Controle do desmatamento e o impacto na renda agropecuária no Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: França, Regiane Canisares
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11132/tde-09092021-164402/
Resumo: O crescimento da produção agropecuária contribui para discussões relacionadas ao desmatamento das florestas brasileiras, que tem registrado elevadas taxas nos últimos anos. Frequentemente, o crescimento do desflorestamento é atribuído aos retornos do setor agropecuário, com o aumento da produção pautado pela expansão de terras. Neste contexto, o principal objetivo desta pesquisa é investigar se a implantação de medidas de redução do desmatamento também reduz a renda do setor agropecuário brasileiro. Para isso, foram simulados três cenários de política de redução do desmatamento através do uso de um modelo inter-regional (bottom-up) e dinâmico-recursivo de equilíbrio geral computável, o TERM-BR, que utiliza uma matriz de transição para capturar as mudanças no uso da terra entre as categorias da agropecuária (culturas, pastagens e silvicultura) e um tipo de uso residual representando as florestas nativas (unused). Os cenários de desmatamento utilizados aqui são originais do estudo do Instituto Escolhas (2017), com o cenário base projetando as taxas de desmatamento seguindo a tendência recente da série histórica, e três cenários de política: ZERO, que projeta a interrupção total do desflorestamento nas florestas brasileiras até 2030; CEN2, impõem o fim do desmatamento ilegal em 2030, mas com o desmatamento em terras privadas prosseguindo em áreas de elevada aptidão agrícola; e CEN3, que é semelhante ao cenário CEN2, mas o desflorestamento em terras privadas ocorre sobre qualquer tipo de terra, independente da aptidão agrícola. Os resultados indicaram que a redução do desmatamento no Brasil não reduz a renda agropecuária, inclusive, as simulações apontaram para um ganho moderado na renda agregada do setor. No cenário mais restrito (ZERO), os resultados apontaram para elevação de 1,13% na renda agropecuária, com crescimento de 0,61% e 0,12% nos cenários CEN2 e CEN3, respectivamente. Este crescimento ocorre devido ao aumento nos rendimentos da terra, que se torna escassa com a aplicação da política e com a elevação dos preços dos alimentos e matérias-primas, que elevam os valores da produção. Apesar disso, os resultados regionais mostraram que os estados pertencentes à região da Amazônia Legal registraram queda na renda agropecuária, enquanto os estados mais afastados dessa região tiveram suas rendas elevadas. Outro resultado importante refere-se ao setor da agroindústria que, diferente do setor agropecuário, registrou queda na renda agregada com a implantação das políticas. Ademais, foi observado que a implantação das políticas causou um custo social ao reduzir o consumo das famílias mais pobres da economia, devido à elevação dos preços dos alimentos e queda dos salários reais. O estudo também constatou que uma elevação de produtividade relativamente pequena é necessária para manter os níveis de produção anterior à aplicação das políticas, com crescimento de 1,4% até 2030 no cenário ZERO. De forma geral, apesar dos resultados do estudo apontarem que a redução do desmatamento não prejudica os rendimentos do setor agropecuário, os resultados negativos em termos regionais e sociais se mostraram importantes para condução deste tipo de política, que podem guiar medidas compensatórias para que os impactos para estes agentes possam ser minimizados.
