Como ensinar o mundo em uma ilha? Geografias Negras e a construção de uma professora esculpida a machado em Ilha de Maré, Salvador, Bahia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Benedetti, Amanda Cristina
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-24032025-110011/
Resumo: Considerando que vivemos num sistema mundo moderno-colonial (Porto-Gonçalves, 2017) marcado por relações cada vez mais individualistas e injustas, características de uma sociedade neoliberal, seja no âmbito material ou subjetivo, procurei entender as mais diversas experiências que fazem os professores tornarem-se, de fato, professores/as, analisando a minha própria prática docente através de revisão bibliográfica, leitura e análise de dados e, principalmente, do método da implicação (Baitz, 2006). Assim, busquei realizar uma autorreflexão sobre quem sou e sobre a minha própria geografia, a fim de entender as diferentes formas pelas quais é possível fazermos uma análise geográfica da questão racial. A partir de quem sou, busco entender como é a comunidade escolar em que leciono, apresentando elementos presentes no cotidiano e dados alarmantes sobre fome, renda, escolaridade e analfabetismo vividos pelos jovens estudantes da Escola Municipal de Ilha de Maré (EMIM), processo associado ao racismo estrutural (Almeida, 2019) e, particularmente, ao racismo ambiental (Pacheco & Faustino, 2013), dado que estou tratando de Ilha de Maré, um bairro insular, rural e quilombola de Salvador, onde 93% das pessoas são negras (IBGE, 2010) e tem as atividades da pesca e mariscagem, atualmente realizadas em águas contaminadas, como uma das suas principais fontes de alimentação e renda. Por fim, compartilho as geografias que tenho construído em sala de aula, estas que fazem parte do conjunto epistêmico das Geografias Negras (Guimarães, 2020; Cirqueira & Santos, 2023; Ratts, 2015; Ribeiro, 2022), fundamentais para a emancipação, onde, desenvolvendo o raciocínio geográfico (Girotto, 2015), objetivo fazer com que os estudantes aprendam a se posicionar e, assim, agir no mundo (Santos, 2010), sendo fundamentos deste processo a importância do lugar no ensino de geografia, o princípio de que a questão racial é transversal e interseccional e o fortalecimento da autoestima dos/as jovens negros/as, entendida como combustível que nos possibilita o sentimento de que podemos – e merecemos – viver num mundo livre, sem mortes ou grades, sejam estas materiais ou subjetivas
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Assim, busquei realizar uma autorreflexão sobre quem sou e sobre a minha própria geografia, a fim de entender as diferentes formas pelas quais é possível fazermos uma análise geográfica da questão racial. A partir de quem sou, busco entender como é a comunidade escolar em que leciono, apresentando elementos presentes no cotidiano e dados alarmantes sobre fome, renda, escolaridade e analfabetismo vividos pelos jovens estudantes da Escola Municipal de Ilha de Maré (EMIM), processo associado ao racismo estrutural (Almeida, 2019) e, particularmente, ao racismo ambiental (Pacheco & Faustino, 2013), dado que estou tratando de Ilha de Maré, um bairro insular, rural e quilombola de Salvador, onde 93% das pessoas são negras (IBGE, 2010) e tem as atividades da pesca e mariscagem, atualmente realizadas em águas contaminadas, como uma das suas principais fontes de alimentação e renda. Por fim, compartilho as geografias que tenho construído em sala de aula, estas que fazem parte do conjunto epistêmico das Geografias Negras (Guimarães, 2020; Cirqueira & Santos, 2023; Ratts, 2015; Ribeiro, 2022), fundamentais para a emancipação, onde, desenvolvendo o raciocínio geográfico (Girotto, 2015), objetivo fazer com que os estudantes aprendam a se posicionar e, assim, agir no mundo (Santos, 2010), sendo fundamentos deste processo a importância do lugar no ensino de geografia, o princípio de que a questão racial é transversal e interseccional e o fortalecimento da autoestima dos/as jovens negros/as, entendida como combustível que nos possibilita o sentimento de que podemos – e merecemos – viver num mundo livre, sem mortes ou grades, sejam estas materiais ou subjetivasConsidering that we live in a modern-colonial world system (Porto-Gonçalves, 2017), characterized by increasingly individualistic and unjust relations, which are typical of a neoliberal society, both in material and subjective aspects, I aimed to understand the diverse experiences that shape teachers into becoming true educators. To do so, I analyzed my own teaching practice through bibliographic review, data analysis, and, most notably, through the method of implication (Baitz, 2006). In this process, I sought to engage in self-reflection about who I am and my own geography, in order to better understand the various ways in which we can conduct a geographical analysis of racial issues. Drawing from my own identity, I examine the school community where I teach, presenting everyday elements and alarming data on hunger, income, education, and illiteracy faced by the young students at the Escola Municipal de Ilha de Maré (EMIM). This process is intertwined with structural racism (Almeida, 2019) and, particularly, environmental racism (Pacheco & Faustino, 2013), since Ilha de Maré is an insular, rural, quilombola neighborhood in Salvador, where 93% of the population is Black (IBGE, 2010), and where fishing and shellfishing – now carried out in contaminated waters – are the main sources of food and income. Finally, I share the geographies I have been constructing in the classroom, which are part of the epistemic framework of Black Geographies (Guimarães, 2020; Cirqueira & Santos, 2023; Ratts, 2015; Ribeiro, 2022), essential for the process of emancipation. By developing geographical reasoning (Girotto, 2015), my aim is to help students learn how to position themselves and act in the world (Santos, 2010). The foundation of this process lies in recognizing the importance of place in geography education, understanding that racial issues are transversal and intersectional, and appreciating the role of strengthening the self-esteem of Black youth, which I see as the driving force that enables us to believe we can – and deserve to – live in a world free from death, from bars, whether they are material or subjectiveBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGirotto, Eduardo DonizetiBenedetti, Amanda Cristina2024-12-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-24032025-110011/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-03-24T14:06:03Zoai:teses.usp.br:tde-24032025-110011Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-03-24T14:06:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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