Uso de testes de campo para avaliação da capacidade física e identificação de fatores relacionados às limitações ao exercício em pacientes com linfangioleiomiomatose
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5150/tde-29092025-141027/ |
Resumo: | Linfangioleiomiomatose (LAM) é uma neoplasia pulmonar cística rara (21 mulheres por milhão de habitantes no mundo), que causa alterações nas trocas gasosas pulmonares, limitação da capacidade física e piora da qualidade de vida. O teste cardiopulmonar de exercício (TCPE) é o padrão-ouro para avaliar a potência aeróbia; no entanto, é pouco acessível na prática clínica. Os testes de campo são amplamente utilizados para avaliação da capacidade física de pacientes com doenças respiratórias crônicas. No entanto, pouco se sabe sobre sua efetividade e segurança em pacientes com LAM. Objetivos: Primário: investigar se o teste incremental de caminhada (do inglês, incremental shuttle walking test, ISWT) é capaz de avaliar a capacidade aeróbia máxima em pacientes com LAM. Secundários: avaliar a razão dessaturação-distância (DDR do inglês, desaturation distance ratio) que é a razão entre a área de dessaturação (área sob a curva do gráfico de dessaturação de oxigênio) e a distância percorrida, e sua predição, em testes de exercícios máximos e submáximos. Terciário: investigar quais os fatores clinicos e funcionais estão associados à qualidade de vida nesta população. Métodos: Neste estudo transversal foram avaliadas pacientes com LAM em dois dias não consecutivos. No primeiro dia, após coleta de dados clínicos, foram realizados a avaliação da função pulmonar (espirometria e pletismografia corporal) e o TCPE. No segundo dia, foi realizada a avaliação da força muscular de quadríceps, da qualidade de vida (SF36 e CRQ) e dos sintomas de ansiedade e depressão (HADS). Por fim, foi aleatorizada a ordem de realização dos testes de campo, ISWT e TC6, com intervalo de uma hora entre eles. Foram obtidos valores de consumo máximo de oxigênio (VO2 pico), produção de dióxido de carbono (VCO2), taxa de troca respiratória (RER) e frequência cardíaca (FC) para comparação no pico de exercício. Foi realizada a avaliação da razão dessaturação-distância, que corresponde à relação entre a area de dessaturação e a distância percorrida. A normalidade dos dados foi avaliada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. A comparação de dados foi avaliada por teste t pareado ou Wilcoxon e qui-quadrado ou Fisher. Análises de correlação de Pearson ou Spearman e Bland-Altman avaliaram a associação e concordância entre as variáveis, respectivamente. O coeficiente de correlação intraclasse (ICC) foi usado para avaliar a confiabilidade dos dados. Análises de curva ROC foram usadas para verificar a sensibilidade e especificidade do DDR para cada teste de campo. Análises de regressão linear múltipla foram realizadas, incluindo as variáveis com correlação linear (P< 0,2). Os melhores modelos preditivos foram considerados pelo melhor coeficiente independente. O nível de significância foi estabelecido como 5% (P< 0.05). Resultados: No primeiro estudo foram avaliados 45 pacientes (46,1 ± 10,2 anos, VEF1% predito 75 ± 19%) e foi observado que o VO2 pico, RER e FC pico foram semelhantes durante o TCPE e ISWT (15,6 ± 4,6 vs. 15,7 ± 4,4 ml.kg-1.min-1; 1,15± 0,09 vs. 1,17 ± 0,12; e 142,2 ± 18,6 vs. 141,5 ± 22,2 bpm, respectivamente; P>0,05). Foi observada uma boa correlação linear (r= 0,79; p<0,001) e ICC (0,86; IC95% 0,74 - 0,93) entre o VO2 pico entre os testes. A obstrução das vias aéreas, redução da difusão pulmonar e aprisionamento aéreo foram encontrados em 60, 57 e 15% das pacientes, respectivamente. No segundo estudo, a distância percorrida e o DDR para o TC6 e ISWT foram, respectivamente, 517 ± 65 e 443 ± 127m; e 6,6 (3,810,9) e 8,3 (6,212,7), foi observado que o TC6 apresentou um efeito teto com as pacientes percorrendo distâcias acima de 500 metros, com relaçao ao ISWT a média da distância percorrida foi abaixo dos 450 metros e não foi observado efeito teto. Não houve eventos adversos para as pacientes durante os testes de campo. A obstrução das