Criminologia de fronteira : uma crítica a partir da criminalização na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu-PR e região

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Medeiros, Fabiana Irala de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2136/tde-12112024-161751/
Resumo: O Brasil possui 27% do território formado por fronteiras entre 10 países e 09 fronteiras tríplices, dentre elas a região conhecida como Tríplice Fronteira entre Foz do Iguaçu, Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazu (Argentina). Essa região composta por mais de 70 etnias convive com agências repressivas que praticam o gerencialismo e ações de neorretribucionismo através da vigilância ostensiva e a importação de modelos repressivos eurocênticos, como o VANT - veículo aéreo não tripulado da Polícia Federal, com tecnologia israelense; o Centro Integrado de Operações de Fronteira (CIOF), baseado no modelo norte-americano Fusion Center e o NEPOM - Núcleo especial de polícia marítima, inspirado no modelo Frontex europeu. Também há ações conjuntas com outras agências e o Exército brasileiro, numa clara militarização de fronteira. Para justificar tal atuação ostensiva, justifica-se com a frase: aqui é diferente, aqui é fronteira. Com os aportes da criminologia crítica e do método dialético, a pesquisa foi dividida em dois capítulos principais. No primeiro, analisou-se o que é uma fronteira para a criminologia, apresentando os conceitos de fronteira como local-limite e local-integração. Através da análise do processo de colonização da América Latina, demonstra-se como houve a construção do cidadão além-fronteira como o desviante. Na análise da tríplice fronteira, apontou-se a seletividade da repressão confrontando os dados do Relatório de Informações Penais do 1o semestre de 2023 aos crimes usualmente praticados nessa região, dividindo-os em crimes de mercado, crimes predatórios e crimes de governança ilegal. No segundo capítulo, analisou-se as repercussões da ausência de uma política nacional de fronteiras e o uso dos aparatos de controle, a implementação de um processo hegemônico e o vigiar e punir frente à acusação norte-americana de células terroristas na região. Por fim, com base no mesmo relatório do sistema penitenciário, formula-se a teoria do fronteiriço-desviante, já que 87% da população estrangeira presa no Brasil é de cidadãos do Sul Global, 8% identificados como do Norte e 5% sem nacionalidade definida, demonstrando que a retórica do medo e da violência na tríplice fronteira na verdade é a escusa para reforçar o estereótipo do latino-americano como indivíduo que deve ser contido.
id USP_3350e11ba8db3d9e05960d3ee0a400aa
oai_identifier_str oai:teses.usp.br:tde-12112024-161751
network_acronym_str USP
network_name_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository_id_str
spelling Criminologia de fronteira : uma crítica a partir da criminalização na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu-PR e regiãoBorder criminology : a critique based on criminalization in the triple border of Foz do Iguaçu-PR and regionBorder-deviantFronteiras latino-americanasFronteiriço-desvianteLatin American bordersLimit locationLocal-integraçãoLocal-integrationLocal-limiteO Brasil possui 27% do território formado por fronteiras entre 10 países e 09 fronteiras tríplices, dentre elas a região conhecida como Tríplice Fronteira entre Foz do Iguaçu, Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazu (Argentina). Essa região composta por mais de 70 etnias convive com agências repressivas que praticam o gerencialismo e ações de neorretribucionismo através da vigilância ostensiva e a importação de modelos repressivos eurocênticos, como o VANT - veículo aéreo não tripulado da Polícia Federal, com tecnologia israelense; o Centro Integrado de Operações de Fronteira (CIOF), baseado no modelo norte-americano Fusion Center e o NEPOM - Núcleo especial de polícia marítima, inspirado no modelo Frontex europeu. Também há ações conjuntas com outras agências e o Exército brasileiro, numa clara militarização de fronteira. Para justificar tal atuação ostensiva, justifica-se com a frase: aqui é diferente, aqui é fronteira. Com os aportes da criminologia crítica e do método dialético, a pesquisa foi dividida em dois capítulos principais. No primeiro, analisou-se o que é uma fronteira para a criminologia, apresentando os conceitos de fronteira como local-limite e local-integração. Através da análise do processo de colonização da América Latina, demonstra-se como houve a construção do cidadão além-fronteira como o desviante. Na análise da tríplice fronteira, apontou-se