Aspectos clínicos das leucodistrofias e leucoencefalopatias genéticas na infância e adolescência

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Minami, Maria Avanise Yumi
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-24092025-102049/
Resumo: Leucodistrofias e leucoencefalopatias genéticas formam um extenso grupo de doenças genéticas da substância branca do sistema nervoso central. São individualmente raras, porém coletivamente frequentes, a maioria tem seu início na infância. Apresentam mecanismos patológicos diversos e ampla variedade de manifestações clínicas neurológicas, muitas vezes inespecíficas, e algumas demonstram manifestações sistêmicas. A ressonância magnética revolucionou este grupo de doença, contribuindo para o reconhecimento e diagnóstico. Até há poucas décadas, poucas leucodistrofias e leucoencefalopatias genéticas possuíam exames diagnósticos específicos, sendo que cerca de metade dos casos permanecia sem diagnóstico, cenário este, que vem mudando com o advento das técnicas genéticas de nova geração, inclusive com descrição de novos genes relacionados a essas patologias. As leucodistrofias e as leucoencefalopatias genéticas possuem variedades regionais quanto à sua incidência, e os tipos mais frequentes variam de acordo com as características da população. O objetivo deste estudo foi determinar as leucodistrofias e as leucoencefalopatias genéticas na população pediátrica, determinar as manifestações clínicas iniciais e as alterações de exames neurológicos e neurológicos evolutivos; notificar os métodos empregados que colaboraram para o diagnóstico ao longo do período do estudo. O estudo retrospectivo de análise de prontuário pelo período de 20 anos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo encontrou 196 pacientes: 57 com leucodistrofia e 139 com leucoencefalopatia genética. As leucodistrofias mais frequentes foram a adrenoleucodistrofia ligada ao X (16 pacientes), doença de Krabbe (13), leucodistrofia metacromática (9) e doença da substância branca evanescente (8); e as leucoencefalopatias genéticas foram a gangliosidose 2 (doença de Tay-Sachs) (20), o grupo das mucopolissacaridoses (14), as mitocondriopatias (13), e a doença de Niemann-Pick C (11). A alteração do neurodesenvolvimento foi a queixa inicial mais frequente, predominando neurodegeneração; epilepsia e distúrbios extrapiramidais, principalmente a distonia, também foram frequentes como queixas iniciais. A maioria evoluiu para piramidalismo, tetraespasticidade e disfagia. As leucodistrofias e leucoencefalopatia genéticas mais frequentes encontradas neste estudo apresentavam ensaios enzimáticos específicos e este foi o método mais utilizado para os diagnósticos, realizados após a avaliação da neuroimagem por ressonância magnética, notandose que nos últimos anos esses exames foram associados aos testes genéticos de última geração e estão sendo cada vez mais utilizados agilizando o diagnóstico. Especificar as leucodistrofias e leucoencefalopatias genéticas mais frequentes da população pediátrica é essencial para se definirem estratégias diagnósticas e terapêuticas. Bem como nos alertar para qualquer quadro de neurodegeneração associado à epilepsia ou distúrbios extrapiramidais, principalmente distonia, para acelerar a neuroimagem com objetivo do diagnóstico precoce. Ter-se consciência das patologias mais frequentes também atenta para novos tratamentos, principalmente as terapias gênicas que vêm ocorrendo em estudos clínico mundiais e que sabidamente muitos são modificadores da doença.