vias aéreas, a redução da difusão pulmonar e o aprisionamento aéreo foram variáveis independentes preditivas da DDR durante testes de campo de exercícios. No terceiro estudo, os fatores de saúde da qualidade de vida (FSQV) foi avaliadas utilizando dois questionários, um específico (Chronic Respiratory Questionnaire, CRQ) e um genérico (Short Form -36). Os escores dos domínios vitalidade e estado geral de saúde avaliados pelo SF-36 foram considerados baixos enquanto dos dominios fisíco e social, forma considerados altos. Os escores dos domínios dispneia e fadiga avaliados pelo CRQ foram considerados baixos e a função emocional e auto-controle considerados altos. Dezesseis (35%) mulheres apresentaram sintomas de ansiedade e 8 (17%), de depressão, os dados de função pulmonar apresentaram VEF1 75, 4 (±19,33 %predito), CVF 88, 2 (±19,27), VR/CPT 121, 8 (± 37,1%predito) e Dlco 72,1 (± 20,6 %predito), com relação a capacidade de exercícos, os valores são os mesmos descritos no segundo estudo. A maioria dos domínios do SF-36 e CRQ estavam associados com sintomas de ansiedade e depressão (r=0,4, r=0,7; P<0,05) e a capacidade de exercício (r=0,3, r=0,5; P<0,05). Por outro lado, foi observada uma fraca associação entre a função pulmonar e os FSQV Após regressão linear múltipla, a qualidade de vida se mostrou independentemente associada apenas com sintomas de ansiedade e depressão e capacidade física. Conclusões: Os resultados sugerem que o ISWT é capaz de avaliar com segurança o desempenho máximo do exercício em pacientes com LAM, além disso apresentamos equações preditivas dos VO2 picos baseados na performance do ISWT. Os resultados sugerem que a DDR é uma ferramenta útil para avaliação funcional durante exercícios máximos e submáximos em pacientes com LAM, sendo predita pela obstrução das vias aéreas, redução da difusão pulmonar e aprisionamento aéreo. Por fim, verificou-se que a capacidade aeróbia e os sintomas de depressão são os principais fatores relacionados à qualidade de vida. Porém, os parâmetros de função pulmonar tiveram fraca associação com os sintomas de ansiedade e depressão e com a qualidade de vida nesta população |
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Uso de testes de campo para avaliação da capacidade física e identificação de fatores relacionados às limitações ao exercício em pacientes com linfangioleiomiomatoseUse of field tests to assess physical capacity and identify factors related to exercise limitations in patients with lymphangioleiomyomatosisCystic lung diseasesDoenças pulmonares císticasField testsFunção pulmonarLinfangioleiomiomatoseLymphangioleiomyomatosisPulmonary functionTestes de campoLinfangioleiomiomatose (LAM) é uma neoplasia pulmonar cística rara (21 mulheres por milhão de habitantes no mundo), que causa alterações nas trocas gasosas pulmonares, limitação da capacidade física e piora da qualidade de vida. O teste cardiopulmonar de exercício (TCPE) é o padrão-ouro para avaliar a potência aeróbia; no entanto, é pouco acessível na prática clínica. Os testes de campo são amplamente utilizados para avaliação da capacidade física de pacientes com doenças respiratórias crônicas. No entanto, pouco se sabe sobre sua efetividade e segurança em pacientes com LAM. Objetivos: Primário: investigar se o teste incremental de caminhada (do inglês, incremental shuttle walking test, ISWT) é capaz de avaliar a capacidade aeróbia máxima em pacientes com LAM. Secundários: avaliar a razão dessaturação-distância (DDR do inglês, desaturation distance ratio) que é a razão entre a área de dessaturação (área sob a curva do gráfico de dessaturação de oxigênio) e a distância percorrida, e sua predição, em testes de exercícios máximos e submáximos. Terciário: investigar quais os fatores clinicos e funcionais estão associados à qualidade de vida nesta população. Métodos: Neste estudo transversal foram avaliadas pacientes com LAM em dois dias não consecutivos. No primeiro dia, após coleta de dados clínicos, foram realizados a avaliação da função pulmonar (espirometria e pletismografia corporal) e o TCPE. No segundo dia, foi realizada a avaliação da