a seletividade da repressão confrontando os dados do Relatório de Informações Penais do 1o semestre de 2023 aos crimes usualmente praticados nessa região, dividindo-os em crimes de mercado, crimes predatórios e crimes de governança ilegal. No segundo capítulo, analisou-se as repercussões da ausência de uma política nacional de fronteiras e o uso dos aparatos de controle, a implementação de um processo hegemônico e o vigiar e punir frente à acusação norte-americana de células terroristas na região. Por fim, com base no mesmo relatório do sistema penitenciário, formula-se a teoria do fronteiriço-desviante, já que 87% da população estrangeira presa no Brasil é de cidadãos do Sul Global, 8% identificados como do Norte e 5% sem nacionalidade definida, demonstrando que a retórica do medo e da violência na tríplice fronteira na verdade é a escusa para reforçar o estereótipo do latino-americano como indivíduo que deve ser contido.Brazil has 27% of the territory formed by borders with 10 countries and 9 triple borders, among them the region known as the Three Borders between Foz do Iguaçu, Ciudad del Este (Paraguay) and Puerto Iguazu (Argentina). This region, made up of more than 70 ethnicities, coexists with repressive agencies that practice managerialism and neo-retribution actions through overt surveillance and the import of Eurocentric repressive models, such as the UAV - unmanned aerial vehicle of the Federal Police, with Israeli technology; the Integrated Border Operation Center (CIOF), based on the North American Fusion Center model, and the NEPOM - Special Maritime Police Unit, inspired by the European Frontex model. There are also joint actions with other agencies and the Brazilian Army, in a clear militarization of the border. To justify such an overt action, it is rationalized with the phrase: here is different, here is the border. With contributions from critical criminology and the dialectical method, the research was divided into two main chapters. In the first, we analyzed what a border means for criminology, presenting the concepts of border as local-limit and local-integration. Through the analysis of the colonization process in Latin America, we demonstrated how the beyond the border citizen was constructed as the deviant. In the analysis of the three borders, we pointed out the selectivity of repression by comparing data from the Criminal Information Report for the 1st semester of 2023 to crimes typically committed in this region, categorizing them as market crimes, predatory crimes and crimes of illegal governance. In the second chapter,we examined the repercussions of the absence of a national border policy and the use of control mechanisms, the implementation of a hegemonic process and the surveillance and punishment in response to the North American accusation of terrorist cells in the region. Finally, based on the same prison system report, we formulated the theory of the border-deviant, since 87% of the foreign population imprisoned in Brazil is from citizens of the Global South, 8% identified as from the North and 5% with undefined nationality, demonstrating that the rhetoric of fear and violence in the three borders is actually an excuse to reinforce the stereotype of Latin Americans as individuals who must be contained.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDieter, Mauricio StegemannMedeiros, Fabiana Irala de2024-02-05info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2136/tde-12112024-161751/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-12T17:58:23Zoai:teses.usp.br:tde-12112024-161751Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-12T17:58:23Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
dc.title.none.fl_str_mv Criminologia de fronteira : uma crítica a partir da criminalização na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu-PR e região
Border criminology : a critique based on criminalization in the triple border of Foz do Iguaçu-PR and region
title Criminologia de fronteira : uma crítica a partir da criminalização na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu-PR e região
spellingShingle Criminologia de fronteira : uma crítica a partir da criminalização na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu-PR e região
Medeiros, Fabiana Irala de
Border-deviant
Fronteiras latino-americanas
Fronteiriço-desviante
Latin American borders
Limit location
Local-integração
Local-integration
Local-limite
title_short Criminologia de fronteira : uma crítica a partir da criminalização na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu-PR e região
