.8 positivos, Nav1.8Cre/0; Sucnr1 flox/flox, não atenuou/preveniu o desenvolvimento de dor neuropática induzida por paclitaxel (8 mg/kg; i.p.) após análise das respostas comportamentais ao longo de vinte e cinco dias. Portanto, nossos achados demonstram que o tratamento com paclitaxel eleva os níveis de succinato, que por sua vez pode atuar em neurônios Nav1.8 negativos, possivelmente TrkB positivos, sensibilizando essa população neuronal para o desenvolvimento de respostas nociceptivas. |
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