força muscular de quadríceps, da qualidade de vida (SF36 e CRQ) e dos sintomas de ansiedade e depressão (HADS). Por fim, foi aleatorizada a ordem de realização dos testes de campo, ISWT e TC6, com intervalo de uma hora entre eles. Foram obtidos valores de consumo máximo de oxigênio (VO2 pico), produção de dióxido de carbono (VCO2), taxa de troca respiratória (RER) e frequência cardíaca (FC) para comparação no pico de exercício. Foi realizada a avaliação da razão dessaturação-distância, que corresponde à relação entre a area de dessaturação e a distância percorrida. A normalidade dos dados foi avaliada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. A comparação de dados foi avaliada por teste t pareado ou Wilcoxon e qui-quadrado ou Fisher. Análises de correlação de Pearson ou Spearman e Bland-Altman avaliaram a associação e concordância entre as variáveis, respectivamente. O coeficiente de correlação intraclasse (ICC) foi usado para avaliar a confiabilidade dos dados. Análises de curva ROC foram usadas para verificar a sensibilidade e especificidade do DDR para cada teste de campo. Análises de regressão linear múltipla foram realizadas, incluindo as variáveis com correlação linear (P< 0,2). Os melhores modelos preditivos foram considerados pelo melhor coeficiente independente. O nível de significância foi estabelecido como 5% (P< 0.05). Resultados: No primeiro estudo foram avaliados 45 pacientes (46,1 ± 10,2 anos, VEF1% predito 75 ± 19%) e foi observado que o VO2 pico, RER e FC pico foram semelhantes durante o TCPE e ISWT (15,6 ± 4,6 vs. 15,7 ± 4,4 ml.kg-1.min-1; 1,15± 0,09 vs. 1,17 ± 0,12; e 142,2 ± 18,6 vs. 141,5 ± 22,2 bpm, respectivamente; P>0,05). Foi observada uma boa correlação linear (r= 0,79; p<0,001) e ICC (0,86; IC95% 0,74 - 0,93) entre o VO2 pico entre os testes. A obstrução das vias aéreas, redução da difusão pulmonar e aprisionamento aéreo foram encontrados em 60, 57 e 15% das pacientes, respectivamente. No segundo estudo, a distância percorrida e o DDR para o TC6 e ISWT foram, respectivamente, 517 ± 65 e 443 ± 127m; e 6,6 (3,810,9) e 8,3 (6,212,7), foi observado que o TC6 apresentou um efeito teto com as pacientes percorrendo distâcias acima de 500 metros, com relaçao ao ISWT a média da distância percorrida foi abaixo dos 450 metros e não foi observado efeito teto. Não houve eventos adversos para as pacientes durante os testes de campo. A obstrução das vias aéreas, a redução da difusão pulmonar e o aprisionamento aéreo foram variáveis independentes preditivas da DDR durante testes de campo de exercícios. No terceiro estudo, os fatores de saúde da qualidade de vida (FSQV) foi avaliadas utilizando dois questionários, um específico (Chronic Respiratory Questionnaire, CRQ) e um genérico (Short Form -36). Os escores dos domínios vitalidade e estado geral de saúde avaliados pelo SF-36 foram considerados baixos enquanto dos dominios fisíco e social, forma considerados altos. Os escores dos domínios dispneia e fadiga avaliados pelo CRQ foram considerados baixos e a função emocional e auto-controle considerados altos. Dezesseis (35%) mulheres apresentaram sintomas de ansiedade e 8 (17%), de depressão, os dados de função pulmonar apresentaram VEF1 75, 4 (±19,33 %predito), CVF 88, 2 (±19,27), VR/CPT 121, 8 (± 37,1%predito) e Dlco 72,1 (± 20,6 %predito), com relação a capacidade de exercícos, os valores são os mesmos descritos no segundo estudo. A maioria dos domínios do SF-36 e CRQ estavam associados com sintomas de ansiedade e depressão (r=0,4, r=0,7; P<0,05) e a capacidade de exercício (r=0,3, r=0,5; P<0,05). Por outro lado, foi observada uma fraca associação entre a função pulmonar e os FSQV Após regressão linear múltipla, a qualidade de vida se mostrou independentemente associada apenas com sintomas de ansiedade e depressão e capacidade física. Conclusões: Os resultados sugerem que o ISWT é capaz de avaliar com segurança o desempenho máximo do exercício em pacientes com LAM, além disso apresentamos equações preditivas dos VO2 picos baseados na performance do ISWT. Os resultados sugerem que a DDR é uma ferramenta útil para avaliação funcional durante