title_full Criminologia de fronteira : uma crítica a partir da criminalização na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu-PR e região
title_fullStr Criminologia de fronteira : uma crítica a partir da criminalização na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu-PR e região
title_full_unstemmed Criminologia de fronteira : uma crítica a partir da criminalização na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu-PR e região
title_sort Criminologia de fronteira : uma crítica a partir da criminalização na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu-PR e região
author Medeiros, Fabiana Irala de
author_facet Medeiros, Fabiana Irala de
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Dieter, Mauricio Stegemann
dc.contributor.author.fl_str_mv Medeiros, Fabiana Irala de
dc.subject.por.fl_str_mv Border-deviant
Fronteiras latino-americanas
Fronteiriço-desviante
Latin American borders
Limit location
Local-integração
Local-integration
Local-limite
topic Border-deviant
Fronteiras latino-americanas
Fronteiriço-desviante
Latin American borders
Limit location
Local-integração
Local-integration
Local-limite
description O Brasil possui 27% do território formado por fronteiras entre 10 países e 09 fronteiras tríplices, dentre elas a região conhecida como Tríplice Fronteira entre Foz do Iguaçu, Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazu (Argentina). Essa região composta por mais de 70 etnias convive com agências repressivas que praticam o gerencialismo e ações de neorretribucionismo através da vigilância ostensiva e a importação de modelos repressivos eurocênticos, como o VANT - veículo aéreo não tripulado da Polícia Federal, com tecnologia israelense; o Centro Integrado de Operações de Fronteira (CIOF), baseado no modelo norte-americano Fusion Center e o NEPOM - Núcleo especial de polícia marítima, inspirado no modelo Frontex europeu. Também há ações conjuntas com outras agências e o Exército brasileiro, numa clara militarização de fronteira. Para justificar tal atuação ostensiva, justifica-se com a frase: aqui é diferente, aqui é fronteira. Com os aportes da criminologia crítica e do método dialético, a pesquisa foi dividida em dois capítulos principais. No primeiro, analisou-se o que é uma fronteira para a criminologia, apresentando os conceitos de fronteira como local-limite e local-integração. Através da análise do processo de colonização da América Latina, demonstra-se como houve a construção do cidadão além-fronteira como o desviante. Na análise da tríplice fronteira, apontou-se a seletividade da repressão confrontando os dados do Relatório de Informações Penais do 1o semestre de 2023 aos crimes usualmente praticados nessa região, dividindo-os em crimes de mercado, crimes predatórios e crimes de governança ilegal. No segundo capítulo, analisou-se as repercussões da ausência de uma política nacional de fronteiras e o uso dos aparatos de controle, a implementação de um processo hegemônico e o vigiar e punir frente à acusação norte-americana de células terroristas na região. Por fim, com base no mesmo relatório do sistema penitenciário, formula-se a teoria do fronteiriço-desviante, já que 87% da população estrangeira presa no Brasil é de cidadãos do Sul Global, 8% identificados como do Norte e 5% sem nacionalidade definida, demonstrando que a retórica do medo e da violência na tríplice fronteira na verdade é a escusa para reforçar o estereótipo do latino-americano como indivíduo que deve ser contido.
publishDate 2024
dc.date.none.fl_str_mv 2024-02-05
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
format doctoralThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2136/tde-12112024-161751/
url https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2136/tde-12112024-161751/
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.relation.none.fl_str_mv
dc.rights.driver.fl_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
info:eu-repo/semantics/openAccess
rights_invalid_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.coverage.none.fl_str_mv
dc.publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
dc.source.none.fl_str_mv
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
instname:Universidade de São Paulo (USP)
instacron:USP
instname_str Universidade de São Paulo (USP)
instacron_str USP
institution USP
reponame_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
collection Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository.name.fl_str_mv Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)
repository.mail.fl_str_mv virginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.br
_version_ 1865492431088123904