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Para isso, foram simulados três cenários de política de redução do desmatamento através do uso de um modelo inter-regional (bottom-up) e dinâmico-recursivo de equilíbrio geral computável, o TERM-BR, que utiliza uma matriz de transição para capturar as mudanças no uso da terra entre as categorias da agropecuária (culturas, pastagens e silvicultura) e um tipo de uso residual representando as florestas nativas (unused). Os cenários de desmatamento utilizados aqui são originais do estudo do Instituto Escolhas (2017), com o cenário base projetando as taxas de desmatamento seguindo a tendência recente da série histórica, e três cenários de política: ZERO, que projeta a interrupção total do desflorestamento nas florestas brasileiras até 2030; CEN2, impõem o fim do desmatamento ilegal em 2030, mas com o desmatamento em terras privadas prosseguindo em áreas de elevada aptidão agrícola; e CEN3, que é semelhante ao cenário CEN2, mas o desflorestamento em terras privadas ocorre sobre qualquer tipo de terra, independente da aptidão agrícola. Os resultados indicaram que a redução do desmatamento no Brasil não reduz a renda agropecuária, inclusive, as simulações apontaram para um ganho moderado na renda agregada do setor. No cenário mais restrito (ZERO), os resultados apontaram para elevação de 1,13% na renda agropecuária, com crescimento de 0,61% e 0,12% nos cenários CEN2 e CEN3, respectivamente. Este crescimento ocorre devido ao aumento nos rendimentos da terra, que se torna escassa com a aplicação da política e com a elevação dos preços dos alimentos e matérias-primas, que elevam os valores da produção. Apesar disso, os resultados regionais mostraram que os estados pertencentes à região da Amazônia Legal registraram queda na renda agropecuária, enquanto os estados mais afastados dessa região tiveram suas rendas elevadas. Outro resultado importante refere-se ao setor da agroindústria que, diferente do setor agropecuário, registrou queda na renda agregada com a implantação das políticas. Ademais, foi observado que a implantação das políticas causou um custo social ao reduzir o consumo das famílias mais pobres da economia, devido à elevação dos preços dos alimentos e queda dos salários reais. O estudo também constatou que uma elevação de produtividade relativamente pequena é necessária para manter os níveis de produção anterior à aplicação das políticas, com crescimento de 1,4% até 2030 no cenário ZERO. De forma geral, apesar dos resultados do estudo apontarem que a redução do desmatamento não prejudica os rendimentos do setor agropecuário, os resultados negativos em termos regionais e sociais se mostraram importantes para condução deste tipo de política, que podem guiar medidas compensatórias para que os impactos para estes agentes possam ser minimizados.The growth of agricultural production contributes to discussions related to deforestation of Brazilian forests, which has registered high rates recently. Often, the growth of deforestation is attributed to the returns of the agricultural sector, with the increase in production guided by the expansion of land. In this context, the main objective of this research is to investigate whether the implementation of measures to reduce deforestation also reduces the income of the Brazilian agricultural sector. For this, three scenarios of deforestation reduction policy were simulated using an interregional, bottom-up, dynamic general equilibrium model, the TERM-BR model, which uses a transition matrix to capture changes in land use between the categories of agriculture (crops, pastures and forestry) and a type of residual use representing native forests (unused). The deforestation scenarios used here are original from Instituto Escolhas (2017), with the base scenario projecting deforestation rates following the recent trend of the historical series, and more three policy scenarios: ZERO, which projects the total interruption of deforestation in Brazilian forests by 2030; CEN2, impose the end of illegal deforestation in 2030, but with deforestation on private land continuing in areas of high agricultural aptitude; and CEN3, which is similar to the CEN2 scenario, but deforestation on private land occurs on any type of land, regardless of agricultural aptitude. The results indicated that the reduction of deforestation in Brazil does not reduce agricultural income. Actually, the simulations pointed to a moderate gain in the aggregate income of the sector. In the more restricted scenario (ZERO), the results pointed to an increase of 1.13% in agricultural income, with growth of 0.61% and 0.12% in the scenarios CEN2 and CEN3, respectively. This growth occurs due to the increase in returns to land, which becomes scarce with the application of the policy and with the increase in prices of food and raw materials, which raise the values of production. Nevertheless, the regional results showed that the states belonging to the region of the Legal Amazon recorded a fall in agricultural income, while the states farther away from this region had increased incomes. Another important result refers to the agroindustry sector, which, unlike the agricultural sector, recorded a fall in aggregate income with the implementation of policies. Moreover, it was observed that the implementation of the policies caused a social cost by reducing the consumption of the poorest families of the economy, due to the rise in food prices and falling real wages. The study also found that a relatively small productivity increase would be necessary to maintain production levels prior to the implementation of the policy, with growth of 1.4% by 2030 in the ZERO scenario. In general, despite the results of the study point out that the reduction of deforestation does not harm the incomes of the agricultural sector, the negative results in regional and social terms proved important for conducting this type of policy, which can guide compensatory measures so that the impacts for these agents are minimized.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFerreira Filho, Joaquim Bento de SouzaFrança, Regiane Canisares2021-08-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11132/tde-09092021-164402/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2021-09-13T15:22:02Zoai:teses.usp.br:tde-09092021-164402Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212021-09-13T15:22:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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