exercícios máximos e submáximos em pacientes com LAM, sendo predita pela obstrução das vias aéreas, redução da difusão pulmonar e aprisionamento aéreo. Por fim, verificou-se que a capacidade aeróbia e os sintomas de depressão são os principais fatores relacionados à qualidade de vida. Porém, os parâmetros de função pulmonar tiveram fraca associação com os sintomas de ansiedade e depressão e com a qualidade de vida nesta populaçãoIntroduction: Lymphangioleiomyomatosis (LAM) is a rare cystic lung neoplasia (-21 women per million inhabitants in the world), which causes changes in pulmonary gas exchange, leading to a limitation in physical capacity and decreases the life quality. The cardiopulmonary exercise test (CPET) is the gold standard for assessing aerobic capacity; however, it is not easily accessible in clinical practice. Field tests are widely used to evaluate the physical capacity of patients with chronic respiratory diseases. However, little is known about their effectiveness and safety in patients with LAM. Objectives: Field tests are widely used to assess the physical capacity of patients with chronic respiratory diseases. However, little is known about their effectiveness and safety in patients with LAM. The primary goal is to investigate if the incremental shuttle walking test, ISWT can evaluate the maximum aerobic capacity in LAM patients. The secondary is to assess the DDR and its prediction. The tertiary is to estimate which clinical and functional are associated to this populations quality of life. Methods: In this longitudinal cross-sectional study, LAM patients were evaluated in two consecutive days. After the clinical data gathering, the pulmonary function assessments were performed (spirometry and body plethysmography), as well as cardiopulmonary exercise test (CPET) On the second day, quadriceps muscle strength, quality of life (SF36 e CRQ) and anxiety and depression symptoms (HADS) assessments were conducted. Finally, the field tests order was randomized, ISWT and 6-minute walking test (6MWT) having a one-hour break between them. For comparison at peak exercise, it was obtained: values of maximal oxygen consumption (VO2 peak), carbon dioxide production (VCO2), respiratory exchange ratio (RER), and heart rate (HR). The desaturation-distance ratio assessment was performed, which corresponds to the relationship between the desaturation area and the distance travelled. Data normality was assessed be the Kolmogorov-Smirnov test. Data comparison was evaluated by paired test t or chi-square. Pearson correlation and Bland-Altman correlation analysis examined the concordance and association between variables, respectively. The intraclass correlation coefficient (ICC) was used to assess the data reliability. ROC curve were used to verify the DDR sensitivity and specificity for each field test. Multiple linear regression was performed, including variables with linear correlation (p < 0.2). The best predictive models were considered based on the highest independent coefficient. The significance level was set at 5% (p < 0.05). Results: In the first study, 45 patients were evaluated (46,1 ± 10,2 years), predicted FEV1% (75 ± 19) and VO2 peak, RER, and peak HR were similar during the CPET and ISWT (15.6 ± 4.6 vs. 15.7 ± 4.4 ml.kg-1.min-1; 1.15 ± 0.09 vs. 1.17 ± 0.12; and 142.2 ± 18.6 vs. 141.5 ± 22.2 bpm, respectively; p > 0.05). A good linear correlation (r = 0.79; p < 0.001) and ICC (0.86; 95% CI 0.74 - 0.93) were observed between the VO2 peak of both tests. Airway obstruction, reduced pulmonary diffusion, and air trapping were found in 60%, 57%, and 15% of the patients, respectively. In the second study, the distance and DDR for the 6MWT and ISWT were 517 ± 65 and 443 ± 127 meters, respectively; and 6.6 (3.810.9) and 8.3 (6.212.7), respectively. No adverse events were reported for the patients during the field tests. Airway obstruction, reduced pulmonary diffusion, and air trapping were independent predictive variables for DDR during the exercise field tests. In the third study, the generic questionnaire (SF-36), the vitality and general health domains