O Éter como um tema multiforme na história das ideias científicas, antes e depois da teoria da relatividade: olhares epistemológicos.
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-04062025-185353/ |
Resumo: | Dentre as possíveis narrativas sobre o desaparecimento do conceito de éter como objeto de estudo para ciências naturais, a afirmação de sua superficialidade produzida pela teoria da relatividade especial de Albert Einstein em 1905 tornou-se uma das mais significativas justificativas do ocorrido tanto para historiadores, quanto para filósofos da ciência. O conceito de éter em suas nuances - apesar de ter atravessado gerações, de ter sido teorizado, basilar na visão de natureza de inúmeros pensadores nos períodos significativos do pensamento humano - na contemporaneidade, beira à pseudociência. Ainda assim, mesmo com esse estigma pejorativo, mas atravessados pelas intenções bachelardianas de uma pesquisa mais detida às questões epistemológicas, avessas ao sentido acumulativo do conhecimento e da história, apresentados na obra A formação do espírito científico, apresentaremos uma outra narrativa possível ao éter. Se, para Bachelard, o pensamento científico apenas ocorre nas teorias que têm seus erros retificados, abstratas, porém fecundas metodologicamente, o conceito de éter não se resumiria a uma negativa de inadequação teórica, ou de superficialidade. Ademais, exploramos a relação entre éter e Einstein com maior acuidade, apresentando elaborações de Einstein que foram subsumidas pelos processos históricos. Destes documentos, além das indagações einsteinianas pré-relativísticas sobre o conceito, destacam-se publicações do autor acerca do éter após a validação da teoria da relatividade geral. Nelas, Einstein discutiu a máxima da superficialidade do conceito, assim como delineou considerações pelas quais um novo éter poderia emergir para a nova física do século XX. A história do éter, após estas retificações, não deveria ter sido, para Einstein, interrompida pela relatividade. Na tentativa de alavancar novamente o conceito de éter através das justificativas einsteinianas e da recomposição narrativa de Bachelard, apresentaremos alguns percalços históricos do conceito, não apenas com o intuito de reconstruir o que foi o conceito em suas várias aparições, mas também a fim de apontar como ele esteve presente em momentos significativos nas teorias do conhecimento humano. No intuito de apresentar um possível recurso que pudesse orientar novos desdobramentos ao éter e às suas irregularidades na filosofia da ciência, recorremos às teses de Lorraine Daston. A autora, em seu recorte sobre o preternatural, retomou uma metodologia diversa conjecturada por pensadores antes da Modernidade. Amparados por uma outra ontologia e epistemologia, esses autores promulgavam uma ciência dos fenômenos irregulares, como o éter. A dissertação, em suma, apresenta casos particulares, históricos e filosóficos, na tentativa de elucidar não apenas motivos para a reinserção do estudo de um conceito relevante como o éter, mas também tensiona o tratamento que tem se dado, na ciência, a conceitos ambíguos. Afinal, para bem conduzir o novo espírito científico, o epistemólogo deveria não só nos afastar de uma história viciada de conquistas, mas prescrever as mais fecundas histórias com seus erros retificados. Pois, nestas outras narrativas possíveis, talvez estejam ocultas as razões de fenômenos irregulares, além da natureza, que nos habituamos a denominar de natural |
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O Éter como um tema multiforme na história das ideias científicas, antes e depois da teoria da relatividade: olhares epistemológicos.Ether as a Multifaceted Theme in the History of Scientific Ideas, Before and After the Theory of Relativity: epistemological perspectivesEpistemologiaEpistemologyÉterEtherHistória da CiênciaHistory of ScienceDentre as possíveis narrativas sobre o desaparecimento do conceito de éter como objeto de estudo para ciências naturais, a afirmação de sua superficialidade produzida pela teoria da relatividade especial de Albert Einstein em 1905 tornou-se uma das mais significativas justificativas do ocorrido tanto para historiadores, quanto para filósofos da ciência. O conceito de éter em suas nuances - apesar de ter atravessado gerações, de ter sido teorizado, basilar na visão de natureza de inúmeros pensadores nos períodos significativos do pensamento humano - na contemporaneidade, beira à pseudociência. Ainda assim, mesmo com esse estigma pejorativo, mas atravessados pelas intenções bachelardianas de uma pesquisa mais detida às questões epistemológicas, avessas ao sentido acumulativo do conhecimento e da história, apresentados na obra A formação do espírito científico, apresentaremos uma outra narrativa possível ao éter. Se, para Bachelard, o pensamento científico apenas ocorre nas teorias que têm seus erros retificados, abstratas, porém fecundas metodologicamente, o conceito de éter não se resumiria a uma negativa de inadequação teórica, ou de superficialidade. Ademais, exploramos a relação entre éter e Einstein com maior acuidade, apresentando elaborações de Einstein que foram subsumidas pelos processos históricos. Destes documentos, além das indagações einsteinianas pré-relativísticas sobre o conceito, destacam-se publicações do autor acerca do éter após a validação da teoria da relatividade geral. Nelas, Einstein