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Até há poucas décadas, poucas leucodistrofias e leucoencefalopatias genéticas possuíam exames diagnósticos específicos, sendo que cerca de metade dos casos permanecia sem diagnóstico, cenário este, que vem mudando com o advento das técnicas genéticas de nova geração, inclusive com descrição de novos genes relacionados a essas patologias. As leucodistrofias e as leucoencefalopatias genéticas possuem variedades regionais quanto à sua incidência, e os tipos mais frequentes variam de acordo com as características da população. O objetivo deste estudo foi determinar as leucodistrofias e as leucoencefalopatias genéticas na população pediátrica, determinar as manifestações clínicas iniciais e as alterações de exames neurológicos e neurológicos evolutivos; notificar os métodos empregados que colaboraram para o diagnóstico ao longo do período do estudo. O estudo retrospectivo de análise de prontuário pelo período de 20 anos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo encontrou 196 pacientes: 57 com leucodistrofia e 139 com leucoencefalopatia genética. As leucodistrofias mais frequentes foram a adrenoleucodistrofia ligada ao X (16 pacientes), doença de Krabbe (13), leucodistrofia metacromática (9) e doença da substância branca evanescente (8); e as leucoencefalopatias genéticas foram a gangliosidose 2 (doença de Tay-Sachs) (20), o grupo das mucopolissacaridoses (14), as mitocondriopatias (13), e a doença de Niemann-Pick C (11). A alteração do neurodesenvolvimento foi a queixa inicial mais frequente, predominando neurodegeneração; epilepsia e distúrbios extrapiramidais, principalmente a distonia, também foram frequentes como queixas iniciais. A maioria evoluiu para piramidalismo, tetraespasticidade e disfagia. As leucodistrofias e leucoencefalopatia genéticas mais frequentes encontradas neste estudo apresentavam ensaios enzimáticos específicos e este foi o método mais utilizado para os diagnósticos, realizados após a avaliação da neuroimagem por ressonância magnética, notandose que nos últimos anos esses exames foram associados aos testes genéticos de última geração e estão sendo cada vez mais utilizados agilizando o diagnóstico. Especificar as leucodistrofias e leucoencefalopatias genéticas mais frequentes da população pediátrica é essencial para se definirem estratégias diagnósticas e terapêuticas. Bem como nos alertar para qualquer quadro de neurodegeneração associado à epilepsia ou distúrbios extrapiramidais, principalmente distonia, para acelerar a neuroimagem com objetivo do diagnóstico precoce. Ter-se consciência das patologias mais frequentes também atenta para novos tratamentos, principalmente as terapias gênicas que vêm ocorrendo em estudos clínico mundiais e que sabidamente muitos são modificadores da doença.Leukodystrophies and genetic leukoencephalopathies form an extensive group of genetic disorders affecting the white matter of the central nervous system. These conditions are individually rare but collectively frequent, with the vast majority presenting in childhood. They present diverse pathological mechanisms and a wide variety of nonspecific neurological signs and systemic manifestations. Magnetic resonance imaging has revolutionized the understanding of these disorders, contributing significantly to their recognition and diagnosis. Until a few decades ago, few leukodystrophies and genetic leukoencephalopathies had specific diagnostic tests, and approximately half of the cases remained undiagnosed. This scenario has been changing with the advent of new-generation genetic techniques, including the description of the new genes associated with these pathologies. Leukodystrophies and genetic leukoencephalopathies show regional variability in their incidence, and the most frequent types vary depending on populations. Objective: to determine the frequency of leukodystrophies and a genetic leukoencephalopathy in the pediatric population, identify the initial clinical manifestations, and the neurological and evolving neurological exam changes; as well as to report the diagnostic methods used that contributed to the diagnosis throughout the study period. A retrospective chart review, at the Hospital das Clínicas, Ribeirão Preto Medical School, University of São Paulo, over 20 years found 196 patients: including 57 with leukodystrophy and 139 with genetic leukoencephalopathy. The most frequent leukodystrophies were Xlinked adrenoleukodystrophy (16 patients), Krabbe disease (13), metachromatic leukodystrophy (9) and vanishing white matter disease (8; while genetic leukoencephalopathies included gangliosidosis 2 (20), mucopolysaccharidoses (14), mitochondrial diseases (13) and Niemann-Pick disease type C (11). Neurodevelopment delay and regression were the most frequent initial complaints; epilepsy and extrapyramidal disorders, especially dystonia, were also frequent as initial complaints. The majority evolved to pyramidal signs, tetraspasticity and dysphagia. The enzymatic assay was the most used diagnostic method, typically performed after neuroimaging evaluation by MRI, and in recent years, these tests have been combined with genetic testing. Conclusion: Identifying the most frequent leukodystrophies and genetic leukoencephalopathies in our population is essential for defining diagnostic and therapeutic strategies. The most frequent conditions identified in this study have specific enzymatic methods, which are important for the cost-effective investigation of rare disease. Recognizing any cases of neurodegeneration associated with epilepsy or extrapyramidal disorders, especially dystonia, is crucial for accelerating neuroimaging to achieve early diagnosis. Being aware of the most common pathologies also alert us to new treatments, particularly gene therapies, which are being studied globally and are known to modify the course of the disease.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPHamad, Ana Paula AndradeMinami, Maria Avanise Yumi2025-07-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-24092025-102049/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-08T17:09:02Zoai:teses.usp.br:tde-24092025-102049Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-08T17:09:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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