scores were the lower, while the physical and social domains scores were higher. In the specific questionnaire (CRQ), the dyspnoea and fatigue domain scores were considered lower, while the emotional function and mastery domain scores were higher. Sixteen (35%) women presented anxiety symptoms and eight (17%),depression. Most of the SF-36 and CRQ domains were associated with anxiety and depressions symptoms (r=0,4, r=0,7; p<0,05) and the exercise capacity (r=0,3, r=0,5; p<0,05). After the multiple linear regression, the quality of life was shown to be independently associated only with anxiety and depression symptoms and physical capacity. Conclusion:(1) The results suggest that the ISWT can safely assess maximal exercise capacity in patients with LAM, and we also present predictive equations for VO2 peak based on ISWT performance. (2) The results indicate that the DDR is a useful tool for functional assessment during maximal and submaximal exercise in patients with LAM, being predicted by airway obstruction, reduced pulmonary diffusion, and air trapping. (3) The findings suggest that aerobic capacity and depression symptoms are the main factors related to quality of life, on the other hand pulmonary function parameters showed a weak association with anxiety and depression symptoms and quality of life in this populationBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBaldi, Bruno GuedesCarvalho, Celso Ricardo Fernandes deQueiroz, Douglas Silva2025-03-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5150/tde-29092025-141027/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-29T19:30:02Zoai:teses.usp.br:tde-29092025-141027Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-29T19:30:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Uso de testes de campo para avaliação da capacidade física e identificação de fatores relacionados às limitações ao exercício em pacientes com linfangioleiomiomatose Queiroz, Douglas Silva Cystic lung diseases Doenças pulmonares císticas Field tests Função pulmonar Linfangioleiomiomatose Lymphangioleiomyomatosis Pulmonary function Testes de campo |
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Linfangioleiomiomatose (LAM) é uma neoplasia pulmonar cística rara (21 mulheres por milhão de habitantes no mundo), que causa alterações nas trocas gasosas pulmonares, limitação da capacidade física e piora da qualidade de vida. O teste cardiopulmonar de exercício (TCPE) é o padrão-ouro para avaliar a potência aeróbia; no entanto, é pouco acessível na prática clínica. Os testes de campo são amplamente utilizados para avaliação da capacidade física de pacientes com doenças respiratórias crônicas. No entanto, pouco se sabe sobre sua efetividade e segurança em pacientes com LAM. Objetivos: Primário: investigar se o teste incremental de caminhada (do inglês, incremental shuttle walking test, ISWT) é capaz de avaliar a capacidade aeróbia máxima em pacientes com LAM. Secundários: avaliar a razão dessaturação-distância (DDR do inglês, desaturation distance ratio) que é a razão entre a área de dessaturação (área sob a curva do gráfico de dessaturação de oxigênio) e a distância percorrida, e sua predição, em testes de exercícios máximos e submáximos. Terciário: investigar quais os fatores clinicos e funcionais estão associados à qualidade de vida nesta população. Métodos: Neste estudo transversal foram avaliadas pacientes com LAM em dois dias não consecutivos. No primeiro dia, após coleta de dados clínicos, foram realizados a avaliação da função pulmonar (espirometria e pletismografia corporal) e o TCPE. No segundo dia, foi realizada a avaliação da força muscular de quadríceps, da qualidade de vida (SF36 e CRQ) e dos sintomas de ansiedade e depressão (HADS). Por fim, foi aleatorizada a ordem de realização dos testes de campo, ISWT e TC6, com intervalo de uma hora entre eles. Foram obtidos valores de consumo máximo de oxigênio (VO2 pico), produção de dióxido de carbono (VCO2), taxa de troca respiratória (RER) e frequência cardíaca (FC) para comparação no pico de exercício. Foi realizada a avaliação da razão dessaturação-distância, que