discutiu a máxima da superficialidade do conceito, assim como delineou considerações pelas quais um novo éter poderia emergir para a nova física do século XX. A história do éter, após estas retificações, não deveria ter sido, para Einstein, interrompida pela relatividade. Na tentativa de alavancar novamente o conceito de éter através das justificativas einsteinianas e da recomposição narrativa de Bachelard, apresentaremos alguns percalços históricos do conceito, não apenas com o intuito de reconstruir o que foi o conceito em suas várias aparições, mas também a fim de apontar como ele esteve presente em momentos significativos nas teorias do conhecimento humano. No intuito de apresentar um possível recurso que pudesse orientar novos desdobramentos ao éter e às suas irregularidades na filosofia da ciência, recorremos às teses de Lorraine Daston. A autora, em seu recorte sobre o preternatural, retomou uma metodologia diversa conjecturada por pensadores antes da Modernidade. Amparados por uma outra ontologia e epistemologia, esses autores promulgavam uma ciência dos fenômenos irregulares, como o éter. A dissertação, em suma, apresenta casos particulares, históricos e filosóficos, na tentativa de elucidar não apenas motivos para a reinserção do estudo de um conceito relevante como o éter, mas também tensiona o tratamento que tem se dado, na ciência, a conceitos ambíguos. Afinal, para bem conduzir o novo espírito científico, o epistemólogo deveria não só nos afastar de uma história viciada de conquistas, mas prescrever as mais fecundas histórias com seus erros retificados. Pois, nestas outras narrativas possíveis, talvez estejam ocultas as razões de fenômenos irregulares, além da natureza, que nos habituamos a denominar de naturalAmong the possible narratives about the disappearance of the concept of ether as an object of study in the natural sciences, the assertion of its superficiality, as produced by Albert Einstein\'s theory of special relativity in 1905, has become one of the most significant justifications for its decline, both for historians and philosophers of science. The concept of ether, despite its nuances--having crossed generations, been theorized, and served as foundational in the view of nature for countless thinkers during significant periods of human thought--now verges on pseudoscience in contemporary discourse. Nevertheless, even with this pejorative stigma, driven by Bachelard\'s intentions for a deeper epistemological inquiry, opposed to the accumulative sense of knowledge and history as presented in *The Formation of the Scientific Mind*, we aim to present an alternative narrative for ether. For Bachelard, scientific thought only occurs in theories where errors are rectified, abstract yet methodologically fertile. Thus, the concept of ether would not merely be a case of theoretical inadequacy or superficiality. Moreover, we explore the relationship between ether and Einstein more thoroughly, presenting Einstein\'s elaborations that have been subsumed by historical processes. Among these documents, in addition to Einstein\'s pre-relativistic inquiries about the concept, stand out the author\'s publications on ether after the validation of general relativity theory. In these works, Einstein discussed the maximal claim of the concept\'s superficiality, and outlined considerations for which a new ether could emerge in 20th-century physics. After these corrections, according to Einstein, the history of ether should not have been interrupted by relativity. In an attempt to revitalize the concept of ether through Einsteinian justifications and Bachelard\'s narrative reconstruction, we highlight some historical pitfalls of the concept, not only aiming to reconstruct what the concept was in its various manifestations but also to indicate how it played a significant role in crucial moments of human knowledge theories. In an effort to offer a potential resource that could guide new developments regarding ether and its irregularities in the philosophy of science, we draw upon Lorraine Daston\'s theses. In her exploration of the preternatural, Daston revisited a diverse methodology conjectured by pre-modern thinkers. Supported by a different ontology and epistemology, these authors advocated for a science of irregular phenomena, such as ether. In sum, this dissertation presents particular historical and philosophical cases in an attempt to elucidate not only reasons for reintroducing the study of a relevant concept like ether, but also to challenge the treatment that science has given to ambiguous concepts. After all, in order to properly guide the new scientific spirit, the epistemologist should not only steer us away from a flawed history of achievements but also prescribe the most fertile histories with their rectified errors. For, in these alternative possible narratives, the reasons for irregular phenomena, beyond what we have become accustomed to labeling as natural, may be concealedBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBezerra, Valter AlnisNamura, Fabio Morales2024-10-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-04062025-185353/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-22T09:01:02Zoai:teses.usp.br:tde-04062025-185353Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-22T09:01:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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