Maternagem na pandemia: culpa, cansaço e solidão em discursos midiáticos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Pinho, Juliana Malacarne de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27164/tde-01082025-134258/
Resumo: Esta tese tem como objetivo central investigar de que maneira os sentimentos de culpa, cansaço e solidão maternos foram articulados pelos discursos midiáticos, tomando como corpus empírico a revista Crescer antes e durante a pandemia de covid-19. Busca-se compreender em quais contextos esses sentimentos foram apresentados e como eles se relacionam com os ideais contemporâneos de maternidade, particularmente com o modelo da maternagem intensiva (Hays, 1996; Douglas; Michaels, 2004; OReilly, 2016). Além disso, a pesquisa examina se as soluções propostas pela revista para lidar com tais sentimentos permaneceram restritas ao nível individual centradas na responsabilização da própria mãe ou se reconheceram dimensões estruturais que regulam a experiência materna. Para responder a essas questões, foram analisados 294 trechos extraídos de 36 edições da revista Crescer, publicadas entre abril de 2019 e julho de 2022. Esses trechos foram categorizados conforme o tema sendo 127 relacionados ao cansaço, 99 à culpa e 68 à solidão materna. A delimitação do corpus considerou três momentos distintos: o período anterior à pandemia, o auge da quarentena e o intervalo pós-vacinação. Como metodologia, empregou-se a Análise de Conteúdo, com o suporte do software Nvivo 12 Pro para a codificação dos dados. Os resultados desta pesquisa evidenciam um aumento de 13,3% na recorrência dos temas de culpa, cansaço e solidão maternos nas edições da revista Crescer durante a pandemia. A análise demonstra que tais sentimentos estão intrinsecamente ligados ao modelo de maternagem intensiva, revelando que esse aumento reflete o fortalecimento de discursos que questionam as contradições da maternidade na contemporaneidade. Adicionalmente, observou-se um crescimento de soluções estruturais bem como redução das propostas de caráter privado. Antes da pandemia, as soluções estruturais correspondiam a 33% do total, enquanto no período pandêmico passaram a representar, em média, 43%. Em contrapartida, as soluções privadas diminuíram de 44% para uma média de 23%. Esses resultados evidenciam que, durante a pandemia, tornou-se possível questionar aspectos da maternidade que, até então, eram amplamente naturalizados, permitindo um olhar mais atento em relação à sobrecarga materna e seus impactos sobre as mães.
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Além disso, a pesquisa examina se as soluções propostas pela revista para lidar com tais sentimentos permaneceram restritas ao nível individual centradas na responsabilização da própria mãe ou se reconheceram dimensões estruturais que regulam a experiência materna. Para responder a essas questões, foram analisados 294 trechos extraídos de 36 edições da revista Crescer, publicadas entre abril de 2019 e julho de 2022. Esses trechos foram categorizados conforme o tema sendo 127 relacionados ao cansaço, 99 à culpa e 68 à solidão materna. A delimitação do corpus considerou três momentos distintos: o período anterior à pandemia, o auge da quarentena e o intervalo pós-vacinação. Como metodologia, empregou-se a Análise de Conteúdo, com o suporte do software Nvivo 12 Pro para a codificação dos dados. Os resultados desta pesquisa evidenciam um aumento de 13,3% na recorrência dos temas de culpa, cansaço e solidão maternos nas edições da revista Crescer durante a pandemia. A análise demonstra que tais sentimentos estão intrinsecamente ligados ao modelo de maternagem intensiva, revelando que esse aumento reflete o fortalecimento de discursos que questionam as contradições da maternidade na contemporaneidade. Adicionalmente, observou-se um crescimento de soluções estruturais bem como redução das propostas de caráter privado. Antes da pandemia, as soluções estruturais correspondiam a 33% do total, enquanto no período pandêmico passaram a representar, em média, 43%. Em contrapartida, as soluções privadas diminuíram de 44% para uma média de 23%. Esses resultados evidenciam que, durante a pandemia, tornou-se possível questionar aspectos da maternidade que, até então, eram amplamente naturalizados, permitindo um olhar mais atento em relação à sobrecarga materna e seus impactos sobre as mães.The central aim of this thesis is to investigate how feelings of maternal guilt, tiredness and loneliness were articulated in media discourses, taking Crescer magazine as an empirical corpus before and during the covid-19 pandemic. The aim is to understand in which contexts these feelings were presented and how they relate to contemporary ideals of motherhood, particularly the model of intensive mothering (Hays, 1996; Douglas; Michaels, 2004; OReilly, 2016). In addition, this research examines whether the solutions proposed by the magazine to deal with such feelings remained restricted to the individual level - centered on the mother\'s own responsibility - or whether they recognized structural dimensions that regulate the maternal experience. To answer these questions, 294 excerpts from 36 issues of Crescer magazine, published between April 2019 and July 2022, were analyzed. These excerpts were categorized according to theme - 127 related to tiredness, 99 to guilt and 68 to loneliness. The delimitation of the corpus considered three distinct moments: the period before the pandemic, the height of the quarantine and the post-vaccination interval. Content Analysis was the main methodology of the research, with the support of Nvivo 12 Pro software for data coding. The results show a 13,3% increase in the recurrence of the themes of maternal guilt, tiredness and loneliness in the issues of Crescer magazine during the pandemic. The analysis shows that these feelings are intrinsically linked to the intensive mothering model, revealing that this increase reflects the strengthening of discourses that question the contradictions of motherhood in contemporary times. Furthermore, there has been an increase in the proposal of structural solutions and a reduction in private solutions. Before the pandemic, structural solutions accounted for 33% of the total, while during the pandemic they accounted for an average of 43%. On the other hand, private solutions fell from 44% to an average of 23%. These results show that, during the pandemic, it became possible to question aspects of motherhood that, until then, had been largely naturalized, allowing for a closer look at maternal overload and its impact on mothers.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRodrigues, Maria Clotilde PerezPinho, Juliana Malacarne de2025-04-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27164/tde-01082025-134258/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-05T17:10:02Zoai:teses.usp.br:tde-01082025-134258Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-05T17:10:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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