corresponde à relação entre a area de dessaturação e a distância percorrida. A normalidade dos dados foi avaliada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. A comparação de dados foi avaliada por teste t pareado ou Wilcoxon e qui-quadrado ou Fisher. Análises de correlação de Pearson ou Spearman e Bland-Altman avaliaram a associação e concordância entre as variáveis, respectivamente. O coeficiente de correlação intraclasse (ICC) foi usado para avaliar a confiabilidade dos dados. Análises de curva ROC foram usadas para verificar a sensibilidade e especificidade do DDR para cada teste de campo. Análises de regressão linear múltipla foram realizadas, incluindo as variáveis com correlação linear (P< 0,2). Os melhores modelos preditivos foram considerados pelo melhor coeficiente independente. O nível de significância foi estabelecido como 5% (P< 0.05). Resultados: No primeiro estudo foram avaliados 45 pacientes (46,1 ± 10,2 anos, VEF1% predito 75 ± 19%) e foi observado que o VO2 pico, RER e FC pico foram semelhantes durante o TCPE e ISWT (15,6 ± 4,6 vs. 15,7 ± 4,4 ml.kg-1.min-1; 1,15± 0,09 vs. 1,17 ± 0,12; e 142,2 ± 18,6 vs. 141,5 ± 22,2 bpm, respectivamente; P>0,05). Foi observada uma boa correlação linear (r= 0,79; p<0,001) e ICC (0,86; IC95% 0,74 - 0,93) entre o VO2 pico entre os testes. A obstrução das vias aéreas, redução da difusão pulmonar e aprisionamento aéreo foram encontrados em 60, 57 e 15% das pacientes, respectivamente. No segundo estudo, a distância percorrida e o DDR para o TC6 e ISWT foram, respectivamente, 517 ± 65 e 443 ± 127m; e 6,6 (3,810,9) e 8,3 (6,212,7), foi observado que o TC6 apresentou um efeito teto com as pacientes percorrendo distâcias acima de 500 metros, com relaçao ao ISWT a média da distância percorrida foi abaixo dos 450 metros e não foi observado efeito teto. Não houve eventos adversos para as pacientes durante os testes de campo. A obstrução das vias aéreas, a redução da difusão pulmonar e o aprisionamento aéreo foram variáveis independentes preditivas da DDR durante testes de campo de exercícios. No terceiro estudo, os fatores de saúde da qualidade de vida (FSQV) foi avaliadas utilizando dois questionários, um específico (Chronic Respiratory Questionnaire, CRQ) e um genérico (Short Form -36). Os escores dos domínios vitalidade e estado geral de saúde avaliados pelo SF-36 foram considerados baixos enquanto dos dominios fisíco e social, forma considerados altos. Os escores dos domínios dispneia e fadiga avaliados pelo CRQ foram considerados baixos e a função emocional e auto-controle considerados altos. Dezesseis (35%) mulheres apresentaram sintomas de ansiedade e 8 (17%), de depressão, os dados de função pulmonar apresentaram VEF1 75, 4 (±19,33 %predito), CVF 88, 2 (±19,27), VR/CPT 121, 8 (± 37,1%predito) e Dlco 72,1 (± 20,6 %predito), com relação a capacidade de exercícos, os valores são os mesmos descritos no segundo estudo. A maioria dos domínios do SF-36 e CRQ estavam associados com sintomas de ansiedade e depressão (r=0,4, r=0,7; P<0,05) e a capacidade de exercício (r=0,3, r=0,5; P<0,05). Por outro lado, foi observada uma fraca associação entre a função pulmonar e os FSQV Após regressão linear múltipla, a qualidade de vida se mostrou independentemente associada apenas com sintomas de ansiedade e depressão e capacidade física. Conclusões: Os resultados sugerem que o ISWT é capaz de avaliar com segurança o desempenho máximo do exercício em pacientes com LAM, além disso apresentamos equações preditivas dos VO2 picos baseados na performance do ISWT. Os resultados sugerem que a DDR é uma ferramenta útil para avaliação funcional durante exercícios máximos e submáximos em pacientes com LAM, sendo predita pela obstrução das vias aéreas, redução da difusão pulmonar e aprisionamento aéreo. Por fim, verificou-se que a capacidade aeróbia e os sintomas de depressão são os principais fatores relacionados à qualidade de vida. Porém, os parâmetros de função pulmonar tiveram fraca associação com os sintomas de ansiedade e depressão e com a qualidade de vida nesta população |
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